José Rodrigues, Administrador da empresa “Rodrigues & Filipe”Como barreirense tenho toda a esperança e acredito que agora o Barreiro vai dar volta
“Estamos a renovar quadros da empresa, para nos preparamos para o que por aí vem e vamos apostar claramente no Barreiro. A nossa aposta é no Barreiro e Moita, já era, agora, é mais que necessário.
Temos pena é que os projectos não corram com agilidade, é pena, na verdade, que não haja simplex para o urbanismo” – sublinhou ao “Rostos”, José Rodrigues, Administrador da empresa “Rodrigues & Filipe”, do Barreiro.

Por Jornal Rostos
José Alves Rodrigues, nasceu em 1961, como sublinha “sou nascido e criado no Barreiro”, filho da geração CUF, seu pai operário da CUF e sua mãe trabalhadora do Jardim Escola da CUF, espaço, aliás, onde recebeu a sua primeira educação e que frequentou até ao início da escola Primária, que foi frequentar na Escola Primária da Quinta da Lomba e concluiu posteriormente na Escola onde, mais tarde passou a funcionar o Externato Manuel de Melo.
Recorda Octávio Ribeiro, jornalista, Director do Correio da Manhã, como um dos seus colegas de escola.
Foi um dos muitos meninos daquela geração que inaugurou a Escola Álvaro Velho, num curso experimental, onde foi colega de Eduardo Cabrita, Secretário de Estado, com quem, posteriormente foi colega de turma no Liceu de Casquilhos.
Após concluir o Liceu, frequentou o Ensino Superior, actividade que foi mantendo em paralelo com a sua opção de se dedicar à actividade empresarial.
Tempos para nós miúdos que não esquecemos
José Rodrigues é um filho do Bairro das Palmeiras, bairro que durante muitos anos marcou o pulsar de muitas gerações de barreirenses.
“Era um bairro operário, com bastante comércio. Lembro-me, quando miúdo, de ir com a minha mãe às compras na Cantina da CUF, dos mercados que se faziam no bairro e também de ir jogar à bola para o Campo de santa Bárbara.” – recorda, acrescentando, as sua recordações da Colónia de Férias da CUF – “Eram tempos, para nós miúdos, que não esquecemos”.
Jogos Juvenis era uma coisa entusiasmante
Foi atleta dos Jogos Juvenis do Barreiro quer em representação do Futebol Clube Barreirense, quer do “Independente” da Quinta da Lomba.
“Os Jogos Juvenis era uma coisa entusiasmante, jogávamos basquetebol, de seguida íamos jogar Andebol, todos nós éramos ecléticos a disputar várias modalidades.” – sublinha com emoção, como um tempo que o marcou e onde cultivou muitas amizades, Manuel Fernandes, Carlos Pires, e muitos nomes ligados ao Barreirense.
Uma costela 100% Barreirense
Na nossa conversa perguntámos se sendo oriundo de uma família CUF se tornou, também ele um adepto do Grupo Desportivo da CUF – “Não, tornei-me um homem do Futebol Clube Barreirense. Uma costela 100% Barreirense. Até porque pratiquei basquetebol no Barreirense, desde miúdo, num percurso até aos juniores, onde fui campeão nacional e nos distritais éramos sempre campeões”.
Após esta sua prática desportiva, na competição oficial, José Rodrigues foi um dos praticantes de uma equipa de veteranos do Futebol Clube Barreirense que participou em provas organizadas pelo INTATEL – “ onde estávamos sempre nas finais” – sublinha, com um sorriso.
Nós estamos cá para continuar
José Rodrigues é Administrador da empresa “Rodrigues & Filipe”, empresa cuja origem remonta à actividade pessoal desenvolvida pelo seu pai, que criou uma empresa individual, na área imobiliária, como complemento da sua actividade profissional.
