Escola Secundária Augusto Cabrita, “Rosto do Ano Educação” – BarreiroEscola mais solidária e alertada para os problemas da discriminação

Por Jornal Rostos
Tema do trabalho surgiu “mesmo antes do lançamento do concurso”
Num concurso que envolveu 101 escolas e que visa sensibilizar a comunidade educativa para o combate à discriminação da deficiência, a Escola Secundária Augusto Cabrita foi distinguida com o primeiro lugar distrital e nacional do concurso “Escola Alerta”, através de um trabalho feito por seis alunos do 12º ano para a disciplina de Área de Projecto, ao que a presidente do Conselho Executivo, Maria Serafina Cardeira, sublinha que o tema foi escolhido pelos alunos, “mesmo antes do lançamento do concurso”. Refere que na escola havia dois alunos deficientes, ao que comenta: “e não tínhamos nada preparado para aceitar esses alunos, tínhamos muitas barreira”. Nesse sentido, os seis alunos resolveram “meter mãos às obras” e começaram a angariar dinheiro, através da venda de rifas, leilões e com alguns concursos, para poderem colocar uma plataforma elevatória no Bloco A, o bloco dos serviços, de modo a que qualquer aluno pudesse ter acesso à Biblioteca e ao Auditório, que se localizam no primeiro piso. Assim surgiu a ideia do trabalho que acabou por ser inscrito no concurso “Escola Alerta”.
“Graças aos alunos temos realmente a plataforma”
Angariado o dinheiro, Maria Serafina Cardeira sublinha que essa verba não foi necessária para a plataforma, uma vez que os alunos solicitaram à Direcção Regional de Educação de Lisboa (DREL) a colocação da plataforma elevatória, que acabou por ser colocada gratuitamente. “Graças aos alunos temos realmente a plataforma”, salienta. Quanto ao dinheiro angariado diz ter sido utilizado “para outras coisas que precisávamos na escola”, dando como exemplo a colocação de rampas de acesso em todos os blocos da escola. Em relação ao trabalho feito pelos alunos diz “ter ficado muito bom”, ao que acrescenta: “porque eles tinham todos os itens que o concurso pedia”. Isto porque refere que os alunos assinaram protocolos com várias entidades, fora da escola, detectando o que não estava bem e que poderia ser solucionado.
Comunidade escolar mais solidária e alertada para os problemas da diferença
À distinção do concurso “Escola Alerta”, a presidente do Conselho Executivo diz que a Escola reagiu muito bem” e adianta: “todas as pessoas queriam colaborar com aquele grupo de alunos”, contando que houve inclusivamente outros colegas que organizaram uma Festa para angariar dinheiro para os ajudar. E sobre essa manifestação de apoio, sublinha: “as pessoas não queriam essa discriminação e achavam que havia necessidade dessas obras”. Quando interrogada se notou que após a realização do trabalho, a comunidade educativa ficou mais sensibilizada para as questões da diferença, refere que sim e adianta: “Pelo menos ficaram mais solidários, penso que houve uma grande solidariedade para com alunos que têm dificuldades e para com os outros que queriam ajudar e também ficaram mais alertados para esse tipo de problemas.”
A faltar as obras para o rebaixamento do balcão do bar
Das obras necessárias na escola neste âmbito, refere que o que falta fazer é o rebaixamento do balcão do bar, uma necessidade que também foi detectado pelos alunos, ao que fundamenta: “porque o aluno de cadeira de rodas, quando chega ao balcão, o balcão está mais alto do que ele e assim não tem acesso a poder retirar as coisas”.
“Escola Alerta” de 2007/2008, a Escola Secundária Augusto Cabrita não vai concorrer
Para o concurso “Escola Alerta”, do ano lectivo de 2007/2008, é com pena que diz que a Escola Secundária Augusto Cabrita não vai concorrer e acrescenta: “Eu também percebo que seria complicado pegar num trabalho que foi concluído, porque tudo o que eram barreiras dentro da escola os alunos detectaram-nas e nós resolvemos, portanto aqui dentro já era complicado e na periferia também, porque eles fizeram protocolos com pequenas empresas e lojas que se comprometeram a resolver a situação”. Mas deixa como ideia, para um próximo trabalho, as barreiras na área da comunicação.
5ª edição do concurso realiza-se no Barreiro
Com a 5ª edição do concurso a realizar-se no Barreiro, Maria Serafina Cardeira espera que a festa ocorra nas instalações da escola, como aconteceu com a anunciação do concurso e comenta: “acho que era preferível que fosse na escola, também para os nossos alunos se entusiasmarem para participar no próximo ano”.
Satisfeita e surpreendida por a escola ser “Rosto do Ano Educação”
E quanto à distinção de “Rosto do Ano Educação”, pelo jornal “Rostos”, diz ter ficado satisfeita e surpreendida, comentando: “embora este trabalho tenha sido muito importante na área da solidariedade e da inclusão das pessoas deficientes nas escolas, fiquei surpreendida”.
Andreia Catarina Lopes













