Vieira da Silva, Partido Socialista SetúbalDistrito de Setúbal é essencial para a economia do país
“Nós batemo-nos para ganhar as eleições. O PS nas últimas eleições ganhou em todos os concelhos do distrito, portanto, esse é um patamar, é uma referência que nós temos” – sublinhou Vieira da Silva, cabeça de lista do Partido Socialista no Distrito de Setúbal, acrescentando – “uma vitória eleitoral, que, pensamos, é muito importante para o futuro do país”.
“Todas as regiões são importante para o país, mas, a região de Setúbal, tem funções claramente nacionais, para além da sua economia regional, que é dinâmica, e, é diversificada.” – salienta Vieira da Silva.

Por Jornal Rostos
Vieira da Silva, cabeça de lista do Partido Socialista pelo Distrito de Setúbal, conversou com o jornal «Rostos», no decorrer de um café tomou, no meio de um dia da campanha, no Café- Bar da SFAL, no Barreiro.
Infância na Marinha Grande
José António Vieira da Silva, nasceu no ano de 1953, na Marinha Grande, ali, viveu parte da sua infância, até aos 9 anos, terra onde, frequentou e concluiu o Ensino Primário.
“As minhas memórias da Marinha Grande são mais no plano afectivo, e, também tenho memória da Marinha Grande como terra vidreira, mas, é uma noção muito superficial” – refere.
“Há coisas que, hoje, sei interpretar à luz de conhecimentos que adquiri, mas não foi que o tenha sentido na infância” – sublinha.
A influência do Maio de 68
Vieira da Silva recorda que após a Marinha Grande outra localidade que faz parte das suas memórias é, Alcanena, onde frequentou e concluiu o ensino secundário.
“É uma terra diferente, também industrial, mas num contexto diferente, que é o Distrito de Santarém” – sublinha.
Recorda que, quando jovem, como toda a sua geração, sentiu a influência do Maio de 68, das lutas estudantis que acompanhou à distância, porque, estas eram situações, diz – “que despertavam a curiosidade”.
Grupo minoritário da oposição democrática
Depois, no ano de 1971, veio estudar para Lisboa, para «Económicas”, que actualmente é o Instituto Superior de Economia e Gestão, na altura, era o Instituto Superior de Económicas e Financeiras – “foi a primeira escola de economia do país”.
“Era uma escola com uma forte presença de grupos estudantis, e, com uma presença de diferentes correntes políticas de oposição ao regime” - recorda.
“Como todos os jovens que vêem da província, com poucas ligações, o que se procura é tentar perceber, os vários movimentos que existiam e agiam na Universidade, uns ligados à oposição mais clássica, outros ligados à oposição de inspiração maoista.
Eu acabei por me ligar, do ponto de vista do trabalho político, a um grupo menos ortodoxo, que veio, depois do 25 de Abril, a dar origem ao MES – Movimento de Esquerda Socialista.
Era um grupo minoritário da oposição democrática do qual faziam parte Jorge Sampaio, Galvão Telles, Vítor Wengorovius” – sublinha.
Refere que foi através deste grupo de acção estudantil, antes do 25 de Abril, que – “fui formando a minha consciência política”.
Momento de grande transformação da vida
“Tal como muitos jovens que estava na vida activa, na vida política, principalmente com a preocupação de luta anticolonial, havia percepção que existiam movimentações. Não conhecíamos bem a natureza, nem identificávamos o significado.
Quando se deu o golpe do 16 de Março foi um choque.
Mas, de alguma forma era esperada qualquer coisa, que foi o que veio a acontecer, no 25 de Abril, e, devido à acção de forças sociais, de forças politicas, do movimento cívico, a Revolução foi aquela que aconteceu, e, recordo aquela frase de um escritor francês que dizia, quando tinha 20 anos, não existia uma idade mais bonita que essa, eu gostava de dizer o mesmo, porque tinha perto 20 anos quando aconteceu o 25 de Abril.
Foi um momento de grande transformação da vida, foi um corte com tanta coisa, que marca profundamente tudo na nossa vida” - recorda.
Nos anos de 75 era um caminho de fractura
Vieira da Silva, no processo pós 25 de Abril, integra o MES, movimento que marcou presença logo na manifestação do 1º de Maio de 1974.
No período conhecido pelo PREC, refere que muitos acontecimentos ficaram na sua memória.
“O sentimento de libertação, o sentimento de explosão social, parecia uma panela de pressão que ao ser aberta muita coisa sai para fora.
Lembro-me, que fui muito marcado pela inviabilidade do caminho que estávamos a seguir, da sua falta de sustentabilidade social.
Nos anos de 75, era um caminho de fractura que estava a criar-se em Portugal, discutíamos muito isso, ao nível de uma geração politizada, muito marcada pelos movimentos internacionais.
Eu tive uma evolução, que nem todos a fizeram, de compreensão dos riscos, e, até, das opções erradas, que as lógicas vanguardistas, que eram partilhadas por todos os grupos de extrema esquerda, pelo Partido Comunista, com formas diferentes, naturalmente, mas, eu também era marcado por uma geração esquerdista que tinha uma grande aspiração pela Liberdade, de não submissão a modelos muito burocráticos”.
