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Perspectivas

Filipa Fonseca Silva«Tenho um sentimento muito grande de pertença ao Barreiro»

“Neste romance procuro avaliar as expectativas de uma geração, e, sublinhar que aos 30 não é nada como sonhámos” – salienta Filipa Fonseca Silva, numa entrevista ao Rostos, a propósito do lançamento do seu primeiro romance «Os 30 – Nada é como sonhámos».

“O Barreiro é um sítio diferente na margem sul. É único, por estarmos aqui nesta língua de terra, e, penso que somos uma terra com uma cultura própria, que tem uma identidade muito forte” - refere.

9 min de leitura
Filipa Fonseca Silva «Tenho um sentimento muito grande de pertença ao Barreiro»

Por Jornal Rostos

Filipa Fonseca Silva, nasceu a 1 de Junho de 1979, no Barreiro, frequentou a Escola Básica nº 2 do Barreiro e posteriormente a Escola Secundária Alfredo da Silva.
Após o Ensino Secundário ingressou na Universidade Católica onde concluiu a Licenciatura de Comunicação Social.
O Barreiro foi a cidade onde cresceu e cultivou amizades, expressando, com um sorriso, um forte sentimento pelas suas origens.
“Sempre me considerei uma barreirense de alma, apesar de já não viver cá, no Barreiro, há seis anos” – sublinha.

Cresci rodeada de livros

Na nossa conversa interrogámos como surgiu o seu gosto pela escrita, Filipa Fonseca Silva, sublinhou que foi influenciada pela sua mãe que sempre foi uma grande leitora
“Foi desde sempre. Eu ainda não sabia ler e já gostava de fazer riscos. Desde pequenina estive sempre rodeada de livros. Assim que aprendi a escrever, comecei a escrever pequenos contos. Adorava, sempre adorei as aulas de português. Escrever composições. Escrever faz parte de mim, sempre fez parte de mim desde os meus 7 anos” – recorda.

Partilhar a vida com a Professora do Ensino Primário

Filipa recorda a sua professora Libertina, do Ensino Primária – “era uma professora da velha guarda, no sentido da exigência, e, um ser humano extraordinário, super carinhosa, de quem guardo muitas recordações, e, ainda hoje troco cartas com ela, desde sempre, vou partilhando com a professora Tina a minha vida, ela conta-me a vida dela. É uma relação que mantemos há 20 e tal anos, sempre a escrever uma para a outra”.

O meu primeiro romance a sério

Filipa Fonseca Silva, refere que escreveu artigos na imprensa local, nomeadamente no Jornal do Barreiro. Mantém activo um blogue – “onde vou escrevendo umas pequenas crónicas”.
“Este é o meu primeiro romance a sério. Sempre quis escrever um livro. Foi um sonho que sempre tive.
Até há pouco tempo pensava, sobre o que poderia escrever. Como sou leitora assídua e adoro ler, sempre achei que um dia que escrevesse um livro teria que ser quando tivesse algo de relevante para dizer às pessoas, não era só escrever por escrever. Para escrever para mim escrevo no meu blogue, ou no meu diário, mas, para escrever um livro que fosse publicado, sempre achei que deveria ser um tema interessante, com uma razão forte para o fazer ” – sublinha.

Um modelo ultrapassado

“Há uns dois anos, comecei a aperceber-me, que há um sentimento nas pessoas, por volta dos 30 e poucos anos, porque esta é uma idade, onde, é suposto estar casado, ter um filho, porque há aquela questão social, um modelo – trabalha-se, casa-se, tem-se um filho.
Na minha geração, agora com 30, esse modelo começa a estar ultrapassado, embora ainda haja essa questão social, nomeadamente por parte dos pais e das pessoas mais velhas, que perguntam: «Então ainda não casaste? Quando é que tens um filho? Quando temos um neto?».
A minha geração sobre tudo isso vive mais despreocupada. A maioria dos meus amigos não são casados, nem vão casar tão cedo, alguns nem vão casar, embora vivam juntos.
O casamento já não é aquela instituição. Há muita gente que adia a maternidade e a paternidade. Os filhos são adiados para os 30 e tal anos.” – sublinha Filipa Silva Fonseca, referenciando que foi esta realidade que deu o mote para o seu romance.

Geração dos 30 - um sentimento universal

“Sabe, nós temos um grupo de amigos, mas, a partir do 20 e tal anos, cada um de nós começa a seguir por caminhos diferentes. Por vezes, muitos dos amigos que nós tínhamos aos 20 e poucos anos, quando chegamos aos 30, com alguns deles temos pouco a ver, temos poucas coisas que nos unam, porque cada um foi por um caminho diferente.
É também, um pouco disso que o meu livro fala, os amigos que se juntam ao fim de uns anos, e, sentem, que têm perspectivas de vida diferentes, com formas de vida diferentes.
Notei que esse é um sentimento universal, não é só da minha geração em Portugal, mas que senti isso com amigos estrangeiros.” – refere.

