Vicente Figueira, presidente da Junta de Freguesia de Santo António da Charneca - BarreiroUma tradição “que a população sempre acarinhou”
Da freguesia destaca a coexistência de uma população mais rural e de outra mais urbana e também da multiculturalidade que predomina. E quanto a necessidades mais prementes, não deixa de fazer menção à falta de um Centro de Saúde numa freguesia cuja população diz ser maioritariamente idosa.

Por Jornal Rostos
Das Festas de Santo António, o presidente da Junta de Freguesia de Santo António da Charneca, Vicente Figueira, diz ser uma tradição “que a população sempre acarinhou”. Depois da paragem no ano passado, pela falta de um espaço, este ano as festas voltam à freguesia num novo recinto, no campo desportivo do SantoAntoniense Futebol Clube, com o intuito de que a população “sinta a freguesia viva” e até porque considera que nas festas “todos ganham” pela distracção que proporciona “porque nem só de trabalho vive o Homem”, sublinha. Exposições, música, gastronomia e animação são alguns dos “ingredientes” de uma festa que começou dia 10 de Junho e que termina no próximo domingo, 15 de Junho, dia dedicado à componente religiosa, com a Missa às 16 horas e a Procissão às 17h30.
Falta de um Centro de Saúde
Quanto à necessidade mais urgente para a população, não deixa de fazer menção à falta de um Centro de Saúde, lembrando que estava prevista a criação de uma Unidade de Saúde para Santo António e sublinha: “para a qual chegou a haver verbas para o projecto em PIDDAC que acabaram por serem retiradas, lamentavelmente”. Salientando que a população da freguesia de Santo António é maioritariamente idosa, fala nas dificuldades para se deslocarem ao Centro de Saúde de Santo André. Para atenuar um pouco esses problemas faz menção ao protocolo entre a Junta de Freguesia de Santo António da Charneca e os Bombeiros Voluntários do Sul e Sueste, do qual resultou a inauguração de um Posto de Saúde que está aberto dois dias por semana, às terças e quintas-feiras, das 18 às 20 horas, cumprindo a função de acções de controlo e de rastreio de doenças crónicas, nomeadamente a diabetes e a hipertensão arterial. O presidente da Junta de Freguesia de Santo António chama ainda a atenção para o facto de que “se qualquer idoso precisar de uma consulta, a junta tratar dessa questão com o Centro de Saúde de Santo André”.
Quinta da Mina - “Hoje as pessoas já estão mais relacionadas com as suas casas e estou convicto de que a degradação não se voltará a repetir”
Em relação à Quinta da Mina considera que “tem havido uma evolução” pelas intervenções da Câmara Municipal do Barreiro e acrescenta: “ao contrário do que muita gente pensava, tem sido pacífica e é de louvar que os próprios moradores da Quinta da Mina ajudaram-nos a desmantelar essas mesmas barracas e foi muito importante para nós a participação da população”. Sublinha que actualmente existem oito famílias a viver em barracas e que a câmara está a preparar casas de acolhimento para alojar essas famílias, “para acabar de uma vez por todas com as barracas na Quinta da Mina”, sublinha. Fala depois da necessidade de “apoio do poder central, através do Programa Prohabita para permitir fazer as intervenções nas infra-estruturas” e adverte: “é uma intervenção de médio prazo e é preciso que após essas intervenções as casas não se voltem a degradar”, até porque considera: “Hoje as pessoas já estão mais relacionadas com as suas casas e estou convicto de que a degradação não se voltará a repetir”. Mostra-se também satisfeito pelo acréscimo do número de crianças residentes na Quinta da Mina que prosseguem os seus estudos.
Importância da “colaboração entre a câmara, junta e comunidade educativa”
Do protocolo de descentralização de competências para as Juntas de Freguesia traça um balanço “positivo”. Fala nas intervenções nas escolas e nos polidesportivos e, por outro, no arranjo dos passeios, comentando: “Estamos a dar resposta rápida a estas pequenas intervenções”. Nas escolas, salienta a importância da “colaboração entre a câmara, junta e comunidade educativa”, considerando: “é assim que devemos trabalhar” e acrescenta: “A comunidade educativa, porque vive o dia-a-dia na escola, relata-nos quais são as deficiências mais graves, para podermos dar resposta”. E para este ano diz que as prioridades são: “na Escola Básica do 1º Ciclo /J.I. da Fonte do Feto e na Escola Básica do 1º Ciclo da Vila Chã que carece de intervenções na cozinha”. Considerando: “Porque as escolas foram um pouco esquecidas e foram-se deixando envelhecer”.
“Se fizermos 350 metros por ano, daqui por quatro ou cinco anos, teremos os passeios todos arranjados”
Outra questão que destaca é o arranjo dos passeios na Cidade Sol, que diz terem já 28 anos e “hoje já estão degradados”. “Uma obra que iniciámos e não temos tido capacidade financeira para a fazer toda de uma só vez”, sublinha. Assim, conta que em 2007 foram reparados 350 metros de passeio e para este ano “vamos fazer novamente 350 metros” e comenta: “Se fizermos 350 metros por ano, daqui por quatro ou cinco anos, teremos os passeios todos arranjados”. E realça: “todas estas obras são feitas com o apoio da Câmara do Barreiro, a câmara dá os materiais e a junta fornece a mão-de-obra.”
Freguesia multicultural
Natural do Alentejo, mas residente na freguesia de Santo António da Charneca há 28 anos, Vicente Figueira sublinha que “cada freguesia tem a sua realidade” e na freguesia de Santo António da Charneca destaca a coexistência de um população mais rural e outra mais urbana e também da multiculturalidade que predomina, pela existência de pessoas de diferentes etnias, realçando a importância de “se aproximar estas culturas”, até porque considera que em todas as etnias “temos muito a ensinar e também a aprender”.
Andreia Catarina Lopes













