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Perspectivas

Rosalina Carmona – “Rosto do Ano Cultura 2008”“Tenho a sorte de poder fazer aquilo que gosto, trabalhar sobre o Barreiro”

Rosalina Carmona é Técnica Superior na Divisão de Cultura e Património da Câmara Municipal do Barreiro e tem um currículo extenso de publicações sobre a história do Barreiro. Começou a trabalhar na autarquia como cantoneira de limpeza, mas as suas aspirações levaram-na a tirar uma licenciatura em História. E, a partir daí, surgem as publicações, sendo a mais recente: “Barreiro. O Lugar e a História. Séculos XIV a XVIII”. Livros que diz resultarem da sua “investigação e interesse por conhecer a história do Barreiro”. E estando actualmente a trabalhar num projecto sobre os 150 anos dos Caminhos-de-ferro no Barreiro, esse poderá ser o tema de um próximo livro.

Quanto à distinção “Rosto do Ano Cultura 2008”, reage: “Naturalmente que fiquei agradada com essa distinção do ‘Rostos’. Acho que é muito gratificante reconhecerem o nosso trabalho e reconhecerem que tem valor e é apreciado. É um estímulo para continuar.”

6 min de leitura
Rosalina Carmona – “Rosto do Ano Cultura 2008” “Tenho a sorte de poder fazer aquilo que gosto, trabalhar sobre o Barreiro”

Por Jornal Rostos

Rosalina Carmona tem 50 anos, é Técnica Superior na Divisão de Cultura e Património da Câmara Municipal do Barreiro (CMB), e tem um currículo extenso de publicações sobre a história do Barreiro. Nasceu em Pias, Baixo Alentejo, e veio cedo, com os pais, para a zona da grande Lisboa. Ao recordar-se desse tempo, a emoção não deixa de se notar. “O meu pai foi um anti-fascista. Foi preso várias vezes pela PIDE e numa das últimas vezes em que foi preso, os meus pais decidiram vir para Lisboa para tentar mudar um pouco o rumo à vida e para ver se os filhos tinham uma vida melhor e outras oportunidades. Depois do 25 de Abril, quiseram voltar outra vez para o Alentejo, na altura eu tinha 15 anos, e voltei e tive lá alguns anos a trabalhar”, recorda.

“Comecei logo a estudar, porque era preciso, para evoluir um bocadinho”

Nos anos 80 conhece quem viria a ser o seu marido, barreirense de coração, e volta para o Barreiro. Começa a trabalhar na autarquia do Barreiro como cantoneira de limpeza. E assim fica durante perto de seis anos. Mas as suas aspirações levam-na por outros trilhos. “Quando comecei a trabalhar como cantoneira as minhas habilitações eram mínimas, tinha apenas a 4.ª classe e depois comecei logo a estudar, porque era preciso, para evoluir um bocadinho e fiz o 9.º Ano e, quando o conclui, candidatei-me ao exame ad-hoc e entrei para o curso de História." Uma época que diz também não ter sido fácil. "Entretanto, estive sempre a trabalhar e a estudar à noite e não era fácil, porque tinha de começar a trabalhar às 7 horas da manhã e depois tinha aulas à noite, muitas vezes até às 23h30 e não foi fácil e ao mesmo tempo a minha filha era pequena e se não fosse o apoio do meu marido e dos meus sogros, sobretudo da minha sogra…”

“Sempre me despertou o interesse pela história do Barreiro”

Em 93 conclui a licenciatura em História. “Sempre gostei de história, era a área para a qual tinha mais vocação”, frisa. E quanto às razões que explicam essa sua apetência, diz: “Sempre tive curiosidade em relação ao conhecimento do passado, porque muitas vezes encontramos explicações no passado, para muitos acontecimentos no presente e penso que para entender o presente é preciso conhecer bem o passado. E o que me tem motivado sempre é conhecer, não só a história da minha família e da minha terra, mas, desde que vim para o Barreiro, sempre me despertou o interesse pela história do Barreiro. Apesar de não ser natural do Barreiro, já pertenço mais ao Barreiro do que a qualquer outro lugar.” Publicou também artigos na imprensa local. “Em 93 publiquei os meus primeiros artigos no Jornal do Barreiro. Eram pequenos artigos para ilustrar uma página de história local. Publiquei sobre a história da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, sobre a escravatura...”

“Essas obras têm resultado da minha investigação e interesse por conhecer a história do Barreiro”

A paixão pela história e o gosto pela investigação das raízes barreirenses levou a que publicasse um número já elevado de obras sobre o Barreiro, abordando diferentes temas, como a Olaria da Mata da Machada, a antiga Igreja do Lavradio, ou o seu mais recente trabalho: “Barreiro. O Lugar e a História. Séculos XIV a XVIII”. “Tenho estado a trabalhar na área da Cultura desde 95 e essas obras têm resultado da minha investigação e interesse por conhecer a história do Barreiro e acho que tenho tido sorte, porque tem havido interesse da parte da Câmara e de algumas juntas de freguesia em publicar o meu trabalho e estou agradecida, porque, no fundo, é o reconhecimento de que o meu trabalho tem algum valor.”

Projecto sobre os 150 anos dos caminhos-de-ferro no Barreiro

Quanto a próximos projectos, sublinha: “Os meus projectos estão sempre ligados ao meu trabalho na autarquia. Até agora tenho privilegiado o estudo do período anterior à Revolução Industrial. Mas já no ano passado trabalhei sobre o centenário da C.U.F, em que apresentei uma comunicação sobre a condição operária no Barreiro na primeira metade do século XX no Colóquio Internacional: ‘A industrialização em Portugal no século XX: O caso do Barreiro’. E agora estou responsável pela realização de uma exposição sobre os 150 anos do Caminho-de-ferro no Barreiro, no fundo a cultura ferroviária no Barreiro e esse acaba por ser um projecto muito interessante, pois o caminho-de-ferro, acaba por ser ainda um período histórico muito pouco conhecido, mas é algo que diz muito às pessoas, porque tem a ver com as raízes. Uma das identidades mais fortes que encontro no Barreiro é a identidade ferroviária e penso que é possível através da exposição, a autarquia realçar esse papel ferroviário que, afinal de contas, continua a ser tão importante para a vida do Barreiro e para o futuro do Barreiro.”

“Tenho a sorte de poder fazer aquilo que gosto, trabalhar sobre o Barreiro”

E é com prazer que diz fazer o seu trabalho. “É isto que gosto de fazer. Sinto-me muito realizada e grata por poder fazer este trabalho. Infelizmente nem todas as pessoas conseguem trabalhar na área para a qual se prepararam, eu tenho a sorte de poder fazer aquilo que gosto e gosto muito de trabalhar sobre o Barreiro.”

“Acho que é muito gratificante reconhecerem o nosso trabalho e reconhecerem que tem valor e é apreciado”

Quanto à distinção “Rosto do Ano Cultura 2008”, reage: “Naturalmente que fiquei agradada com essa distinção do ‘Rostos’. Acho que é muito gratificante reconhecerem o nosso trabalho e reconhecerem que tem valor e é apreciado. É um estímulo para continuar.”

Andreia Catarina Lopes

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