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Perspectivas

Eduardo Filipe, comissário da ILUSTRARTE“O Barreiro está no mapa da ilustração mundial”

Através de uma programação ininterrupta, na qual no AMAC estão sempre presentes cerca de duas ou mais exposições sobre a temática da ilustração infantil, Eduardo Filipe diz que ao fim de quatro anos de existência, a ILUSTRARTE conta já com um público fiel. E, desse público, comenta: “vai desde os mais pequeninos do pré-escolar, até aos avós desses meninos”.

Fundamentando que a ilustração infantil interessa a diferentes públicos, desde os mais novos, para os quais os livros são feitos, passando pelos educadores, professores ou familiares que os acompanham e acrescenta: “e também os jovens que começam a dedicar-se à arte ou que querem vir a ser artistas ou ilustradores”.

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Eduardo Filipe, comissário da ILUSTRARTE “O Barreiro está no mapa da ilustração mundial”

Por Jornal Rostos

Uma arte que fascina pequenos e graúdos. A Ilustração para a infância assim se revela, “fascinante”, e a explicação para esse encantamento encontra-o Eduardo Filipe, comissário da ILUSTRARTE: ”Estas imagens contam histórias e as pessoas adoram que lhes contem histórias”. E num contar de histórias a ILUSTRARTE, um projecto cultural centrado no livro infantil ilustrado, lançou os seus frutos e levou o nome do Barreiro às mais altas esferas da ilustração, ao que comenta Eduardo Filipe: “O Barreiro está no mapa da ilustração mundial”. E este ano, para além da Bienal Internacional e de uma programação regular de exposições, a ILUSTRARTE prepara de 8 a 11 de Dezembro a 1.ª Edição do Salão para a Infância, com o objectivo de proporcionar um espaço de encontro e convívio em torno deste mundo de deslumbramento.

“Apercebemo-nos de que nas páginas dos livros infantis encontrava-se arte ao mais alto nível”

Assumindo-se como “consumidor” regular de arte, Eduardo Filipe conta que a ideia da ILUSTRARTE surgiu primeiro sobre a forma de uma colecção particular de originais de ilustração para a infância, que no início dos anos 90 começou a reunir em conjunto com Ju Godinho, com quem partilha o comissariado da ILUSTRARTE. E explica: “Apercebemo-nos de que nas páginas dos livros infantis encontrava-se arte ao mais alto nível”, o que fez com que esse trabalho não se ficasse por aí. Depois de esgotado o mercado nacional, os horizontes estenderam-se e em 2003 surgiu a ideia de se criar um evento sobre o tema da ilustração para a infância e assim surgiu a Bienal Internacional, um concurso que conta este ano com a sua terceira edição e onde participam ilustradores de todos os cantos do mundo. E logo na primeira edição, este desafio teve uma participação de 500 ilustradores de cerca de 30 países. Eduardo Filipe conta ainda que a preocupação da constituição de um júri internacional de prestígio foi também tida em conta, uma condição que considera essencial para o bom-nome do concurso.

“Arte na Página” para motivar o gosto pela Ilustração Infantil

Outra preocupação que o comissário da ILUSTRARTE fala é da vontade que tinham em criar um público que se habituasse a ver ilustração infantil, motivando-lhe o gosto por essa forma de arte e, nesse sentido, pensaram em criar um programa regular de exposições de originais de ilustração para a infância e assim nasceu o projecto “Arte na Página”, que em quatro anos fez cerca de 30 exposições. Para além de exposições de retrospectivas de carreira de ilustradores famosos, o Auditório Municipal Augusto Cabrita (AMAC) recebe exposições colectivas, normalmente temáticas, das quais Eduardo Filipe destaca, em 2005 a exposição alusiva ao bicentenário do nascimento do escritor H.C. Anderson, sob o nome: “Ervilhas para Verdadeiras Princesas” e anuncia que no início de 2008 o AMAC vai receber uma exposição de ilustração iraniana chamada “As Mil e Uma Noites”.
No âmbito das exposições, conta ainda que surgem também algumas aquando o lançamento de um novo livro, na qual se aproveita o lançamento da obra no AMAC e em que se faz a exposição de todos os originais de um só livro, o que comenta: “é engraçado porque o próprio livro torna-se no catálogo da exposição”.

