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Perspectivas

Renato Pereira – Rosto do Ano Desporto 2008"É bom saber que me reconhecem mérito numa actividade que me dá muito gosto fazer na minha terra"

Renato Pereira tem 28 anos. Venceu o Campeonato Europeu da série C de Basquetebol em 2007 e foi por quatro vezes Campeão Nacional pelo APD de Lisboa. Hoje está no Clube Desportivo “Os Trovões” e a paixão pelo desporto acompanha-o.

Quanto ao reconhecimento "Rosto do Ano Desporto", reage: “É muito bom saber que me reconhecem algum mérito numa actividade que me dá muito gosto e alegria fazer na minha terra” e acrescenta: “E é também importante para que a nossa modalidade se desenvolva cada vez mais, não só na nossa cidade, mas no país.

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Renato Pereira – Rosto do Ano Desporto 2008 "É bom saber que me reconhecem mérito numa actividade que me dá muito gosto fazer na minha terra"

Por Jornal Rostos

“Sempre gostei muito de competição e desportos colectivos”

A paixão pelo desporto acompanha-o. Mesmo depois de um acidente aos 14 anos, que o deixou preso a uma cadeira de rodas, Renato Pereira continuou a praticar desporto. Se antes era o futebol, aos 16 já se dedicava à natação e depois o remo adaptado. Quanto à entrada do basquetebol na sua vida, diz ter surgido a convite de um amigo. “E fui logo, mal surgiu a oportunidade, porque sempre gostei muito de competição e desportos colectivos”, conta.

A dinâmica, a competição e o convívio com pessoas portadoras de deficiência

A dinâmica, a competição, “o convívio com pessoas portadoras de deficiência, com muitos mais anos de deficiência e as experiências que me transmitiram”, são aspectos que realça e que diz terem sido motivadores para a prática da modalidade, ao que acrescenta: “ O poder lutar por um lugar na equipa e depois por um lugar acima no campeonato, isso sempre me motivou.” E enquanto jogador de basquetebol, define-se: “Sou um jogador que dá tudo o que tem dentro do campo, seja a perder ou a ganhar. Sou um jogador viril. E gosto mais de defender, gosto de passar as bolas e sair a jogar.”

“A troca de experiências e a capacidade física para ultrapassar o grande problema das barreiras arquitectónicas”

Quanto à importância da prática desportiva para pessoas portadoras de deficiência, diz: “O desporto é muito importante porque convive-se com pessoas na mesma situação e pensa-se: «Se eles conseguem, também sou capaz». O aumento da auto-estima é evidente. O conseguir fazer-se coisas que nunca se pensou fazer. E depois a troca de experiências e a capacidade física para ultrapassar o grande problema das barreiras arquitectónicas. O ter força para meter a cadeira dentro do carro e tirá-la do carro, são pequenas coisas, que se vão tornando muito grandes.”

“É um prazer representar o Barreiro"

Tendo estado presente na Selecção Nacional e vencido o Campeonato da Europa da série C de Basquetebol em 2007, em Dublin, e tendo sido por quatro vezes Campeão Nacional pelo APD de Lisboa, não esconde que esses troféus são “um suplemento maior à motivação”, por conseguir fazer um desporto que gosta, “ao mais alto nível”, realça. Depois de ter passado pelo APD de Lisboa e pelo Santoantoniense Futebol Clube, hoje está no Clube Desportivo “Os Trovões”, fundado a 19 de Outubro de 2007, onde é também treinador-adjunto. E sobre essa experiência, diz: “É um prazer representar o Barreiro. Temos vindo a evoluir, já conseguimos pôr mais um jogador na Selecção Nacional e isso é muito bom e estamos ainda no início, mas estamos a tentar construir o melhor possível, para que sejamos cada vez mais competitivos.”

“Se pudesse, fazia disto a minha vida”

Com o bacharelato em Terapia da Fala e a concluir a licenciatura, encontra-se a fazer actualmente um estágio profissional na Nós - Associação de Pais e Técnicos p/ a Integração do Deficiente e diz: “Pretendo trabalhar essencialmente com crianças com multideficiência, porque acabam até por ver em nós um exemplo”. Mas reconhece ainda estar a “a explorar o mundo” que mais gosta dentro da extensa área que constitui a terapia da fala. Quanto ao papel do basquetebol na sua vida é peremptório: “É um complemento de tudo. Se pudesse, fazia disto a minha vida, mas não pode ser. Em Portugal o Basquetebol está a evoluir, mas está muito longe de outros países, como em Espanha, em que a primeira liga é profissional. Aqui somos todos amadores, fazemos isto por gosto.”

“É muito bom saber que me reconhecem algum mérito numa actividade que me dá muito gosto fazer na minha terra”

E quanto ao reconhecimento “Rosto do Ano Desporto”, reage: “É muito bom saber que me reconhecem algum mérito numa actividade que me dá muito gosto e alegria fazer na minha terra” e acrescenta: “É sinal que temos alguma visibilidade na nossa terra e isso é importante para nós e para que a informação possa chegar a outras pessoas que tenham algum tipo de deficiência e que queiram vir ter connosco. O nosso clube está sempre aberto. E é também importante para que a nossa modalidade se desenvolva cada vez mais, não só na nossa cidade, mas no país.

Andreia Catarina Lopes

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