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Perspectivas

Adolfo Lopo, presidente da Junta de Freguesia do Lavradio“Tenho vontade de continuar, porque continuo a acreditar neste projecto”

Reforço da descentralização de competências - “Importante, sobretudo na nova maneira de se encarar a participação das juntas de freguesia”

Vão retomar as Festas Populares do Lavradio

Professor de Português e de Inglês na Escola Álvaro Velho, Adolfo Lopo diz que lhe dá muito gosto: “articular a vida de autarca com o dar aulas” e, por isso, considera-se uma pessoa “bafejada pela sorte”. “Tenho uma vida pessoal que me encanta, e tenho tido o privilégio de fazer aquilo que gosto”, ao que acrescenta: “ter a possibilidade de poder participar no desenvolvimento da minha terra, é muito bom”. E perto do final do seu segundo mandato, sublinha: “ Termos feito o que fizemos com as condições que tivemos, acho que foi notável. Estou muito satisfeito. Há um conjunto de coisas que têm de ser feitas, agora não me preocupa a mim o calendário, têm é de ser bem feitas.”

E em ano de eleições autárquicas, diz estar disponível para voltar a assumir o cargo de presidente da Junta de Freguesia do Lavradio. “Tenho vontade de continuar, porque continuo a acreditar neste projecto”.

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Adolfo Lopo, presidente da Junta de Freguesia do Lavradio “Tenho vontade de continuar, porque continuo a acreditar neste projecto”

Por Jornal Rostos

Sobre as iniciativas levadas a cabo pela Junta de Freguesia do Lavradio que mais marcaram a freguesia em 2008, o presidente da Junta, Adolfo Lopo, destaca nomeadamente as actividades decorrentes do alargamento da descentralização de competências, referindo que a Junta tem centrado a sua actividade essencialmente em três áreas: a higiene urbana, o arranjo das calçadas e a manutenção dos espaços verdes.
Sobre a higiene urbana, apesar de referir que: “há uma melhoria significativa na questão da limpeza na freguesia do Lavradio”, entende que “as soluções para a resolver não satisfazem, porque não há equipamentos que correspondam às necessidades”. A ocupação da via pública com automóveis e as ruas estreitas são alguns dos aspectos que refere que dificultam o trabalho, ao que fala da importância “de haver uma colaboração da população”. A respeito dos espaços verdes, sublinha a importância do protocolo com a Persona - Associação para a Promoção da Saúde Mental, “que permite ajudar a Persona e as pessoas que a instituição auxilia, e que em termos de resultados de serviço têm sido muito interessantes”.

Urbanização dos Lóios - “hoje praticamente a Junta já fez a cobertura total da limpeza dos espaços verdes”

Adianta ainda que a obra de intervenção na área da toponímia irá arrancar brevemente, uma vez que as placas já estão definidas. Na zona da Urbanização dos Lóios, adianta que a respeito da manutenção dos espaços verdes: “conseguimos também dar a volta a uma situação que achávamos que era extremamente injusta, uma vez que eram os moradores que tratavam dos espaços verdes, hoje praticamente a Junta já fez a cobertura total da limpeza desses espaços”.

Protocolo de delegação de competências para as juntas, entende que “tem sido positivo para a freguesia e para os cidadãos em geral”

E quanto ao protocolo de delegação de competências para as juntas, entende que “tem sido positivo para a freguesia e para os cidadãos em geral”, ao que comenta: “O que é evidente na qualidade a que chegámos na manutenção das escolas primárias” e acrescenta: “Tem sido um investimento e capacidade positiva de intervenção no mínimo notável. Creio que não há no concelho uma escola que não esteja pintada por dentro e por fora”. Com a descentralização, refere que a capacidade de intervenção é mais agilizada: “é no momento praticamente que temos a reparação das coisas”

Áreas mais difíceis de intervir - rentabilização dos equipamento nos parques infantis e polidesportivos

A rentabilização dos equipamentos nos parques infantis e polidesportivos são as áreas que aponta como sendo mais difíceis de intervir. Referindo que a Câmara Municipal do Barreiro (CMB) vai recuperar o Parque Maria Machado “e a Junta vai resolver a questão dos Lóios”, refere: “Os polidesportivos é que são mais complicados. Aqueles em que não tenha ficado acordado o seu respectivo acompanhamento com uma associação próxima, é extremamente complicado, por causa de actos de vandalismo.”E depois de encerrada a esquadra da Polícia de Segurança Pública, que ficou com dois agentes de proximidade, refere que em termos de segurança, a freguesia “coincidência ou não, está pior”.