Público – “vai desde os mais pequeninos do pré-escolar, até aos avós desses meninos”
Através de uma programação ininterrupta, na qual no AMAC estão sempre presentes cerca de duas ou mais exposições sobre a temática da ilustração infantil, Eduardo Filipe diz que ao fim de quatro anos de existência, a ILUSTRARTE conta já com um público fiel. E, desse público, comenta: “vai desde os mais pequeninos do pré-escolar, até aos avós desses meninos”. Fundamentando que a ilustração infantil interessa a diferentes públicos, desde os mais novos, para os quais os livros são feitos, passando pelos educadores, professores ou familiares que os acompanham e acrescenta: “e também os jovens que começam a dedicar-se à arte ou que querem vir a ser artistas ou ilustradores”. Sublinhando que em torno do livro infantil ilustrado gira uma grande quantidade de pessoas, com as mais diversas ocupações, considera: “para quem estas exposições representam a confirmação da importância artística do trabalho que fazem”. E esses profissionais são desde os escritores, os ilustradores, os editores, os gráficos ou os designers, ao que Eduardo Filipe sintetiza: “toda a indústria do livro”.

“Somos visitados por pessoas de todo o país, desde dos politécnicos de Santarém, de Portalegre ou de Coimbra”

Ao nível do pré-escolar e primeiro ciclo, faz questão em sublinhar que não são apenas as escolas do Barreiro a virem visitar as exposições, mas sim todas as escolas da Área Metropolitana de Lisboa, o que responde também um pouco à frase da famosa ilustradora checa Kvëta Pacovská, que um dia considerou: “Um livro ilustrado é a primeira galeria de arte que uma criança visita”.
Eduardo Filipe fala também dos mais graúdos que também vêem de uma forma entusiástica esta iniciativa: “Somos visitados por pessoas de todo o país, desde dos politécnicos de Santarém, de Portalegre ou de Coimbra”. E chama ainda a atenção para o facto de, quando os artistas colocam à venda as suas obras na exposição (uma escolha que fica ao critério dos artistas, como faz questão de sublinhar) “ficam espantados porque vendem mais aqui do que em muitos outros lados e até do que no seu país de origem, porque de facto cria-se um público à volta disto”, sustenta.

“Estas imagens contam histórias e as pessoas adoram que lhes contem histórias”

Para explicar o fascínio que faz com que tantas pessoas de diferentes idades se interessem pela ilustração infantil, considera que se, por um lado, no geral “as pessoas gostam de livros ilustrados porque as imagens são bonitas e apelativas”, por outro, considera que o facto de a ilustração ter sempre um carácter narrativo cativa muito as pessoas: “Estas imagens contam histórias e as pessoas adoram que lhes contem histórias”. E, no seu entender, é esse factor que prende a atenção dos diferentes públicos, ao que acrescenta: “a interpretação e a forma como olham é diferente, seguramente, uns não reconheceram as alusões à história da arte, mas cada um faz a sua própria leitura, tendo esse denominador comum que é a história que lhes está a ser contada visualmente”.

Salão para a Infância – “Um grande encontro entre os vários protagonistas nesta história”

Este ano e um mês depois da Exposição Bienal, a ILUSTRARTE prepara uma outra iniciativa, a 1.ª Edição do Salão para a Infância que vai decorrer entre os dias 8 e 11 de Dezembro no AMAC. Uma ambição que Eduardo Filipe diz ser já antiga e que vai ao encontro da vontade de se concretizar “um grande encontro entre os vários protagonistas nesta história” e que diz serem os escritores, os ilustradores, os editores e os próprios leitores. Um encontro que, apesar de dizer que tem características semelhantes a uma feira do livro, adverte: “o objectivo aqui não é a venda dos livros”, sublinhando que o propósito fundamental é proporcionar esse espaço de encontro e convívio, onde conta que os stands das várias editoras vão estar presentes e onde cada uma delas se comprometeu a estabelecer um calendário de presenças de escritores e de ilustradores, de modo a que os visitantes possam saber que escritores vão estar presentes e em que dia e horas, permitindo-lhes trocar conversas com os autores e inclusivamente pedir-lhe um autógrafo, quer do escritor, quer do ilustrador “que vai personalizar aquele livro para sempre”. Refere ainda que o salão vai ser apadrinhado pelo Salão do Livro e da Imprensa Infantil de Montreuil (nos arredores de Paris), e cuja directora, Sylvie Vassalo “vem simbolicamente dar início ao Salão”.

