Orquestra Ligeira do Barreiro “Rosto do Ano Música”“É uma razão para pensarmos que não fomos esquecidos pelas Instituições do Barreiro”
No ano de 2007 venceram o 1º Concurso Nacional de Orquestras Ligeiras, o que o maestro José Alberto Cunha diz compensar “de alguma forma, o trabalho e a dedicação que as pessoas têm ao longo de anos e anos consecutivos a trabalhar neste grupo”. Um grupo que diz ter bastante receptividade pelas pessoas do Barreiro, ou não fosse esta uma terra com tradições musicais.

Por Jornal Rostos
O ano de 2007 foi um ano importante para a Banda, venceram o 1º Concurso Nacional de Orquestras Ligeiras. Como é que esse prémio foi recebido entre os membros da Banda?
“Estes prémios são sempre das poucas coisas boas que acontecem às pessoas que fazem parte do grupo, porque a Orquestra existe com um carácter amador. As pessoas não auferem “cachet” absolutamente nenhum e depois, quando acontece uma coisa destas, compensa, de alguma forma, o trabalho e a dedicação que as pessoas têm ao longo de anos e anos consecutivos a trabalhar neste grupo.”
Recordo-me de ler numa entrevista, que dizia que o prémio constituía um estímulo. É difícil fazer música no Barreiro?
“No Barreiro é difícil fazer, porque a música é difícil de fazer em qualquer lado.”
Mas sente que há receptividade por parte da comunidade para esta forma de arte?
“Acho que sim, acho que tem bastante receptividade por parte das pessoas, porque o Barreiro é uma terra, contra o que muita gente pode pensar, com grandes tradições no campo da música, quer da música mais clássica, quer da música ligeira. Porque houve um tempo aqui no Barreiro, nos anos 30 e 40, que chegou a ter cinco Orquestras Ligeiras e daí o facto de as pessoas mais antigas, ainda hoje, se lembrarem desse tempo em que o Barreiro tinha orquestras desse tipo e foi com esse objectivo também que nós tentámos criar uma Orquestra com esta natureza e constituição. No sentido de fazer renascer, de alguma forma, aqueles sons característicos deste tipo de grupo musical que é a chamada ´Big Band´.”
Fundada em 1992, assumiu-se como uma "Big Band", por tocarem música americana…
“Sim, mas não é bem o facto de se tocar música só americana, porque toca música de outras origens.”
Mas é uma característica marcante…
“Sim, é uma característica marcante mas a sua definição de "Big Band" é em relação aos elementos que constituem a Orquestra, porque a Orquestra é constituída por cinco saxofones, quatro trompetes, quatro trombones e depois, na parte rítmica, por contrabaixo, piano, guitarra e bateria. Esta é que é realmente a forma que lhe dá a característica a que usualmente os americanos chamam de "Big Band". Isto porque os pequenos conjuntos de jazz que existiam em princípio não se chamariam de banda porque não tinham grandeza para isso, eram grupos pequenos, com quatro, cinco músicos. Daí chamarmos "Big Band" à nossa, pela sua constituição e nunca será pela origem exclusiva de música americana.”
E esse é um dos objectivos, manter esse traço original?
“Sim e porque para esta rapaziada mais jovem que forma a Orquestra é uma maneira de tomarem contacto com o som característico de um tipo de orquestra que hoje em dia praticamente já não existe. Hoje em dia os grupos são muito mais pequenos e são essencialmente electrónicos e não têm instrumentos acústicos. E esse som, a não ser através de gravações ou de discos antigos, tem tendência a desaparecer. E com o objectivo de, por um lado, levar a juventude da Filarmónica a ter contacto com outro tipo de música e outro tipo de som, formou-se a Orquestra Ligeira do Barreiro e parece-me que estamos a conseguir manter o interesse dos jovens que constituem a Orquestra. Um objectivo que temos conseguido, apesar das grandes dificuldades que a juventude tem hoje em dia, porque tem cada vez menos tempo e como é uma coisa que não tem lucros no seu objectivo, às vezes é difícil reunir as pessoas, porque são coisas que também levam o seu tempo, principalmente os ensaios. E a juventude tem muita coisa que fazer, para além da escola, do trabalho, para tudo aquilo que constitui a vida hoje em dia. E depois ainda arranjar tempo disponível e disposição e à-vontade, para isto tudo é preciso um bocadinho de vontade e de genica.”
Uma orquestra composta por 17 elementos. Enquanto responsável pela Banda, como a definiria?
“É um grupo muito interessante no aspecto artístico, porque não sendo um grupo muito grande do tipo de orquestra sinfónica mas é um grupo que tem uma característica um tanto ou quanto “sui generis”, porque se pensarmos que a música hoje em dia é mais de origem de estúdio e electrónica, talvez mais fria e mais distante, a música feita ao vivo e por pessoas e que estamos a ver e a ouvir ao mesmo tempo, tem uma característica muito especial e diferente e é com esse objectivo que nós queremos continuar. Se uma Instituição destas não for apoiada por uma organização com as características da Banda Municipal do Barreiro e com o apoio também da Câmara Municipal do Barreiro esta Orquestra era impensável manter-se ao longo destes anos que já tem. E tem sido com esse apoio e também com o apoio logístico que ela se tem mantido. Apesar da boa vontade das pessoas, também é preciso outras coisas, é disso que nós vivemos e é por isso que nós ainda conseguimos continuar.”
Como reage à distinção “Rosto do Ano Música”?
“Estou satisfeito com isso, é uma razão para pensarmos que não fomos esquecidos pelas Instituições do Barreiro. Sei que há dias, a Assembleia Municipal fez um voto de apreço pelo facto de a Orquestra ter vencido o 1º Concurso Nacional de Orquestras Ligeiras. Também fiquei satisfeito, como é evidente, porque sabe bem ter o reconhecimento da terra. Como não auferimos dinheiro por aquilo que fazemos, todas estas coisas têm o seu valor e dão o seu contributo para que as pessoas mantenham aquela vontade e aquela alegria de trabalhar neste tipo de coisas.”
Andreia Catarina Lopes
foto da Orquestra Ligeira do Barreiro













