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Perspectivas

BarreiroFrancisco Gouveia – “Rosto do Ano Regional 2008”
“O que sinto é que fui apenas o líder de uma equipa”

USF do Lavradio deverá abrir no final de Julho

“Provavelmente o Agrupamento chega ao final do ano já com cinco USF”

Francisco Gouveia é chefe de Serviço de Medicina Geral e Familiar, com Mestrado em Gestão de Cuidados de Saúde e veio em 1980 para o Barreiro. O seu percurso profissional tem sido sempre no Barreiro como médico de família, tendo sido director do Centro de Saúde do Barreiro e do da Quinta da Lomba. Nos últimos dois anos tem assumido a função de director dos seis Centros de Saúde do Agrupamento de Centro de Saúde do Arco Ribeirinho, que comporta seis centros de saúde e quatro concelhos e desde Abril que assume o cargo de presidente do Conselho Clínico e integra há cerca de um ano a Missão dos Cuidados de Saúde Primários.

Face à distinção “Rosto do Ano Regional 2008”, reage: “Não estava à espera deste reconhecimento mas claro que me sinto muito satisfeito. Questiono-me, eventualmente, se aquilo que fiz, ao nível regional, mereceria essa distinção. Julgo que não fiz nada de transcendente. Trabalhei um bocadinho o processo com uma equipa muito grande de profissionais e, muito provavelmente, o que sinto é que fui apenas o líder de uma equipa."

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Barreiro Francisco Gouveia – “Rosto do Ano Regional 2008” “O que sinto é que fui apenas o líder de uma equipa”

Por Jornal Rostos

Sobre a reforma da Saúde, que passa pela criação dos Agrupamentos de Centro de Saúde (ACES) e das Unidades de Saúde Familiar (USF), e tendo em conta o seu andamento no distrito de Setúbal, o presidente do Conselho Clínico do Agrupamento de Centros de Saúde do Arco Ribeiro, Francisco Gouveia, comenta: ”É lógico que o que está em causa é uma mudança muito grande e julgo que o que se está a assistir é fruto de dois anos e meio de trabalho. E os Agrupamentos da Península de Setúbal estão muito à frente dos demais agrupamentos. Nós evoluímos muito, porque gastámos muitas horas em ‘brainstrorming’, a tentar inovar e criar e fomos caminhando e, neste momento, estamos num amadurecimento que a maioria dos agrupamentos ainda não tem. Criamos um ‘know how’ muito significativo. E o que nós gostávamos era que o exemplo de Setúbal e deste Agrupamento fosse pelo menos observado como algo que está testado. E o nosso papel agora é: ‘vender um pouco este conceito’. Nós inovámos, criámos. Olhem para o que fizemos e para os resultados. Estamos disponíveis para partilhar essa experiência e o nosso projecto”.

Criação dos Agrupamentos – permite a entrada de profissionais que estão indicados como sendo necessários

Sobre a criação, em Abril de 2008, dos ACES do Serviço Nacional de Saúde, Francisco Gouveia diz que veio responder a um conjunto de questões, ao que fala na necessidade de uma “horizontalização” da gestão dos Cuidados de Saúde Primários e da necessidade da introdução do conceito de Governação Clínica nesta área, que já era uma realidade para os cuidados hospitalares, uma ideia que diz ter “dez anos de existência na Grã-bretanha e que é o processo de melhoria contínua dos profissionais prestadores de cuidados”. Fala ainda de uma terceira ideia, que passa por “uma certa economia de escala”, feita nas estruturas de apoio à gestão, sendo elas: os Recursos Humanos, Aprovisionamento e Contabilidade, ao que fundamenta: “Num contexto nacional, em que é suposto haver alguma contenção de custos e redução de recursos, entendeu-se que, esses recursos e contenção não poderia ser feita nos profissionais prestadores de cuidados de saúde.” Uma contenção que se traduziu na agregação dessas áreas no mesmo local. “Isto foi feito com uma economia, poupou-se cerca de 60 por cento dos recursos apenas com esta agregação de áreas.” E que diz permitir: “que outros profissionais que estão indicados como sendo necessários nestas estruturas vêm a sua entrada facilitada, através dessa redução”, ao que fala de enfermeiros, técnicos de nutrição, psicólogos ou terapeutas da fala.