Sorteio de uma mala de livros para uma das bibliotecas escolares e distribuição de vales de desconto pelas escolas

Das actividades presentes na 1.ª Edição do Salão para a Infância, salienta a projecção de cinema de animação, as sessões de contos para os mais pequenos, os ateliers com alguns dos ilustradores presentes e adiantou que, ao se realizar numa altura próxima do Natal, na qual por hábito são lançados muitos livros para a infância, fizeram o pedido aos autores que assinalem o lançamento das suas obras no Salão.
O sorteio de uma mala de livros para uma das bibliotecas escolares é outra das iniciativas, a par da “distribuição maciça” pelas escolas de vales de desconto na compra dos livros “para que possam mais facilmente vir e comprar o seu livro e obter na hora o seu autógrafo”, conta.

“Diria que é talvez o projecto cultural que mais tem marcado a vida cultural barreirense”

Hoje a ILUSTRARTE organiza exposições de artistas de renome internacional na área da ilustração infantil e o Barreiro é reconhecido como a Capital Nacional da Ilustração, questão que Eduardo Filipe considera resultar do facto de se tratar de um projecto cultural que pela qualidade e continuidade: “diria que é talvez o projecto cultural que mais tem marcado a vida cultural barreirense”. Apesar de também reconhecer: “não sei até que ponto a população, de uma forma geral, está informada destas actividades mas também é verdade que depende muito da apetência cultural por parte das pessoas, portanto deve surgir sempre pessoas que dizem que não ouviram nada, mas as pessoas têm de procurar também elas próprias a sua informação”. E garante: “não há criança do 1º ciclo e do pré-escolar que não tenha vindo às nossas exposições”. Uma adesão da Comunidade Educativa que diz ser “excepcional” e que “compensa todo o investimento e todo o sacrifício feito”.

“É pena que o ano não tenha mais meses porque a vontade de fazer mais exposições é muito grande”

Num momento em que conta que estão já a agendar a programação para o ano de 2009, estando já definida a programação para 2008, sublinha: “ só não há mais exposições por incapacidade, por falta de tempo e de espaço” e acrescenta: “É pena que o ano não tenha mais meses porque a vontade de fazer mais exposições é muito grande”.

ILUSTRARTE – “Tem uma projecção que se calhar o Barreiro nem suspeita”

Refere ainda que a nível internacional a ILUSTRARTE “tem uma projecção que se calhar o Barreiro nem suspeita” e acrescenta: “sem dúvida nenhuma de que a nível mundial, no meio da ilustração, a ILUSTRARTE é muito mais conhecida do que entre nós”. O que também ganha forma à luz dos números, Eduardo Filipe conta que nesta terceira edição da Bienal houve uma participação de 1360 ilustradores de 60 países e comenta: “o que para um projecto que há quatro anos não existia é fantástico”. “Quando nos começam a chegar trabalhos da Nova Zelândia, quando percebemos que há lá pessoas que conhecem o nosso projecto e que querem participar, que mais é que podemos querer?”, interroga. E por isso refere que a nível internacional a ILUSTRARTE tornou-se “num dos mais importantes eventos mundiais na área da ilustração para a infância”, o que diz resultar também da qualidade dos catálogos produzidos.

“O Barreiro tornou-se um dos centros de excelência ao nível da ilustração internacional”

E com a projecção do nome da ILUSTRARTE, diz que o nome do Barreiro também corre além fronteiras: “O Barreiro está no mapa da ilustração mundial”, comenta e conta que quando os ilustradores vão por exemplo a Bolonha e dizem que são portugueses, recebem logo a resposta: “Ah, Barreiro, Barreiro!”. E é esse facto que o leva a exclamar: “O Barreiro tornou-se um dos centros de excelência, ao nível da ilustração internacional”, afirmando que esse foi também um dos objectivos do programa, “não só de dar visibilidade ao Barreiro, mas criando aqui um dos pólos ao nível mundial onde se pudesse mostrar o que há de melhor na ilustração para a infância”. Um projecto que marca a vida cultural barreirense e que traz os melhores ilustradores do mundo a esta cidade à beira Tejo.

Andreia Lopes Gonçalves

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