Luís Represas no 35.º aniversário do 25 de Abril no Barreiro“O público do Barreiro sempre foi activo nos concertos”
Ontem, o 35.º aniversário do 25 de Abril no Barreiro foi assinalado com a actuação de Luís Represas no palco do Parque da Cidade. Depois de um concerto em que a alegria e a emotividade se fizeram presentes e em que o cantor disse ser com “redobrado prazer” que voltava ao Barreiro, não deixou de prestar elogios ao público do Barreiro, que diz que “sempre foi activo nos concertos”, o que entende que ainda se espelha mais “quando é um concerto com este lado afectivo de estar ligado a uma comemoração do 25 de Abril, que diz particularmente ao povo do Barreiro e a esta margem sul”.

Por Jornal Rostos
“O público do Barreiro sempre foi um público activo nos concertos, que está muito habituado às várias épocas em que música portuguesa foi passando e gosta de ouvir e intervir nos espectáculos de música portuguesa”, disse ontem o cantor Luís Represas no final do concerto no Parque da Cidade, ao que acrescentou: “fundamentalmente quando o concerto tem este lado afectivo de estar ligado a uma comemoração do 25 de Abril, que diz particularmente ao povo do Barreiro e a esta margem sul.”
Importante “perpetuar o 25 de Abril e a sua mensagem”
Enquanto cantor, não nega que os concertos ligados às comemorações do 25 de Abril têm um significado especial: “Participar neste concerto é no fim de contas homenagear aquilo que me faz tocar hoje em dia, consciente de que se não houvesse 25 de Abril, com certeza que não seria músico, ou seria mas provavelmente noutras condições mais adversas”. E sublinha que é importante a realização de iniciativas que assinalam a data para “perpetuar o 25 de Abril e a sua mensagem”.
“O artista é consciente de que tem sempre na mão um instrumento valiosíssimo de despertar consciências”
E tendo em conta o papel da canção no despertar de consciências, recordando que no 25 de Abril, a “Grândola, Vila Morena” e a “E depois do Adeus” constituíram senhas para a Revolução dos Cravos, entende que “qualquer forma de arte tem esse papel, quando o artista assim o quer e pretende”. Ao que reforça: “O artista é consciente de que tem sempre na mão um instrumento valiosíssimo de despertar consciências e unir vontades e transformar coisas e que pode e deve utilizar, sempre que achar necessário, e que isso tenha uma utilidade”, e adverte: “sem deixar que isso caia no lado gratuito e sem esquecer também que a arte tem um lado lúdico.”
“Ai, Timor” - “transformou-se no porta-voz, no veículo da alma e da vontade dos portugueses em ver o território de Timor livre”
E quando se falou no impacto que teve a canção “Ai, Timor” dos Trovante, diz que “as canções transformam-se em instrumentos interventivos, por vezes por obra do acaso”. Ao que recorda que a canção escrita, pelo João Monge e com música de João Gil, antes do massacre de Santa Cruz, “de repente, com o evoluir das situações, transformou-se no porta-voz, no veículo da alma e da vontade dos portugueses em ver o território de Timor como livre e independente”.
“Ir ao encontro dos desejos mais profundos do público”
E num concerto em que tocou canções do seu trabalho mais recente: “Olhos nos Olhos”, o seu 9.º álbum a solo, Luís Represas não deixou de trazer algumas músicas de outros tempos, como “Feiticeira” ou “Perdidamente”, ao que expressou: “Acho que embora esteja empatado em termos de vida a solo e vida com os Trovante e em termos quase de quantidade de repertório, há coisas que não podemos sonegar àquilo que o público espera de nós”. E considerando que “é importante ir ao encontro dos desejos mais profundos do público”, não deixa de sublinhar: “também não podemos ir pelo lado facilitista, porque de repente não criamos coisas novas” e acrescenta: “Os sucessos também se criam, dando ao público coisas novas e muitas vezes rompendo até alguma barreira”. E no Barreiro, as canções do seu novo álbum, como “Voo da Garça”, “Sagres” ou “Sinais de Afecto”, despertaram no público a vontade de sentir as palavras e a melodia e de nelas participar, tal como o “125 Azul” ou “Perdidamente”.
Andreia Catarina Lopes