Arranjo da sede da Junta - “no momento em que as coisas sejam entregues, o projecto arranca de imediato”

Não deixou de falar na importância da abertura da delegação da Junta de Freguesia do Lavradio nos Fidalguinhos, na Escola Superior de Tecnologia do Barreiro, com o principal objectivo de aproximar os serviço da Junta à população, “agiliza a resolução de pequenas questões e não é só a população dos Fidalguinhos que sai beneficiada, estamos a trabalhar até ás 20 horas e qualquer pessoa da freguesia pode dirigir-se até lá”, sublinha. E em relação ao arranjo da sede da Junta de Freguesia, uma necessidade já há muito reclamada, diz que vai avançar, mas ainda sem ter prazos definidos, “no momento em que as coisas sejam entregues, o projecto arranca de imediato”. Refere que o edifício vai ter um pequeno acréscimo que vai permitir que se façam dois pisos.

Terceira Travessia – “Existe o acordo de que à Junta deverá caber um papel muito importante no acompanhamento das obras e informação aos moradores”

Quanto à ETAR Barreiro/Moita, que está a ser construída pela Simarsul, no Lavradio, sublinha a sua importância “que ultrapassa até a zona do Barreiro e Moita, é todo o estuário do Tejo que está em causa”. Adianta que existe a preocupação da parte da Junta de “juntamente com os responsáveis da Simarsul, minimizar os efeitos negativos que todas as obras têm”, ao que comenta: “ Penso que até ao momento, temos conseguido”. O mesmo cuidado diz surgir em relação à Terceira Travessia do Tejo (TTT). “Não é competência nem responsabilidade da Junta, mas existe o acordo, esteja quem estiver na Junta de Freguesia do Lavradio, de que à Junta deverá caber um papel muito importante no acompanhamento das obras, informação aos moradores e no centralizar das sugestões ou queixas que os moradores possam levantar relativamente à obra.” Recorda a realização das sessões de apresentação da ponte, que trouxeram os técnicos da RAVE, onde foram colocadas questões sobre as zonas atingidas pela construção. “É nossa preocupação que a população, que vier a ser atingida, tenha a máxima informação possível”, realça.

Impactos da TTT - “têm sido feito esforços, no sentido em que se for viável, contornar esses edifícios”

E sobre os edifícios que poderão vir a ser afectados com a construção da TTT, refere que “poderá ser atingida uma ou outra vivenda na zona do Bairro dos Engenheiros, as mais próximas da actual estação do comboio tradicional”, ao que adianta: “têm sido feito esforços, no sentido em que se for viável, contornar esses edifícios, pelo menos as habitações” e acrescenta: “Há pelo menos a preocupação de procurar evitar esses efeitos, vamos ver se se consegue. Não é um assunto fechado”.

Reconversão do território da Quimiparque - “Barreiro vai dar um salto qualitativo a todos os domínios”

O projecto para a reconversão do território da Quimiparque é outro aspecto que realça como importante para o futuro não só da freguesia mas do concelho “que vai dar um salto qualitativo a todos os domínios”, sublinha. “Isto é o futuro do nosso concelho. É uma oportunidade que não se vai repetir”. E enquanto autarca, defende: “nós temos a responsabilidade e a obrigação como autarcas, como cidadãos, de saber ultrapassar o que nos separa e valorizar e optimizar tudo aquilo que nos une”. Quanto à ligação da freguesia do Barreiro ao Lavradio, diz “permitir recuperar o que já existiu e que foi roubado” e acrescenta: “Espero que seja por pouco tempo, a sua utilização futura, porque será sinal de que a Quimiparque já mudou, já tem pés para andar.”

Ponte da Passadeira – “o núcleo neolítico que ali está é seguramente o principal núcleo europeu e um dos mais importantes ao nível mundial”

Do protocolo de colaboração celebrado a 21 de Abril foi entre a Simarsul e o Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal (MAEDS) para a conclusão de um estudo na Ponte da Passadeira, sublinha a sua importância na valorização do património arqueológico: “É fundamental, o núcleo neolítico que ali está é seguramente o principal núcleo europeu e um dos mais importantes ao nível mundial”. E adianta que foi acordado com a Junta a edição da obra sobre o espólio, “uma obra que, dada a sua especificidade, vai requerer o envolvimento de outras entidades”, defende.

