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Perspectivas

Eugénio Bastos, director de Formação da ATEC“O balanço da actividade é bastante positivo, por termos crescido bastante e rapidamente”

Já há cinco anos que a ATEC – Academia de Formação iniciou a sua actividade, direccionando a sua intervenção no âmbito da formação profissional, orientada para a vertente prática. Eugénio Bastos, director de Formação da ATEC faz um balanço “bastante positivo” desse trabalho, o que diz dever-se ao facto de ter surgido “numa transferência de centros de formação da Volkswagen e da Siemens”, que resultou num “’know how’ bastante grande”.

Fala de cerca de 90 por cento de empregabilidade dos formandos da ATEC e quanto a conselhos para os jovens que ainda estão a decidir o que fazer em relação ao seu futuro, chama a atenção para a importância da formação e da informação. “O importante é a aposta na formação. E devem-se informar e por isso é que chamamos e abrimos as portas, para informarmos os jovens. E darmos a conhecer e mostrar o que se faz numa profissão, para os ajudar a decidir.”

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Eugénio Bastos, director de Formação da ATEC “O balanço da actividade é bastante positivo, por termos crescido bastante e rapidamente”

Por Jornal Rostos

A ATEC iniciou a sua actividade em 2004, em 2006 foi reconhecida como instituição de utilidade pública. Ao longo destes cinco anos, qual é o balanço que faz?

“O balanço da actividade é bastante positivo, por termos crescido bastante e rapidamente, o que também se deve à situação em que a ATEC foi criada, praticamente numa transferência de centros de formação da Volkswagen e da Siemens e daí ter um ‘know how’ já bastante grande. Crescemos na área de formação profissional dos jovens, com a criação de novos cursos. Crescemos bastante também na área da formação contínua, tanto para os nossos promotores como para outros clientes. Desenvolvemos outras áreas que não tínhamos na altura, como de consultadoria a nível industrial. Foi um crescimento bastante rápido e estamos agora praticamente em pleno funcionamento.”

E o que trouxe à academia a mudança de instalações para Palmela?

“Trouxe uma grande vantagem de podermos ter construído um edifício de raiz para este propósito, de formação. As facilidades de funcionamento foram pensadas anteriormente e foram postas aqui em prática. Também pela experiência dos arquitectos que já tinham planeado edifícios como este. E tivemos a vantagem também de podermos aumentar as instalações, em termos de laboratórios e oficinas, com novas tecnologias. E ao nível de equipamentos, essa é uma preocupação constante que temos em termos de investimento anual, para termos uma formação o mais real possível.”

Quantos cursos tem a ATEC?

“Em termos de formação profissional temos cerca de 14 cursos diferentes nas várias áreas, quer de electrónica, automação, robótica, informática… E estamos a lançar novas áreas, como a da logística. E lançámos uma nova área na mecânica, que é a soldadura. Já existe um curso a decorrer e vamos continuar com mais, porque são profissionais que são bastante solicitados no exterior e nós fazemos os possíveis para fornecer esses profissionais ao mercado.”

Quais são os grandes objectivos da ATEC?

“Somos financiados pelo Estado a nível da formação profissional e estamos a formar jovens profissionais para o mercado de trabalho, não estamos só a formar para os nossos promotores, mas sim para todo o mercado. Todo o mercado envolvente usufrui dos jovens técnicos que saem da ATEC. Por outro lado, estamos a contribuir também para a formação dos empregados dos nossos promotores, que vêm ter aqui formação contínua com a ATEC.”

Também já se falou na possibilidade de serem criados cursos de pós-graduação mais orientados para a prática, na área da engenharia…

“Existe um curso que estamos a executar há algum tempo, que não é uma pós-graduação, é um curso de qualificação para jovens licenciados, que é uma integração prática nas empresas. É um curso que tem bastante êxito, temos por vezes aqui turmas completas que são absorvidas pela Autoeuropa. E estão em preparação cursos de pós-graduação, em colaboração com entidades universitárias mas neste momento ainda não se concretizou nenhum.”

Será um dos projectos futuros a implementar…

“São projectos futuros em que estamos a trabalhar, sempre na área industrial, o que será também uma mais-valia.”

E existem outros projectos futuros para a ATEC?

“Temos alguns projectos a nível europeu, de colaboração com outras empresas a nível de automação industrial. Temos projectos internos com os nossos promotores, quer com a Siemens, quer com a Volkswagen e estamos em constante contacto com as nossas ‘casas mãe’ para desenvolvermos esses projectos. Estamos a dar apoio principalmente ao grupo Volkswagen para a criação de novas academias de formação a nível mundial, para novas fábricas que estão a ser construídas. E estamos constantemente à procura de projectos que venham enriquecer a nossa formação.”

E qual é a percentagem de empregabilidade dos formandos na ATEC?