Todas as personagens têm um bocadinho de mim

“Neste romance procuro avaliar as expectativas de uma geração, e, sublinhar que aos 30 não é nada como sonhámos.
Nós imaginávamos que aos 30 tínhamos a casa assim, o carro assado…
O livro não é autobiográfico, mas todas as personagens têm, como é óbvio, um bocadinho de mim, apesar de serem muito diferentes e uma personagem ser um homem.
Todas as personagens têm um bocadinho de mim, de pessoas que conheci, de amigos de amigos, porque o romance, mesmo sendo como é óbvio ficção, baseia-se em factos reais, em situações que podiam ter acontecido.
As pessoas ao ler o livro vão, certamente, identificar pessoas que conhecem e situações reais.” – salienta Filipa Fonseca Silva.

Não se prendam aos preconceitos

Filipa Fonseca Silva, refere que, com este seu romance quer deixar uma mensagem à sua geração – “que não se prendam aos preconceitos, nem ao que os outros esperam deles, mas, que vivam as suas próprias vidas, e, ao viver, que tentem ser felizes, com todos os acontecimentos que lhes surgem pela frente.
Não fiquem a pensar que falharam porque não têm um emprego de sonho, ou que falharam porque não encontraram a pessoa certa para estar até ao resto da vida, afinal, devem pensar que a vida não é nada como sonhámos, mas, muitas vezes é melhor que isso” – sublinha.

Entre o Jornalismo e a Publicidade

Filipa, na nossa conversa referiu que sendo uma leitora assídua tem muitas referências, nomeadamente – “Eça de Queirós, este é o meu escritor preferido, e, José Saramago, são os meus dois autores portugueses, para além de Fernando Pessoa”.
De escritores estrangeiros expressou a sua paixão pela literarura latino-americana - Gabriel Garcia Marques, Isabel Allende, para além dos clássicos como Dostoievski – “que adoro”.
“O jornalismo hoje está posto de lado, apesar de inicialmente estar convencida que gostava de ser jornalista. Achei que a Publicidade tem mais a ver comigo” – refere.
Hoje é redactora criativa na empresa Euro rscg.

O jornal «I» abriu a porta ao sonho

Filipa Fonseca Silva, recorda que escrever o seu romance foi um desafio, procurando conciliar a sua actividade profissional criativa e a produção do seu livro.
Durante dois anos foi produzindo a ideia do romance, depois, em seis meses, passou à sua construção.
Escrito o romance começou à procura de editora, enviou o projecto para diversas editoras – “a maioria não respondeu, acho que é o normal, infelizmente, no nosso país”.
Recorda que um dia, leu uma entrevista no jornal «I», com Maria do Rosário Pedreira, que tem uma preocupação especial na procura de novos autores portugueses.
“Ela dizia nessa entrevista que lia todos os manuscritos que lhe chegavam, pelo menos até à página 20, porque ficava a saber se valia a pena ler o resto, ou não. Escrevi-lhe uma carta a dizer, está aqui o meu livro, e, espero que passe da página 20.
Ela passou e gostou. Passados uns meses contactou-me a dizer que queria publicar.
Essa notícia foi uma grande emoção, sobretudo por ser quem é – a Maria do Rosário Pedreira, que já descobriu muitos novos talentos, sendo uma editora muito conceituada e muito exigente.” – sublinhou.

Uma sessão de lançamento no Barreiro

“Já tive o livro na mão, é uma sensação espectacular. É muito estranho ver o meu nome no livro e tocar e abrir, ler o que escrevi.
Fico a olhar para o livro e a pensar se é mesmo verdade. Senti isso logo que recebi as provas, em pdf, foi emocionante, mas, agora, ao ver o livro fisicamente, é muito giro e estou desejosa de o ver nas livrarias.
Acho que entrar numa livraria e ver lá o livro deve ser uma sensação espectacular. Vai sair nas livrarias no próximo dia 16 de Maio.
Sim, vai realizar-se uma acção de lançamento mas ainda não está marcada, deve ser no dia 26 de Maio” – refere.
“Gostaria muito de ter uma sessão de lançamento aqui no Barreiro” – sublinha.

Começar um segundo livro

“Estou a tentar começar um segundo livro. Esta edição é um estímulo, embora o próximo seja numa temática completamente diferente.” - refere
A família e os amigos estão felizes – “eles sabem que eu sempre quis escrever, por isso estão empolgados e felizes como eu”.
Filipa refere, o livro está escrito, a árvore já foi plantada e «o filho estamos a tentar, sou casada e o filho há-de vir. O meu pai também já perguntou pelo neto ” – comenta e sorri.
Fica aqui o registo que para acompanhar a evolução do livro, comentar fazer criticas, ter o feedback dos leitores, a Filipa Fonseca Silva uma página no facebook
http://www.facebook.com/Os-Trinta

Barreiro é um sitio único

“Tenho um sentimento muito grande de pertença ao Barreiro. Quando estou em algum lado e digo: “Sou do Barreiro”, há sempre alguém que quer falar do Barreiro, esta terra, que, para mim, é uma terra única, uma terra muito diferente.
O Barreiro é um sítio diferente na margem sul. É único, por estarmos aqui nesta língua de terra, e, penso que somos uma terra com uma cultura própria, que tem uma identidade muito forte.
As outras zonas da margem sul foram crescendo como subúrbios de Lisboa, o Barreiro foi uma terra que sempre teve tudo e sempre teve vida própria.
As pessoas podem estudar e trabalhar no Barreiro. É possível viver e trabalhar no Barreiro.
Acho que é essa identidade que faz termos esse sentimento que – o Barreiro é um sitio único” – sublinha num comentário a encerrar a nossa conversa.

António Sousa Pereira

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