Francisco Lopes, CDU SetúbalÉ importante ter mais votos e mais deputados eleitos
“José Sócrates anda agitar o perigo do PSD, mas cada voto no PS, significa apenas dar força ao PS para se associar ao PSD e ao CDS, que subscreveram o pacto com o FMI” – sublinha Francisco Lopes, cabeça de lista da CDU no Distrito de Setúbal.
“Os problemas do Distrito de Setúbal decorrem das opções que têm sido feitas nos últimos 35 anos, pelos sucessivos Governos do PS, PSD e CDS, contra os interesses nacionais, os interesses dos trabalhadores e do povo português” - sublinha.

Por Jornal Rostos
Francisco Lopes, cabeça de lista da CDU pelo Distrito de Setúbal conversou com jornal «Rostos»», no decorrer de um jantar no Restaurante «Casa Transmontana», no Barreiro.
Tempo grandes dificuldades económicas
Francisco José de Almeida Lopes, nasceu a 29 de Agosto de 1955, em Vinhó, concelho de Arganil, no interior do Distrito de Coimbra.
Recorda o seu tempo de criança, nos anos 50 e 60, na sua terra natal, uma época marcada sublinha – “pelo regime fascista, com grande atraso, grandes dificuldades económicas, onde havia pobreza e miséria extremas, famílias numerosas que viviam de uma agricultura de subsistência”.
Sublinha – “era frequente ver crianças descalças a caminhar para a escola, sem terem as coisas necessárias para vestir, talvez, por essa razão, de toda aquela área para Lisboa e para o estrangeiro tenham emigrado milhares de pessoas, originando um despovoamento contínuo da região”.
Inicio da sua actividade política
Foi na sua aldeia que completou o Ensino Primário, não prosseguindo estudos porque, na sua terra, não existiam alternativas.
Com 9 anos, partiu rumo a Lisboa, para viver com familiares, na zona da Penha de França e Santa Engrácia.
Refere as diferenças de ritmos de vida que encontrou – “a intensidade da vida de Lisboa era marcante”.
Frequentou a Escola Nuno Gonçalves, depois, a Escola Industrial Marquês de Pombal, onde concluiu o 5º ano industrial, na área de Montador Electricista e a Secção de acesso ao Instituto Industrial.
Foi no Instituto Industrial, nos anos 1972/1973, que estabeleceu ligações e deu inicio à sua actividade política, integrando a actividade associativa estudantil, na CDE, agindo contra a Guerra Colonial, filiando-se na UEC – União de Estudantes Comunistas.
“É um processo de tomada de consciência de luta pela democracia e contra o regime fascista” – refere.
Recordações do chamado eléctrico operário
Recorda as viagens de eléctrico, pela manhã – “no chamado eléctrico operário” – onde conversava com os operários da Lisnave, os trabalhadores da estiva e do tráfego portuário.
“Eu sentia as contradições profundas da vida dos trabalhadores, dos seus níveis de remuneração, comparativamente com as grandes fortunas e a opulência dos grupos económicos ligados ao fascismo” – sublinha.
Francisco Lopes, salienta a “participação activa no Congresso de Aveiro, o III Congresso da Oposição Democrática, naquela grande campanha política de massas, que foi como a definimos, as eleições de 1973”.
25 de Abril foi um tempo de mudança
No dia 25 de Abril, era trabalhador-estudante, no Instituto Industrial, exercendo funções na empresa Applied Magnetics, sublinha que este – “foi um tempo de mudança, de acção colectiva do povo, que marca transformações profundas”.
“Estive na baixa de Lisboa a integrar-me no conjunto de manifestações, que, umas a seguir às outras se sucederam, curiosamente, todas com reivindicações do ponto de vista politico, muito claras, com um sentimento de Liberdade, Democracia, Abaixo a Guerra Colonial, ideias que correspondias a décadas de acção do PCP” – recorda.
