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Perspectivas

Juvenal Silvestre, presidente da Junta de Freguesia de Coina“A juventude tem de se interessar pela sua terra para que possa estar preparada para enfrentar as transformações”

“Coina é a freguesia do futuro”, foi a expressão utilizada pelo presidente da Junta de Freguesia de Coina há quatro anos atrás, no início do mandato que termina este ano. Hoje, Juvenal Silvestre refere que essa expressão toma ainda mais forma com as acessibilidades que estão previstas para a região. A Ponte Barreiro/Chelas. O TGV. A CRIPS são algumas delas. Fala ainda do retomar da “grande obra” para a freguesia, a rotunda da EN10, depois de mais de um ano de paragem. Um contributo que considera essencial para aliviar um dos maiores problemas da freguesia, o trânsito.

Sobre o ano de 2008 destaca as intervenções no Mercado, a construção pela Câmara do Barreiro da rotunda, a construção da Estação Elevatória de Coina pela Simarsul e o descontentamento da população face às alterações do trajecto da carreira 5. Quanto às eleições autárquicas que se realizam em 2009, comenta: “Neste momento ainda não temos ideia do que vai acontecer. O que queremos é que o mandato termine bem e queremos fazer mais umas obras”. E quando questionado se sente vontade de assumir mais uma vez o cargo de presidente da Junta, diz ainda ser cedo para decidir e chama a atenção para a importância do envolvimento dos mais jovens: “A juventude tem de se interessar pela sua terra para que possa estar preparada para enfrentar as transformações.”

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Juvenal Silvestre, presidente da Junta de Freguesia de Coina “A juventude tem de se interessar pela sua terra para que possa estar preparada para enfrentar as transformações”

Por Jornal Rostos

Como foi o ano de 2008 na Junta de Freguesia de Coina?

“Fez-se muito trabalho na freguesia, fizeram-se muitas obras. As ruas da freguesia até à Escola Primária foram asfaltadas, aproveitando a presença da construtora da rotunda. Foi arranjada a calçada nessa zona em frente à escola e em volta dos jardins. Depois a Câmara do Barreiro concretizou a rotunda e fez o passeio até à Estação dos Correios, que era uma reivindicação nossa de alguns anos”.

2008 também foi marcado pelo arranque da construção da Estação Elevatória de Coina.

“Sim, que está praticamente concluída. Esta estação é muito importante, vai-nos ajudar também em relação ao reordenamento do Mercado de Coina, porque com a nova casa de banho incluída na intervenção, podemos deitar abaixo a casa de banho velha e o espaço do Mercado ficará mais amplo para podermos também organizar melhor as ruas. A nível do Mercado também houve uma intervenção importante que foi a sua vedação.”

Depois de concluída essa intervenção, como tem estado a funcionar o Mercado?

“Falta agora fazer alguns portões, já não tínhamos verba para gastar em 2008, vamos esperar agora por 2009. O funcionamento do Mercado está totalmente diferente, está mais organizado. Os feirantes têm agora de mostrar à entrada o seu comprovativo. E assim facilita o controlo e há maior segurança. E ainda no Mercado fizemos a recuperação de uma outra casa de banho que ficou com o triplo do espaço. E os comerciantes ficaram satisfeitos, porque não é só cobrar o dinheiro às pessoas, é também dar condições, quer a quem aqui vende, quer aos visitantes. Foi electrificado o Mercado, importante essencialmente para os feirantes dos bares e o próprio terraço foi nivelado. E vamos continuar em 2009 a marcar o terreno."

Algumas dessas intervenções da Junta que sublinha decorreram do protocolo de descentralização de competências. Foi um ano marcado também por essa circunstância…

“Sim, também pintámos a parte interior da escola. Foi um ano em que ficámos com mais responsabilidades. Ficámos responsáveis a nível da varrição e da jardinagem pela Quinta do Peliche, neste momento a urbanização ainda não se encontra como pretendemos porque ainda existem algumas obras e também com mais responsabilidades em relação à do Alto da Malhada.”

A população de Coina têm-se mostrado descontente com as alterações das carreiras dos TCB, fundamentalmente com as alterações à carreira 5. Quais são as principais reivindicações?