A empresa “Rodrigues & Filipe” nasceu no ano de 1980, uma empresa que tem vindo a crescer ao longo dos anos – “Apostámos sempre em manter um crescimento sustentável e termos rigor na nossa actividade empresarial. Tudo o que fazemos é sempre com a consciência que devemos fazer o melhor que sabemos e o melhor que podemos” – salienta.
“Nós queremos que as pessoas que compram na nossa empresa têm garantia daquilo que fazemos, porque nós não andamos aqui no toca e foge. Nós estamos cá, a empresa tem rostos, tem caras conhecidas. Nós estamos cá para continuar.” – sublinhou José Rodrigues.
Entretanto, neste período de desenvolvimento a empresa “Rodrigues & Filipe” alargou a sua dimensão, tendo sido criadas as empresas – JAR- GPS e a MACLE, empresas que integram o grupo empresarial gerido por José Rodrigues.
Uma acção voltada para a intervenção social
“Nós ao longo da nossa actividade temos tido, igualmente, uma acção voltada para a intervenção social.
Nesse sentido, ao longo dos anos temos apoiado colectividades, posso referir o Barreirense, o Galitos, o Independente, o GDESSA, temos tido sempre a preocupação de apoiar estas colectividades e outras.
A nossa intenção não tem sido apoiar os profissionalismos, mas sim dando o nosso apoio às camadas jovens e à formação” – sublinha José Rodrigues, acrescentando, igualmente, os apoios a Misericórdias e às Juntas de Freguesia – “as Festas de Natal, em Santo André, durante muitos anos foram realizadas com o nosso apoio”.
Nota-se que José Rodrigues refere estes aspectos, com a consciência que a empresa deve assumir estas missões na concretização da sua responsabilidade social – “Sei, que muita gente não sabe desta nossa actividade, porque nós nunca demos estes apoios para que façam noticias nos jornais”.
CCDR’s, EP’s, que tornam as coisas complicadíssimas,
José Rodrigues fala-nos do percurso da sua empresa, recorda que as dificuldades que existem no desenvolvimento da empresa estão ligados muitas vezes a “planos de pormenor que estão por fazer”, aos atrasos de PDM’s, terrenos que poderiam estar no mercado e que se atrasam, uma situação que abrange, não só especificamente o concelho do Barreiro – “este é um mal da nossa sociedade, que afecta as empresas ou mesmo uma pessoa que queira construir a sua casa”.
“O maior problema que eu vejo, independentemente dos problemas que existem nas autarquias, na administração local, está nas entidades ligadas ao governo, como CCDR’s, EP’s, que tornam as coisas complicadíssimas, onde muitas vezes não conseguimos aceder a um técnico para saber o que se passa com os processos, tudo isto reflecte-se nas autarquias, que têm dependência destas estruturas.
Essas entidades, normalmente, não têm prazos para dar pareceres, e, nestas circunstâncias começamos a patinar.” – sublinha José Rodrigues.
O importante é fazer é passar à acção
“Há projectos no nosso país que andam dez, quinze ou vinte anos, e outros piores, porque, afinal, os PDM’s que deveriam ter vindo a regular todas estas situações, não foi isso que aconteceu, porque os PDM’s vieram foi criar especulação e ao mesmo tempo criar zonas onde se pode construir, mas pode-se, mas não se pode, porque não existem Planos de Pormenor.
Por isso, andamos aqui a viver num país do faz de conta, do vai-se fazendo. E, tudo isto não se resolve com leis, resolve-se com acção.
E, digo-lhe, acção é fazer o que se fez no centro do Barreiro, é avançar com as obras que é preciso avançar, porque o importante é fazer é passar á acção.
O Fórum, a avenida, a praça, se andamos aqui a discutir, o sexo dos anjos, nunca mais saímos daqui, nunca mais fazemos obra. Portanto, há que tomar decisões, há que fazer obra, evidentemente respeitando as questões legais, mas não se trata de passarmos a vida a discutir o sexo dos anjos. Um que acha que deve ser feito, outro que acha que não deve ser feito, então, nunca mais saímos daqui” – refere, com entusiasmo o administrador da empresa “Rodrigues & Filipe”.