Actividade de Sindicalista
Na sequência do processo pós 25 de Abril, inicia actividade ao nível sindical e de membro da Comissão de Trabalhadores da Applied Magnetics.
“Nesta empresa multinacional foi iniciado um processo de sabotagem, feita por centros internacionais do capitalismo, que levou ao processo de encerramento da empresa. Foi uma luta na época muito conhecida” - recorda.
Em Agosto de 1974 a empresa encerrou, deixando centenas de trabalhadores no desemprego.
Dedicar todas as suas possibilidades à acção política
Por convite de Sofia Ferreira, destacada dirigente do PCP, passou a integrar os Quadros Políticos do PCP a tempo inteiro.
“Ser funcionário do Partido é alguém que, ao contrário do que se diz por aí, entende que, tendo convicções, tendo um projecto ao serviço dos trabalhadores, tendo um projecto por uma sociedade mais justa, de democracia e socialismo, procura dedicar todas as suas possibilidades a essa acção política, a esse projecto.
Tenho a possibilidade de estar a tempo inteiro a lutar por esses objectivos e por um ideal ao serviço dos trabalhadores.” – sublinha.
Responsável político pela Organização Regional de Setúbal
Na sua vida política, Francisco Lopes, durante vários anos foi responsável político pela Organização Regional de Setúbal do Partido Comunista Português, tendo assumido, nos anos 90, funções na Comissão Politica e no Secretariado do PCP.
Em 2005 foi candidato a deputado à Assembleia da República, tendo sido eleito – “Tendo por referência a ligação que sempre tive com o Distrito, e, agora, aqui estamos numa nova campanha” – sublinha.
Candidato do PCP à Presidência da República
Francisco Lopes foi o candidato do PCP à Presidência da República.
“Foi uma experiência de alguém que entrega todas as suas capacidades e dedicação para apresentar ao povo português uma alternativa para o exercício das funções de Presidente da República” – refere.
Sublinha que esta candidatura - “foi uma oportunidade para vincar, neste ano de 2011, no quadro das candidaturas que se apresentavam, um projecto de uma candidatura alternativa, de esquerda, vinculada à Constituição e aos valores de Abril, que faz parte da ruptura e mudança que é indispensável, e, com urgência promover no nosso país”.
Distrito de Setúbal muito importante no país
Interrogámos Francisco Lopes, sobre a importância da DORS do PCP, sublinha que esta organização regional – “Tem um peso importante no PCP. O Distrito de Setúbal, a Península de Setúbal, são uma zona muito importante do país, com grandes potencialidades, do ponto de vista económico, de recursos naturais, de trabalhadores”.
“Os problemas do Distrito de Setúbal decorrem das opções que têm sido feitas nos últimos 35 anos, pelos sucessivos Governos do PS, PSD e CDS, contra os interesses nacionais, os interesses dos trabalhadores e do povo português, que têm reflexos no Distrito de Setúbal” - sublinha.
Acção do Poder Local
“É certo que no Distrito de Setúbal, há uma outra realidade que contraria, condiciona e limita, parte das consequências profundamente negativas das políticas dos Governos e das maiorias da Assembleia da República, essa realidade, é a realidade do Poder Local que, Câmara a Câmara, e, do ponto de vista do Associativismo Municipal, a partir da Associação de Municípios, ao longo dos anos, tem uma concepção de desenvolvimento da região, de cooperação entre os municípios, e, isto, tem permitido de forma coerente e integrada, um projecto de desenvolvimento que se traduz, ao longo dos anos, na resolução de problemas das populações, nas matérias que são do Poder Local, que não tem comparação com aquilo que se verifica noutros pontos do país.
Só que as capacidades do Poder Local são limitadas. Mas, estas condições de melhorar as condições de vida são criadas, num conjunto de áreas, muito importantes para as populações, pela acção do Poder Local” – refere Francisco Lopes.
Distrito tem potencialidades enormes
“A destruição do aparelho produtivo, designadamente na área da indústria, mas também das pescas, e, o desaproveitamento continuo de muitos recursos do ponto de vista agrícola e pecuário.
