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Perspectivas

Joel Hasse Ferreira, eurodeputado - SetúbalAs duas duplas candidaturas nas Europeias prejudicaram bastante

. Aprovação do Tratado de Lisboa seria um avanço muito grande

. Devia haver ao nível da fiscalidade solidariedade dos países onde se ganha mais com aqueles onde se ganha menos

. Precisamos de um sistema mais integrado na coordenação de políticas económicas

Joel Hasse Ferreira, eurodeputado do Partido Socialista, aquele que foi nos últimos quatro anos o “rosto” do Distrito de Setúbal no Parlamento Europeu, finda hoje o seu mandato.
Em breve diálogo com “Rostos” salienta que – “Valeu a pena” e que foram quatro anos de trabalho – “invulgarmente interessante”.

“Se tivéssemos uma coordenação séria das políticas económicas, se tivéssemos uma supervisão financeira mais eficaz, uma parte dos efeitos desta crise tinham-se esbatido mais rapidamente.” – sublinha Joel Hasse Ferreira.

6 min de leitura
Joel Hasse Ferreira, eurodeputado - Setúbal As duas duplas candidaturas nas Europeias prejudicaram bastante

Por Jornal Rostos

Joel Hasse Ferreira, eurodeputado, ocupava o 9º lugar na lista de candidatos do Partido Socialista ao Parlamento Europeu, não tendo sido eleito.
O eurodeputado socialista finda hoje o seu mandato.
Numa breve conversa com Joel Hasse Ferreira, perguntámos-lhe que recordações trás desta sua experiência de eurodeputado.

Fiz um trabalho muito interessante

“As recordações que vou trazer do Parlamento são boas, fiz um trabalho muito interessante.
Tive uma grande abertura da parte de colegas, funcionários, organizações sociais, organizações sindicais, organizações económicas, de embaixadas de vários países, por tanto, foi um trabalho muito activo, com coisas muito interessantes, em várias áreas, no Mercado Interno, na Defesa dos Consumidores, no Emprego, nos Assuntos Sociais, nas Políticas Científicas e Tecnológicas, nas relações com os países nas fronteiras da Europa, como a Turquia, a Rússia, os países do Mediterrâneo.
Foi um trabalho invulgarmente interessante, que realizei durante estes quatro ano e quatro meses.”- salientou Joel Hasse Ferreira.

Duas duplas candidaturas prejudicaram bastante

Comentado os resultados eleitorais das recentes eleições europeias, Joel Hasse Ferreira salienta que - “Os resultados eleitorais têm três razões.
Em primeiro lugar, a maneira como foi feita a lista, integrando duas duplas candidaturas, que nos prejudicou bastante, especialmente a do Porto.
Em segundo lugar, há algum descontentamento, nalguns grupos sociais, que foi claramente visível, como no caso dos professores.
Na Saúde não há agora descontentamento, mas não foi bem recebida, sendo uma pessoa de grande categoria, mas criou um mau ambiente no sector, o antigo Ministro da Saúde.
Depois, levantaram-se temas que não vinham a propósito, que não se explicaram suficientemente bem, como foi a questão dos impostos.
Considero que não fomos suficientemente claros, na passagem da mensagem e, também, que não tirámos partido, do trabalho feito.
A nossa lista tinha uma maioria de pessoas que estavam a trabalhar, em geral bem ou muito bem, e não se tirou partido disso, não se explicou às pessoas o que se estava a fazer, enquanto Ilda Figueiredo tirou partido disso.
O PSD e o CDS não podiam, nem o Bloco, que não fizeram nada lá, a não ser reportagens – o que é apenas interessante.
Nós não tirámos partido do trabalho que fizemos no Parlamento Europeu.
Portanto, juntando algum descontentamento de grupos sociais, com a maneira como a campanha foi feita, de facto, tudo isso, conduziu a este resultado”.