Finalmente as coisas vão avançar
A propósito dos diversos projectos que vão avançar na região de Setúbal procurámos saber a opinião de José Rodrigues.
“Se todos estes projectos forem para a frente, e digo isto, porque por exemplo a construção da ponte, já me lembro de ter sido anunciada, por diversas vezes, há vários anos.
Mas, parece que finalmente as coisas vão avançar. Repito, parece que vai avançar, assim com outras obras, como o aeroporto a plataforma logística, porto de Sines, à partida, tudo indica que as coisas vão avançar e que desta vez vão avançar definitivamente, assim, dir-lhe-ei, que para o Barreiro é a cereja no topo do bolo e não só para o Barreiro, para a Moita, porque estas são duas terras que têm ficado esquecidas no tempo.
Ao longo destes anos, os Governos não têm olhado, por razões diversas, para estas terras.
Estes projectos são uma oportunidade para a malta nova do Barreiro, porque vamos ter dentro de seis, sete ou oito anos a reconversão da Quimiparque, assim como a zona de Coina e, mais que a ponte Barreiro- Chelas, fundamental para nós é a ligação Barreiro- Seixal, assim como a ligação do Barreiro à Moita.
Penso que todos estes projectos podem-se conjugar e vão, certamente ser conjugados.
Considero importante que sejam instaladas no Barreiro as Oficinas do TGV, que vão criar emprego de qualidade.
Por tudo isto, penso que temos futuro se as coisas se concretizarem, mas é preciso que as pessoas estejam preparadas, porque nos próximos anos vão ter é obras.
As pessoas têm que estar preparadas para isso, porque as obras não se podem fazer sem sacrifícios, é o que está a acontecer no centro do Barreiro. As obras não se fazem sem sacrifícios. Há sempre alguém que sofre. Temos que ter paciência e ter esperança.
Como barreirense, tenho toda a esperança e acredito que agora o Barreiro vai dar volta.”- sublinhou.
Temos condições para recuperar
“Se o Barreiro não conseguir pôr estes projectos a andar vamos estar mal. Conheço o Barreiro e os barreirenses. Vivo no centro do Barreiro. Conheço a realidade do Barreiro.
Lembro-me do Barreiro, do meu tempo, quando de todas as terras aqui à volta, o Barreiro estava lá em cima, nesse tempo o Barreiro era a terra número um aqui da zona.
Depois, o Barreiro estagnou durante uma série de anos, Todos sabemos isso, a indústria desapareceu, perdemos habitantes.
No futuro é bom que recuperemos e penso que temos condições para recuperar.”- salientou José Rodrigues, acrescentando - “A nossa empresa está nessa onda positiva.”
Temos valorizado zonas de AUGI’s
“Estamos a implementar alguns projectos, com inovações e preocupações ambientais e energéticas em tudo o que fazemos.
Estamos com projectos no Barreiro e na Moita, e vamos avançar com um projecto no Montijo, junto da zona do aeroporto, que já existia muito antes de existir qualquer decisão sobre o aeroporto.
Estamos a renovar quadros da empresa, para nos preparamos para o que por aí vem e vamos apostar claramente no Barreiro. A nossa aposta é no Barreiro e Moita, já era, agora, é mais que necessário.
Temos pena é que os projectos não corram com agilidade, é pena, na verdade, que não haja simplex para o urbanismo” .
Recordou que as empresas de construção, têm uma estrutura montada na vida local, vivem na vida da cidade, participam na vida da cidade e pela acção que desenvolvem uma actividade que contribui para valorizar a vida local – “em todos os projectos que dinamizamos apostamos na qualidade”.
“Posso dizer-lhe que, com os nossos projectos, temos valorizado zonas de AUGI’s que com os nossos empreendimentos contribuímos para a sua requalificação”
No Basquetebol podíamos fazer um pouco melhor
“Damos porque gostamos de ajudar, por carolice, e reconheço que o nosso grande apoio sempre foi para o basquetebol” – refere.
