Vicente Figueira, presidente da Junta de Freguesia de Santo António"O que posso dizer é que gostei muito e estou a gostar deste trabalho"
E em ano de eleições autárquicas, para a presidência da Junta, uma coisa promete: “Se não for o camarada Figueira, é outro camarada ou uma camarada e o Figueira continua na mesma ligado à freguesia e ao partido”

Por Jornal Rostos
Das actividades que mais marcaram o ano de 2008 na Freguesia de Santo António da Charneca, o presidente da Junta, Vicente Figueira, destaca a assinatura de um protocolo com os Bombeiros Sul e Sueste que permitiu reactivar o Posto de Saúde; a iniciativa “Porta Aberta”, do Projecto Cidade Jovem e o protocolo com a Persona - Associação para a Promoção da Saúde Mental, na manutenção dos espaços verdes na Cidade Sol.
“Ao ritmo que hoje se vive a vida, o associativismo é uma mais-valia e dá mais vida à freguesia”
E nesse balanço dos acontecimentos que decorreram na freguesia, não deixa de falar no movimento associativo, que diz “ter características muito profundas” em Santo António, tendo uma colectividade centenária, a SFUA 1.º de Dezembro. Considerando o “associativismo, a nível nacional, importantíssimo para o desenvolvimento das populações”, realça a importância das actividades promovidas, ao que expressa: “sem as colectividades tínhamos mais dificuldades e ao ritmo que hoje se vive a vida, o associativismo é uma mais-valia e dá mais vida à freguesia”.
Intervenções nas colectividades – para alargar e requalificar as instalações
Nesse âmbito, realça a importância das intervenções que se realizaram nas colectividades, que puderam ver os seus espaços alargados e requalificados. Realça a doação pela Câmara Municipal do Barreiro (CMB) de um terreno para a construção de um Centro de Dia, com a Valência de Apoio Domiciliário, e Creche mais Jardim-de-Infância” para o Centro Social de Santo António, o que diz ser “uma reivindicação já muito antiga da entidade.” Na Sociedade Recreativa Penalvense, diz que a primeira fase da construção da nova sede está praticamente concluída e expressa: “tinham a sua sede num contentor em condições precárias e hoje já mudaram para a nova sede”. E do Centro Sócio Cultural do Bairro da Liberdade e do União Desportiva de Vila Chã realça as intervenções feitas “com grande trabalho da massa associativa e seus directores.” E ainda sobre o movimento associativo, sublinha a importância de o SantoAntoniense Futebol Clube ter encontrado uma solução, depois de três meses sem direcção. “Para nós e para a freguesia é de louvar e ficamos congratulados com esta situação”.
Uma das obras mais necessárias - intervenção nos passeios na Cidade Sol
A respeito de intervenções no terreno, destaca “para além das pequenas obras”, a obra que considera que “era mais necessária”, a intervenção nos passeios na Cidade Sol: “Desde o início da urbanização, que já tem 28 anos, que nunca foram arranjados e estavam degradados.” E para levar a cabo essa intervenção, refere que foram “unidos esforços” entre a CMB e a Junta: “a Câmara deu os materiais e nós demos a mão-de-obra”, refere. Uma obra faseada que começou em 2007, em que em cada ano se fez uma média entre 350 a 500 metros de passeio. Para este ano ano refere que serão feitos 350.
“Juntamente com a Câmara, materiais de um, mão-de-obra do outro, resolvemos o problema”
Falou ainda na colocação de impasses na Estrada Municipal 510, na Vila Chã, ao que justifica: “havia um grande problema em relação ao espaço para se proceder às cargas e descargas e era uma reivindicação já muito antiga da população .” E refere que à saída de Santo António, em direcção a Penalva, a estrada foi alargada “porque a curva era muito apertada e dificultava a passagem dos camiões quando se cruzavam.” Iniciativas em que sublinha a importância da parceria com a CMB: “juntamente com a Câmara, materiais de um, mão-de-obra do outro, resolvemos o problema”.
