Renato Pereira – Rosto do Ano Desporto 2008"É bom saber que me reconhecem mérito numa actividade que me dá muito gosto fazer na minha terra"
Quanto ao reconhecimento "Rosto do Ano Desporto", reage: “É muito bom saber que me reconhecem algum mérito numa actividade que me dá muito gosto e alegria fazer na minha terra” e acrescenta: “E é também importante para que a nossa modalidade se desenvolva cada vez mais, não só na nossa cidade, mas no país.

Por Jornal Rostos
“Sempre gostei muito de competição e desportos colectivos”
A paixão pelo desporto acompanha-o. Mesmo depois de um acidente aos 14 anos, que o deixou preso a uma cadeira de rodas, Renato Pereira continuou a praticar desporto. Se antes era o futebol, aos 16 já se dedicava à natação e depois o remo adaptado. Quanto à entrada do basquetebol na sua vida, diz ter surgido a convite de um amigo. “E fui logo, mal surgiu a oportunidade, porque sempre gostei muito de competição e desportos colectivos”, conta.
A dinâmica, a competição e o convívio com pessoas portadoras de deficiência
A dinâmica, a competição, “o convívio com pessoas portadoras de deficiência, com muitos mais anos de deficiência e as experiências que me transmitiram”, são aspectos que realça e que diz terem sido motivadores para a prática da modalidade, ao que acrescenta: “ O poder lutar por um lugar na equipa e depois por um lugar acima no campeonato, isso sempre me motivou.” E enquanto jogador de basquetebol, define-se: “Sou um jogador que dá tudo o que tem dentro do campo, seja a perder ou a ganhar. Sou um jogador viril. E gosto mais de defender, gosto de passar as bolas e sair a jogar.”
“A troca de experiências e a capacidade física para ultrapassar o grande problema das barreiras arquitectónicas”
Quanto à importância da prática desportiva para pessoas portadoras de deficiência, diz: “O desporto é muito importante porque convive-se com pessoas na mesma situação e pensa-se: «Se eles conseguem, também sou capaz». O aumento da auto-estima é evidente. O conseguir fazer-se coisas que nunca se pensou fazer. E depois a troca de experiências e a capacidade física para ultrapassar o grande problema das barreiras arquitectónicas. O ter força para meter a cadeira dentro do carro e tirá-la do carro, são pequenas coisas, que se vão tornando muito grandes.”
“É um prazer representar o Barreiro"
Tendo estado presente na Selecção Nacional e vencido o Campeonato da Europa da série C de Basquetebol em 2007, em Dublin, e tendo sido por quatro vezes Campeão Nacional pelo APD de Lisboa, não esconde que esses troféus são “um suplemento maior à motivação”, por conseguir fazer um desporto que gosta, “ao mais alto nível”, realça. Depois de ter passado pelo APD de Lisboa e pelo Santoantoniense Futebol Clube, hoje está no Clube Desportivo “Os Trovões”, fundado a 19 de Outubro de 2007, onde é também treinador-adjunto. E sobre essa experiência, diz: “É um prazer representar o Barreiro. Temos vindo a evoluir, já conseguimos pôr mais um jogador na Selecção Nacional e isso é muito bom e estamos ainda no início, mas estamos a tentar construir o melhor possível, para que sejamos cada vez mais competitivos.”
“Se pudesse, fazia disto a minha vida”
Com o bacharelato em Terapia da Fala e a concluir a licenciatura, encontra-se a fazer actualmente um estágio profissional na Nós - Associação de Pais e Técnicos p/ a Integração do Deficiente e diz: “Pretendo trabalhar essencialmente com crianças com multideficiência, porque acabam até por ver em nós um exemplo”. Mas reconhece ainda estar a “a explorar o mundo” que mais gosta dentro da extensa área que constitui a terapia da fala. Quanto ao papel do basquetebol na sua vida é peremptório: “É um complemento de tudo. Se pudesse, fazia disto a minha vida, mas não pode ser. Em Portugal o Basquetebol está a evoluir, mas está muito longe de outros países, como em Espanha, em que a primeira liga é profissional. Aqui somos todos amadores, fazemos isto por gosto.”
“É muito bom saber que me reconhecem algum mérito numa actividade que me dá muito gosto fazer na minha terra”
E quanto ao reconhecimento “Rosto do Ano Desporto”, reage: “É muito bom saber que me reconhecem algum mérito numa actividade que me dá muito gosto e alegria fazer na minha terra” e acrescenta: “É sinal que temos alguma visibilidade na nossa terra e isso é importante para nós e para que a informação possa chegar a outras pessoas que tenham algum tipo de deficiência e que queiram vir ter connosco. O nosso clube está sempre aberto. E é também importante para que a nossa modalidade se desenvolva cada vez mais, não só na nossa cidade, mas no país.
Andreia Catarina Lopes













