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Perspectivas

Luís Tavares – “Rosto do Ano 2007”Quimiparque – “Um espaço de futuro”

Luís Tavares, administrador Executivo da Quimiparque, considera que se reúnem as condições para que o Barreiro se desenvolva e passe a estar mais directamente ligado a toda a Área Metropolitana de Lisboa. E no ano em que a Quimiparque voltou a assumir um importante papel para esse desenvolvimento, através do projecto de requalificação para o território, sublinha que se trata de um espaço que beneficia de um conjunto de características que não são vulgares de encontrar, ao que destaca a proximidade com o rio Tejo e com Lisboa e a facilidade de comunicações que será reforçada com vinda da terceira travessia sobre o Tejo. Por todas essas potencialidades fala da Quimiparque como sendo o “espaço de futuro” para a expansão do Barreiro.

14 min de leitura
Luís Tavares – “Rosto do Ano 2007” Quimiparque – “Um espaço de futuro”

Por Jornal Rostos

E depois de o presidente da Quimiparque, José Neto, ter referido que: “Sem Luís Tavares não havia Quimiparque”, diz ser esse um exagero mas sublinha: “Tenho muito prazer em ter contribuído para alguma coisa e para o sucesso da Quimiparque mas é óbvio que sozinho nunca conseguiria fazer nada” e é por isso que ao ser distinguido como “Rosto do ano de 2007” impõe a condição: “represento talvez o conjunto das pessoas que aqui estão na Quimiparque, nesse sentido aceito, mas só nesse sentido.”

Há quanto tempo está na Administração da Quimiparque e qual é o balanço que traça desse período?

“Na Administração da Quimiparque estou desde 1999, portanto há nove anos. E o balanço deste período é positivo porque conseguiram-se algumas coisas que eram objectivos que tínhamos. Temos conseguido atravessar estas fases, de alguns problemas económicos gerais, de uma maneira positiva e sobretudo, no aspecto do desenvolvimento do Parque do Barreiro, conseguimos há pouco tempo, em conjunto com a autarquia, definir um plano estratégico que agora vai ser posto em prática, através de um plano de urbanização. Acho que esse e outros objectivos que tínhamos traçado temo-los conseguido concretizar a pouco e pouco e estamos satisfeitos.”

Quais são as ligações que o ligam à Quimiparque e ao Barreiro?

"Estou a trabalhar no Barreiro desde 1978, fez 30 anos justamente a 6 de Março. Na altura entrei para a Quimigal como engenheiro para o tratamento de projectos. Depois acompanhei o projecto e a construção do actual Terminal de Líquidos, de onde fui depois director durante vários anos até em 1989, altura em que se formou a Quimiparque e em que fui convidado para director Comercial, que aceitei e onde fiquei durante dez anos. Depois em 99 é que passei para a Administração. Portanto posso dizer que estou há 30 anos a trabalhar no Barreiro, ou seja, já conheço o Barreiro razoavelmente, não tão bem como as pessoas que moram aqui mas costumo dizer que passo mais horas no Barreiro do que passo no sítio onde moro.”

Não mora então no Barreiro…

“Não, moro em São João do Estoril, é um bocadinho longe. Todos os dias faço pelo menos 120 quilómetros mas enfim muita gente faz essas distâncias.”

30 anos a trabalhar no Barreiro, já existem muitas ligações ao concelho?

“Sim, com o próprio Barreiro, conheço aqui já muita gente e de algum modo os 30 anos são quase metade de uma vida e é natural que tenha algumas ligações afectivas ao Barreiro e tenho muito gosto por conseguir fazer alguma coisa pela terra.”

Já há muito que tinha vindo a insistir na necessidade de o espaço Quimiparque ser qualificado e melhorado. Considera que este plano de “Desenvolvimento Empresarial e Urbano do território da Quimiparque” vai responder a essa necessidade?

