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Perspectivas

Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro“Se é uma carga negativa que colocam na palavra negócios, recuso. Não faço negócios”

“Hoje fala-se no FÓRUM, porque as obras estão a aparecer.
Amanhã vai-se falar de outra coisa, porque outras obras vão aparecer.
E, depois de amanhã vai-se falar noutra coisa porque outras obras vão-se fazer.
Referi três situações, porque estão perspectivadas, três grandes acções, uma delas é no POLIS, portanto vão dizer o mesmo, porque é um negócio também, se entenderem como tal, porque eu acho, se a expressão negócio tem uma carga negativa e pejorativa não é negócio. Se é essa carga negativa que colocam na palavra negócios, recuso. Não faço negócios.
Uma das coisas que me vou orgulhar é que vou sair da Câmara quando entrei, com a mesma serenidade...” - sublinhou ao “Rostos”, Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, a propósito do tão falado negócio do FORUM BARREIRO.

19 min de leitura
Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro “Se é uma carga negativa que colocam na palavra negócios, recuso. Não faço negócios”

Por Jornal Rostos

Começámos a nossa conversa com Carlos Humberto, presidente da Câmara Municipal do Barreiro perguntando : Como se sente presidente? A reposta foi – “Entusiasmado, com a actividade e com as perspectivas que o município tem neste momento, no seu desenvolvimento e na construção de um Barreiro novo que, penso eu, todos os cidadãos do Barreiro pensam e desejam”.

Construir um Barreiro novo

Quais são as ideias essenciais que perspectivam esse Barreiro novo?
“Nós estamos longe do fim do mandato. E, quando nos candidatámos, apresentámos um programa eleitoral. Sabemos que nunca é possível cumprir um programa a 100%, mas, com muita frequência também se ultrapassa o que se perspectiva nos programas eleitorais.
Acho que nós, no fundamental, definimos bem uma estratégia e essa estratégia no essencial está a ser cumprida.
Nós definimos como opções estratégicas, apostar no desenvolvimento económico suportado em duas grandes questões, por um lado, as relacionadas com a Quimiparque e o seu território, por outro lado o polo ferroviário.
Consideramos, que temos dado passos importantes nestes dois pontos estratégicos.
Definimos, para que o Barreiro reassumisse um papel importante na Área Metropolitana de Lisboa, no arco ribeirinho do sul e na Península de Setúbal, que era necessário que se reforçasse e alargasse o centro da cidade. Estamos a trabalhar nesse sentido.
Vimos, igualmente, que era muito importante, darmos uma melhor atenção aos nossos rios, quer nas áreas do Rio Coina, quer do Rio Tejo.
Nisto, na verdade temos uma estratégia definida e uma acção concreta no território e no terreno.
Definimos a importância que Coina devia ter na estratégia global do concelho.
E, posso referir, que de forma sistemática estão a aparecer pequenas e médias intervenções que podem permitir que Coina assuma uma centralidade regional.
Definimos que era muito importante as questões da mobilidade e das acessiblidades e vemos, fruto de algumas acções nossas e fundamentalmente de acções da Administração Central, com a decisão tomada sobre a Terceira Travessia do Tejo e outro conjunto de infraestruturas, ferroviárias e rodoviárias, que, de facto, podemos vir a consolidar a importância que defendemos que o Barreiro venha a ter na região.
Do ponto de vista do território estas são algumas acções, que algumas estão no terreno, outras estão em perspectivas, que considero muitissimo importantes, pois permitem perspectivar o concelho do Barreiro com solidez, com dinamismo que, hoje, penso, já se começa a sentir.
Estes são os momentos que considero marcantes na estratégia que nós definimos, que, felizmente, fruto do trabalho e das circunstâncias estão a ser conseguidos.
Por outro lado, quero referir que há todo um conjunto de acções e iniciativas, de carácter lúdico, cultural, desportivo e social, umas vindo de trás, outras sendo novas, permitem de forma masi equilibrada encontrar o caminho para o desenvolvimento que queremos para o concelho do Barreiro.
O desenvolvimento não é só obra material, é, muito também daquilo que é imaterial, particularmente, todas as acções que se dirigem às sensibilidades, aos saberes das pessoas, portanto, considero que é necessário contar com esta vertente para o desenvolvimento integrado que queremos para o concelho e para os serer humanos que cá habitam, sabendo que o concelho se integra numa sociedade, sendo, naturalmente, construir um concelho desenvolvido numa região menos desenvolvida.
Podem existir níveis e velocidades distintas, mas, a sendo a sociedade um sistema de vazos comunicantes, tudo influência tudo, não estou a dizer que nós seremos um concelho desenvolvido, num país subdesenvolvido. Não é isso que quero dizer. Pretendo dizer, é que, nós, no Barreiro, nos últimos vinte anos vivemos contracorrente. A Área Metropolitana de Lisboa teve algum crescimento e o concelho decresceu.
Podemos estar a perspectivar o inverso. Nós precisamos de agarrar as oportunidades. E, na minha opinião, considero que no essencial estamos a conseguir agarrar as oportunidades”.