No plano da indústria temos a destruição mesmo de sectores inteiros que eram essenciais, e, são sempre, base da soberania de um país.
Temos elevados níveis de desemprego, um pouco como em todo o território nacional.
Temos o problema das oportunidades para as novas gerações, que estão empurradas para o desemprego, ou com uma precariedade cada vez mais prolongada, não só nos vínculos de trabalho, mas em todos os aspectos da sua vida e na sua organização de vida.
Temos o problema das condições de vida dos mais idosos, com reformas muito baixas, sejam aqueles que têm uma vida de trabalho, sejam outros que não tiveram possibilidades de descontar e tiveram pensões mínimas, muito baixas e com as políticas do Governo ainda mais penalizadas.
E, há outro aspecto, que é em certas áreas de serviços públicos a necessidade de se ir mais longe, quer seja no plano do Serviço de Saúde, quer seja no plano Hospitalar.
Por exemplo, é necessário o novo Hospital no concelho do Seixal, assim como nos Centros de Saúde são necessárias melhores condições de funcionamento.
Ainda, como consequência desta politica de destruição do aparelho produtivo, há problemas sérios que estão criados às pequenas e médias empresas.
Estas situações são inaceitáveis, se verificarmos que o Distrito tem potencialidades enormes, de desenvolvimento, de criação de riqueza, de crescimento económico, e, propiciar melhores condições de trabalho e melhores condições de vida, para a generalidade da população” – refere Francisco Lopes.
Reforçar a produção nacional
“A nossa posição tem sido muito clara ao longo do tempo. Nós entendemos e, ainda mais, na situação actual, com o nível de dependência do estrangeiro, com o endividamento externo que nos foi criado, com as opções politicas destes Governos do PS, PSD e CDS, ao serviço dos grandes grupos económicos e de subjugação aos interesses da União Europeia, nós, perante este quadro, e, ainda mais neste quadro, defendemos a necessidade de reforçar a produção nacional e o aparelho produtivo, de forma que se produza mais riqueza, esta é uma estratégia fundamental, para isso, pensamos que o investimento público, deve ser canalizado prioritariamente para estas áreas que estimulem o desenvolvimento da produção.
Entretanto, as infra-estruturas são uma componente indissociável quer da vida das populações, que do próprio aparelho produtivo e das possibilidades de aumentar a produção e escoar essa produção do ponto de vista das exportações” – sublinha o cabeça de lista de Setúbal da CDU.
Três dos principais quatro Portos do país
A propósito dos projectos previstos pelo Governo para a região de Setúbal, Francisco Lopes salienta – “O distrito de Setúbal tem, pelo seu posicionamento geográfico, para além das suas condições naturais, tem três dos principais quatro Portos do país – Lisboa, Setúbal e Sines – que articulados, complementarmente, a par das possibilidades das ligações que temos, quer a Espanha, quer ao resto da Europa, podem, esses portos, ser muito mais aproveitados do ponto de vista do escoamento da produção que aqui se possa desenvolver, e, também como interface com outras zonas do mundo.
Não há nenhum distrito do país que tenha estas características.
Não é portanto, apenas, um problema de passagem de mercadorias, é, necessário, também, aproveitar essas potencialidades para criar e desenvolver indústria.
Há alguma indústria em Sines, mas tem que se desenvolver mais, até, desenvolver mais a própria indústria virada para as exportações.
Tendo sempre em conta como prioridade aumentar a produção, para aumentar exportações, aumentar a produção para criar emprego, isto, envolve também o resto a criação de infra-estruturas.”
Importante a existência de uma ligação em Alta Velocidade
“A ligação ferroviária é central, é o transporte do futuro, apesar da destruição das vias ferroviárias que ainda continuam, por isso, nós, entendemos que é muito importante, a existência de uma ligação em Alta Velocidade para a Europa, que pode ter uma componente de passageiros, mas que deverá ter, sempre, uma componente de mercadorias.