“Sim, vai responder, sem dúvida. Quem trabalha aqui há muitos anos, como eu e outros colegas, sempre reconhecemos que é necessário dar uma volta a este território, porque ficou muito marcado fisicamente pelos perto de 100 anos de indústria química que teve. E tentámos fazer alguma coisa e suponho que fizemos durante a existência da Quimiparque, durante estes 15 anos em que existimos, mas ainda é pouco e temos de dar um impulso ainda maior e espero que isso seja conseguido, não só através deste plano estratégico que aprovámos agora, mas também através de algumas acções que vamos desenvolver com o apoio de fundos comunitários para resolver ainda alguns problemas ambientais que temos ainda.”

E em que ponto está o projecto empresarial e urbanístico para a Quimiparque?

“Neste momento foram aprovadas as ideias base. Agora deverá ser aprovado, suponho que por estes dias, os termos de referência que serviram de base para a elaboração do Plano de Urbanização, que esperamos que a sua elaboração se inicie ainda este mês, de modo a que até ao final do ano, ou perto disso, possa estar concluído para ser submetido a aprovação.”

Ponderava-se também que nessa altura, quando se chegasse ao Plano de Urbanização, a Quimiparque pudesse vir a ser considerada um PIN+…

“É uma hipótese, vamos ver como é que isso evolui. Durante a elaboração do Plano de Urbanização é que poderemos ver mais concretamente essa questão e como é que isso se poderá enquadrar.”

Tendo em conta um dos objectivos do projecto da Quimiparque, em trazer empresas voltadas para as áreas do conhecimento e criatividade, quais são as mais-valias deste território para captar a atenção das empresas?

“Acho que o território do Barreiro e dentro do Barreiro, o território da Quimiparque, tem características que não são muito vulgares, mas que hoje diria que estão um pouco escondidas porque não tem havido ainda a requalificação completa que gostaríamos. E o que são estas características? Primeiro a proximidade de uma grande massa de água, do rio Tejo, o que é à partida sempre, em qualquer lado, uma mais-valia para um sítio, seja para habitar, seja para trabalhar. Depois, a facilidade de comunicações que já existe com o resto do território e que existirá ainda mais reforçada com a terceira travessia sobre o Tejo. E também os espaços que ainda existem para instalar, não só de actividades económicas, como de habitação qualificada. E além destes aspectos, a proximidade com Lisboa e a possibilidade de constituir conjuntamente com Lisboa, como já foi referido várias vezes, e com outros territórios, uma grande Área Metropolitana. Ou seja, este território tem características que não é muito vulgar encontrar todas reunidas e por isso achamos que é realmente um espaço de futuro, só o pode ser.”

Há tempos o Jornal de Negócios adiantava que as Fábricas de Amoníaco e de Ureia do Lavradio “tinham os dias contados”, pois deixavam de ser uma actividade rentável. O que sabe desta questão?

“Não sei exactamente, porque isso diz respeito à gestão das próprias fábricas que não são nossas, apenas ocupam parte do nosso espaço. Sei, por contactos que vamos tendo com essas entidades, que é um negócio difícil, como todos os negócios ligados hoje a matérias-primas básicas, pelas contingências do mercado. Agora a empresa é que decidirá o que pode fazer. Sei que não é fácil a actividade.”

O projecto para a requalificação da Quimiparque contempla a inclusão de outras empresas com as indústrias mais pesadas que já existem no território, como vai ser esse processo?

“Todas as indústrias evoluem, mesmo as indústrias de química pesada. Que se repararmos, com o tempo e com as exigências, cada vez maiores, das comunidades e das autoridades, são obrigadas permanentemente a modificarem-se e a tornarem-se de convívio mais fácil. Portanto, estou convencido de que as indústrias químicas pesadas que ainda se mantenham no território, se possam manter por razões próprias e que tenham viabilidade para se transformar, de modo a ser possível conviverem com as populações. Mas não vejo outro caminho, ou são transformadas e passam a entidades que podem viver a paredes-meias com a comunidade ou acho difícil continuarem...”