“Tivemos uma primeira reunião com os TCB e o vereador Joaquim Matias, onde nos era proposto uma alteração do percurso da carreira 5 que ao chegar a Penalva passava a virar para as Vilas de Serra, esta alteração iria prejudicar parte da população da freguesia na zona de Penalva que pertence a Coina e não concordámos com isso. Depois, mais tarde, sem nos consultar, nem a nós nem à população, foram alterados os horários e as carreiras e com isso também a carreira 16 que para a população de Coina serve, mas para as outras populações não, porque é uma carreira que segue directamente para a estação mas isso tudo bem, não pomos em causa essa carreira. Quem está a ser prejudicada é a população da Quinta da Areia, a de Covas de Coina e de parte da Penalva e o que está mal foi terem alterado o percurso do 5 e neste momento esta população não tem transporte nem para a Escola Secundária de Santo António, nem para o Cemitério de Vila Chã, nem para a Unidade de Saúde Familiar da Quinta da Lomba, porque há cerca de um ano uma das médicas aqui do Centro de Saúde de Coina foi transferida para a Unidade de Saúde Familiar da Quinta da Lomba e levou os seus pacientes que neste momento não podem ir à consulta. Foi um problema criado pelos TCB que criou um certo mal-estar à população, nomeadamente à da Quinta da Areia que é a mais prejudicada, porque nem o 6 têm. O que as pessoas nos dizem é que querem o mesmo trajecto da carreira 5 e que não se importam que a partir da freguesia de Santo André o autocarro faça o percurso que faz agora, isto é, seguir em direcção ao terminal, porque anteriormente seguia para Barra a Barra.”

Também foram suprimidas carreiras…

“Sim, eram 26 carreiras que saíam da Quinta da Areia e agora são 14, mas aí nem estamos contra. Há quatro carreiras que as pessoas acham fundamentais, a das 6h30, 7h30, 8h20 e 9h20 e depois à hora de almoço também é fundamental que haja um autocarro que traga as crianças e jovens das escolas. No final do dia também não há qualquer problema, os horários podem-se manter. Mas as pessoas estão mesmo nervosas com isto e os ânimos estão exaltados.”

E como está agora essa situação?

“O que me disseram é que a nível dos horários pode fazer-se algumas alterações mas que a nível do trajecto vai ser muito difícil. Neste momento estou a aguardar que me digam mais alguma coisa.”

Numa entrevista no início deste mandato, dizia que “Coina era a freguesia do futuro”. Quatro anos depois essa expressão toma mais forma?

“Bastante mais. Neste momento está a ser iniciada a grande obra, que é a rotunda da Estrada Nacional 10. A primeira reunião que tivemos no início do primeiro mandato, em 2002, foi com as Estradas de Portugal por causa dessa infra-estrutura e finalmente, depois de ter estado interrompida mais de um ano, a obra já está no terreno, já estão a trabalhar nas infra-estruturas e essa é a grande obra que necessitamos para a nossa freguesia porque, embora esta rotunda da Câmara tivesse ajudado no trânsito na freguesia, mas quando a outra rotunda estiver completa vai melhorar muito mais a circulação dentro da vila. Dizemos que a freguesia de Coina será o futuro do concelho do Barreiro, ao nível de freguesias, devido às acessibilidades que se prevêem para esta zona, também pela continuação do IC32, que irá passar em viaduto pela zona do Mercado e passar para a zona do Seixal, e que irá, de uma forma significativa, desanuviar mais o trânsito dentro da freguesia. Achamos que as acessibilidades têm de ser construídas antes das urbanizações que estão previstas, porque defendemos que as pessoas têm de ter um espaço com dignidade, têm de ter condições de vida. Necessitamos de casais novos na freguesia e têm-se notado que os filhos de Coina, que quando formaram família foram para fora, muitos deles estão a regressar e para nós é motivo de satisfação porque verificamos que a freguesia também tem mais condições. E 2008 foi dos anos em que nasceram mais crianças na freguesia, nasceram 16 bebés e significa que os jovens têm vindo ao nosso encontro. Depois há uma grande preocupação da parte do executivo em relação aos idosos, temos muitos idosos na freguesia e vamos lançar em 2009 uma Campanha de Ajuda ao Idoso para ajudar a prestar pequenos serviços aos idosos, muitos deles que vivem sozinhos."

Relativamente à limpeza do Rio Coina que era feita de dois em dois anos, como está essa situação?