Nesta conversa e sabendo a ligação histórica de José Rodrigues ao basquetebol e o apoio que a empresa sempre seu à modalidade, procurámos saber a opinião do empresário sobre o basquetebol, uma modalidade de referência no concelho do Barreiro.
“Acho que o basquetebol no Barreiro está muito elitista. Porque penso que a partir de determinada altura, só se começou a pensar em títulos, principalmente no Barreirense.
Considero que o Barreirense, pelas equipas que hoje tem, deveria ter a preocupação de fomentar e apoiar as outras equipas mais pequenas, porque, pelo que se conhece, no Campeonato Distrital o Barreirense não tem qualquer competição, é o Barreirense a ganhar aos outros e ao próprio Barreirense. Sempre foi assim, mas havia um equilíbrio maior.
Hoje, tenho pena que as equipas no Barreiro tenham diminuído, por exemplo a antiga CUF, que tinha equipas bastante competitivas, ou o Luso que também tinha tradições e desapareceu.
Está a aparecer, agora, o Galitos, mas, penso que a formação está fraca neste momento, apostando-se mais no profissionalismo.
No Basquetebol, no Barreiro, acho que podíamos fazer um pouco melhor. Esta é a minha opinião” – sublinhou José Rodrigues, acrescentando – “O Barreiro é a capital do Basquetebol, não só pelo que movimenta, mas, mais pelos títulos que tem ganho, mais por isso é que é a capital do basquetebol.”
Barreirense desempenha um importante papel social
José Rodrigues refere que hoje sente alguma tristeza pela situação em que encontra o Futebol Clube Barreirense.
“O Manuel Lopes tem feito um trabalho muito meritório, é preciso ser muito carola para estar ali, por vezes, a ouvir coisas que são desagradáveis. O Barreirense tem que ir pela formação e nessa base criar a equipa sénior” - salienta.
Na sua opinião, o Barreirense desempenha um “importante papel social” sendo a sua sede a segunda casa de muita gente.
Hoje está a ser feito um bom trabalho
A finalizar a nossa conversa perguntámos, se voltasse atrás na sai vida, dava os mesmos passos – “Sim. Sinto-me realizado. Gosto daquilo que faço. Gosto da minha terra, gosto muito da minha terra. Sou um barreirense convicto, faço tudo pela minha terra”
José Rodrigues, comentou que olha para os políticos cá da terra “com alguma tristeza”porque deviam deixar ser políticos partidários quando estão eleitos e deveriam preocupar-se mais com problemas sociais e com o desenvolvimento da cidade.
“Penso que hoje está a ser feito um bom trabalho e espero que continue, esteja lá quem estiver e que o Barreiro avance.
Se houver outra força politica que ganhe a Câmara, por qualquer circunstância, que não seja a que lá está hoje, espero que continuem este caminho. Deixem-se de politiquices e olhem para as coisas da terra. Mas, isto devia ser também a nível nacional. Temos que ser mais eficazes ao serviço da população.
Nas matérias em que há consenso devia haver colaboração e tenho pena que alguns assuntos que interessam a todos se tornem em conflitos políticos. Dou exemplo do Fórum, estamos todos de acordo, mas passam a vida a criticar.
Por isso, é que considero importante que alguém tem que decidir e fazer obra, porque esta é a questão principal, o centro do Barreiro é um exemplo. Para já estamos todos expectantes. Vamos ver os resultados, sei que os jovens estão a ser atraídos por este espaço”.
Foi uma agradável conversa. Muito ficou por dizer, mas, saímos com a convicção que estamos perante um empresário que sendo do Barreiro, ama o Barreiro e quer continuar a apostar no Barreiro e na região de Setúbal, com muita esperança.
António Sousa Pereira













