António Libório, director da Secção de Basquetebol do Barreirense“Conseguir que os grandes êxitos que tenhamos na formação, passem para os seniores”
Numa conversa em que se falou também da aspiração de ter um pavilhão próprio para o basquetebol, em vésperas da Final 8 da Taça de Portugal Masculina, não esconde o orgulho de ver a equipa do Barreirense entre as oito qualificadas: “Esperamos e estamos convictos de que a nossa equipa irá demonstrar a todo o país que tem trabalhado em prol do basquetebol nacional e estará à altura dos pergaminhos.”

Por Jornal Rostos
Nas vésperas da Final 8 da Taça de Portugal Masculina, que se realiza entre os dias 22 a 25 de Janeiro, pela primeira vez no Barreiro, quais as expectativas e os objectivos da equipa do Barreirense?
“Antes de mais, como cidadão barreirense, sinto-me bastante orgulhoso que a Associação de Basquetebol de Setúbal, conjuntamente com a autarquia do Barreiro e os demais patrocinadores conseguissem trazer para o Barreiro a Final 8. Espero como barreirense, que os barreirenses saibam receber e demonstrar a Portugal que o slogan por nós utilizado há algum tempo: “Barreiro, capital do basquetebol”, tenha razão de ser. E enquanto director do Barreirense, é um orgulho enorme que a equipa de basquetebol esteja nas oito melhores equipas nacionais. Esperamos e estamos convictos de que a nossa equipa irá demonstrar a todo o país que tem trabalhado em prol do basquetebol nacional e estará à altura dos pergaminhos. A nossa preocupação, acima de tudo, é o primeiro jogo, temos de o ganhar e estamos concentrados, conscientes de que vamos fazer boa figura nessa prova.”
E como está o ânimo da equipa?
“O Barreirense é um clube de formação e por isso as idades dos jogadores vãos dos 18 aos 22 anos. É uma equipa jovem e é essa a filosofia de trabalho do Barreirense. Estamos conscientes das dificuldades que se avizinham, estamos concentrados e temos vindo a trabalhar e esperamos, acima de tudo, que os Barreirenses, independentemente dos resultados, tenham orgulho na sua equipa.”
Como vive a secção de basquetebol do Barreirense?
“No Barreirense, ao contrário do que se diz, não se ganha só títulos, ganha-se pessoas. No Barreirense dizemos que “somos campeões do trabalho”. E o Basquetebol no Barreirense vive mediante o país, mediante a situação económica do concelho do Barreiro. Sabemos que o basquetebol foi a modalidade eleita pela autarquia e temos responsabilidades acrescidas. E apesar de a secção viver com grandes dificuldades, tentamos continuar a sonhar que o basquetebol tem pernas para andar e continuar a caminhada que temos vindo a fazer, ou seja, conseguir que os grandes êxitos que tenhamos na formação, passem para os seniores, porque isso é um orgulho nosso. E ao contrário do que algumas pessoas dizem, o Barreirense não é um clube elitista. Queremos que cada vez mais a nossa equipa de seniores seja fruto da nossa formação. Queremos que venham jogadores de fora que queiram jogar no Barreirense porque querem ser alguém no basquetebol e as pessoas no Barreiro têm de reconhecer que quando vamos buscar atletas de África ou de outros sítios, não é para tirar lugar aos nossos jogadores, mas sim para fortalecer o clube e esses mesmos jogadores que vieram de outros sítios do país para jogar no Barreirense são hoje uma mais-valia na equipa sénior. Neste momento o Manuel Sicó começa a ser alvo de procura no estrangeiro. Neste momento, o Barreirense é um clube, que depois dos torneios que ganhou em Espanha, é um clube apetecido e reconhecido em Espanha pelo seu trabalho e isto para nós é um orgulho. E isto não é o trabalho de uma direcção ou de outra é o trabalho do Barreirense.”
A secção de basquetebol envolve quantas pessoas?
“São cerca de 25 pessoas que trabalham para uma causa: “o Barreirense”, abdicando muitas vezes da vida pessoal; são 250 jogadores. O Basquetebol do Barreirense somos todos, são os pais, que nos garantem a continuidade e sustentabilidade do basquetebol, são os seccionistas que são pais de atletas e são os próprios atletas que deixam de ser jogares e ficam ligados ao clube.
E agora esta Comissão para o Pavilhão do Barreirense, porque o Barreirense tem aspirações de ter um pavilhão próprio e na alienação do património foi afectada uma verba para o pavilhão e estão a ser vistos sítios na freguesia do Barreiro.”
Esse é o grande objectivo?
“Em termos de futuro é o nosso sonho. Já existe uma Comissão com sete elementos, o presidente é o arquitecto Carlos Pires que está afincadamente a trabalhar nisso. Nada se faz sem o apoio, primeiro da autarquia e das empresas do concelho. A comissão já foi aprovada em Assembleia-Geral, foi acordado com o presidente da Associação uns pressupostos e quero deixar uma palavra de apreço ao presidente da Direcção do Clube que, dentro do possível, o presidente Manuel Lopes tem-nos apoiado.”
Passados sete anos da sua construção, qual a importância que entende que teve o Pavilhão Municipal Luís de Carvalho?
“O Pavilhão Municipal é uma das melhores instalações do nosso país, é um dos melhores em termos de apoio a uma equipa de basquetebol, porque tem bom piso, pessoal qualificado que vive o basquetebol e tem sensibilidade para a modalidade. A única coisa que nos falta é o público deslocar-se mais até lá.”
Têm sentido falta de adesão do público?
“Sim, talvez porque não está bem centralizado. E depois também tem a ver com as vitórias, só conseguimos trazer público com as vitórias. Se o Barreirense conseguir manter uma equipa competitiva e se, durante dois a três anos, conseguirmos não deixar sair jogador nenhum, mas isso também tem a ver com questões monetárias, porque somos um clube de formação e os nossos jogadores são muito procurados e acabam por sair sem serem compensatórios financeiramente para o clube, porque o Barreirense não consegue e não há falta de tentativas de angariar apoios no concelho do Barreiro para o basquetebol. Porque ao conseguirmos, estamos a dotar o clube de melhores condições e a ter equipas mais competitivas. Há três anos saiu o Beto, há dois saiu o António Pires, que já regressou, o David saiu e vamos encontrar o Miguel Minhava no Benfica, o António Tavares. A ideia é ter uma equipa competitiva com jogadores Barreirenses, sem nunca abdicar do nosso projecto, que é a formação.”
Andreia Catarina Lopes













