Padre José Manuel, reitor da Igreja de Nossa Senhora do Rosário“O Barreiro educou-me”
O “padre novo” da freguesia do Barreiro prepara-se para, a partir do dia 20 de Setembro, ir exercer as suas funções eclesiásticas para a freguesia do Lavradio. Ao fim de quatro anos como reitor da Igreja de Nossa Senhora do Rosário e de dois como pároco da de Santa Cruz, não esconde as saudades que já sente. No dia 14 de Setembro fala da realização de uma celebração de despedida, onde adivinha que “vão ser muitas as lágrimas”, ainda que sublinhe que continua no concelho do Barreiro. E no último ano em que está a cargo da organização das celebrações religiosas das Festas do Barreiro diz emocionado: “Irei viver momento a momento, acho que isso é que é o mais importante e aquilo que aprendi vou trazê-lo no meu coração.”

Por Jornal Rostos
Sempre vai sair da freguesia do Barreiro?
“Vou deixar de exercer as minhas funções como reitor e pároco da freguesia do Barreiro. Fui chamado para servir a freguesia do Lavradio e a partir do dia 20 de Setembro tomarei posse no Lavradio. Dia 14 de Setembro será aqui a celebração de despedida e também a recepção do novo padre, o padre António Estêvão.”
De onde é o novo padre?
“Vem de Sesimbra, foi ordenado há pouco tempo. É um padre bom e atento, com o seu saber de poder servir a freguesia do Barreiro.”
Esta saída deixa-lhe muitas memórias…
“Esta foi a minha escola, para além de ter estudado teologia na Universidade Católica. Mas vim para aqui muito jovem, tinha dezassete anos, também trabalhei nas fábricas de sabão da Quimigal. E faço parte da Congregação dos Filhos da Caridade, que este ano celebra os seus 80 anos e os 90 anos da morte do seu fundador, o padre Jean-Emile Anizan, e por isso a minha maneira de ser e de estar é a de saber acolher e de dar uma mensagem cristã aos barreirenses. E o Barreiro educou-me. Quando cheguei aqui, a primeira coisa que fiz foi visitar as famílias, os doentes e muitas pessoas que foram pescadores desta terra.”
E é também muito querido pela população, que o chama de o “padre novo”…
“Sim, chamam-me de o ‘padre novo’, um padre que sabe olhar para as pessoas. Quando celebrava a Eucaristia pensava: ‘tenho de a celebrar para as pessoas que estão e para as que não estão’. E muitas pessoas procuravam-me nesse sentido e é essa a procura de Deus e é muito importante. Cada um de nós tem a sua maneira de celebrar e de buscar Deus na nossa própria vida e talvez seja essa a razão pela qual as pessoas me acarinharam e também fez com que olhasse para o Barreiro como a minha casa. Vivo no Lavradio e muito depressa me situei bem aqui. No dia 14 vão ser muitas as lágrimas. Custa-me muito. Estes últimos dias são difíceis.”
Mas vai continuar no concelho do Barreiro.
“Sim, vou e é isso que pretendo, olhar para o Barreiro e poder fazer o que puder, como José Manuel e como padre e também olhar para cada um com o olhar de Cristo, construtor e de esperança.”
É também o último ano em que vai estar à frente da organização das celebrações religiosas das Festas do Barreiro. Este momento está a ser vivido de uma forma especial?
“Irei viver momento a momento, acho que isso é que é o mais importante e aquilo que aprendi vou trazê-lo no meu coração e rezar também pelas pessoas que estão aqui. Vou continuar a estar no Barreiro de uma certa forma. O Lavradio também não é muito longe. Aqui, procurei abrir portas da Igreja, que estavam fechadas, havia muitas pessoas que não iam à celebração da Eucaristia e que hoje vão e foram muitas as famílias que me acolheram nas suas casas. Penso que a imagem de Nossa Senhora do Rosário, na altura em que celebramos a sua festa, reflecte um pouco isto, a imagem de cada um de nós como um peregrino, porque quando queremos fazer uma peregrinação, deixamos tudo.”
O auge da programação religiosa é a Procissão no dia 15 de Agosto.
“Uma procissão tem sentido com a sua própria preparação. Pelas confissões e depois os terços do Rosário e cada pessoa é que entrega a sua rosa, o que reflecte um pouco a sua vida. E culmina com a Missa Solene Festiva às 11 horas e depois, sim, a Procissão.
Uma Procissão que este ano vai ter algumas alterações no seu trajecto, por causa das obras do centro no Barreiro…
“A requalificação do centro do Barreiro é necessária e não vai perturbar o percurso da procissão, que é cada vez maior, pois são cada vez mais as pessoas que vêm à Procissão, muitas também de fora. Mas não são essas alterações que a vão dificultar, porque a procissão está toda organizada e temos pessoas dentro da comunidade que vão estar atentas, como as forças de segurança pública. Uma procissão é muito simples, com pessoas que se põem a caminho, que carregam os andores, mas que também compreendem, porque a questão dos cortes das ruas, todos nós sofremos com isso e os comerciantes são os primeiros e temos de pensar nisso. Mas também temos de compreender que é preciso criar condições para o futuro, para que o Barreiro possa também abrir mais portas a outras pessoas. E penso que todos juntos devemos olhar nesse sentido, pela positiva. E que as festas corram pelo melhor.”
Andreia Catarina Lopes