Adesão ao PS nos anos 90
Vieira da Silva, exerceu a sua actividade profissional, em diversas empresas, e, também no Ministério da Indústria, tendo posteriormente iniciado a sua actividade de professor universitário no ISCTE.
Pelas suas antigas ligações a Ferro Rodrigues e ao Partido Socialista, integrou a sua equipa ministerial, exercendo funções de Secretário de Estado.
Recorda que durante anos foi simpatizante do PS, já desde os anos 70, tendo, no entanto, formalmente concretizado a sua adesão ao PS nos anos 90.
Vieira da Silva é divorciado. Pai de dois filhos – uma filha de 33 anos e um filho com 26 anos.
Ministério da Economia uma experiência aliciante
Sobre a sua actual função de Ministro da Economia, refere que - “A área de Economia é para mim particularmente sensível, e, avaliar as dificuldades económicas, as dificuldades financeiras, a vida das empresas, hoje, não é um momento fácil.
Tenho também sob a minha responsabilidade a área dos Fundos Comunitários, e, tudo isto é um trabalho aliciante, muitas vezes feito no Gabinete, na procura de resolver problemas, e, tendo, menos grandes iniciativas legislativas.
Esta é diferente da experiência que tive no Ministério do Trabalho, onde a dinâmica de acção legislativa é mais forte.
Na Economia é mais uma acção de apoio, uma função de promoção de «politicas leves», que não são desenvolvidas a partir de leis ou directivas”.
Setúbal essencial para a economia do país
“O Distrito de Setúbal é uma região de uma enorme potencialidade, para o presente e para o futuro do país.
É uma região complexa, que tem múltiplas funções, e, tem uma relação umbilical com a outra margem do Tejo, que nunca podemos esquecer.
Mas, a sua importância económica é, por tradição e pela actual realidade, um dos pólos mais importantes da nossa economia, do ponto de vista da sua função exportadora, da sua função logística, Setúbal é essencial à economia nacional, até pela existência de pólos como, por exemplo, a Autoeuropa.
A região de Setúbal tem qualidades do ponto de vista portuário e tem um conjunto de outras valências e potencialidades endógenas de enorme importância, como sejam, por exemplo, as oportunidades turísticas ou o sector agro-alimentar.
O Distrito é, de facto, uma região complexa, com um papel essencial na economia portuguesa que lhe advém de aqui estarem localizados alguns pólos de enorme importância do ponto de vista da economia nacional.
Todas as regiões são importante para o país, mas, a região de Setúbal, tem funções claramente nacionais, para além da sua economia regional, que é dinâmica, e, é diversificada.” – salienta Vieira da Silva.
Investimento de importância estratégica
Interrogámos sobra a importância do TGV, ou da Terceira Travessia do Tejo para a região.
“Julgo que o desenvolvimento das capacidades do distrito está associado às capacidades que tivermos de concretizar um conjunto de infra-estruturas de ligação à Europa e ao mundo.
O Distrito tem condições excepcionais do ponto de vista portuário, mas, a opção pela localização da placa aeroportuária da capital, aqui no distrito de Setúbal, é, sem dúvida, de enorme importância para a região, assim como, é, também, o desenvolvimento das ligações ferroviárias, por razões nacionais e por razões regionais, este é um investimento de importância estratégica.
Nós temos que distinguir aquilo que são as conjunturas daquilo que são as opções estratégicas.
Julgo que do ponto de vista das opções estratégicas a centralidade do Distrito é vantajoso para a região e, é, extremamente vantajoso para o país” - sublinhou.
Necessário criar emprego suficiente
Que preocupações tem sobre a actual situação do Distrito? – interrogámos.
“O Distrito de Setúbal já viveu crises profundas, algumas das quais foram profundamente sentidas, devido à sua reestruturação económica e à diminuição de competitividade de alguns segmentos industriais que, aqui, eram fundamentais.
A crise de hoje atinge o país de uma forma global, também na Europa e o mundo, é, penso, dos temas centrais destas eleições, porque é um problema nacional.
O que me preocupa no Distrito de Setúbal é tudo o que tem a ver com as dificuldades que existem ao nível de emprego, são seguramente estas que marcam, de forma mais dramática e de forma mais pesada, o futuro do distrito.
E, especialmente, se tivermos em consideração que muitos dos seus habitantes têm o seu posto de trabalho na outra margem do Tejo.
Não há aqui um efeito de perda de competitividade das empresas do distrito, mas, sim porque o distrito é afectado por aquilo que em economia se define como a perda de procura interna.
Este é o problema principal do país, ou, um dos problemas mais importante do país.
A crise financeira que estamos a atravessar tem por trás um desafio, de mudanças económicas que têm que acontecer, sendo uma das grandes dificuldades, essa, de ser necessário criar emprego suficiente” – referiu o cabeça de lista do PS por Setúbal.
Acordo com a troika não esgota as opções
Sobre as eventuais limitações colocadas pelo Programa da Troika Vieira da Silva, sublinhou – “O acordo com a chamada troika não esgota as opções politicas, nem as opções económicas e sociais para Portugal.
