Susana Soares - GD ESSA Barreiro“O Basquete no nosso país está a perder valor”
“Recém-reformada” do Basquetebol, Susana Soares pode gabar-se de ter terminado a carreira em grande estilo. Nada mais nada menos do que como Campeã Nacional de Seniores pelo G.D.ESSA na época passada.
Em conversa com o Rostos, a ex-atleta fala um pouco de si e da modalidade que adoptou desde os 12 anos de idade.

Por Jornal Rostos
Desde cedo que o gosto pelo desporto marcou a vida de Susana Soares. Iniciou-se no basquetebol aos 12 anos por influência de uma familiar que já praticava a modalidade e desde então não mais largou este desporto. “A minha prima, que jogava aqui na altura, passou a ser treinadora dos iniciados e eu vim por causa dela. Acabei por ficar até ao ano passado”, conta Susana.
Na sua experiência pelo G.D. ESSA passou por todos os escalões: iniciados, cadetes, juniores e seniores, tendo mudado de clube aquando da sua entrada para Faculdade. “Fui estudar para Lisboa e a partir daí tive a jogar em Lisboa, em Santarém, na Madeira, voltei a Santarém e só há 3 anos é que voltei para aqui novamente”, refere ao Rostos.
A par do Basquetebol Susana Soares formou-se, então, como professora na Faculdade de Motricidade Humana, tendo de conciliar os treinos e os clubes com as colocações inerentes à via de ensino. “A partir do momento que comecei a dar aulas, tenho andado um pouco por todo o lado”, diz a ex-atleta.
Uma bagagem de 7º títulos e uma larga experiência
O seu regresso ao Barreiro proporciona também a volta ao G.D. ESSA e a possibilidade de acabar a carreira no clube onde deu os primeiros passos. “Para mim era sempre aliciante voltar ao clube onde comecei. Já tinham sido alguns anos fora, ofereceram-me boas condições e também era do meu agrado já que comecei aqui, acabar aqui a minha carreira. E soube bem”, confessa a desportista.
E uma despedida em grande foi, de facto, o que teve Susana Soares que arrecadou na época passada, a última da sua carreira, mais um título de Campeã Nacional. Com uma bagagem de 7º títulos e uma larga experiência, também pela Selecção Nacional, a professora de Educação Física considera “um orgulho muito grande” tal feito da equipa. “É um ano inteiro a trabalhar para isso. E sermos consideradas as melhores do país depois de tanto trabalho e de tanto esforço sabe sempre bem, compensa muito”, certifica Susana.
No Barreiro em todas as escolas há sempre muita gente a praticar Basquete
E, numa altura em que o Barreiro tem vindo a afirmar-se como a cidade do Basquetebol, o Rostos quis saber a opinião desta ex-profissional da modalidade. Quando questionada sobre este assunto, Susana Soares não teve dúvidas: “Acho que não é nada descabido, é uma coisa que tem a sua lógica. O Basquete no Barreiro é a segunda modalidade, tem tanto impacto como o Futebol”. E prossegue, “Como professora de Educação Física vejo que, aqui no Barreiro, em todas as escolas há sempre muita gente a praticar Basquete, o que não se vê noutros lugares nos quais também já tive a dar aulas. É realmente uma modalidade muito praticada pelos alunos”, autentica.
A professora acredita ainda que o G.D. ESSA ajudou a contribuir esta afirmação da modalidade através da aposta nos escalões de formação e do bom desempenho que os escalões mais velhos têm vindo a alcançar que permitem “projectar um bom nível e ajudar a manter o bom nome do Basquetebol aqui na cidade”.
Uma má gestão por parte da Federação
No entanto, a desportista considera que “em termos gerais, o Basquete no nosso país está a perder valor”. Uma má gestão por parte da Federação poderá ser um motivo mas não é certamente o único. Os patrocinadores são poucos e os incentivos tardam em chegar para não falar dos apoios das autarquias que vão sendo cada vez mais escassos. O que é certo, diz Susana Soares “é que há cada vez mais jogadores a procurar outros países para jogar e muita gente a desistir”. “Não estou a ver o Basquete a evoluir”, comenta com pesar.
Quanto a soluções, Susana não vê facilidades. O que acontece é que embora seja uma modalidade bastante praticada, grande parte dos atletas desistem quando chegam à fase entre os escalões júnior e sénior. Talvez por não contemplarem um futuro sorridente, os jovens prefiram dar prioridade aos estudos, deixando para trás a prática desportiva. “Eu consegui conciliar as duas coisas mas sempre foi meu objectivo seguir com a escola porque sabia que o Basquete podia dar-me muitas coisas mas em termos futuros… Por exemplo, neste momento, quando acabasse o Basquete não teria mais nada e não dá para viver daquilo”, afiança a ex-basquetebolista.
Quem gosta realmente de Basquete deve continuar”
Por fim, Susana Soares deixou uma mensagem de incentivo aos jogadores mais jovens para que não desistam de jogar.
“Quem gosta realmente de Basquete deve continuar”, afirma a professora. E, apesar de muitas vezes se crer nas dificuldades para conciliar o desporto com a escola, Susana acredita que “com sacrifício é sempre possível”. “Se calhar naquele dia que apetece sair temos de ficar em casa a fazer os trabalhos da escola que não fizemos porque tivemos a treinar... mas no fim vale a pena.”
“Eu fiz muitos e acho que valeu”.
Ângela Tavares Belo
Foto : Reproduzida do site do Barreirense Basket