Dificuldades financeiras da Câmara

Não tendo a Câmara Municipal do Barreiro dinheiro como pode encontrar respostas às necessidades que existem para fazer andar todo este processo ?
“Eu considero que esse é um problema serissimo. Do meu ponto de vista até mais sério do que a generalidade das pessoas pensam.
Quando digo que é um problema serissímo, não digo apenas pela falta de meios financeiros para responder à obra, para fazer obra, para fazer acção, para dinamizar iniciativas.
Digo-o, também pela necessidade de preparar a estrutura do município para esse desenvolvimento.
E, talvez, esse seja outro problema, porque nós precisávamos que o município se preparasse melhor, do ponto de vista técnico, de mecanismos e de conhecimento, para estar em melhores condições de aproveitar, direccionar e acompanhar todas estas perspectivas e possiblidades que se colocam, nos dias de hoje, ao Barreiro.
Os meios financeiros, até a esse nível, nos limitam, por isso, eu acho, que este é um problema serissímo.
Reconheço que a questão financeira não é o único problema, mas é um dos principais problemas.
Considero que o principal problema do concelho do Barreiro ainda é o desenvolvimento económico.
O principal problema da Câmara é o problema de condições financeiras, de forma a responder ás necessidades das populações.”

O “negócio” do FÓRUM

É essa razão que tem originado algumas engenharias financeiras? Uma das coisas muito falada é o negócio com o FÓRUM? Que tem isso de tão dramático para ser assim tão focado?
“Começo pela primeira parte da pergunta. Que fazer? É preciso desenvolver entendimentos, moblizar vontades. Aproveitar oportunidades.
Eu acho que tudo isto temos feito.
Hoje fala-se no FÓRUM, porque as obras estão a aparecer.
Amanhã vai-se falar de outra coisa, porque outras obras vão aparecer.
E, depois de amanhã vai-se falar noutra coisa porque outras obras vão-se fazer.
Referi três situações, porque estão perspectivadas, três grandes acções, uma delas é no POLIS, portanto vão dizer o mesmo, porque é um negócio também, se entenderem como tal, porque eu acho, se a expressão negócio tem uma carga negativa e pejorativa não é negócio. Se é essa carga negativa que colocam na palavra negócios, recuso. Não faço negócios.
Uma das coisas que me vou orgulhar é que vou sair da Câmara quando entrei, com a mesma serenidade...”
Quando pensa que vai sair da Câmara?
“Já responderei. Estava a dizer que espero sair com a mesma paz de espiríto, com a mesma que entrei. Prefiro sair da Câmara com menos que entrei, do que com mais do que entrei. Isto, para mim é uma questão de principio, de ética, até porque sou comunista e tenho da visão dos cargos públicos que as pessoas não devem vir para estes cargos com o objectivo de retirarem beneficios materiais dessa função.
Mantenho esta opinião. Portanto, recuso liminarmente essa coisa de negócio, nesse sentido pejorativo.
A vida provará, se houver quem tenha dúvidas, onde é que a razão está.”
Mas esse é um negócio, mesmo entre aspas...
“É uma plataforma de entendimento, em que várias partes têm interesses que são comuns, outros distintos, mas existem interesses comuns, em que ambos podem tirar algum benefício desse entendimento.
No caso concreto, o que interessa, é a defesa dos interesses do concelho e da cidade. Considero que esses interesses estão defendidos. Sobre isto, naturalmente, não tenho dúvidas nenhumas.
Se perguntarem : mas outros são beneméritos? Certamente não serão, concerteza terão algumas vantagens, do chamado negócio, que eu coloco entre aspas.

