Nuno Santa Clara Gomes, vereador independente«Estou aqui para trabalhar pelo Barreiro»
O nosso convidado para um almoço no Restaurante «Emporio do Paladar» foi Nuno Santa Clara Gomes, vereador independente, que foi candidato à presidência da Câmara Municipal do Barreiro pelo Partido Socialista.
“Quando se falava na hipótese de perder, eu respondia : Estou aqui para trabalhar pelo Barreiro. Foi essa minha postura, trabalhar e contribuir activamente, sublinho activamente, para o Barreiro” – sublinhou o autarca.

Por Jornal Rostos
Nuno Santa Clara Gomes, nas últimas eleições autárquicas, foi convidado para ser o candidato à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro, não tendo conquistado a presidência da autarquia, assumiu a sua função de vereador.
No almoço com o jornal «Rostos» falámos da sua acção politica e dos seus pelouros.
Aqui, hoje, registamos uma abordagem da sua posição politica e opções de participação no Executivo Municipal.
Não tenho militância partidária
Nuno Santa Clara Gomes, reformado das Forças Armadas, recorda que “não tinha nenhuma militância partidária e ainda hoje não tenho”, no entanto, quer pela sua actividade ao nível da Associação dos Deficientes das Forças Armadas, que como militar que deu o seu contributo para a Revolução do 25 de Abril, quando lhe foi formulado o convite para se candidatar – “pela minha experiência achei, até pelo saber acumulado na área da Administração Pública e nas áreas associativas, que devia aceitar, consciente que, fosse eleito, ou não, a minha vida iria modificar-se”.
Tinha alguma coisa a dar ao Barreiro
“O que acabei por fazer, foi concretizar aquilo que disse na minha campanha eleitoral.
Achei que tinha alguma coisa a dar ao Barreiro, por duas razões, por aquela ideia romântica que se tinha do Barreiro, que pesava no ideário de qualquer português, na sua resistência a Salazar e Caetano. Era uma terra mítica para mim e continua a ser, uma terra com uma história carregada de lutas e de trabalho.
E, por outro lado, pela minha ligação sentimental ao Barreiro. A minha mulher é de cá, portanto, achava que devia contribuir, e, foi isso que fez aceitar este desafio”.
Sou pelo Socialismo Democrático
Perguntámos se estava convencido que ia ser eleito presidente da Câmara – “De partida não, porque não tinha uma experiência anterior, estava completamente longe de sondagens, nunca me motivaram sondagens ou pesquisas de opinião, queria simplesmente dar a cara por alguma coisa em que se acredita, dentro da minha área que, digo, sempre foi a área do Socialismo Democrático, devia dar o meu contributo”.
“Quanto às possibilidades de eleição, como sabe, nós tivemos três eleições consecutivas, com variações bastante grandes no eleitorado – Europeias, Legislativas e Autárquicas – e, colocava-se a hipótese de ganhar, perante os resultados das Legislativas. Isso não aconteceu. Talvez, eu não fosse o candidato mais bem colocado para conseguir a vitória. Mas, digo-lhe, foi um desafio, mas, não estou arrependido de ter aceite este desafio. O importante para mim, mais que ser eleito, é tomar parte activa e participar na vida do Barreiro”.
Sempre disse que aceitava pelouros
Como foi esse processo de aceitar ou não aceitar pelouros? – perguntámos.
“Basta voltar atrás e ver o que está escrito sobre isso, será um pouco fazer a história recente, mas mesmo recente é sempre história.
Durante toda a campanha eu disse que aceitaria pelouros, no caso de não ser eleito presidente.
Quando se falava na hipótese de perder, eu respondia : Estou aqui para trabalhar pelo Barreiro. Foi essa minha postura, trabalhar e contribuir activamente, sublinho activamente, para o Barreiro.
E, portanto, depois das eleições, realizaram-se uma série de reuniões, ao nível do Partido Socialista, onde a decisão sobre os pelouros foi sempre protelada, protelada.