“Provavelmente chegamos ao final do ano já com cinco USF”

E quanto ao Agrupamento de Centro de Saúde do Arco Ribeirinho, que comporta seis centros de saúde e quatro concelhos, que são: Alcochete, Barreiro, Moita e Montijo, diz que se tinha até agora apenas uma USF, a da Quinta da Lomba: “provavelmente chegamos ao final do ano já com cinco USF”. Refere que a do Lavradio deverá abrir no final do mês de Julho e que durante o mês de Outubro é provável que abra, também no Barreiro, a USF Eça de Queirós, que era uma extensão de saúde. Fala também na “probabilidade” de em Outubro arrancar a do Vale da Amoreira, na Moita, e acrescenta: “depois há algumas esperanças que a Afonsoeiro, no Montijo, e Alcochete e mesmo Alhos Vedros, na Moita, possam apresentar a candidatura ainda este ano”, ao que comenta: “Se isto acontecesse, ficaríamos com 50 por cento do Agrupamento em USF, estamos a falar de quase 100 mil pessoas, nesta área, servida por USF”. E sobre essas unidades de saúde diz: “aqui claramente é um conceito diferente, é um conceito mais virado para a satisfação das necessidades básicas dos utentes”.

“Por cada USF que surja estamos a colmatar a necessidade de um médico”

Quanto a constrangimentos na área da saúde fala na falta de médicos de família, existido cerca de 23 por cento de utentes sem médico de família no concelho do Barreiro e considera que a criação das USF pode atenuar esse problema, ao que fundamenta: “Cada USF assume, no mínimo, a responsabilidade de aumentar a lista de utentes para 10 por cento, ou seja, uma USF como a do Lavradio que vai ter 12 mil utentes, se assumir mais 10 por cento, são cerca de mais 1400 utentes, no fundo é quase a lista de um médico, ou seja, supostamente por cada USF que surja estamos a colmatar a necessidade de um médico.”

“A melhoria que vão percepcionar é provavelmente daqui a um ano ou dois, quando vão ter mais técnicos nos Centros de Saúde do que tinham no passado”

E tendo em conta essa falta de médicos de família, sublinha que nos Agrupamentos: “Deixa-se de ter os quadros clássicos dos centros de saúde para ter um mapa único do Agrupamento com 500 profissionais, que são desta área toda. E sendo recursos escassos, é uma forma de os rentabilizar. Uma pessoa que venha neste momento trabalhar para aqui, vem para o Agrupamento Arco Ribeirinho”. Para os utentes, entende que “a melhoria que vão percepcionar é provavelmente daqui a um ano ou dois, quando vão ter mais técnicos nos Centros de Saúde do que tinham no passado”. E chama a atenção para os resultados da “Monitorização da satisfação dos utilizadores das Unidades de Saúde Familiar", realizada pela Universidade de Coimbra, que conclui que 73 por cento dos utentes estão satisfeitos com esse novo serviço. “A percepção dos utentes é que estão melhor do que estavam”, realça.

“Como defendia muito esta reforma, entendi que havia mais sentido continuar na Missão do que como Director Executivo”

Sublinhando que “por opção” não quis assumir o cargo de director Executivo do Agrupamento, tendo assumido durante dois anos e meio o cargo de director dos seis centros de saúde “para preparar este caminho”e desde Abril que é presidente do Conselho Clínico, fundamenta: “A minha opção foi ficar com a parte clínica e deixar a parte executiva para outra pessoa com outro perfil” e acrescenta: “O que teve a ver com o facto de, nesta fase, liderar aquilo que esperamos que seja a grande mais-valia para o projecto, que é a introdução neste agrupamento da Governação Clínica.” Há cerca de um ano foi também convidado para a Missão dos Cuidados de Saúde Primários “onde tenho o pelouro dos agrupamentos”, sublinha e adianta: “um pouco fruto da experiência conseguida aqui no meu Agrupamento e também por isso, como quis continuar também na Missão, não estaria disponível para ser Director Executivo. Como defendia muito esta reforma e achava que a reforma precisava também do meu pequeno contributo, entendi que havia mais sentido continuar na Missão do que como Director Executivo.”

“O que sinto é que fui apenas o líder de uma equipa”

Face à distinção “Rosto do Ano Regional 2008”, reage: “Não estava à espera deste reconhecimento mas claro que me sinto muito satisfeito com essa distinção. Questiono-me, eventualmente, se aquilo que fiz, ao nível regional, mereceria essa distinção. Julgo que não fiz nada de transcendente. Trabalhei um bocadinho o processo com uma equipa muito grande de profissionais e, muito provavelmente, o que sinto é que fui apenas o líder de uma equipa. Se tiver de ser atribuído algum mérito, é por ter sabido liderar uma equipa, porque isto que foi feito, foi com muitas pessoas que aceitaram este desafio.”

Andreia Catarina Lopes

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