Valorizar o centro da cidade

Mas a questão que se coloca é um esta: o Partido Socialista, na sua gestão iniciou este negócio, a CDU reviu esse negócio. Se for colocado na balança o negócio feito pelo PS e o negócio feito pela CDU. Este negócio foi enriquecido ou foi desvalorizado?
“Não tenho dúvidas nenhumas, quero dizer nenhumas. Estou em plena paz com a minha consciência, porque acho que os interesses do concelho do Barreiro foram muito bem defendidos.
Claro que estou a fazer uma intervenção em defesa de causa própria, mas esta convicção profunda que tenho, que nós, concelho do Barreiro, tirámos muitos beneficios deste entendimento que foi concretizado.
Podemos ir ao concreto. Já o tenho repetido até á exaustão. Mas, vale a pena clarificar.
Estava acordado que o FORUM-MULTI doava ao municipio do Barreiro, 2100 m2, em tosco, para o Mercado, mais 400m2, numa das caves, para o uncionamento do Mercado.
Já agora dizer que 2100 m2 não dava para o Mercado actual, mesmo com os 400m em cave.
Por outro lado, onde é que nós íamos buscar os meios financeiros para acabar o Mercado, que nós calculámos, por baixo, em 1 milhão ou 1,5 milhão para por o Mercado a funcionar.
Nós, hoje, o que conseguimos foi : o estudo urbanístico para as Ruas Miguel Bombarda, Avenida Alfredo da Silva, Parque Catarina Eufémia, o estudo de rearranjo daquela zona, para a Praça adjacente e novo mercado.
Conseguimos um estudo de mobilidade, desta área do Barreiro, desde a Avenida da República até á Avenida da Praia e da Rua Miguel Pais até à Rua Stara Zagora.
Conseguimos a obra do Mercado 1º de Maio, de chave na mão, todo o arranjo da Praça entre o mercado e o parque, o arranjo da Avenida Alfredo da Silva, toda completamente pronta.
E, também, um parque de estacionamento de cerca de 230 a 250 lugares, que é público, sendo gerido durante 30 anos, por uma empresa privada.
O bom senso aqui é necessário. Será precisos grandes números para perceber a vantagem de tudo isto, não só a vantagem material, porque mais que um conjunto de obras, o que considero importante é a concepção que está por trás de todo este projecto : a ideia do centro novo, criar um novo centro do Barreiro, que passa por todos estes espaços, do novo mercado até ao FORUM, incluindo a Rua Miguel Bombarda.
E, por outro lado, é importante reflectir sobre o que poderia acontecer se não tivessemos tomado estas medidas.
Naturalmente, estas medidas não garantem que o objectivo seja alcançado, mas, existiam perigos reais, de haver uma degradação e desertificação da Avenida Alfredo da Silva, com todas as consequências dessa situação.
Não garanto que resulte, mas garanto que as medidas que estamos a tomar vão no sentido de evitar que isso possa acontecer, no minimo pior não vai ficar, e, digo-lhe, estou convencido que vai melhorar significativamente. Quando as obras estiverem concluídas veremos.
Ainda este ano teremos oportunidade de ver algumas coisas que provarão como foi justa a decisão.
Tenho falado com os comerciantes da Avenida Alfredo da Silva, com quase todos, nestas conversas, eles perguntam : Quando abre o mercado? Nestas conversas sublinham as consequências do mercado estar encerrado.
Por isso pergunto : Que aconteceria se o encerramento do Mercado fosse definitivo?
Eu acho, muito sinceramente, que a estratégia está correcta, estou convencido, que as pessoas que estavam na Câmara, antes de mim, não estou contra esta estratégia. Penso é que não tiveram condições, para não dizer de outra forma, para concretuizarem esta estratégia. Não tiveram a coragem política para a concretizar.