“Com a descentralização nas escolas demos um grande passo e um passo importante na requalificação do parque escolar”
E em relação à descentralização de competências, “o que acarretou para as juntas mais competências”, entende que também marcou o ano de 2008. “A freguesia ganhou mais facilidade em resolver os problemas”, considera. Na área dos polidesportivos, refere que o da Vila Chã foi remodelado e que, em conjunto com o da Cidade Sol, foram colocadas balizas certificadas e a vedação foi substituída. E na reparação das calçadas refere: “hoje também temos uma resolução muito mais rápida, também aqui demos um passo.”
E nas escolas, considerou: “Com a descentralização nas escolas demos um grande passo e um passo importante na requalificação do parque escolar.”
As escolas – “a prioridade número um da freguesia”
E referido que as escolas são “a prioridade número um da freguesia”, fundamenta: “porque fizemos um levantamento em conjunto com a Câmara quando tomámos posse e de facto estavam muito degradadas, daí a necessidade de ser feita a descentralização.” Um processo de requalificação que diz ter-se iniciado há dois anos e que incluiu arranjo de cozinhas e casas de banho, pintura, canalização de água e gás. Para 2009 refere que vai ser requalificada a Escola Básica de Santo António da Charneca, na Cidade Sol. Um trabalho, em que sublinha: “estamos a trabalhar directamente com a comunidade educativa que faz o levantamento das prioridades das escolas.”
Escola da Penalva – “por acordo com a comunidade educativa, não foi objecto de intervenção, uma vez que vai ter uma intervenção de grande envergadura”
Quanto à Escola Básica do 1º ciclo da Penalva, que viu aprovada a candidatura, apresentada na segunda fase do Quadro de Referência Estratégico Nacional, para ampliação e remodelação, refere que: “por acordo com a comunidade educativa, não foi objecto de intervenção, uma vez que vai ter uma intervenção de grande envergadura”. Intervenção estimada para Maio, em que está previsto o aumento de uma para duas salas de pré-escolar e de duas para quatro salas de 1º ciclo. “Vai sair dali uma escola nova e uma escola modelo, com novas valências”, sublinhou o presidente.
AUGI – “Só pela da Penalva já valeu a pena este grande trabalho”
Também em relação às Áreas Urbanas de Génese Ilegal (AUGI), considera: “demos um passo importante”, ao que acrescenta: “gostaríamos de ter chegado mais além, mas isto não é como queremos, é como podemos.” Nesse passo, realça sobretudo a AUGI da Penalva, que tem 600 lotes e cerca de 400 proprietários. “Nem sequer associação de proprietários existia. Neste momento tem duas associações de proprietários, já está entregue na Câmara o projecto de loteamento e o projecto de infra-estruturas. Agora estão à espera de alguns pareceres.” E comenta: “O que quer dizer que só pela da Penalva já valeu a pena este grande trabalho.” “Este é um grande empurrão que estamos a dar aqui e, como é lógico, não se fez tudo neste mandato e a vida não pára aqui, quem receber os destinos da freguesia de Santo António tem de ter como meta e missão o seguimento deste trabalho, até à resolução dos seus problemas.”
Outras AUGI
Quanto à AUGI da Quinta dos Clérigos já está convertida e refere que a da Quinta dos Amassadores “tem um projecto de loteamento e infra-estruturas e têm o alvará já na mão. Em qualquer altura esta AUGI pode começar a obra.” E quanto às AUGI do Bairro da Liberdade, Cabeço Verde e Quinta dos Carvalhos diz: “já existe solução à vista para que se possa começar a obra, pois quando a SIMARSUL fizer o emissário, avança também a obra de saneamento.”
Erradicação das barracas na Quinta da Mina - “Não foi fácil mas conseguimos e também não foi nada do outro mundo”
Outro acontecimento importante na freguesia entende ter sido a erradicação das barracas no bairro da Quinta da Mina, no Verão passado. “Na campanha eleitoral, olhámos para aquela situação, nós, cabeça de lista da Junta e da Câmara, e dissemos: ‘muito ou pouco, temos de fazer algo por esta situação’. Mas não prometemos nada,” sublinha. Uma intervenção que diz “não ter sido fácil”: “Barracas, tendas, tendinhas e camionetas e camiões. Não digo números, eram muitos.” Mas que diz ter resultado num trabalho “conjuntamente com os serviços da Câmara”, onde foram realizadas reuniões com a população. “Não foi fácil mas conseguimos e também não foi nada do outro mundo.” “Hoje não temos nenhuma barraca e temos também a preocupação de, com a CMB, termos uma limpeza mais regular na zona e com persistência e esclarecimento, as pessoas vão ganhando outros hábitos, pois também estão a ajudar na manutenção da limpeza”.
