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Perspectivas

Eduardo Correia, presidente dos Bombeiros Voluntários Sul e Sueste“Com este quartel estão reunidas as condições para se funcionar em pleno”

115.º Aniversário da associação vai ser assinalado com a apresentação de quatro veículos

No novo quartel deste Novembro de 2008, o presidente dos Bombeiros Voluntários Sul e Sueste, Eduardo Correia, comenta: “Com este quartel estão reunidas as condições para que se possa funcionar em pleno”. Do quartel diz ser uma “necessidade que já se ansiava há muitos anos” e diz que a associação está disposta a abdicar, em termos do protocolo entre a Quimiparque e a Câmara do Barreiro, da cedência de um terreno para a construção de um quartel definitivo, “desde que este edifício e estes lotes possam estar na nossa propriedade”, sublinha.

Com a substituição ao Corpo de Intervenção da Quimiparque, fala na necessidade de um veículo de combate a incêndios industriais: “O Barreiro tem cinco das cerca de 30 indústrias inseridas na Directiva SEVESO e nós estamos aqui e temos a responsabilidade de algumas dessas indústrias e não temos os meios para responder.” E quanto aos projectos estimados para o Barreiro, considera que “exigem uma adaptação e modernização dos serviços de Protecção Civil”.

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Eduardo Correia, presidente dos Bombeiros Voluntários Sul e Sueste “Com este quartel estão reunidas as condições para se funcionar em pleno”

Por Jornal Rostos

Sobre a mudança para o novo quartel na Quimiparque, que ocorreu em Novembro do ano passado, Eduardo Correia, presidente da Direcção dos Bombeiros Voluntários Sul e Sueste, diz ter “corrido muito bem”, mas reconhece: “Os bombeiros, em particular, foram quem mais sofreu na pele as dificuldades de mudar para um sítio, cujas obras não estavam completamente acabadas, mas foram colaborantes e compreensivos”. Hoje, com o edifício operacional “a funcionar em pleno” e tendo sido aberto ao público, no passado dia 20 de Maio, o bar/restaurante e a sala de jogos, comenta: “Com este quartel estão reunidas as condições para que se possa funcionar em pleno”.

Quartel próprio - Uma “questão de coração da associação”

Do quartel diz ser uma “necessidade que já se ansiava há muitos anos” e comenta: “É a única associação de bombeiros do país que, sendo centenária, não tinha quartel próprio”, ao que adianta: “e continua sem ter, porque esta situação resulta de um protocolo com a Quimiparque e a Câmara Municipal do Barreiro (CMB) e do ponto de vista formal ela é provisória.” Sobre esta questão, defende uma outra perspectiva, que passa por “abdicar, em termos do protocolo, da cedência do tal terreno para a construção de um quartel definitivo” e acrescenta: “desde que este edifício e estes lotes possam estar na nossa propriedade”. Uma solução que lhe parece ser a mais indicada: “Estamos aqui com condições que nos satisfazem e se se puser a fazer um novo, nunca mais se consegue um igual a este.” Fala ainda no facto de que para que a corporação possa candidatar-se a apoios financeiros, o edifício tem de ser propriedade da instituição. Uma “questão de coração da associação”, pois diz que “um quartel próprio, é uma ambição muito antiga” e que espera ver resolvida com a requalificação da Quimiparque.

Necessidade de um veículo de combate a incêndios industriais

E com a substituição ao Corpo de Intervenção da Quimiparque, fala na necessidade de um veículo de combate a incêndios industriais “ou então um veículo urbano adaptado ao meio industrial, que numa primeira fase poderia ser uma reconversão do veículo que nós temos”, sustenta. Outra falta de que fala é no âmbito dos equipamentos de protecção individual dos bombeiros adequado ao meio industrial. E comenta: “O Barreiro tem cinco das cerca de 30 indústrias inseridas na Directiva SEVESO, que é a directiva de produtos químicos e industriais mais crítico, e nós estamos aqui e temos a responsabilidade de algumas dessas indústrias e não temos os meios para responder.” E sobre o facto de, no âmbito do QREN, estar prevista a atribuição para o Barreiro de um veículo de combate a incêndios florestais, comenta: “O grande enfoque nos últimos anos tem sido nos incêndios florestais mas a verdade é que se acontece uma desgraça, aqui a desgraça é muito grande e é de uma vez só.”

