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Perspectivas

José Manuel Soares, presidente dos Bombeiros Voluntários do Barreiro – Salvação Pública“O dia do Bombeiro devia ser como o Natal, todos os dias"

IC21 - “Tem um trânsito diário de cerca de 1.200 camiões”

Está na Associação de Bombeiros Voluntários do Barreiro – Corpo de Salvação Pública desde 2000. Depois de quatro anos como presidente da Assembleia-geral, vai no seu quarto ano como presidente da Direcção. Quanto aos projectos e alterações estimadas para o Barreiro, entende que “os maiores riscos que podem surgir com a nova travessia do Tejo e com a Ferrovia são durante a fase de construção.” E por isso refere que a grande preocupação que a corporação tinha era com a necessidade da aquisição de um barco, o que aconteceu há cerca de um mês. Esperam agora também a chegada de um veículo de combate a incêndios florestais e quanto a necessidades fala fundamentalmente de duas ambulâncias e de uma Equipa de Primeira Intervenção.

E quanto ao Dia Municipal do Bombeiro, José Manuel Soares comenta: “O dia do Bombeiro devia de ser como o Natal, todos os dias”.

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José Manuel Soares, presidente dos Bombeiros Voluntários do Barreiro – Salvação Pública “O dia do Bombeiro devia ser como o Natal, todos os dias"

Por Jornal Rostos

"O quartel foi fundamental para a motivação dos nossos efectivos”

Com um quartel inaugurado em 2004, o presidente da Direcção da Associação de Bombeiros Voluntários do Barreiro – Corpo de Salvação Pública, José Manuel Soares, diz que: “O quartel foi fundamental para a motivação dos nossos efectivos, quer os assalariados, quer os efectivos, porque lá em baixo tínhamos, por vezes, falta de bombeiros, porque as instalações não eram nem as mais agradáveis, nem as mais seguras”. Com a mudança para o novo quartel diz que “Até ao momento, temos verificado que a motivação é grande e temos muitos mais bombeiros permanentemente no quartel”.

Necessidade de obras no quartel provavelmente nos próximos três anos

Mas apesar de o quartel ser “novo e de aparentemente amplo e de ter espaço exterior”, diz ter “de raiz, duas deficiências graves”. A primeira diz ser a existência de fissuras nas paredes, o que entende que se deve ao facto de “as fundações não terem sido as mais adequadas ao solo” e o segundo problema diz ser o facto de ter sido mal dimensionado em termos de garagem: “a garagem não comporta, como devia, dois veículos atrás um do outro, porque temos portões virados para um lado e para o outro e os carros ficam costas com costas para saírem mais facilmente. Mas o espaço não é suficiente e temos de ter alguns carros lá fora e alguns ficam inclinados.” E fala também na necessidade de fazerem obras no edifício, provavelmente nos próximos três anos e adianta: “Como não temos dinheiro para fazer tudo de uma vez, estas obras deverão decorrer durante dois ou três anos.”

IC21 - “Tem um trânsito diário, neste momento , de cerca de 1.200 camiões"

Com um corpo total de 112 bombeiro, diz que têm aprovação até aos 131. E quanto a assalariados bombeiros diz que são cerca de “dezena e meia”. Com as áreas de intervenção em cinco freguesias, sendo elas: Verderena, Alto do Seixalinho, Santo André, Palhais e Coina, diz que as principais preocupações se prendem com o IC21. “Tem um trânsito diário, neste momento, de cerca de 1.200 mil camiões e alguns deles com materiais perigosos e quando vier a nova ponte, provavelmente irá aumentar o trânsito e os riscos serão maiores para o nosso concelho.”

