Saltar para o conteúdo
Perspectivas

Raul Malacão, presidente da Junta de Freguesia do Barreiro“Uma experiência muito exigente que deixa marcas até ao fim da vida”

Prevista intervenção da Simarsul na Avenida Bento Gonçalves em 2009

No último ano do seu segundo mandato, enquanto presidente da Junta de Freguesia do Barreiro, Raul Malacão diz ser uma “experiência muito positiva” que “deixa marcas até ao fim da vida” e considera: “foi a experiência de ter passado por várias associações que me ajudou muito”. Este segundo mandato diz ter sido “muito exigente”, fundamentalmente pelas intervenções que ocorreram no centro do Barreiro, pela descentralização de competências para as juntas e pelas iniciativas de auscultações da Câmara Municipal do Barreiro, o que entende que trouxeram mais responsabilidades, mas também maior proximidade com a população.

E em ano de eleições autárquicas diz estar “aberto a todas as soluções” que o partido do qual é militante decidir e refere: “Eu digo aquilo que às vezes alguns políticos dizem: “Em política não se pode dizer que não”. E eu também não digo que não, na medida em que faço parte do PCP”

11 min de leitura
Raul Malacão, presidente da Junta de Freguesia do Barreiro “Uma experiência muito exigente que deixa marcas até ao fim da vida”

Por Jornal Rostos

Qual é o balanço que traça do mandato da Junta de Freguesia do Barreiro, que termina este ano?

“Tem sido um mandato muito exigente, derivado também às alterações que tem vindo a ocorrer no centro da freguesia, quer pela construção do Forum Barreiro, quer pela intervenção na Avenida Alfredo da Silva, quer com a construção do próprio mercado e tudo isso tem causado alguns problemas, quer no aspecto da varrição, de alterações dos pontos de recolha dos resíduos. São hábitos que se alteram e isso traz dificuldades acrescidas. Agora perspectiva-se também uma intervenção na Avenida Bento Gonçalves pela Simarsul, para a construção da conduta ao longo da avenida que irá ligar à ETAR.

E esta obra vai levar à interrupção do trânsito na avenida?

“Neste momento não conheço bem a programação da intervenção mas admito que em alguns casos poderá haver interrupção de trânsito. Mas que seja feita sem grandes transtornos para as pessoas.”

E para quando está estimada a intervenção?

“Penso que será durante este ano. Já andam a fazer prospecções no terreno. Também se espera a todo o momento a conclusão das obras da Avenida Bento Gonçalves, a informação que chegou à Câmara do Barreiro, já há algum tempo, era de que as obras teriam início durante o mês de Janeiro. Portanto todo este conjunto de intervenções, a instalação do Mercado Provisório nos terrenos junto à Escola Alfredo da Silva, tudo isso tem trazido problemas acrescidos. Porque são hábitos que se alteram. Intervenções que pensamos que levam um determinado tempo e depois levam outro. Há um conjunto de problemas com estas intervenções que se levantam no dia-a-dia. E somos confrontados a todo o momento pelas pessoas que perguntam, reclamam.”

Foi um mandato exigente, marcado pelas intervenções no centro da cidade…

“Sim, foi um mandato muito exigente, diferente do anterior e que com os nossos meios e criatividade temos procurado acompanhar e suavizar os problemas com maior gravidade para que não causem transtorno às pessoas. Em termos de funcionamento dos órgãos autárquicos, surgiram os contactos com a população e as diversas iniciativas de auscultação da parte da Câmara, em que as Juntas também têm sido chamadas a participar e a acompanhar ao longo dos três anos. Foi por isso um mandato completamente diferente e penso que tem sido uma experiência bastante importante, quer no plano pessoal, quer colectivo.”

Um mandato também marcado pela descentralização de competências para as Juntas de Freguesia…

“É evidente que sim e também por aí as responsabilidades são acrescidas. E aqui no caso da freguesia do Barreiro, no mandato anterior não tínhamos responsabilidades na varrição, nem intervenções nas escolas ou na toponímia. Neste mandato com o protocolo de descentralização de competência tornou-se muito mais exigente, passámos a ter solicitações que antigamente não tínhamos, como a varrição e numa freguesia como a do Barreiro, que tem um intenso movimento, porque aqui vêm todas as pessoas do concelho, às vezes é complicado.”