“Felizmente a nossa intervenção é muito rápida e esta nova localização veio melhorar esse aspecto”

Quanto ao número de Bombeiros do Sul e Sueste diz serem 95, um “número real”, sublinha e em termos de assalariados, com contrato permanente, diz terem 24. Com a área de actuação própria que abrange as freguesias do Barreiro, Lavradio e Santo António da Charneca, refere que as ocorrências mais frequentes são ao nível da emergência médica e de serviços de transporte de doentes. Tendo tido em 2008 um número de alertas de 11.020 mil, 6.745 mil, representam serviços de transporte de doentes; 2.296 mil, casos de emergência pré-hospitalar; 1.032 serviços de prevenções a espectáculos e actividades desportivas; 225, serviços de incêndios e 81 acidentes com transportes (rodoviários e ferroviários). “Felizmente a nossa intervenção é muito rápida e esta nova localização veio melhorar esse aspecto, em relação ao Barreiro e ao Lavradio, ficámos no meio, sobre esse aspecto melhorámos o tempo de resposta e o tempo é crítico, demorar um minuto a mais pode significar mais cinco ou seis horas a combater um fogo.”

115.º Aniversário da associação vai ser assinalado com a apresentação de quatro veículos

No passado dia 25 de Maio, a corporação apresentou ao público um veículo tanque com 36 mil litros de água, uma valência que diz que o Barreiro não tinha e que resultou da transformação de uma cisterna nas oficinas do quartel. Um trabalho que diz durar há um ano e meio e estima ser um investimento de cerca de 100 mil euros, tendo contado com o apoio de empresas. Para assinalar o 115.º aniversário da associação, a 25 de Julho, data em que vai ser feita a inauguração do quartel, diz que vão ser apresentados quatro veículos: o veículo tanque de grande capacidade; um veículo ligeiro de combate a incêndios, destinado fundamentalmente ao Barreiro velho e a ruas mais apertadas e que representa um investimento na ordem dos 25 mil euros; o novo veículo de comando táctico, um Sharan novo doado pela Autoeuropa, mas que para a sua transformação teve um investimento de 15 mil euros e um carro de desencarceramento que representa um investimento na ordem dos 70 mil euros, “este integralmente suportado pela associação”, sublinha e que também foi transformado a partir de um carro pesado.

“Temos tido um acréscimo contínuo do número de serviços e isso acontece porque temos tido capacidade de resposta”

Sobre estas aquisições do quartel, refere que surgem para resolver “um conjunto de problemas que só não foram resolvidos antes, porque as opções têm sido mais viradas para a saúde, porque não se consegue tudo ao mesmo tempo”. Quanto à área da saúde refere que foram adquiridas pela associação duas ambulâncias usadas, uma de socorro e outra de transporte de doentes, que permite à corporação ficar com quatro ambulâncias de socorro e quatro de transporte de doentes. E sobre estas aquisições, justifica: “Temos tido um acréscimo contínuo do número de serviços e isso acontece porque temos tido capacidade de resposta. Surgem mais pedidos e nós vamos respondendo cada vez mais e chega a um ponto em que temos de aumentar os meios e esses dois carros têm a ver com isso, evitar investimento em carros novos na área da saúde.”

Projectos estimados para o Barreiro “exigem uma adaptação e modernização dos serviços de Protecção Civil”

E sobre todos estes investimentos, Eduardo Correia diz surgirem com a perspectiva de se adaptarem aos projectos estimados para o Barreiro, ao que comenta: “Que exigem uma adaptação e modernização dos serviços de Protecção Civil, quer em termos de meios humanos, quer em termos materiais, quer em termos de estrutura de Protecção Civil no Barreiro, que é uma estrutura muito débil, sem contar com os bombeiros”, considerou.