Reflectir sobre a Europa no final da primeira década deste milénio

E agora? – perguntámos. Joel sorriu e disse . “Bom, penso tirar partido da experiência que ganhei ali, vou manter-me em contacto com uma série de colegas, e, estou a pensar editar, um conjunto de textos de intervenções que eu fiz, sobre dossier’s, em que trabalhei. Trabalhei em 25 dossier’s do Parlamento Europeu.
Pediram-me também, já, se organizava um conjunto de textos sobre a realidade da Europa actual, estes serão textos de reflexão.
Uns são textos de testemunho, de Relatório sobre aquilo que fiz em quatro anos.
Outros, serão uma coisa mais organizada, de textos que possam interessar ao cidadão comum, independentemente da minha perspectiva.
Serão textos para reflectir sobre o ponto em que está a Europa, no final da primeira década deste milénio.”

Devia haver solidariedade na fiscalidade

A Europa vai caminhar para uma Federação, ou não? – perguntámos.
“Acho que já há elementos federativos ou federais, na estrutura europeia, por exemplo, ao nível da moeda.
Mas, acho que o processo vai ser lento. Há muitas resistências, por isso, penso que durante algum tempo vamos manter este modelo misto, eventualmente, reforçando alguns elementos federais, ao nível da decisão, mantendo alguns elementos intergovernamentais, como é o caso da fiscalidade.
Nesta área, considero que se deveria avançar com alguma integração ao nível da fiscalidade, mas, explicando que essa integração parcial da fiscalidade, seria para beneficiar os cidadãos e as cidadãs dos países onde se ganha menos, com o objectivo de haver uma solidariedade dos países onde se ganha mais, como a Alemanha, a Suécia e a Dinamarca, portanto, fazer-se uma maior equidade fiscal que não existe.”

Sistema mais integrado na coordenação de políticas económicas

Joel Hasse Ferreira, acrescentou – “Penso que vai ser um progresso lento. São 27 estados membros, com 23 línguas, com culturas diferentes. Amanhã poderemos ser 30.
Temos que ter cuidado, ir avançando com calma.
Penso que precisamos de um sistema mais integrado na coordenação de políticas económicas.
Se tivéssemos uma coordenação séria das políticas económicas, se tivéssemos uma supervisão financeira mais eficaz, uma parte dos efeitos desta crise tinham-se esbatido mais rapidamente.”

Não podemos só confiar que o mercado resolva

É preciso que os políticos tenham mais intervenção na Europa? - perguntámos
“Sim, é preciso, e que não deixem que sejam os grupos financeiros, alguns dos quais têm gente que não é de confiança a decidir.
O que é difícil para o sector político é descobrir no sector financeiro quais são as pessoas que são de confiança e os que não são.
Mesmo no nosso próprio país. Eu não vou dizer os nomes, mas no caso dos Bancos com problemas, eu sabia, e estou espantado que haja gente que diga que não sabia, de situações, e, noutros casos, para mim foi uma surpresa completa.
Em cada país sabe-se isso, mais ou menos, mas em tudo isso, é que é preciso ter cuidado.
Portanto, é necessário sanear e limpar o sistema financeiro.
Não podemos só confiar que o mercado resolva. O Mercado não resolve. O Estado tem que intervir, os poderes públicos têm que intervir, se não, não valia a pena haver eleições e deixávamos tudo ao Mercado”.

Tratado de Lisboa seria um avanço muito grande

Joel Hasse Ferreira que, hoje, se despede do Parlamento Europeu, comentou ainda a finalizar esta nossa breve conversa, que - “Considero que a Europa tem pernas para andar, mas é preciso tirar algumas teias que estão nas pernas.
Espero que os Irlandeses votem a favor do Tratado de Lisboa que isso seria um avanço muito grande.”

S.P.

Nota da Redacção – O jornal “Rostos” agradece toda a disponibilidade, envio de informação e cooperação jornalística que Joel Hasse Ferreira e sua equipa, manteve connosco, com muita regularidade.

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