“Temos uma alta empregabilidade nos nossos jovens, que anda de certo para cima dos 90 por cento. Quase que é comum que os jovens fiquem na empresa, depois de lá estagiarem no final do curso. Temos empresas que já colaboram connosco há bastante tempo e são elas próprias que vêm solicitar jovens para estagiar, porque têm necessidade e conhecem a ‘casa’”

E as mais-valias dos cursos têm a ver com a possibilidade de se aprender o ‘know how’ industrial, mesmo em termos de procedimentos?

“Isso é um aspecto que desde o início fomentamos, que é o rigor industrial que é exigido a um colaborador que trabalhe nesta área e em qualquer empresa. Tudo o que tem a ver com segurança industrial, com os aspectos de assiduidade. E mantemos um contacto muito chegado com os encarregados de educação e com os próprios formandos e fazemos-lhes ver que é o futuro deles que está aqui a ser preparado. E os ‘feedbacks´ que temos das empresas para onde vão estagiar, ou mais tarde os empregam, dão-nos razão para mantermos aqui um certo rigor. Felicitam-nos pela postura das pessoas, pois hoje em dia não é só o saber fazer, mas também o saber estar e ser. Não digo que os nossos formandos sejam melhores ou piores do que noutros centros, mas levam pelo menos daqui um rigor que incutimos desde início.”

E que outras mais-valias tem a ATEC?

“Uma delas passa pela experiência internacional. Ainda nesta segunda-feira foram 18 formandos nossos para a Alemanha, estão a estagiar lá durante dois meses nas fábricas da Volkswagen e da Audi. É uma mais-valia para os formandos porque é uma experiência nova e uma vivência diferente e também pela experiência profissional que vão adquirir, vão conhecer outros métodos de formação, outras instalações. Fazemos isto regularmente, tanto vão formandos nossos para a Alemanha, como vêm alemães para cá.”

A componente prática nos cursos também é um aspecto aliciante…

“A componente prática é uma das componentes da formação que continuamos a apostar fortemente. Temos as condições necessárias para termos aqui uma prática bastante real e antes de os formandos irem para as empresas já levam uma componente prática importante. E a fazer é que se aprende. E depois também o empregador nota quando uma pessoa sabe fazer e não é só o saber fazer é saber como o fazer e o que se está a fazer.”

A parceria com empresas também é um factor importante. Qual é o número de empresas envolvidas com a ATEC?

“Temos cerca de 80 empresas parceiras, que acolhem os nossos formandos em estágios curriculares. E esse número tem tendência a crescer, é curioso que apesar da crise que existe no mercado de trabalho, ainda há empresas que chegam a pedir estagiários. Também há empresas a crescer. Por outro lado, facilitamos aos próprios formandos, especialmente os que estão deslocados das suas residências, a poderem solicitarem empresas em que gostariam de estagiar.”

A ATEC também tem desenvolvido iniciativas dirigidas à comunidade educativa, como a Feira das Profissões e hoje o Workshop Orientadores Ocupacionais. É uma forma de dar a conhecer a academia…

“Sim, hoje realizou-se um workshop com as orientadoras vocacionais das escolas secundárias da região, para informarmos o que é a ATEC e qual a oferta informativa que temos, para levarem essa informação para as escolas. São iniciativas muito importantes. E também temos visitas de escolas.”

E quais são os exemplos da política de responsabilidade social e ambiental da empresa?

“A responsabilidade social é bastante importante e faz parte do nosso trabalho. Há aqui formandos que costumamos dizer que somos quase pais deles. Por falta de apoio familiar ou condições para tal. Temos intervenção quando as avaliações ou o comportamento não é o melhor. E em termos ambientais, estamos em fase de certificação em ISO 14 001, mas já estamos a aplicar o sistema de gestão ambiental, com separação de resíduos nas oficinas e todos esses cuidados.”

Enquanto director de formação da ATEC, quais são os conselhos que deixa aos jovens que estão a decidir o que fazer para o seu futuro, tendo em conta o contexto mundial. Quais os cursos com maior saída profissional…

“Falando na parte da indústria, em que estamos mais ligados, todas as áreas que temos como profissões têm saída. Por vezes os jovens têm receio de virem para uma determinada profissão porque pensam que é perigoso ou sujo. E não sabem muito bem o que vêm fazer. E é importante entenderem que seja qual for a profissão que escolherem, essa é sempre uma base de arranque para a sua vida profissional. Agora, todas têm saídas, tanto as áreas de mecânica industrial, como da electrotecnia, da automação, da informática inclusive, porque podemos pensar que há muitos informáticos, mas continuam a ser necessários, porque cada vez as empresas estão mais informatizadas. E depois a área automóvel, que desenvolvemos desde que viemos para Palmela, tem crescido a uma velocidade muito grande, os jovens gostam muito desta profissão e é o curso em que temos mais inscrições e também fazemos os possíveis para que a oferta formativa seja também maior.”

E é importante a aposta na formação…

“Sim o importante é a aposta na formação. E devem-se informar e por isso é que chamamos e abrimos as portas, para informarmos os jovens. E darmos a conhecer e mostrar o que se faz numa profissão, para os ajudar a decidir.”

Andreia Catarina Lopes

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