Fernando Carrasco Valente, presidente da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira –Moita“As pessoas aqui votam no autarca mas exigem e cobram o voto e estão sempre atentas”
Fernando Carrasco Valente é, pelo segundo mandato, presidente da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira, de onde é natural. Local que designa de “Terra Singular” e onde sublinha a forte “participação dos cidadãos”, o que considera que em muito se deve ao “fortíssimo Movimento Associativo”que predomina na região.

Por Jornal Rostos
No poder político local diz estar desde os 40 anos e hoje, com 55 anos, expressa a vontade em continuar: “Gostava de acabar o meu projecto, que é dar continuidade a estes jovens, para que quando sair, eles estejam mais preparados”. E os jovens de que fala são os elementos da sua “equipa” na Junta de Freguesia, que diz ser “muito empenhada e com muitas ideias”.
Colectividades da Baixa da Banheira – “As forças vivas da Freguesia”
As cerca de 28 colectividades da freguesia da Baixa da Banheira são consideradas por Fernando Carrasco Valente como “as forças vivas da Freguesia” e, nesse sentido, sublinha o papel que desempenham na dinamização de acções culturais e desportivas, o que faz com que “desde Janeiro até Dezembro, praticamente todos os meses, se desenvolvam actividades”. E um exemplo dessas iniciativas foi a Feira Medieval, no âmbito das comemorações do 25 de Abril, que se realizou a 3 de Maio, no Parque José Afonso, sob a organização do Agrupamento Vertical de Escolas D. João I e pela Associação de Pais, em parceria com a junta de freguesia. Uma iniciativa que o presidente da Junta diz surgir com o objectivo de “trazer para o exterior as actividades e atrair a população para o parque” e, com essa finalidade, dar a conhecer à população “a riqueza do movimento associativo”.
“Devemos apoiar aquilo que realmente o Movimento Associativo faz, porque são eles os detentores da cultura, do desporto e do lazer”
Do protocolo de delegação de competências da câmara para as juntas de freguesia, diz ser positivo e comenta: “é o que nos permite apoiar estas iniciativas”. Partilhando da ideia de “que mais perto faz-se melhor”, considera que o protocolo de descentralização permite que: “com uma gestão equilibrada e com os nossos trabalhadores e a nossa oficina, façamos quase maravilhas”. E entende que o papel da junta de freguesia passa por apoiar as iniciativas realizadas: “Devemos apoiar aquilo que realmente o Movimento Associativo faz, porque são eles os detentores da cultura, do desporto e do lazer”.
ORUVBB - “com aspectos muito positivos”
Em relação à Operação de Revitalização Urbana da Vila da Baixa da Banheira (ORUVBB) que abrange a Freguesia da Baixa da Banheira e a do Vale da Amoreira, considera ser uma iniciativa “com aspectos muito positivos”, pela intervenção e desenvolvimento de áreas, assim como a beneficiação de espaços públicos, ao que dá o exemplo do Parque José Afonso. E na revitalização urbana da Baixa da Banheira aponta o senão de os fundos disponibilizados para o Programa Proqual terem ficado aquém do previsto: “o compromisso do total do valor da verba ficou reduzido a um terço”. Por essa razão diz que “muitos projectos ficaram pendentes”, sendo um exemplo o Pavilhão Multiusos, o qual diz que o espaço que estava destinado à sua construção “vai ficar vazio, à espera de que apareçam verbas para se fazer o Pavilhão, que já não se chamará Multiusos porque a verba já não irá contemplar aquele projecto, que seria mais ambicioso”, adverte.
Recinto para acolher o Mercado e as Festas Populares deverá estar pronto em 2009
Em relação à quinta fase da zona ribeirinha, diz estar a avançar, através da criação de um recinto polivalente para acolher o Mercado e as Festas Populares, “que teve de ser assumido na íntegra pela Câmara, porque já não havia verba”, sublinha. Um espaço que considera ser “dos mais importantes para a Baixa da Banheira”, ao que fundamenta: “Neste momento estávamos a ficar sem espaço e a Baixa da Banheira corria o risco de ficar sem Mercado e sem as suas festas”. Um projecto que contempla duas fases, a primeira correspondendo às infra-estruturas e a segunda à “colocação dos arruamentos, da iluminação e das instalações sanitárias”. Quanto à conclusão das obras estima que: “Em 20009 já pensamos fazer lá as Festas e ter o Mercado”. E relativamente ao posto das forças de segurança da freguesia, comenta: “Continuamos a achar que as instalações são boas, mas o local estrategicamente não é o indicado”.
Protocolos com outras entidades para dar resposta às questões sociais
E se sublinha que a primeira prioridade da Junta diz respeito as escolas da freguesia, adianta que hoje a grande preocupação se prende com as questões sociais, uma área que diz que “era praticamente impensável de as Juntas tocarem” mas que diz ter sido possível começar a “dar resposta a uma série de situações complicadas”, através do estabelecimento de protocolos com outras entidades. Nesse âmbito, destaca os protocolos a nível dos Cuidados Continuados com a Santa Casa da Misericórdia de Alhos Vedros, e os protocolos com o Eco-lar. E ainda sobre as preocupações sociais, comenta: “Temos reclamado do Estado mais verbas mas não podemos estar à espera e lançámos mãos à obra e temos tentado dar essas respostas e melhorou bastante”.
“As pessoas aqui votam no autarca mas exigem e cobram o voto e estão sempre atentas”
Quando questionado com o que distingue a Baixa da Banheira das restantes cinco freguesias da Moita, refere uma característica: “o Movimento Associativo”. Apelida-a de “Terra Singular”, considerando que “as pessoas são muito participativas” e acrescenta: “As pessoas aqui votam no autarca mas exigem e cobram o voto e estão sempre atentas”. Numa localidade que diz ter uma vida activa, sublinha “o grande contacto e proximidade que existe entre as pessoas”, o que no seu entender: “ajuda muito, na medida em que as pessoas nos alertam para um problema aqui ou ali, o que faz com que sejamos mais actuantes”. E tal é a “Terra Singular” que diz que tem “uma colectividade que é dos alentejanos, dirigida por um homem que é do norte e é a única freguesia que tem a PSP no largo da GNR”.
“Gostava de acabar o meu projecto, que é dar continuidade a estes jovens, para que quando sair, eles estejam mais preparados”
Tendo exercido as funções de vogal e de secretário da Junta da Freguesia da Baixa da Banheira, hoje está no seu segundo mandato como presidente da Junta e comenta: “Gosto da Baixa da Banheira e gosto daquilo que faço”. Considera ainda que o facto de ter estado envolvido desde tenra idade no Movimento Associativo acabou por o ajudar nas suas funções, ao que recorda: “Fui com quatro anos para o Ginásio da Baixa da Banheira, com uma pena e uma cadeirinha às costas, foi a minha primeira escola”. Uma escola que diz sempre abraçar e que encontra reflexo hoje no executivo da Junta: “Temos um executivo constituído por sete elementos, todos eles do Movimento Associativo, fiz questão em ir buscar os jovens ao movimento associativo”. Uma equipa que diz ser jovem, “muito empenhada e com muitas ideias” e brinca: “o único que estraga a média etária sou eu”. Quanto às eleições autárquicas de 2009, apesar de advertir: “gosto daquilo que faço mas se a minha força política entender que chegou a hora de me afastar, saio de cabeça levantada e sem rancores”, não deixa de expressar a vontade em continuar: “Se entenderem que devo ficar, estou disponível. Gostava de acabar o meu projecto, que é dar continuidade a estes jovens, para que quando sair, eles estejam mais preparados”.
Andreia Catarina Lopes













