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Perspectivas

Raul Malacão, presidente da Junta de Freguesia do BarreiroIntervenções no centro para ajudar a construir “um Barreiro novo”

Dos projectos estimados para a Margem Sul, o presidente da Junta de Freguesia do Barreiro destaca o plano para o território da Quimiparque, como o que mais modificações pode trazer ao Barreiro. Quanto às intervenções no centro do Barreiro, sublinha que são obras de “transformação”, para ajudar a construir “um Barreiro novo”. E em época de festividades, sublinha a importância que as Festas do Barreiro têm para o concelho, um espaço de convívio e de encontro, que é “um período importante na vida do Barreiro e dos Barreirenses.”

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Raul Malacão, presidente da Junta de Freguesia do Barreiro Intervenções no centro para ajudar a construir “um Barreiro novo”

Por Jornal Rostos

Há um ano atrás respondia que “começam a ser criadas as condições para tirarmos partido da localização do Barreiro”. Hoje, depois do anúncio das infra-estruturas para a Margem Sul, quais são as transformações que podem vir a ter para a freguesia do Barreiro?

“São projectos muito importante para o concelho, sobretudo o da Ponte Barreiro/Chelas e do estudo que está a ser desenvolvido para o território da Quimiparque. Penso que são projectos que vão trazer desenvolvimento, fundamentalmente ao nível das acessibilidades.”

O território da Quimiparque pode também assumir um papel importante para aliviar um dos problemas da freguesia, o desemprego.

“Acho que, independentemente de ser importante que a ponte venha para o Barreiro, a área da Quimiparque será talvez ainda mais importante, uma vez que podem ocorrer modificações que possam contribuir para haver mais trabalho e, com isso, trazer maior desenvolvimento ao Barreiro. E sobretudo à freguesia do Barreiro, podermos abrir estes muros e criar de facto um espaço mais aberto que venha dar uma projecção maior. Eu sou daqueles que deseja, a todo o custo, que aquele muro seja derrubado para abrir outros horizontes e penso que isso se vai iniciar com a abertura, ainda que provisória, da travessia no Largo Alexandre Herculano para o Lavradio, que era uma das entradas e saídas do Barreiro e que nos anos 60 foi encerrada.”

E como assiste às obras de requalificação do centro do Barreiro?

“Com grande entusiasmo, porque são obras de requalificação mas são também uma ajuda para construirmos um Barreiro novo. Penso que são muito importantes para o futuro da freguesia. A alteração que está a ocorrer no Mercado, que vai ficar com duas paredes de memória, o estacionamento, a praça central, a transformação na Avenida Alfredo da Silva, penso que são contributos muito importantes para o centro do Barreiro. Não considero que sejam obras de requalificação, são, no fundo, de transformação.”

Seria então uma necessidade?

“Sim, acho que sim. O Mercado estava completamente obsoleto, em termos até da legislação actual, tinha necessariamente de ser transformado e foi a oportunidade que apareceu para se operar uma modificação para melhor, quer para os comerciantes do Mercado e dos que vierem a se instalar, quer para os próprios utentes. Vai ficar com outros equipamentos e valências que aquele já não oferecia e vai ficar com outra extensão, com cerca de três mil metros quadrados.”

O Fórum Barreiro vai abrir mais cedo do que o Mercado. Considera que esse facto pode trazer algumas consequências negativas?

“Era preferível que fosse simultaneamente mas se não é possível, não estou a ver consequências negativas pelo facto de o Mercado abrir dois ou três meses mais tarde. A obra que se está ali a desenvolver é uma obra importante.”

Em relação à antiga Escola Mendonça Furtado, a obra esteve parada, já não vai ser possível abrir no ano lectivo de 2008/2009?

“As obras têm estado paradas porque foi preciso fazer o levantamento do aspecto técnico, levantaram-se problemas de segurança. Esse levantamento foi feito e brevemente a obra vai arrancar na consolidação da parte da segurança e a outra empreitada, logo que seja possível, reiniciasse. Espero que seja o mais brevemente possível, porque essa solução permite dar resposta às deficiências que temos no Parque Escolar do Ensino Básico na freguesia, que é antigo e está degradado. Agora é impossível o início das aulas em Setembro, talvez lá para a Primavera esteja numa fase mais adiantada.”

Passado mais de um ano da assinatura do protocolo de Descentralização de Competência para as Juntas de Freguesia, qual é o balanço feito?