A solução já existia na gestão PS

Esta ideia já existia na gestão anterior?
“Eu acho que com esta clareza não existia. Mas, hipóteses nesse sentido, conversas nesse sentido, basta pensar no estudo de ideias que foi feito para o Mercado, a consulta que foi feita à população.
Isto já apontava para esta solução como uma hipótese.
Portanto, não percebo, esta critica.”
Se for preciso clarificar com números há números para clarificar?
“Há números para quantificar. O problema é este : nós não fizemos um negócio na concepção tradicional de um negócio.
O que nós fizemos foi, no diálogo com uma entidade que tinha um acordo firmado, nós dissemos em vez construir isto, nós queremos que construam aquilo.
É natural que cada um faça a sua avaliação, na qual uns dizem que sim, outros não.
O que nós fizemos não foi um negócio. O que nós fizemos foi o que está a ser feito e do ponto de vista legal é assim que as coisas tinham que ser feitas.”

Ligação Barreiro-Lavradio pela Quimiparque

Em breve vai arrancar o FORUM, como está o problema das acessiblidades?
“É uma situação que estamos a acompanhar a par e passo. Existem um conjunto de soluções que são complexas, dado que não estamos a dialogar com uma única entidade.
Estamos a construir a solução com várias entidades, com vários ritmos e interesses diversificados. Estamos a trabalhar para um objectivo.
Estamos conscientes da conflitualidade de trânsito que um equipamento como o FORUM vai causar, com a atractividade, principalmente no período de arranque, antes de estabilizar, embora a situação se mantenha.
Nós estamos a tomar as medidas que nos parecem adequadas, ao nível do que é possível, porque nós quando tomámos conta deste processo, ele já estava em andamento e decidido.
Nós tomámos as medidas possíveis, assim, para além da obra na Avenida Alfredo da Silva, da rotunda ao fim da Avenida Alfredo da Silva, onde se situava o Campo do Futebol Clube Barreirense, será feita a ligação dessa rotunda a uma nova rotunda no Largo das Obras, seguindo-se o atravessamento provisório, abrindo o território da Qumiparque, até ao Lavradio, entre a Feira Nova e a bomba de gasolina.
Estamos a trabalhar a todo o vapor para que estas obras estejam concluídas o mais próximo possível da abertura do FORUM. É esse o nosso objectivo."

Solução estátua Alfredo da Silva

Esta estratégia tem alguma ligação ao projecto Quimiparque?
“Esta estratégia de alguma forma é condicionada pelas ideias que existem para o território da Quimiparque. Não é por acaso que nós dizemos que é um atravessamento provisório do território da Quimiparque.
Se o Plano de Urbanização estivesse feito o atravessamento em vez de ser provisório era já o definitivo, que serviria o futuro daquele território.
Está no entanto claro que o território da Quimiparque será um espaço natural de expansão urbana, sendo óbvio que o centro da cidade vai se expandir para o território da Quimiparque”.
Como está a solução para a Estátua Alfredo da Silva?
“Estamos a debater. Não muito longe teremos uma solução, para dialogar com os nossos parceiros, na Câmara, com todos os eleitos, as hipóteses de trabalho que estamos a concluir e clarificar.
Naturalmente, alargaremos as discussão aos eleeitos da Assembleia Municipal.
Não há nenhuma decisão tomada.”