“Os maiores riscos que podem surgir com a nova travessia do Tejo e com a Ferrovia são durante a fase de construção”

Quanto aos projectos e alterações estimadas para o Barreiro, como a Terceira Travessia do Tejo ou as Oficinas de Alta velocidade, entende que podem trazer um aumento de riscos e, por isso, será importante a modernização e transformação em termos de Protecção Civil. “Os maiores riscos que podem surgir com a nova travessia do Tejo e com a Ferrovia são durante a fase de construção.” E por isso refere que a grande preocupação que a corporação tinha era com a necessidade da aquisição de um barco, para substituir o que ficou inoperacional no ano passado. “Na altura tentamos ter ajuda parcial ou total para a aquisição de um barco, mas não conseguimos, falámos com a Governadora Civil e lançámos um sorteio, para que os proveitos desse sorteio contribuíssem para a aquisição do barco. E com o fruto desse sorteio, a retoma do barco antigo e mais algumas verbas que tínhamos, comprámos um barco há perto de um mês.” “Já estamos em condições de dar um bom contributo para o que possa vir a acontecer, em termos de sinistros. E por outro lado, os Bombeiros Sul e Sueste também têm um barco e temos a Polícia Marítima e em conjunto faremos um bom trabalho em prol da população.”

Redução dos riscos de incêndio na Mata da Machada

Quanto ao número de solicitações, diz que em 2008 só em operações de socorro, sem contar com o transporte de pessoas para as consultas e fisioterapias, fizeram 6.359 mil serviços e entre 2006 e 2008, 18.023 mil. Entre esses dois anos, de 2006 a 2008, diz que responderam a 15.52 mil serviços pré-hospitalar; 887 pedidos de abertura de portas; 583 serviços resultantes de acidente com transporte e 470 incêndios. Pertencendo a Mata Nacional da Machada à sua área de actuação própria, refere que têm sentido um decréscimo de ocorrência de perigo de incêndio nos últimos anos. “Acho que com a limpeza e criação de aceiros e também julgo que há outra coisa que terá reduzido os riscos, porque acho que os cidadãos convenceram-se de que a Mata é deles e que não é para construir nada”, ao que expressa: “Esperamos que continue assim”.

“É importante que a população saiba que pode contar com os Bombeiros, não só para apagar os incêndios”

Quanto ao protocolos estabelecidos com outras entidades, como com a Universidade da Terceira Idade do Barreiro, para a cedência de espaço para actividades, ou com a Liga dos Amigos do Hospital Distrital, para a prestação do serviço de ostimizados, sobre o que comenta: “somos a primeira corporação a nível nacional a prestar esse tipo de socorro”, expressa: “É importante que a população saiba que pode contar com os Bombeiros, não só para apagar os incêndios. Para tudo o que esteja ao nosso alcance e possibilidade, estamos cá para colaborar”.

“É uma situação que tem de ser resolvida, para sabermos se continua ou não em vigor o protocolo entre os bombeiros, CMB e a PSP”

Em relação à situação do protocolo tripartido entre a corporação de Bombeiros, a CMB e a PSP, relativamente às viaturas rebocadas que eram colocadas no parque de estacionamento da corporação, comenta: “ As viaturas deixaram de vir. Eu pessoalmente penso que foi má vontade da polícia, não vejo que a polícia fosse prejudicada de alguma forma por os carros virem para aqui”. E referindo que foi levantada a questão, se os Bombeiros deveriam ou não cobrar IVA na taxa de parqueamento, comenta: “Em início de 2007, surgiu uma portaria esclarecedora e a Liga dos Bombeiros informou-me de que os únicos serviços prestados pelos Bombeiros isentos de IVA eram todos os que estavam relacionados com a saúde” e acrescenta: "E isto começou tudo em 2007 e a resposta chegou o mês passado, um parecer do Director Geral de Impostos a dizer que deveríamos cobrar IVA. Enviei uma cópia para o Governo Civil, para a CMB e para a PSP. Mas é uma situação que tem de ser resolvida, para sabermos se continua ou não em vigor o protocolo.”

“Foi-nos cedido um veículo grande de combate a incêndios florestais que vai ser entregue este ano”

Quanto a necessidades da corporação, fala em duas ambulâncias e num veículo de combate a incêndios florestais, questão essa que se espera que seja resolvida, uma vez que está estimado que venha para esta corporação uma viatura, integrada na aquisição pelo Governo de 95 veículos operacionais de protecção e socorro, no âmbito do QREN. “Foi-nos cedido um veículo grande de combate a incêndios florestais que vai ser entregue este ano.” E quanto à sua necessidade, justifica: “O concelho tem duas. Uma em cada quartel. Mas todos os anos, uma das viaturas sai na coluna nacional ou distrital, e às vezes até fica sedeada num ponto mais estratégico para responder a um incêndio na zona sul, como há dois anos tivemos a nossa viatura quase dois meses em Grândola. Quando isso sucede, o Barreiro fica desprotegido, e na altura do Verão, os incêndios pequenos ou grandes surgem por todo o lado. Acresce a isso que a nossa viatura tem mais de 15 anos. E por isso essa é uma necessidade.”