“Considero que o balanço é positivo e que é uma contribuição importante para valorizar a acção das juntas de freguesia junto da população, porque as juntas não podem existir conforme existiam há anos atrás, que se limitavam praticamente a fazer atestados e recenseamentos. Penso que hoje já deveriam ser competências próprias das juntas, previstas na lei. Hoje, a Freguesia do Barreiro em termos de limpeza encontra-se numa situação aceitável, podia estar melhor, mas para isso é preciso também a contribuição dos moradores e, por outro lado, as ruas também estão ocupadas de carros diariamente, o que dificulta a própria limpeza. Mas pela avaliação dos serviços da Câmara do Barreiro, que recebemos de dois em dois meses, os resultados em relação à limpeza são satisfatórios. Mas é preciso andarmos permanentemente em cima das situações. Também na área da toponímia, acho que foi uma boa decisão, tínhamos o Barreiro muito mal tratado nesse aspecto, a maioria das ruas não tinham as placas com a indicação do nome da rua e ainda temos zonas assim. Neste momento temos duas dezenas em execução e até ao fim do mandato vamos continuar a aplicar placas, porque há falta delas.”

Que outras competências a Junta de Freguesia do Barreiro tinha condições para assumir?

“Neste momento acho que devemos deixar assimilar estas competências, criando as condições necessárias para dar resposta conveniente àquilo que temos e depois, a partir daí, começarmos a pensar numa ou noutra área que possamos responder.”

Um dos problemas da freguesia prende-se e com a degradação de alguns edifícios do Barreiro Velho. Partilha da ideia expressa no Programa de Reabilitação do Barreiro Antigo, de que a reabilitação deve de ser feita “com as pessoas e pelas pessoas que lá estão”?

“Sim, concordo. Temos de ter em atenção as pessoas que lá vivem, o tipo de casas e as condições que existem e há ali muitas situações em que as casas pertencem já a herdeiros que não vivem no Barreiro e, às vezes, envolve tantos herdeiros que as pessoas desinteressam-se de fazer alguma coisa, nem que seja pô-la à venda e isso torna a situação muito complicada. O Barreiro precisa de ter uma estratégia na zona chamada de Barreiro Velho que seja desenvolvida dia após dia, porque é uma transformação que terá de se fazer mas no tempo, sem parar, porque obriga a conversações e discussões com pessoas que nem vivem no Barreiro.”

Como é que tem acompanhado a animação que tem sido trazida à zona mais antiga, pelo Grupo de Amigos do Barreiro Velho?

“São contribuições importantes, até no sentido de chamar a atenção para os diversos problemas que existem naquela zona e de, por outro lado, despertar também a atenção de outras pessoas que não vivendo ali, ouvem falar no Barreiro Velho ou antigo e pode até motivar algumas, sobretudo os mais jovens, para ali adquirir espaços que estão à venda e que podem ser reabilitados. Penso que todo esse tipo de iniciativas que se possam fazer ali são positivas, a exemplo do que acontece noutras zonas antigas pelo país fora.”

Outro momento de animação são as Festas do Barreiro. À semelhança do ano passado, as Juntas de Freguesia vão estar presentes na MEI?

“Sim, vão estar. Desde o ano passado que a Junta do Barreiro foi convidada a estar presente na Comissão Organizadora e, em parte, a representar as outras juntas e daí as juntas também terem uma representação na MEI, através de um pavilhão, onde se vai dar conhecimento das suas actividades.”

Enquanto presidente da Junta de Freguesia do Barreiro, como vive este período?

“Vivo com satisfação, é um período importante, de lazer e de convívio das pessoas do Barreiro, onde se encontram amigos e é um espaço onde se pode assistir a espectáculos, onde há o convívio das tasquinhas e o encontro religioso, através das cerimónias da Igreja e penso que é sempre um período importante na vida do Barreiro e dos Barreirenses.”

Este ano as festas surgem sob o tema do Centenário da CUF, que faz parte da história do Barreiro.

“Sim, foi uma empresa que deixou marcas através de várias gerações, algumas positivas, outras negativas. Foram tempos difíceis, algumas pessoas lembram-se disso e outras ouviram contar mas não podemos apagar isso da história e é importante de ser assinalado e lembrado a outras gerações e até de dar a conhecer algumas situações que aconteceram. Assim como para o ano também se irá assinalar os 150 anos dos Caminhos-de-ferro no Barreiro, que teve aqui um papel importante, pois foi o princípio do desenvolvimento do Barreiro.”

Andreia Catarina Lopes

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