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Perspectivas

Sofia Martins, “Rosto do Ano Autárquico” Barreiro“Uma oportunidade de poder intervir pelo futuro da minha terra”

Responsável pelo Pelouro de Obras Municipais da Câmara Municipal do Barreiro, a vereadora Sofia Martins diz ser essa uma “oportunidade de poder intervir pelo futuro da terra.” Natural do Barreiro, acompanha as obras que se fazem no concelho. Uma área que diz ser complicada mas pela qual nutre uma grande paixão. Assumindo-se como dona de uma grande capacidade empreendedora, diz ser essa a característica que lhe dá a motivação para nunca parar.

Com 33 anos e assumindo pela primeira vez um cargo autárquico, considera que essa experiência tem sido “muito positiva”, o que diz dever-se também à equipa com quem trabalha e num momento em que tantos projectos surgem no Barreiro, apesar de sublinhar que por todos nutre “um carinho especial”, não deixa de fazer menção ao Polis “um desafio com uma dimensão diferente”, ou não fosse o “gosto por agarrar desafios” uma característica que não esconde.

7 min de leitura
Sofia Martins, “Rosto do Ano Autárquico” Barreiro “Uma oportunidade de poder intervir pelo futuro da minha terra”

Por Jornal Rostos

Numa altura em que tantos projectos surgem no Barreiro, como é desempenhar a função de vereadora responsável pelo Pelouro de Obras Municipais?

“Essencialmente acho que para mim é uma oportunidade de poder intervir pelo futuro da minha terra. Poder ajudar a construir, a ajudar a mudar o rosto da terra. É uma oportunidade que os barreirenses acabaram por me dar e foi com alegria que a recebi, sendo um desafio muito interessante. Mas confesso que há dias muito complicados e que as questões são muito difíceis, em termos de obras públicas, que é uma área muito complicada, tem os meandros, em termos de legislação, difíceis de se cumprir e que exigem uma atenção redobrada no dia-a-dia e um trabalho de equipa muito firme, para que não haja falhas de qualquer tipo, mas existe sempre falhas. Mas acho que ajuda muito ter uma equipa muito coesa, com pessoas muito ligadas ao projecto autárquico, que acreditam neste desenvolvimento por esta via e que me ajudam, de certa forma, a fazer um trabalho muito bom. Sem essa equipa também não seria possível.”

Consegue destacar o projecto que mais gosto lhe deu acompanhar?

“Por todos os projectos tenho um carinho especial. Mas acho que o Polis, até pela sua dimensão, por ser um desafio com uma dimensão diferente e por ser uma obra com um coeficiente de dificuldade muito exigente, tem-me dado um gosto especial. E soube-me muito bem a iniciativa no sábado passado, porque de certa forma foi o culminar de um longo trabalho de quase dois anos ligados àquela fase do Polis. A iniciativa “Parques Vivos” tem um gosto diferente, é um projecto de carinho, é um projecto no qual me sinto muito à-vontade e é com muita gratificação que sinto a adesão das pessoas. É um projecto que foi muito bem recebido e que tem muito impacto, em termos de parques também tem resultado muito bem, hoje temos uma adesão significativamente maior aos nossos espaços municipais e foi aquilo que, no fundo, consegui com este projecto, o que é muito importante. Mas a recuperação do Parque Catarina Eufémia também foi importante para mim, porque acho que é um projecto muito giro. E depois temos muitos, muitos pequenos projectos.

As chamadas pequenas obras…

“Sim, que são muito importantes e que nos têm dado muito trabalho, algumas delas até pela Administração Interna, com muitas dificuldades nossas mas que nos têm dado muito gozo. Não sou de desvalorizar projectos pequenos e de agarrar projectos grandes, acima de tudo gosto de agarrar desafios e acho que efectivamente o Polis é um grande desafio, Alburrica também, são quase todos…”

E qual é a importância para o Departamento das Obras Municipais da visita aos locais, através dos Roteiros de Freguesia e das Reuniões de Câmara Descentralizadas?