Equipa de Primeira Intervenção - “Isso é fundamental”

Outra necessidade de que fala passa por uma Equipa de Primeira Intervenção. “Isso é fundamental”, salienta. “Comecei por pedir isso à Câmara, uma equipa de sete pessoas e depois passei para cinco, a maior parte das corporações do distrito têm, julgo que o nosso concelho é que não tem.” “Se nos ajudassem a pagar estes sete, seria uma boa ajuda e depois fazíamos aí a gestão, com as nossas receitas depois poderíamos pagar a outra equipa. Não temos tido acolhimento deste nosso pedido. Ouvimos falar aqui há tempos que ia ser resolvido em termos nacionais, mas até agora continuamos com essa falha. É uma situação que continuamos à espera de ver resolvida.”

Entregues à corporação três viaturas que estavam na Mata da Machada

José Manuel Soares falou ainda no facto de que através da Direcção Geral de Recursos Florestais, foram entregues à corporação três viaturas que estavam na Mata da Machada, “uma delas, completamente inoperacional, mas que tinha peças e componentes que serviriam para pôr as outras a funcionar”, sublinha. “E foi o que fizemos”, acrescenta, ao que relata: “ Transformámos um deles para combate a incêndios e que leva 400 litros de água. É um carro ligeiro para um primeiro combate a um incêndio, é uma boa ajuda e chega mais depressa e é também indicado para as zonas mais estreitas do Barreiro”. E quanto à outra viatura, diz que serve para qualquer tipo de transporte que seja necessário.

“Era como dizer que uma parte do que o que os cidadãos pagavam para o Estado, era destinado a pagar os serviços dos Bombeiros”

“O nascimento das Associações de Bombeiros Voluntários para servir os cidadãos, remonta ao tempo da monarquia e teve como objectivo substituir-se ao Estado na área da protecção e socorro aos cidadãos. E somos muito mais baratos para o Estado do que se fossemos profissionais e entendemos que servimos os cidadãos, enquanto pessoas individuais e colectivas”, expressa José Manuel Soares ao chamar a atenção para a importância do papel dos Bombeiros Voluntários. Nesse sentido, defende que fosse consignado das receitas do imposto municipal da Contribuição Autárquica uma parcela para as Associações de Bombeiros: “Era como dizer que uma parte do que o que os cidadãos pagavam para o Estado, neste caso à autarquia, era destinado a pagar os serviços dos Bombeiros”, sublinha e acrescenta: “Quando isto for solucionado, provavelmente os Bombeiros funcionaram melhor do que funcionam hoje e não estaremos eternamente a queixarmo-nos de falta de dinheiro.” Refere ainda que essa medida já foi proposta pela associação ao actual executivo da Câmara Municipal do Barreiro (CMB), ao Governo Civil de Setúbal, ao Ministério da Administração Interna, à Liga dos Bombeiros Portugueses, à Assembleia da República e acrescenta: “Já foi proposta nas últimas eleições autárquicas a todos os partidos e a resposta é nada, não há resultados.”

“O dia do Bombeiro devia de ser como o Natal, todos os dias”

Quanto ao Dia Municipal do Bombeiro, comenta: “O dia do Bombeiro devia de ser como o Natal, todos os dias. Não estou a dizer com isto que não se lembrem de nós. Mas as manifestações de agradecimento ao trabalho dos Bombeiros deviam ser quase diárias. Não precisamos de homenagens, precisamos é que reconheçam que o nosso trabalho é importantíssimo para a população e para o país, porque substituiu o Estado e por arrastamento, substitui as autarquias, na área da protecção civil.”

Andreia Catarina Lopes

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