Posto de Reserva, “uma formalização e primeiro passo fundamental para podermos ser constituídos como Posto de Emergência Médica”

A partir do dia 1 de Janeiro, decorrente de um protocolo com o INEM, os Bombeiros Sul e Sueste passaram a ter o estatuto de Posto de Reserva, o que Eduardo Correia diz ser “uma formalização e primeiro passo fundamental para podermos ser constituídos como Posto de Emergência Médica” e comenta: “que será uma mais-valia, porque passa a estar sedeada aqui uma ambulância do INEM, ou seja mais uma ambulância e paga pelo INEM”. A corporação assegura também desde a década de 90 o Centro Municipal de Operações de Emergência (CMOEPC), que resultou de um protocolo com a CMB. “Somos nós que iniciamos todas as comunicações com todos os agentes de protecção civil para fazer o teste ao sistema.”

Central de Comunicações – “Um investimento da ordem dos 45 mil euros, totalmente suportado pela associação”

Adquiriram também uma nova Central de Comunicações, que o presidente da Direcção dos Bombeiros Sul e Sueste diz ter sido um “investimento fundamental”. “O investimento Central de Comunicações e as Telecomunicações, porque temos uma central telefónica para pôr o quartel a funcionar, foi um investimento da ordem dos 45 mil euros, totalmente suportado pela associação, resultado de uma gestão controlada e sem dívidas, no sentido de ter alguns fundos, para ir suportando isto”.

“Se não tivermos os apoios das empresas, para conseguirmos manter os meios que temos e renová-los, porque isto não é eterno, é impossível”

Desde que se deslocaram para a Quimiparque também têm vindo a procurar assinar protocolos com empresas sedeadas no parque industrial, mas quanto à resposta das empresas diz que têm surgido “muito lentamente, com muito pouca abertura e com um grau de concretização baixo, face ao nosso esforço” e comenta: “Aquilo que aconteceu foi que durante muitos anos o parque empresarial esteve fechado ao mundo exterior e criou-se aqui uma certa mentalidade e cultura que torna difícil dar estes passos e algumas empresas, porque desconhecem os meandros destas coisas, encaram isto como sendo um sobre custo. Se não tivermos os apoios das empresas para conseguirmos manter os meios que temos e renová-los, porque isto não é eterno, é impossível. Esgotamos os meios e um dia fecha-se a porta.”

“O valor que o Estado paga para a prestação do serviço, é cerca de 50 por cento do que deveria de ser”

Quanto ao Dia Municipal do Bombeiro, uma data que a Liga dos Bombeiros tentou incutir nos municípios considera ser “um reconhecimento por parte das câmaras à actividade desempenhada pelos Bombeiros” e acrescenta: “porque no fundo estas são responsabilidades do Estado e aquilo que se passa em relação aos Bombeiros é que o valor que o Estado paga para a prestação do serviço, é cerca de 50 por cento do que deveria de ser.”

“Felizmente não nos podemos queixar, temos bastantes jovens”

Quando questionado se sente que de um modo geral há cada vez menos jovens com aspiração a bombeiros, comenta: “Há 50 anos atrás ou mais para trás, o ser bombeiro era algo que dava um estatuto social que o diferenciava, bastava que enveredasse uma farda, mas também porque era uma oportunidade que muitas pessoas tinham para conduzir um carro e depois não era um carro qualquer, era um carro com sirenes e isso eram factores que mobilizavam a juventude. Hoje há outras solicitações e por isso o universo dos recrutamentos é cada vez mais estreito.” Mas acrescenta: “Felizmente não nos podemos queixar, temos bastantes jovens, temos muitos aspirantes que vêm não se sabe bem porquê, não se sabe porque é que as pessoas vêm para esta vida. São muitos poucos o que tiram daqui alguma coisa e são muitos os que dão.”

Andreia Catarina Lopes

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