E quais foram os impactes com a construção do Forum Barreiro?

“Teve um impacto bastante importante e aquilo que percebo é que veio alterar completamente a vida aqui na freguesia. Trouxe um maior movimento ao movimento natural que já havia e isto um dia virá ainda a complicar-se mais quando a situação da Quimiparque vier a ser alterada. Por isso será criada uma via paralelo ao antigo Campo do Barreirense que vai facilitar o escoamento de trânsito na direcção do Lavradio. E com a vinda do Forum há também uma outra coisa que se está a notar. No comércio há lojas que estão a fechar, mas há outras que começam a abrir, um outro tipo de comércio com uma imagem diferente, mais desenvolvido e é disso que precisamos, porque chama as pessoas e é importante para a dinamização do comércio de rua. É necessário uma perspectiva de mudança, porque dá outra dinâmica ao Barreiro e começam-se a ver algumas coisas que vão nesse sentido e isso é muito importante.”

Depois de a Avenida Alfredo da Silva ter estado encerrada ao trânsito no Verão passado, como é que as pessoas têm reagido à nova avenida?

“De uma forma geral, quer a parte dos comerciantes, que a população ou as pessoas de fora, têm reagido de forma positiva e acham que foi uma intervenção importante na avenida. Penso que foi uma intervenção importante, que ainda está em acabamentos e vai ficar uma avenida bastante importante para o centro do Barreiro. E as coisas iram ter uma outra perspectiva quando o Mercado estiver concluído.”

E para quando está estimada a sua conclusão?

“Não tenho datas mas aponto lá para Abril. Agora as obras da placa da parte do primeiro piso abaixo do chão estão a bom ritmo e penso que esta é a fase mais trabalhosa e que a outra seja mais rápida.”

“Uma construção importante também para que o centro do Barreiro não se afaste da Avenida Alfredo da Silva…

“É essa a preocupação de todos nós e isso já está a acontecer agora, noto que com a intervenção na avenida as pessoas não ficam ali em baixo, percorrem a Avenida Alfredo da Silva e isso vem confirmar que aquela preocupação que havia de início de que as pessoas se concentravam na zona ali ao pé do Forum não está a acontecer. E quando o mercado estiver pronto a situação vai consolidar-se.”

As obras do atravessamento pela Quimiparque já se iniciaram, é mais um passo para afastar o trânsito do centro.

“Sim, o trânsito deixará, parte dele de vir por essas vias, da Rua D. Manuel de Mello, do início da Rua Miguel Bombarda e da Serpa Pinto, e far-se-á por aquela via que irá ser aberta e o centro ficará mais liberto.”

Notou um acréscimo de trânsito?

“Sim, nota-se e é importante abrir-se essa via o quanto antes na direcção do Lavradio.”

O que também vai permitir a aproximação da freguesia à Quimiparque.

“Sim e isso também é importante. O derrubamento deste muro aqui à frente é bastante importante, isso vai dar um desafogo ao Barreiro, porque temos o rio em volta e depois temos os muros da Quimiparque e isso vai libertar o espaço que não está a ser utilizado também na Quimiparque e quando isso acontecer vai de facto projectar o Barreiro com uma outra imagem e perspectiva de futuro.”

Um dos problemas do concelho diz respeito ao estacionamento. Um contributo para esse problema é o Plano de Mobilidade do Barreiro centro e Barreiro Velho. Qual é o papel da Junta nesse estudo?