Notei, que da parte da Coligação eleita, a oferta estava a diminuir e considerei que era a altura exacta de tomar a decisão, que foi essa que tomei, de aceitar pelouros.
Devo dizer, que não estou arrependido de ter tomado essa decisão, porque se o meu compromisso era trabalhar pelo Barreiro, para mim trabalhar pelo Barreiro é meter a mão na massa, e não meter-me numa espécie de ermitério, a expurgar culpas que não tenho.”
PS será sempre a minha opção
Aceitou pelouro e passou à condição de independente?
“Independente sempre fui, porque não sou militante do Partido Socialista. Mas, a minha área politica é do Socialismo Democrático, logicamente o Partido Socialista é e será, sempre foi, a minha opção partidária. E não vou agora estar a mudar.
Não me vou colocar na posição daquela pessoa que deixa de acreditar em Deus, por culpa do Padre. Não é essa a minha postura”.
Continuam a ser meus companheiros de rota
Como tem gerido essa sua posição de vereador independente na relação com os socialistas, seus antigos companheiros de rota?
“Eu não lhes chamava antigos companheiros de rota, porque, nós podemos ter divergências, mas para mim, considero que continuam a ser os meus companheiros de rota.
Considero, desde que se esteja a trabalhar para o futuro do Barreiro, na óptica do Socialismo Democrático, e, por tudo aquilo que é importante fazer em prol desta terra, e do país em geral, isso vê-se naquilo que têm sido as minhas tomadas de posições públicas, nessa acção a minha área politicas continua a ser a mesma: o socialismo democrático”.
Não noto hostilidade do PS
Mas como tem sido a sua relação com o Partido Socialista?
“Pela minha parte tenho evitado todo e qualquer conflito. Embora volta e meia aparecem umas questões ou outras.
Mas o PS considera-o uma persona non grata?
“Isso pergunte ao PS. Não sei se me consideram uma persona non grata, sei que já fui alvo de algumas criticas, por parte de alguns militantes do Partido Socialista, mas, daí a sentir hostilidade do Partido Socialista, isso não, porque, nas bases do PS, nomeadamente das pessoas que votaram em mim, não noto qualquer espécie de hostilidade”.
Presidente é um humanista
Como é a sua relação com o Presidente da Câmara?
“São as relações institucionais. E, devo dizer, que registo uma abordagem dos problemas de uma forma humanista, que me agrada bastante.
É evidente que temos pontos de divergência, mas seria se assim não fosse, então não havia democracia.
Há posições que posso contestar. Há algumas decisões que posso não estar de acordo.
E, isso, até para evitar o diz-se e não diz-se, tenho tido sempre a possibilidade de o expressar por escrito ao nível da Câmara”.
Avalio Carlos Humberto como José Sócrates
Como avalia o trabalho do Presidente da Câmara? Que nota lhe dá? – perguntámos.
“A nota que lhe dava, era uma nota parecida com aquela que estou a dar ao Primeiro Ministro.
Há muita coisa que ele faz que não estou de acordo, mas tenho dificuldades em saber como podia fazer melhor, na actual conjuntura, para em relação ao presidente da Câmara é um problema parecido: ou seja, sem haver meios qual é a margem de manobra.
Porque, quer um, quer outro, não têm grande margem de manobra.”
Está a comparar José Sócrates a Carlos Humberto?
“Eles vão ficar ambos ofendidos. Mas, insisto, na avaliação da margem de manobra que cada um deles tem, porque é bastante reduzida”.
Não volto a ser candidato
Vai ser candidato nas próximas eleições autárquicas?
“Já disse rotundamente que não. Não. Já escrevi, até porque nem tenho espaço político”.
E se a CDU o convidasse?
“Quem? Não. O meu espaço politico não é a CDU”.
Ficamos por aqui, voltaremos com a análise do trabalho realizado nos pelouros que Nuno Santa Clara Gomes está a gerir no quotidiano da nossa cidade – Cemitérios e Mercados.
SP