Na apresentação do plano, o arquitecto Augusto Mateus referiu que o projecto para a Quimiparque era “viável com ou sem ponte”. Mas hoje, depois do anúncio da nova ponte no corredor Barreiro-Chelas, esta infra-estrutura vem reforçar ainda mais a ideia da concepção da cidade de duas margens, vinculada no plano…

“Sim, a nova ponte vem reforçar o projecto e potenciá-lo, porque é uma infra-estrutura extremamente importante no aspecto das comunicações, não só ferroviárias, como rodoviárias e é mais um elo de ligação a toda a Área Metropolitana de Lisboa e a todo o país. E é um pouco o município do Barreiro deixar de estar num beco, como estava, e passar a estar mais directamente ligado a toda a Área Metropolitana de Lisboa, como a maior parte dos outros concelhos já estava. E esperemos que essa situação agora seja completamente ultrapassada com esta nova infra-estrutura.”

Já têm conhecimento do traçado da nova Ponte no Barreiro? Na comunicação social fala-se em possíveis demolições, afectando o Bairro dos Engenheiros, a Feira Nova…

“É evidente que conheço alguma coisa dos traçados previstos, porque já tivemos reuniões com os projectistas e com a RAVE, juntamente com a autarquia e não me parece que tenha grande influência no aspecto de demolições no território da Quimiparque, mas isso só se verá com a definição exacta do projecto, que na altura dos contactos ainda não estava feita. É evidente que uma obra desta dimensão tem sempre impactos no território, não pode deixar de ter. A nossa posição e a nossa missão é minimizar esses impactos e potenciar os resultados positivos e é isso que vamos fazer, o melhor possível, quanto ao resto, vamos ver.”

Fala-se também muito na necessidade de descontaminação dos solos no sítio da amarração da Ponte aqui no Barreiro. Como está a decorrer o estudo sobre as questões de descontaminação do território?

“Há aqui duas questões completamente distintas, uma é a possível contaminação dos solos, outra são os resíduos que ainda estão acima do solo. Em relação aos resíduos acima do solo, vamos ter um apoio do QREN para resolver alguns problemas ambientais que ainda temos acima do solo. Em relação à questão abaixo da costa terrestre, à descontaminação dos solos propriamente dita, fizemos já efectivamente um estudo de grande parte do nosso território, vamos completar este ano. E nesse estudo, do que já vimos é que, ao contrário do que se poderia supor, o solo não está todo contaminado, nem nada que se pareça, até porque grandes zonas do parque nunca foram ocupadas por indústrias, serviram apenas como depósitos de matérias sem problema. Quanto às zonas que têm necessidade de tratamento, esse será feito à medida que o parque for sendo utilizado e desenvolvido, porque o tipo de tratamento a dar a um solo contaminado é em função da utilização que se vai dar a esse solo.”

Tem sido fácil conjugar as vontades de todos os intervenientes neste projecto? A APL, A RAVE, o Parque Expo, a Câmara do Barreiro, a Quimiparque…

“Estas coisas nunca são fáceis, como é óbvio. Agora confesso que estou positivamente surpreendido com aquilo que se conseguiu no aspecto de colaboração. Entre a Quimiparque e a autarquia, enfim, quase que seria uma obrigação, e desde sempre que tem havido boas relações, isso nem era novidade. Mas para além disso, a integração na equipa, que se formou inicialmente entre a Quimiparque e a autarquia, de outras entidades, nomeadamente a APL, a RAVE, a REFER, a Transtejo e Soflusa, isso é que realmente acho que foi qualquer coisa de novo e que tem corrido muito bem, com boa vontade de todas as partes tem sido possível apresentar as ideias de todos os intervenientes e adaptar as necessidades umas às outras. Acho que tem sido um trabalho nesse aspecto muito interessante e talvez até, pela experiência que tenho, não muito vulgar entre empresas deste tipo, mas ainda bem que isso ocorreu aqui.”

No ano em que se assinala o centenário da C.U.F., qual é a importância que acha que virá a ter a Fundação do Património na preservação desses cem anos de história?

“Achamos que é fundamental. Temo-lo dito sempre que a Fundação é a solução correcta para a preservação futura do património, pois sendo uma entidade independente da empresa terá vida própria e terá ela própria uma responsabilidade de conservar esse património que é extremamente importante, não só para o Barreiro, como também para o próprio país, em função da história industrial que aqui se viveu.”

A Quimiparque voltou a assumir em 2007 um papel decisivo para o futuro do concelho do Barreiro. Como reage ao facto de o presidente José Neto ter referido: “Sem Luís Tavares não havia Quimiparque”?

"Só posso dizer que foi um exagero. Tenho muito prazer em ter contribuído para alguma coisa e para o sucesso da Quimiparque mas é óbvio que sozinho nunca conseguiria fazer nada. O sucesso da Quimiparque deve-se a todos os seus colaboradores e aos extraordinários laços de trabalho que os ligam, porque é preciso ver que a maior parte das pessoas que trabalham na Quimiparque já estão aqui há muitos anos e é natural que isso facilite as relações de trabalho e todo o trabalho em si. Em relação à Administração actual, tenho o prazer e a honra de além de para além de ser colega, ser também amigo dos meus colegas e as relações são excelentes. E é um exagero o presidente José Neto ter referido isso… Agora um facto é que nos damos muito bem e que trabalhamos bem em conjunto e tenho o maior prazer em trabalhar com ele, o que acho que também é óptimo para a empresa.”

E como reage à distinção “Rosto do Ano 2007”, considerado como sendo o Rosto da Quimiparque?

“Se isso for dirigido à Quimiparque, acho bem, agora a uma pessoa só, não, porque acho que é um pouco de exagero. Eu sou apenas um coordenador de um conjunto de pessoas, fazendo com que tudo vá funcionado, não mais do que isso. É verdade que desempenho esta tarefa com gosto e com prazer, pois como lhe disse, estando aqui há muitos anos, conhecendo muitas pessoas e vivendo aqui muitos dias e muitas horas é natural que, às tantas, já tenha algum gosto por ver isto desenvolver-se e transformar-se. Aliás todos os trabalhos onde estive na minha carreira sempre estive com interesse e por gosto, este é mais um mas é onde estou há mais tempo e gosto muito de conseguir ver ao longo dos anos uma evolução positiva, isso para mim é que me dá satisfação. Agora, agora acho que concentrar numa pessoa só… Pronto, represento talvez o conjunto das pessoas que aqui estão na Quimiparque, nesse sentido aceito, mas só nesse sentido.”

Em relação ao desenvolvimento que poderá vir para o Barreiro e no qual a Quimiparque representa um papel importante, como é que assiste a isso?

“Acho que se vai concretizar, já não será no meu tempo, porque estou a aproximar-me do fim da minha carreira profissional, mas há muito boa gente para continuar este esforço. Acho que agora, por todas as razões, chegou a oportunidade do Barreiro, assim as pessoas daqui tenham essa noção e tenham a vontade de efectivamente transformar tudo isto, porque a transformação não pode ser feita só com uma pessoa, tem de ser feita por todos, se há uma coisa que tenho dito muitas vezes é que tem de começar pelos esforços individuais e não só pelas grandes empresas ou pela autarquia. Tem de ser um esforço permanente de todas as pessoas que aqui vivem, no aspecto de transformar isto, apoiadas agora pelas infra-estruturas e pelo que vai acontecer no território, que numa primeira fase vai ser difícil, é bom não esquecer isso, e todos já tivemos experiências de grandes obras e infra-estruturas e sabemos que a fase de construção é sempre uma fase complicada. Mas depois, quando as coisas estiverem prontas, e se as coisas forem bem preparadas, a partir daí efectivamente haverá benefícios para toda a gente e para o município.”

Andreia Catarina Lopes

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