Esse estudo está feito e o que está a ser formado é um órgão para se pronunciar sobre todas essas intervenções que se sinta a necessidade de serem realizadas. Um organismo que vai ter um número elevado de instituições da freguesia, onde a Junta, como é natural, estará presente. E tudo está a ser feito para começar a funcionar o mais brevemente possível e o que puder ser feito será feito, tem é de ter continuidade, venha quem vier. Embora no mandato anterior se fizesse o levantamento do trânsito na Rua Almirante Reis, nas ruas em volta do Barreirense e Luso que levaram ao fecho de algumas ruas e a minha perspectiva era de ter continuidade noutras zonas mas eram coisas pontuais.
Penso que o Barreiro sofre porque não tínhamos de facto um plano em relação ao trânsito aqui no Barreiro e é necessário e urgente estabelecer algumas regras, quer no estacionamento para moradores, quer no estacionamento das pessoas que aqui vêm pontualmente, para evitar estacionamentos em locais indevidos, que têm custos para todos nós, que têm consequência na ruptura constantes na rede de água, na destruição das bocas de rega, que se encontram nos passeios e nos próprios calcetamentos dos passeios. Agora, terá de se compreender que com as alterações de trânsito que têm vindo a ocorrer, com as intervenções, não podíamos pôr nada em prática sem as situações estarem resolvidas.”

No início deste mandato referia que era “urgente resolver o problema do ensino básico”. A intervenção na antiga Escola Mendonça Furtado caminha nesse sentido…

“Sim, faço votos para que no fim de 2009 o edifício esteja pronto. A alteração das obras, que foi bastante profunda, pois não se previa inicialmente a intervenção que hoje está a ser desenvolvida, acabou por atrasar a sua conclusão. É uma obra importante e quanto mais depressa estiver concluída, melhor, porque quer a escola n.º1, quer a n.º2 não têm as melhores condições.”

Qual é a posição da Junta de freguesia do Barreiro relativamente à ausência de dotação orçamental no Orçamento de Estado para 2009 para o pagamento dos salários dos presidentes da Junta em regime de tempo inteiro e parcial?

“Nós fizemos aprovar uma Moção aqui na assembleia em Dezembro e também houve uma Moção aprovada na Assembleia Municipal do Barreiro a pedido das juntas. Houve um encontro no sábado passado em que estive presentes e da qual saiu uma moção com orientações de um encontro que se vai realizar em Santarém e que conte com a presença de todas as juntas, visto que houve também uma redução do Fundo de Financiamento das Freguesias. E daí que pensamos que é importante esse encontro. Estão em marcha medidas para que esta situação se altere porque não faz sentido.”

Estas medidas têm implicações nesta freguesia?

“No meu caso, o presidente tem aqui meio tempo. Recebíamos uma verba do Estado todos os meses para pagamento do salário do presidente e que vamos deixar de receber. A verba é significativa, são uns milhares de euros que a Junta vai deixar de receber, mas as exigências vão-se fazendo, quer no plano democrático, quer a respeito da necessidade das pessoas e instituições. Somos confrontados com muitas situações que vêm bater à porta das Juntas. Vêm aqui as instituições e colectividades pedir-nos um subsídio, às vezes até se pede um subsídio para se fazer uma sessão solene de aniversário, porque as associações não têm dinheiro. As solicitações são muitas e o dinheiro não chega. Esta é a realidade.”

Como faz o balanço dos dois mandatos à frente da Junta de Freguesia do Barreiro?

“Estou aqui há sete anos. Foi uma experiência muito positiva no plano pessoal e também no apoio à população e instituições e também digo que foi a experiência de ter passado por várias associações que me ajudou muito. Uma experiência muito exigente, com aspectos positivos e negativos que deixa marcas até ao fim da vida.”

O ano de 2009 vai ser marcado por três momentos eleitorais. A respeito das eleições autárquicas, já pensou se está disposto a recandidatar-se?

“Eu digo aquilo que às vezes alguns políticos dizem: “Em política não se pode dizer que não”. E eu também não digo que não, na medida em que faço parte do Partido Comunista Português e como militante não posso estar a dizer que não, mas o que posso dizer é que nesse plano o partido está a acompanhar as situações, temos várias eleições e o partido está a fazer um trabalho que a seu tempo virá cá para fora.”

E a nível pessoal, sente vontade de continuar?

“É exigente, cansativo, tenho a família a aumentar, tenho dois netos e a caminho do terceiro e as solicitações começam a ser maiores e também acho que estar a fazer a mesma coisa no mesmo sítio traz mais desgaste e às vezes dificuldade de pôr coisas novas em prática. Mas estou aberto a todas as soluções.”

Andreia Catarina Lopes

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção