João Pintassilgo, Presidente do Conselho de Administração da TranstejoEnquanto houver rio, haverá sempre necessidade de existir uma Transtejo
. Com a construção da Terceira Travessia do Tejo na linha Barreiro- Lisboa o número de passageiros cairá para metade daquilo que é hoje
. Investimento que rondará os 23 milhões de euros para substituir a frota de cacilheiros adiado para 2011
João Pintassilgo, Presidente do Conselho de Administração da Transtejo, numa entrevista ao jornal “Rostos” defende – “uma maior coordenação de tudo o que é transporte público, na AML, de forma a termos um sistema integrado de transportes públicos.”
Por outro lado sublinha que a SOFLUSA tem que ser integrada na Transtejo – “é a única forma que existe de optimizar recursos, sejam eles materiais, sejam humanos, que será uma das formas de tornar mais eficaz e mais eficiente o transporte fluvial”.

Por Jornal Rostos
João Pintassilgo, Presidente do Conselho de Administração da Transtejo, função que assume desde Junho de 2008, numa entrevista ao jornal “Rostos” sublinha que, nesta fase final do seu mandato – “o balanço que se pode fazer é que foi feita muita coisa, apesar de não ter feito tudo aquilo que desejava”.
Transporte público um transporte sustentado
Referiu que – “a nossa preocupação tem sido de preparar a Tanstejo e a SOFLUSA, que hoje designamos tecnicamente por Grupo Transtejo, enquanto empresa de transporte fluvial na Àrea Metropolitana de Lisboa, prepara-lá para o grande desafio que, nos dias de hoje, todos nós enfrentamos, que é de tornar o transporte público, num transporte sustentado.”
João Pintassilgo salienta que o desafio do transporte público, nomeadamente o transporte fluvial, será conseguir – “capturar ao transporte individual, cada vez um maior número de passageiros”.
Sublinha que – “esta é uma preocupação que a Transtejo tem, e, tem feito tudo o que tem sido possível, consideramos com algum êxito,” para atingir esse objectivo.
Sistema integrado de transportes públicos na AML
O Administrador da Transtejo refere as preocupações que a empresa tem mantido na sensibilização das próprias autoridades na área dos transportes, nomeadamente da Autoridade dos Transportes de Lisboa, alertando para a importância de existir – “uma maior coordenação de tudo o que é transporte público, na AML, de forma a termos um sistema integrado de transportes públicos.”
“A Transtejo, naturalmente, tendo consciência da sua quota parte no sistema, tem perfeita noção da sua importância, neste trajecto de transporte pendular, que é um transporte urbano, com características quase suburbano, relativamente aos transportes.” – sublinha João Pintassilgo.
SOFLUSA integrada na Transtejo
O Administrador da Transtejo salienta que para atingir os objectivos, enquanto gestor da empresa colocou a necessidade da empresa se transformar.
“Um grande objectivo que tínhamos, no inicio do mandato e que neste momento, pelas informações que temos estão a resultar, perspectivando-se a defesa da nossa posição e das propostas que fomos apresentando ao longo do tempo, ao accionista, que vão no sentido de efectivamente a SOFLUSA ser integrada na Transtejo – sermos uma empresa única.”
“Esta é a única forma que existe de optimizar recursos, sejam eles materiais, sejam humanos, que será uma das formas de tornar mais eficaz e mais eficiente o transporte fluvial.
Esperemos que se concretize a curto prazo, não posso garantir que seja, ainda no actual mandato, mas foram dados e estão a ser dados passos importantes, nesse sentido.” – sublinha João Pintassilgo.
Gestão integrada de frota e de recursos humanos
Recorda que o transporte fluvial, que vai desde a Trafaria ao Montijo, utiliza uma frota de 34 navios, de características bastantes diferentes.
“Temos que uniformizar tanto quanto possível os meios, para tornar o transporte fluvial cada vez mais eficiente.
Temos que ter uma gestão integrada, fundamentalmente de frota e de recursos humanos.
Ao nível da Directoria, hoje, na verdade, já está muita coisa uniformizada, ao nível das Direcções elas já são comuns, na administração das duas empresas, mas, há alguns serviços que são distintos, nomeadamente ao nível do transporte marítimo, ao nível dos tripulantes, até por força da legislação.
Por isso, enquanto existirem duas empresas, não as podemos gerir de forma indiferenciada” – refere Presidente do Conselho de Administração da Transtejo .
Passos significativos ao nível da modernização
João Pintassilgo, acrescenta que a empresa tem vindo a dar passos significativos ao nível da sua modernização.
Referiu a concretização de projectos que estão em curso, embora, salientou, - “dificilmente, alguns deles estarão concluídos no final deste mandato, porque são projectos de implementação de um sistema de gestão ambiental, que tem por trás de si a criação de condições internas, para que toda a empresa tenha mais em atenção na preservação do meio que a Transtejo utiliza, evitando a poluição no meio hídrico – o Tejo.”
João Pintassilgo salienta que – “isto passa, naturalmente, por mudanças de comportamento de toda a estrutura da empresa.
Passa por uniformizar, alguns sistemas de gestão interna, nomeadamente ao nível de plataformas informáticas.”
Modernização da frota
O Presidente do Conselho de Administração da Transtejo, salientou, igualmente que a modernização – “passa pela modernização da frota, e, neste momento temos em curso a construção de dois «ferrys» que vêem substituir navios de 50 anos e que vêem dar outra flexibilidade à frota da Transtejo.”
Recordou que a renovação da frota contribui para – “dar mais garantias às obrigações públicas que a Transtejo”, nomeadamente, “ter de garantir o transporte de pesado entre as duas margens em situações de emergência, nomeadamente, no caso de bloqueio das pontes”.
Cumprir obrigações de serviço público
Interrogámos se, perante a descida do número de passageiros de veículos, é justificável o investimento nos novos «ferrys».
“Justifica-se mais não seja para que a empresa cumpra as suas obrigações de serviço público: garantir os transportes dos veículos que não podem, por lei, transitar nas pontes, - tipo motociclos – e, por outro lado, também garantir o transporte de meios pesados entre as margens, caso de veículos pesados, em caso de obstrução das pontes, em caso de qualquer problema que bloqueio as pontes sobre o Tejo.”
Aumento de passageiros de veículos
João Pintassilgo, refere que – “a redução de passageiros ao nível de veículos, grande parte, derivou da necessidade que a Transtejo teve de desviar o seu terminal de Lisboa, do Cais Sodré para Belém, sendo esse um trajecto nada apetecível, levou a uma redução substancial”.
“Neste momento, já temos o trajecto, novamente, no Cais do Sodré e, verifica-se que tem vindo na crescer de forma significativa o aumento de passageiros de veículos” - sublinha.
“Neste momento, se nós tivéssemos uma maior capacidade de oferta, e, esperamos pela vinda de dois novos «ferrys», aumentar essa oferta, teríamos procura suficiente para essa oferta.
Aumentou o número de passageiros de veículos e, também, temos situações de pico, sempre que há acidentes na ponte, ou por qualquer motivo o trânsito é interrompido. Regista-se sempre nestes casos uma procura substancial.” – refere João Pintassilgo.
Transitam 60 mil passageiros/dia no Rio Tejo
O Presidente do Conselho de Administração da Transtejo, refere que no número de passageiros, desde o ano 2000, ocorreu uma descida significativa, até 2007.
Em 2008 recuperou-se o número de passageiros, mantendo-se estável em 2009.
São transportados na ordem dos 28 a 29 milhões de passageiros por ano pela Transtejo.
“Em 2010, estamos a assistir novamente a um pequeno crescimento da procura ao nível dos passageiros” – sublinha João Pintassilgo.
De referir que, diariamente, em média, no Cais do Sodré, transitam de 44 a 46 mil passageiros/dia.
Enquanto, na linha do Barreiro esse valor rondará os 20 mil passageiros/dia.