Nós podemos gerir aquele acordo com ópticas muito diferentes, e, acho que é isso que está em cima da mesa nestas eleições.
De facto, basicamente, há duas formas distintas de olhar para aquele acordo, ou, como um programa que é necessário e temos que cumprir, que é a posição que o Partido Socialista tem, e, essa é uma situação que temos que ultrapassar o mais rapidamente possível, sem descurar outros aspectos fundamentais da nossa vida colectiva, como seja, criar as condições para a melhoria da competitividade económica em várias áreas, ou a defesa de aspectos essenciais do nosso Estado Social.
Outra posição, é aquela que pretende aproveitar, cavalgar esta crise, para que uma agenda política e ideológica que nunca teve capacidade de se impor em Portugal, possa neste momento ser vitoriosa.
É isto que está em causa no nosso país.”
Temos que cumprir este Acordo
Questionámos se o Acordo não limita aspectos do Estado Social.
“Nada no Acordo diz que a Escola Pública não deve continuar a ser um pilar central do Estado, e do nosso sistema educativo, nada diz, que o Serviço Nacional de Saúde seja substituído por Sistema Nacional de Saúde que englobe os privados e público.
Nós temos que cumprir este Acordo e, julgo, que é uma opção errada, adicionar problemas aos que já temos e criarmos instabilidade no sistema da Saúde, criamos instabilidade no sector da Segurança Social, criarmos instabilidade no sector da Educação, ou no sector do Trabalho, não julgo que seja um caminho que favoreça o distrito, nem o país” - sublinhou.
Reforço da base económica do distrito
“As opções politicas do PS para o distrito de Setúbal, são apontadas em três ângulos de observação, três ópticas de intervenção.
Primeiro, tem a ver com o reforço da base económica do distrito, que assenta nas capacidades exportadoras, na valorização de novas oportunidades – como por exemplo na área do Turismo – na valorização da sua rede de pequenas e médias empresas, é importante valorizar o sector automóvel e a plataforma de Sines, estas são as linhas estruturantes para a actividade económica do distrito, defendendo e aprofundando esta sua vocação económica” – referiu Vieira da Silva como uma das prioridades para o Distrito de Setúbal.
Regeneração urbana e Arco Ribeirinho Sul
“Depois, é importante, manter vivos projectos estruturantes, que têm a ver com equipamentos e com infra-estruturas, tem a ver com regeneração urbana, muito ligada à problemática do Arco Ribeirinho Sul, quer com base nos projectos estruturantes mais internos, quer outros, têm que
ser desenvolvidos a médio e longo prazo” – referiu.
Uma verdadeira revolução na Educação
“Outra vertente, é, continuar a reforçar a rede social, com a renovação de equipamentos no sector da educação, que, no distrito de Setúbal, tem estado a ser feita uma verdadeira revolução, dado que, aqui, foram aplicadas algumas centenas de milhões de euros, na recuperação de escolas, na criação de Centros Escolares.
É fundamental ter um sistema educativo adequado, e, isso, é possível fazer no distrito, pois, é isto está a ser feito” – sublinhou.
Papel de primeira linha na sociedade portuguesa
“Também, na área da Saúde, na área da Acção Social, o distrito já viu nascer algumas dezenas de novos equipamentos sociais, que são fundamentais, também para criar emprego, e, dar respostas às necessidades das famílias” – referiu, acrescentando – “É fundamental desenvolver o papel do distrito na economia, porque esse, é um papel de primeira linha que tem na sociedade portuguesa”.
Duas formas diferentes de gerir o Acordo
“Nós batemo-nos para ganhar as eleições. O PS nas últimas eleições ganhou em todos os concelhos do distrito, portanto, esse é um patamar, é uma referência que nós temos.
Queremos contribuir, aqui no Distrito, para que o Partido Socialista possa ter uma vitória eleitoral, que, pensamos, é muito importante para o futuro do país.
O que está em causa, como disse, são duas formas diferentes de gerir os anos que se seguem, e, gerir o Acordo.
Este é um momento importante para que as pessoas escolham, não fiquem em casa.” – salientou Vieira da Silva.
Meu apelo para que ninguém fique em casa
“Gostaria de deixar um apelo ao voto, porque, todos nós sabemos que existe algum afastamento da sociedade em relação ao sistema político.
Há alguns políticos que também se esforçam por provocar esse afastamento.
E, não sendo o voto a única forma de exercer a actividade cívica, a escolha, quando há eleições, é extremamente importante, por isso, deixo aqui o meu apelo para que ninguém fique em casa, e, em particular um apelo ao eleitorado do Partido Socialista, naturalmente, que, muitas vezes, tem dúvidas sobre as opções que temos que tomar, entenda, hoje, de uma forma clara, que não há alternativa para gerir o país de forma progressiva, de forma ambiciosa, que não seja com o Partido Socialista.
Isto é verdade para todos os eleitores que se revêem numa lógica de economia moderna, onde o mercado não comande a sociedade, para isso, não há uma alternativa mais viável que não seja o Partido Socialista”.
S.P.