“Sou possivelmente da Câmara quem mais contacto tem com as Juntas de Freguesia no dia-a-dia, até por vicissitude do trabalho que faço aqui, e também já me ia apercebendo dessas questões, porque as Juntas de Freguesia têm uma maior ligação à população, uma ligação afectiva até e são eles que me transmitem uma grande carga de necessidades das populações. Mesmo a lista de obras que tenho feita de intervenções que estamos a fazer nas várias freguesias são coisas construídas com as Juntas. São eles efectivamente quem mais conhece e mais próximo está das populações. Mas considero que as acções de contacto de população dão uma visão completamente diferente, ou seja, visitar localmente as coisas, permite-nos aperceber até da prioridade das obras, porque muitas vezes são as pessoas que vêm ter connosco e percebemos a importância que isso tem para as suas vidas, uma questão que vista de uma fotografia e de um gabinete é completamente diferente. É muito importante o contacto com as populações, mesmo que não haja nada de novo para dizer, o simples facto de retomarmos e vermos novamente aquelas pessoas, aqueles cinco, dez minutos para nos apercebermos novamente dos problemas das pessoas daquele bairro é muito importante. Acho que é das coisas mais bem conseguidas em termos de exercício do PCP, é esta relação de proximidade com as populações.”

Uma proximidade que é importante na área das obras públicas…

“Quem faz um projecto muitas vezes tem uma concepção de espaço público completamente diferente, mas depois quando vamos ao contacto com as populações, percebemos claramente que a necessidade da população não é aquela. E adaptamos os nossos projectos a essas vivências. É necessário que os técnicos também percebam quais são as necessidades da população e que as confrontem com as suas limitações. E que todos conversem e percebam o que é possível fazer. Mas isto é um trabalho…As quartas-feiras de Reuniões de Câmara Descentralizadas são dos dias mais duros para mim.”

Como se definiria enquanto autarca?

“Sou uma rapariga muito humilde, mas penso que o que mais me faz ser como sou é a paixão que tenho pelas coisas, sou um bocadinho fogosa na forma como faço as coisas, gosto muito de trabalhar, tenho uma grande capacidade empreendedora e isso é que, de certa forma, me traz a mais-valia, é esta capacidade de dar as voltas às coisas e de tentar. Não sou excepcional, nem acho que seja muito boa nas coisas que faço, acho que tenho é esta capacidade de não esmorecer e de ter uma certa motivação natural, mas também nasci aqui e portanto isso também me dá outro gozo, fazer estas coisas todas no Barreiro e isso é muito enternecedor e para mim acho que isso é que me dá a motivação para nunca parar. Acho que o que me define é mesmo essa capacidade de empreender cada vez mais.”

Esta é a primeira vez que representa um executivo camarário, como tem sido a experiência?

“Muito positiva. Tem momentos muito difíceis, de muita tensão, de muita pressão, mas tem sido muito positiva. Gosto muito da equipa com quem trabalho, é uma equipa de espírito muito jovem, com uma visão muito positiva do desenvolvimento da cidade, com muitas ideias, com muita capacidade de empreender e muito batalhadora. Até a relação com os trabalhadores, que era das coisas que mais temia, em termos de confronto, tem sido muito positiva, gosto muito do contacto directo com os trabalhadores. Hoje tive uma reunião com a Quimiparque por causa da Oficina dos Trabalhadores e são muito positivas essas questões para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. Estou a gostar muito.”

Como reage à distinção “Rosto do Ano Autárquico”

“Fiquei feliz, sou assim, muito expansiva. Não acho que seja necessário nada disso em termos de trabalho mas a valorização pessoal ou do trabalho de equipa é sempre importante. Não estou muito deslumbrada mas fiquei contente.”

Andreia Catarina Lopes

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