No conjunto transitam para cima de 60 mil passageiros/ dia no Rio Tejo.
Recuperar cerca de 8% dos passageiros que perdemos
João Pintassilgo sublinha que “há um potencial na procura”, nomeadamente, “tentando capturar passageiros que se desviaram para o transporte pesado”, devido ao demasiado tempo que levaram as obras do Metro Sul do Tejo, no concelho de Almada.
“Temos dados que nos permitem concluir, que, quando retomarmos a Carreira de Cacilhas para o Terreiro do Paço, poderemos vir a recuperar cerca de 8% dos passageiros que perdemos, por ser um trajecto apetecível, pelo facto de existir hoje, no Terreiro do Paço, uma linha de Metro.” - sublinha.
Existe um potencial de procura significativo
O Presidente do Conselho de Administração da Transtejo, está convicto que – “existe um potencial de procura significativo”.
“Naturalmente que estamos atentos a outros fenómenos, nomeadamente a construção da Terceira Travessia do Tejo.
Temos dados que permitem prever que a linha Barreiro – Lisboa cairá para metade do número de passageiros daquilo que é hoje” – sublinha.
“A Transtejo enquanto empresa de transporte social, tem que se preparar para todos os desafios que tem, quer nos dias de hoje, ou que venha a ter no futuro.
A empresa deve apostar na consolidação do transporte público fluvial, no futuro, através da sua reorganização e na sua reestruturação.
A empresa tem que garantir a sua viabilidade e, tanto quanto possível, garantir os postos de trabalho.
Naturalmente, para isso, deve ir à procura de outras carreiras alternativas, que sejam apetecíveis.
Isto passa muito pelo desenvolvimento do Arco Ribeirinho Sul e, naturalmente, de alguma forma, também pela revitalização da zona ribeirinha da margem norte, com algumas actividades que aqui têm vindo a ser desenvolvidas.” – salienta João Pintassilgo.
Adiar para 2011 o investimento de reconversão da frota
João Pintassilgo, refere que está em curso um processo que visa a reconversão da frota.
“Temos neste momento, em fase final de estudo, um projecto de inicio de renovação da frota de cacilheiros.
É um projecto que tínhamos intenção iniciar em 2010, mas, face à situação que se vive actualmente, nomeadamente no que está previsto a limitações de endividamento, por via do PEC, vamos adiar, no mínimo para 2011, é um compromisso que a Transtejo já assumiu perante a sua tutela, essa possibilidade de adiar esse investimento.” – sublinha.
Este é um investimento que rondará os 23 milhões de euros, destinado à construção de quatro unidades, para substituir a frota de cacilheiros.
“A intenção é ser uma renovação progressiva. Eventualmente, apostando numa tipologia de embarcação que poderá vir a tornar-se como alternativa, e, que, venha permitir substituir a prazo o tipo de frota que temos, dos chamados catamarans – que ligam ao Barreiro e Seixal - que já caminham para o seu términus de vida útil” – salienta João Pintassilgo .
Desafios de hoje e os desafios do futuro
Perguntámos se neste fim de mandato sentia-se satisfeito com os resultados.
“Sinto-me satisfeito porque, de facto, penso que a empresa fica melhor que estava quando foi iniciado o meu mandato.
Estou cá desde 2005, nessa altura como Vogal da Administração.
Existe um trabalho que se iniciou em 2005, baseado na análise das necessidades da empresa, visando desenvolver um projecto que permita ao Grupo Transtejo transformar-se e encontrar respostas aos desafios de hoje e os desafios do futuro.” – refere.
Haverá necessidade sempre de existir uma Transtejo
Perguntámos – A Transtejo corre risco no futuro?
“Enquanto houver rio, haverá transporte fluvial, se ele é público ou de lazer, isso a procura o dirá, haverá necessidade sempre de existir uma Transtejo, a sua dimensão é poderá ser outra” – sublinha.
E a seguir, vai continuar um novo mandato ? – “Aguarda-se calma e serenamente”- referiu com um sorriso.
S.P.