“Neste momento já falámos com a Câmara porque já vai no terceiro anos que o rio não era limpo e comunicou-nos que foi lançado um concurso e que nos próximos meses, no máximo até ao Verão será limpo.”

A respeito da Caldeira do Martins e da recuperação do Moinho do Martins. São intervenções mais complicadas mas para as quais poderia recorrer-se a Fundos Comunitários. Como estão esses projectos?

“Neste momento está tudo parado. Continuamos a pensar que a Caldeira do Martins poderia ser um espaço navegável, continuamos a ter os Moinhos do Martins onde está lá aquela comporta e podia ser recuperada e feita ali uma zona de lazer e ser criado um parque de merendas. E se a urbanização do Xavier de Lima, depois de o IC32 estar feito, se expandir, necessitamos desses espaços porque vão viver aqui milhares de pessoas e a freguesia tem de criar infra-estruturas para que as pessoas sintam o prazer de vir viver para esta zona.”

Relativamente ao Orçamento de Estado para 2009, qual é a posição da Junta em relação à ausência de dotação orçamental para o pagamento dos salários dos presidentes da Junta em regime de tempo inteiro e parcial?

“Achamos mal, o Orçamento de Estado devia comportar essa despesa às freguesias que têm direito ao tempo inteiro e parcial. Houve uma moção na Assembleia Municipal do Barreiro e votámos a favor.”

Para 2009 quais são as grandes necessidades para a freguesia?

“A grande obra que a Junta de Freguesia vai fazer será o passeio entre as Covas de Coina e o Entroncamento com a 510, essa será a grande obra e penso que nos primeiros cinco meses deverá der feito. Gostávamos que em 2009 fosse resolvido finalmente o problema da AUGI das Covas de Coina, que está prestes a ser resolvida, há uns pormenores para limar. Era muito importante para a freguesia, porque a própria população começa a sentir-se desmotivada, porque já se arrasta há cerca de nove anos. Sobre a AUGI da Rua da Portagem e Rua das Flores vai haver uma reunião com a Câmara do Barreiro para a semana.”

Qual é o balanço dos dois mandatos, enquanto presidente da Junta de Coina?

“É gratificante. Trabalhamos aqui por gosto, gostamos de contactar com as pessoas, há uma grande proximidade entre nós e a população e isso sente-se na rua e esta freguesia têm esta vantagem, conhecemo-nos uns aos outros. Todos os anos, no primeiro fim-de-semana de Julho, fazemos um convívio com os idosos da freguesia e em Outubro temos outro convívio com toda a população, no ano passado levávamos sete autocarros a Tomar. Um autocarro vai sempre a Fátima. A freguesia hoje também não tem nada a ver com o que era há oito anos, houve uma transformação grande e também pelas obras que foram feitas e as pessoas sentem isso, este trabalho realizado por nós, e também sentimos algum orgulho.”

2009 é um ano marcado pelas eleições. Está disposto a recandidatar-se à presidência da Junta de Freguesia de Coina?

“Neste momento ainda não temos ideia do que vai acontecer. O que queremos é que o mandato termine bem e queremos fazer mais umas obras, mediante as verbas que tivermos. Precisamos de uma carrinha e em relação às instalações da Junta de Freguesia creio que está por dias a escritura da doação deste espaço da Câmara à Junta de Freguesia, porque queremos fazer obras e temos financiamento da CCDR mas não podemos avançar porque as instalações não são nossas. Mas ainda temos de ver como vamos fazer essa intervenção.”

E a nível pessoal, sente vontade de assumir mais uma vez o cargo de presidente da Junta?

“Sempre fui uma pessoa ligada ao associativismo, desde os meus dezasseis anos e talvez por isso me sinta bem nesta tarefa que desempenho mas a idade também começa a ser outra. Sinto orgulho no trabalho que fizemos aqui mas, neste momento, não digo nem que sim, nem que não, ainda faltam cerca de sete meses e vamos com calma. Também andamos a ver se aparece mais juventude para que também venha a cumprir o seu dever cívico e a contribuir para o bem da freguesia, para que haja uma evolução, porque como disse a freguesia tem muito futuro. E as pessoas têm de estar preparadas para isso. A juventude tem de se interessar também pela sua terra para que, um dia mais tarde, possa estar preparada para enfrentar as transformações.”

Andreia Catarina Lopes

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