Novas urbanizações na Rua Miguel Pais

Que está previsto para Rua Miguel Pais?
“Nós temos objectivos para o Barreiro. Um deles é a fazer as pazes com os rios, deixarmos de estar voltados de costas para os rios.
É preciso que o Barreiro requalifique as suas frentes de rio.
Há um estudo para a Rua Miguel Pais, que já existe há alguns anos que tem vindo a ser reajustado com execisiva lentidão, para as nossas necessidades.
Estão previstas mais duas intervenções urbanisticas prestes a ser licenciadas, perto da zona da igreja e também da antiga Rodoviária Nacional.”

Uma solução para o Moinho Pequeno

O Moinho Pequeno como está o processo?
“Fizemos uma candidatura foi recusada. Estamos a preparar novas candidaturas.
Uma delas inclui o Moinho Pequeno, para além das candidaturas estamos a estudar outras possibilidades”.
Com essas novas urbanizações não será possível um “negócio”?
“Estamos a estudar. Como disse estamos em dois caminhos, o da candidatura e outros caminhos para encontrar formas de recuperar o Moinho Pequeno e o largo adjacente.
A ideia é que Miguel Pais tem que estar ligada ao centro do Barreiro, porque o centro tem que ter ligação ao Barreiro velho e à zona ribeirinha.”

Barreiro Velho medidas insuficientes

Este processo está a mexer alguma coisa no Barreiro Velho?
“As medidas no Barreiro Velho são claramente insuficientes em relação às necessidades.
Há pequenissimas manifestações de interesse, e, são aquém do que o Barreiro Velho precisa.
Eu diria que o Barreiro merece que o Barreiro velho tenha uma intervenção mais dinâmica.
Pensamos que as obras na Avenida Alfredo da Silva e na Praça, possam ser um pequeno contributo.
Quando não temos milhões para intervir temos que ir fazendo aos poucos, até conseguir os objectivos.
As melhorias na muralha da Avenida da Praia e a intervenção até ao Largo das Obras, também podem ser contributos.
Pensamos a hipótese de intervir, mesmo que de forma pontual, em duas zonas do Barreiro Velho.
Quero dizer, que nós, neste mandato ainda não afastámos a hipótese de concluir as obras na Rua Miguel Bombarda. Está em cima da mesa. Estou convencido que vamos conseguir fazer. Espero que seja possível.
Vamos igualmente fazer uma intervenção no túnel, de forma a torná-lo mais atractivo e mais bonito.
Este conjunto de obras é um todo.
O que me custa é ouvir criticas. Não é que não aceite as criticas. Criticas existirão sempre justas ou injustas.
O que custa é escutar criticas quando vêem de algumas pessoas que, o que me parece é que não querem perceber a dimensão das intervenção que estamos a realizar.
Percebam a dimensão da intervenção e depois pode-se criticar. Poderão existir aspectos menos positivos, como em tudo.
Isto que estamos a realizar não é uma obra, é a concretização de uma estratégia, desde o monumento escultórico de Malagatana...”

Ganhar autoconfiança

Já agora, porquê Malagatana?
“Nós consideramos que o Barreiro precisa de confiar a confiança em si próprio. Criar autoconfiança, este é um elemento de desenvolvimento.
Tem que ser uma autoconfiança construída na base de coisas concretas.
Convidámos pessoas, que são referências internacionais, para nos ajudarem a construir este novo Barreiro, como foi o caso de Joan Busquet, assim como convidarmos Malagatana, um artista que tem alguma ligação ao Barreiro.
Estes podem ser contributos para construirmos este elemento de autoconfiança.”