Vão retomar as Festas Populares do Lavradio

Quanto ao movimento associativo na freguesia, refere: “temos um conjunto de associações e colectividades muito dinâmicas. Há dificuldades, naturalmente. Mas existe uma certa colaboração e cooperação, ajudam-se mutuamente”. E diz ainda ser importante dar prioridade às iniciativas das colectividades. “Procuramos evitar o mais possível qualquer tipo de interferência na direcção das colectividades e não nos querermos substituir às colectividades, o que uma colectividade pode fazer, nós não fazemos”. E falando de iniciativas, conta que depois de três anos de paragem, as Festas Populares do Lavradio, em honra de Dona Margarida, que se realizam na última semana de Julho, vão retomar. “A paróquia criou uma comissão própria, autónoma e já têm um programa muito interessante”, refere.

Reforço da descentralização de competências - “importante, sobretudo na nova maneira de se encarar a participação das juntas de freguesia”

Quanto ao balanço do seu segundo mandato à frente da Junta de Freguesia do Lavradio, entende que “a necessidade das obras da própria Junta condicionaram muito a capacidade de intervenção”. “Faltam condições de trabalho”, afirma e defende ser essa a prioridade para o futuro. A respeito do reforço da descentralização de competências, diz ter sido “importante, sobretudo na nova maneira de se encarar a participação das juntas de freguesia no concelho”. “Este chamar das juntas de freguesia a tomar decisões e a propor, a acompanhar, foi um dos aspectos que mais me empolgou em toda a actividade autárquica. É podermos intervir efectivamente na nossa área”, realça e acrescenta: “Já não é só o fazer-se isto porque ‘mais perto, faz-se melhor’, essa fase, para mim, está ultrapassada, já estamos noutra e temos de tentar arranjar o envolvimento e participação dos cidadãos na definição e regras dos passos a dar, do que temos falta”.

Prioridades na freguesia

E quanto a prioridades na freguesia, fala na necessidade de um espaço verde maior “mas vamos tê-lo no Parque da Quimiparque”. Depois fala na falta de equipamentos, mas depois de inaugurada a Piscina de Aprendizagem do Lavradio, recorda que a Piscina Municipal vem também para os Fidalguinhos. Refere que existem acordos para a construção de dois ‘courts’ de ténis na Quinta dos Morgados, na Barra a Barra. Fala ainda que a Pista de Educação Rodoviária vai ser construída, possivelmente ainda este ano, no antigo polidesportivo da Palmira Bastos, em colaboração com a PSP, das escolas e da Associação de Cicloturismo FidalBike. E acrecenta: “Aguardamos que o arquitecto da Igreja, no entendimento que tivemos com a paróquia, nos apresente o estudo de arquitectura paisagista para o espaço envolvente da Igreja do Lavradio”.

O “engulho” - não ter sido possível resolver a situação da criação das valências de centro de dia na AURPIL

Perto do final do segundo mandato, diz ficar com “um engulho na garganta”, por não ter sido possível resolver a situação da criação das valências de centro de dia na AURPIL - Associação Unitária dos Reformados, Pensionistas e Idosos do Lavradio. “Criarem-se obstáculos como se criaram, é mau. É muita pena porque os nossos idosos mereciam”, comenta. E em termos pessoais diz ter “uma mágoa”: não ter mais tempo para poder “estar mais na rua, com as pessoas”.

“Tenho tido o privilégio de fazer aquilo que gosto”

Professor de Português e de Inglês na Escola Álvaro Velho, diz que lhe dá muito gosto: “articular a vida de autarca com o dar aulas” e, por isso, considera-se uma pessoa “bafejada pela sorte”. “Tenho uma vida pessoal que me encanta, e tenho tido o privilégio de fazer aquilo que gosto e o dar aulas é um prazer que tenho desde os meus 14 anos e desde 1976 que participei na actividade autárquica” e acrescenta: “e ter a possibilidade de estar a discutir estas questões e de poder participar no desenvolvimento da minha terra é muito bom”. E a respeito de balanços, sublinha: “Estou de consciência tranquila de que conseguimos mais do que sinceramente pensei viável. Tenho pena de não ter conseguido concretizar algumas coisas, mas também há questões que nos ultrapassam. Termos feito o que fizemos, com as condições que tivemos, acho que foi notável. Estou muito satisfeito. Há um conjunto de coisas que têm de ser feitas, agora não me preocupa a mim o calendário, tem é de ser bem feitas.”

“Tenho vontade de continuar, porque continuo a acreditar neste projecto”

E em ano de eleições autárquicas, diz estar disponível para voltar a assumir o cargo de presidente da Junta de Freguesia do Lavradio. “Tenho vontade de continuar, porque continuo a acreditar neste projecto. No meu entender, o projecto da CDU é aquele que melhor serve as necessidades das populações.”

Andreia Catarina Lopes

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