Projecto “Sol para todos”
Para a Cidade Sol e Quinta da Mina, sublinha ainda a importância do Projecto “Sol para todos”, resultante de uma parceria entre o Instituto da Segurança Social, I.P; da Câmara Municipal do Barreiro; do CATICA; da RUMO e da Cooperativa de Solidariedade, Social CRL e da Persona. “Este projecto vai dar uma mais-valia à zona porque tem uma série de valências para os jovens e idosos, quer na vertente cultural ou desportiva e fornecendo-lhes algumas ferramentas para que possam ter emprego.”
Unidade de Saúde Familiar - “As pessoas continuam a sentir essa necessidade”
Quanto a necessidades para a freguesia, refere que continua a ser a Unidade de Saúde Familiar, “que já esteve orçamentada em PIDDAC, com cerca de 500 mil euros para o projecto e que estranhamente em 2008 foram retirados.” Realça ainda que o protocolo concretizado com os Bombeiros Sul e Sueste surgiu para “minimizar esta situação” e acrescenta: “porque esta é uma freguesia com população idosa”. “Mas as pessoas continuam a sentir essa necessidade e já temos dito que o Governo devia de ver com olhos de ver, não é prometerem e retirarem sem explicação nenhuma.”
“Necessidade da construção de um posto com condições para a GNR“
E numa altura em que pelo país a questão da insegurança está na ordem do dia, reconhece: “Temos tido alguns casos no concelho e na freguesia”, ao que acrescenta: “Mas hoje seria num grande espanto e ficaríamos muito preocupados se fossem só os assaltos em Santo António, mas infelizmente é no país inteiro e é às dezenas e centenas.” Ainda a respeito das questões da segurança, fala na “necessidade da construção de um posto com condições para a GNR” e comenta: “Nesta freguesia temos carência de um posto maior para 50 ou 60 efectivos. Discordámos quando vimos umas instalações de supermercado, arranjadas, para alojar uma força de segurança. Continuamos a defender que seja construído um posto da GNR de raiz e que estes efectivos, porque estamos aqui a falar de insegurança, não fazem só serviço na freguesia mas em todas. Se tivéssemos aqui um posto de raiz, eram muitos mais funcionários e esses muitos mais é que faziam falta para termos mais segurança,” considerou.
“Muita coisa há por fazer, mas muito fizemos que não estava feito”
E no ano em que termina o seu primeiro mandato, enquanto presidente da Junta de Freguesia de Santo António, traça um “balanço muito positivo” e assenta: “Porque tenho consciência de que muita coisa há por fazer, mas muito fizemos que não estava feito. Também temos de ser sinceros e dizer: “esta freguesia tem muita carência, colmatamos algumas mas continua a ter muitas. E os executivos que se vão seguir, com certeza, qualquer um que passe por aqui quer fazer o melhor. Mas os problemas são muitos e o dinheiro é pouco. Esta é que é a realidade.”
“Nós queremos mais competências mas também queremos a validade financeira para essas competências”
E em relação aos cortes no Orçamento de Estado para as juntas de freguesia, comenta: “nós queremos mais competências mas também queremos a validade financeira para essas competências. Estamos a ver que o poder central quer dar-nos mais competências mas retira-nos dinheiro. E uma coisa é certa, o dinheiro que é retirado às juntas penaliza as pessoas, porque assim não temos dinheiro para fazer mais obras.”
“Se não for o camarada Figueira, é outro camarada ou uma camarada e o Figueira continua na mesma ligado à freguesia e ao partido”
E em ano de eleições autarquias, quando questionado se se encontra disponível para assumir o cargo de presidente da Junta, refere: “O que posso dizer é que gostei muito e estou a gostar deste trabalho, agora até ser ou não, ainda passa por outras conversas” e acrescenta: “vamos ter uma reunião com o partido e isso não nos preocupa porque na hora da verdade se não for o camarada Figueira, é outro camarada ou uma camarada e o Figueira continua na mesma ligado à freguesia e ao partido.”
Andreia Catarina Lopes