Deve ter ligação a Sines e aos Portos de Lisboa e Setúbal, que devem ser vistos de forma integrada e articulada.
Isto implica duplicação da Linha do Sul, que pode vir a estar estrangulada no futuro” - refere.
Ponte Barreiro – Chelas é um elemento estruturante
“Outra componente é a existência de uma verdadeira ligação, no âmbito do todo nacional da ferrovia, que hoje não existe.
Portanto, está colocada como uma grande necessidade, a construção da Ponte Barreiro – Chelas, que é um elemento estruturante, da ligação ferroviária no todo nacional.
Nós entendemos que a componente ferroviária é de maior importância, mas, achamos que não se deve ter vistas curtas, e, deve-se configurar essa ponte do ponto de vista ferroviário e deve ser concebida, também, como ligação rodoviária, com uma visão de futuro.
Porque, a Área Metropolitana de Lisboa tem que funcionar de uma forma mais articulada e falta essa ligação do ponto de vista rodoviário” - acrescenta.
Discordância com as Parcerias públicas privadas
Francisco Lopes, sublinha que a construção do novo aeroporto - “tem que ser analisado de acordo com as prioridades e possibilidades financeiras”.
Por outro lado, expressou a sua discordância com as Parcerias públicas privadas, porque aumentam custos e comprometem o futuro.
“Estas obras devem estar condicionadas ao desenvolvimento da produção nacional e inseridas numa estratégia de desenvolvimento do distrito”, porque disse – “o desenvolvimento não pode passar à margem”.
FMI não é solução
“O PS, PSD e CDS conduziram o país a uma situação inaceitável de dependência e de endividamento, de empobrecimento do povo português.
Eles próprios querem, agora, aproveitar o desastre a que conduziram o país, para justificar novas medidas que vão, ainda mais, agravar as condições de vida do povo português.
O FMI não é solução, é o ataque mais brutal que, desde o regime fascista, foi pensado e feito em Portugal” – sublinha Francisco Lopes.
Na sua opinião as medidas do Pacto com FMI, vai – “impor medidas que vão trazer recessão económica e aumento de desemprego”, e, também “retirar direitos aos trabalhadores”.
“O PCP com o aumento da sua força, é um factor determinante para combater este caminho, o outro caminho é renegociar a divida, isso significa renegociar os prazos de pagamento e discutir os juros” – sublinhou.
Mais votos e mais deputados eleitos
“O nosso objectivo no Distrito é motivar o voto na CDU para nos dar mais força, mais votos, mais deputados eleitos pelo PCP e “Os Verdes”
Hoje, numa situação, mais clara que noutras eleições, porque há uma identificação entre o PSD e o PS.
Nestas eleições de 5 de Junho, PS, PSD e CDS esgrimem aparentes diferenças, fingem diferenças nos seus programas, mas de facto, têm um programa comum, aquele que foi assinado com o FMI, Banco Central Europeu e a União Europeia.
O voto na CDU é o voto da demarcação, é o voto da sinalização, demonstrando que o povo português está, a cada dia que passa, atento, diz não a este caminho e diz que quer optar por um caminho diferente” – sublinha Francisco Lopes.
José Sócrates anda agitar o perigo do PSD
“Cada voto na CDU dá mais força contra essas mediadas negativas do FMI. A meta a atingir é o reforço no número de votos e deputados.
Apelamos aos trabalhadores que votaram no PS, PSD e CDS, aos eleitores do PS, para que percebam, hoje, dar força ao PS, é dar força ao entendimento do PS com o PSD e CDS.
José Sócrates anda agitar o perigo do PSD, mas cada voto no PS, significa apenas dar força ao PS para se associar ao PSD e ao CDS, que subscreveram o pacto com o FMI.
Os eleitores do PS devem dar força à CDU, para apostar na ruptura” – sublinha o cabeça de lista de Setúbal da CDU.
António Sousa Pereira













