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Perspectivas

BarreiroValter Costa, treinador do “Futebol Clube Barreirense”
A esperança na subida de divisão

Foi “sentindo a camisola” alvi-rubra que Valter Costa assumiu o comando da equipa do “Futebol Clube Barreirense” a 10 jogos do final do campeonato, na época passada. Ex-jogador do Barreirense, sublinha a importância de se estar preparado para assumir a equipa em qualquer momento que esta atravesse, seja ele bom ou mau. Quando chegou para orientar o Barreirense trouxe ao plantel uma esperança, a tal que não finda. E hoje aponta como objectivo a subida à II Divisão.

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Barreiro Valter Costa, treinador do “Futebol Clube Barreirense” A esperança na subida de divisão

Por Jornal Rostos

- O presidente Manuel Lopes, considerou-o como um “técnico rigoroso e disciplinado”, tendo o plantel do Barreirense uma média de idades de 22 anos, é difícil impor essa disciplina?

Não, é mais difícil em termos de trabalho, porque são jogadores menos experientes e que, por vezes, lhes custa mais a entender o que queremos para a equipa, em termos tácticos e de estratégia, especialmente neste ano em que há muitos jogadores no seu primeiro ano de seniores. Mas em termos de disciplina, impõe-se tanto nos mais novos, como nos mais velhos. Normalmente tenho sempre uma facilidade em impor-me nesse aspecto da disciplina, sou rigoroso e disciplinador mas sempre na base do diálogo e da compreensão e sempre criando bom ambiente entre os jogadores.

Quais as características que considera essenciais para que uma equipa possa vencer os objectivos a que se propõe?

A primeira é ter bons jogadores, depois tem de ter boas condições de trabalho e ser uma equipa aplicada e rigorosa que respeite tudo o que é transmitido durante a semana, para que no domingo as coisas possam surtir efeito.

- Recentemente foi punido pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol com um mês de suspensão. Sofre-se mais assistindo aos jogos da bancada?

Sofremos tanto na bancada como no banco, só que é mais complicado porque estamos mais longe dos jogadores, temos menos privacidade e a comunicação torna-se mais difícil. E esta equipa do Barreirense, que é uma equipa muito jovem, necessita, naturalmente, do seu treinador mais perto.
O grande problema para mim no castigo, e penso que para todos os treinadores que se contêm muito e evitam por vezes falar quando têm razão, é precisamente por terem de estar fora do banco, onde há mais dificuldades em comunicar e, numa equipa como a nossa, o clube pode ser prejudicado por isso.

- A equipa acabou de ser eliminada da Taça de Portugal, o que é que acha que explica a derrota, terá sido a mudança de estratégia ou foi uma situação de jogo?

Foi uma situação de jogo, natural. Nós não alterámos o nosso sistema, mantivemo-lo, só com a alteração de dois jogadores, do Filipe Muendo pelo André Silva e o que aconteceu foi que sofremos três golos muito cedo. Se tivéssemos conseguido marcar nos primeiros quinze minutos e segurássemos o resultado, as coisas teriam sido muito mais complicadas para o Desportivo das Aves. Tivemos uma boa reacção na segunda parte, chegámos aos 3 a 2 mas depois realmente não tivemos capacidade para dar a volta ao resultado e o nosso adversário, com uma equipa, neste momento, melhor do que a do Barreirense, com jogadores mais experientes, acabou por matar o jogo com o 4 a 2. Mas penso que foi uma boa experiência para a nossa equipa e penso que com mais um bocadinho de concentração talvez tivéssemos dificultado mais a eliminatória.

- Com esse afastamento como ficou o espírito da equipa?

Repare, já estávamos na terceira eliminatória, já tínhamos eliminado duas equipas e este jogo era para que estes jogadores, que são novos, pudessem ter a experiência de jogar com uma equipa mais competitiva e mais experiente. E apesar de, em termos de resultado, as coisas não terem corrido bem, tivemos períodos de jogo em que demonstrámos realmente a nossa capacidade, jogámos de igual para igual, de “peito aberto” e, nesse aspecto, a equipa mantém-se como tem estado no campeonato, num acrescento de forma. Penso que podemos aparecer no campeonato mais fortes, já na próxima jornada.

- O Barreirense ocupa o sexto lugar do Campeonato da III Divisão Série F, como faz o balanço desta prestação?

É positiva. O Barreirense como clube, nesta terceira divisão em que está incluído, é de longe o melhor clube, com o melhor currículo e historial. Mas este ano o clube fez uma aposta na contenção, vamos ficar sem o nosso local de treinos, vamos fazer um espaço novo para o Barreirense poder, no futuro, evoluir. E apostámos em muita gente jovem, o que tem dado algum trabalho na construção dessa equipa, mas penso que o Barreirense desde o primeiro jogo do campeonato tem demonstrado alguma supremacia em relação aos seus adversários. Não tem tido muita sorte nos resultados mas, nas últimas jornadas, a equipa “encarreirou” em termos de finalização e tem vindo numa senda de bons resultados. E considero que poderá efectivamente entrar nos seis primeiros lugares e discutir a subida à II Divisão.

- Os objectivos para esta época passam então por essa subida?

Apesar de o “Barreirense” estar a pensar o seu futuro, fazendo uma contenção de termo, nós temos de pensar sempre positivamente. Tínhamos um plantel muito curto e com alguns desequilíbrios mas pelas indicações que a equipa me tem dado não tenho dúvidas de que vamos tentar ser uma equipa candidata à subida de divisão.

- Qual é a mensagem que deixa para os adeptos?

A direcção do Barreirense teve o cuidado de explicar qual era o caminho a seguir e por isso os adeptos do Barreirense estão conscientes da realidade do clube mas têm sempre uma esperança muito grande no seu grupo de trabalho. Tenho sentido o apoio incondicional dos sócios. Naturalmente que no domingo estavam com uma grande expectativa e ficaram um pouco decepcionados mas, de qualquer maneira, vão acreditar no que se está a fazer e vão continuar a dar o seu apoio e penso que com o apoio dos sócios vamos conseguir alcançar os nossos objectivos, que é efectivamente tentar a subida de divisão.

Andreia Catarina Lopes

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