Boas relações com Quimiparque

Como estão as relações com a Quimiparque?
“Nós construimos uma relação muito boa. Eu tenho uma concepção da vida e da coisa pública que é juntar as peças, as vontades.
Lembro-me perfeitamente da primeira reunião com o Conselho de Admimistração da Quimiparque. Lembro-me do que eu disse, e do que me disseram
Fizemos um longo caminho. Mas, foi um caminho de aproximação, de construir um projecto comum, onde, por vezes, os pontos de partida não são exactanente os mesmos, mas sabemos que os objectivos são comuns.
O projecto da Quimiparque só é possível concretizar-se com o entendimento das duas partes.
Não é possível que este projecto se concretize contra a Câmara e o inverso também, por isso, nós tínhamos que nos entender e estamos a enteder-nos muito bem”.
Tudo isto que está a acontecer é uma boa forma de assinalar os cem anos da CUF no Barreiro?
“Eu considero que comemorar os cem anos da CUF é não deitar porta fora tudo o que de bom a CUF trouxe para o Barreiro e tudo o que de menos bom ou mau a CUF trouxe para o Barreiro.
Sem dúvida, o Barreiro de hoje, é marcado por tudo o que a CUF trouxe para o Barreiro, e quando digo CUF, estou a dizer a CUF como um todo, os patrões, os trabalhadores, foi a classe operária.
Todos nós estamos marcados, na nossa infância e juventude, pelas fábricas e pela capacidade reivindicativa dos trabalhadores.
Gerou-se no Barreiro uma cultura de solidariedade. Houve também a poluição. Também a qualidade de vida que tivemos porque tínhamos melhores salários.
Tudo isto é inesquecível. O que nós estamos a fazer é reflectir sobre estes cem anos da nossa vivência colectiva, numa perspectiva não passadista, com saudade, nostalgia ou até com angústia e com medos, mas, devemos olhar para trás e vermos que podemos construir naquele território, nos tempos de hoje, que ele tenha no século XXI um papel idêntico ao que teve no século XX.Um território de modernidade”.

Cidade do Cinema sem novidades

Como está a Cidade do Cinema?
“Existe a opinião do promotor de vir para o Barreiro, que derfende que o projecto venha para o Barreiro. Temos mantido contactos.
Não há evolução significativa. Não há qualquer projecto entregue”.

Funcionamento da vereação

Como está a vereação a funcionar?
“Os vereadores com pelouro estão a funcionar bem”
Que nota dá ao Vereador Bruno Vitorino?
“Uma nota positiva”
E ao Vereador Joao Soares?
“Também nota positiva”
Têm dado contributos?
“O Bruno reflecte uma estratégia própria de uma força partidária. O João Soares reflecte uma opção.
Terá as suas convicções políticas e partidárias. Nisso não me meto.
Tentei perceber desde o primeiro momento o que eles podem dar ao Barreiro. E foi, no fundo, fazermos tudo o que estamos a fazer.
Eu também tenho as minhas estratégias partidárias.
Ainda é cedo para fazer balanço. O balanço que faço, deste período de funcionamento da vereação, com encontros e desencontros, do meu ponto de vista, é positivo. É muito positivo”.
E os vereadores sem pelouro?
“São os vereadores do Partido Socialista. Procuram trazer para as reuniões e para o executivo um papel de oposição. Nem sempre, no meu modo de ver, dando a melhor ajuda ao Barreiro e ao funcionamento do órgão. Esta é a minha apreciação.
Muitas vezes, e fico-me por aqui, agarrando coisas perfeitamente secundárias.”

Decisão de candidatura depende do PCP

Vai candidatar -se em 2009?
“Ainda estamos a mais de um ano das eleições autárquicas, que serão concerteza em Outubro de 2009.
É preciso para uma decisão contar com muitas opiniões.
Eu sou comunista. Sou do Partido Comunista Português. Digo isso com satisfação.
Portanto, prezo a opinião do meu partido. Jamais me candidataria se não tivesse o apoio do meu partido.
Jamais manifestarie a minha opinião à comunicação social sem primeiro saber a opinião do meu partido”.

António Sousa Pereira

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