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Perspectivas

Raul Malacão, Presidente da Junta de Freguesia do BarreiroNão aceito que a freguesia do Barreiro seja extinta

. Barreiro sofre com encerramento da CUF

. Centro da cidade mudou

Têm vindo a aumentar os apoios que são solicitados ao Banco Alimentar para residentes na freguesia do Barreiro, segundo refere Raul Malacão, presidente da Junta de Freguesia do Barreiro.

6 min de leitura
Raul Malacão, Presidente da Junta de Freguesia do Barreiro Não aceito que a freguesia do Barreiro seja extinta

Por Jornal Rostos

Raul Malacão, presidente da Junta de Freguesia do Barreiro, sublinha que o Barreiro sofre com o encerramento da CUF
“Nós não somos uma ilha isolada no país, e, portanto, sentimos os reflexos daquilo que está acontecer, sobretudo ao nível do desemprego.
No Barreiro temos preocupações a dobrar, porque, devido ao processo de desindustrialização sentimos o efeito do encerramento das empresas, nomeadamente da CUF e Caminhos de Ferro, para além dos efeitos sobre as empresas que desenvolviam as suas actividades em torno do complexo da CUF.
Também tivemos a indústria Corticeira que desapareceu, a última fábrica foi a Braancamp, que ainda chegou até aos nossos dias, mas já está encerrada” – sublinha o autarca.

Em termos industriais não temos quase nada

“O Barreiro sofreu e sofre com este processo, de encerramento daquele que era o maior complexo industrial da Península de Setúbal. Ainda hoje sofremos as consequências, e, de facto, o país não teve condições de desenvolver neste território outras indústrias.
Para além disso acabou a Lisnave, acabou a Siderurgia, e, tudo teve reflexo no concelho.
Hoje, em termos industriais não temos quase nada” – refere Raul Malacão.

Agravamento de problemas sociais

“Por outro lado, a situação a que o país chegou, também se faz sentir no concelho do Barreiro.
Hoje o país não tem agricultura, não tem pescas, não tem nada. Foi-se destruindo ao longo dos anos o tecido produtivo.
Agora, já se fala que é preciso produzir, mas, não vejo nada que esteja a contribuir para mudanças.
Não vejo que exista criatividade para que se criem actividades produtivas no país. Faço votos que isso aconteça, porque, aquilo que vejo são as pessoas a emigrar.
Toda esta situação dá origem ao agravamento de problemas sociais, e, nós, no Barreiro estamos a assistir a situações que não existiam, tudo, isso são reflexos da falta de emprego” – salienta o presidente da Junta de Freguesia do Barreiro.

Aumentam apoios solicitados ao Banco Alimentar

Há fome no Barreiro? – interrogámos.
“Não posso aqui afirmar que há fome na freguesia, agora, sei que as instituições, como a Santa Casa da Misericórdia do Barreiro, o Centro Paroquial Padre Abilio Mendes, ou, a Associação Comunitária do Barreiro, que se dedicam a apoiar as pessoas mais carenciadas, sei, que, cada vez, têm mais procura, porque os pedidos feitos na Junta de Freguesia para atestar residência, de forma a receberem apoio dessas instituições têm vindo a crescer.
Sei, que têm vindo a aumentar os apoios que são solicitados ao Banco Alimentar” – refere o autarca.

Centro da cidade mudou

Como está o Centro da Cidade depois da construção do Forum e os melhoramentos realizados no centro da cidade?
“Essas foram obras muito importantes que beneficiaram o Barreiro, felizmente, foram feitas num tempo que foi possível realizar, hoje, tenho dúvidas se seria possível concretizar e envolver as entidades que participaram na construção destes equipamentos.
Acho que o centro da cidade mudou, embora já existisse, no passado, alguma apetência de deslocação para o Centro do Barreiro, mas, hoje, com estas obras é possível observar aos sábados a grande quantidade de pessoas que se deslocam ao centro.
Este é um ponto de encontro do concelho, as pessoas podem, até, nem vir comprar, mas deslocam-se para percorrer a zona central da cidade.
Este conjunto de obras tiveram efeitos positivos no centro da cidade, é pena que as obras no terreno do Campo do Futebol Clube Barreirense não avancem, pois, tal iria ainda mais beneficiar esta zona central da cidade.”

Descentralização tem funcionado

Como estão as relações com a Câmara Municipal do Barreiro?
“Da parte da Junta são as melhores possíveis, nem fazia outro sentido, até porque somos da mesma força política.
A descentralização tem funcionado, e, tudo tem sido cumprido. Quanto ao futuro não sabemos.
Os resultados são positivos, e, todo o processo é acompanhado, sendo avaliado com regularidade de dois em dois meses.
Perante a actual situação financeira, nós não sabemos qual será o futuro, até, porque, se projecta uma nova Lei de Finanças Locais, e, os cortes que têm sido feitos e continuam a ser feitos, só têm reduzido as verbas à Câmara e à Junta”.

Não aceito que a freguesia do Barreiro seja extinta

Vai acabar a Junta de Freguesia do Barreiro?
“Era só o que faltava. Como barreirense, eu não aceito que a freguesia do Barreiro, com 526 anos de existência, hoje, seja extinta. E não digo mais nada.
Não sei o que vai acontecer, mas, eu fico-me por aqui, limito-me a aguardar o desenvolvimento, pois, segundo o Governo, a partir do próximo ano, será desenvolvido esse processo, de forma que, nas próximas eleições de 2013, já seja tomada em conta as alterações. Vamos aguardar.”

Entendo que devo afastar-me

Em 2013, Raul Malacão já não será candidato?
“Não. Até porque não posso candidatar-me, mesmo que quisesse não posso. Também, entendo que devo afastar-me.
Não me pertence a mim estar a arranjar substituto, isso, é com a minha força política, que desenvolverá o processo na altura própria.

Barreiro Velho é uma interrogação

Por fim, como não podia faltar nesta nossa conversa com o Presidente da Junta de Freguesia do Barreiro, falou-se do Barreiro Velho.
“O Barreiro Velho é uma interrogação. Todos os projectos que estavam em cima da mesa do anterior Governo, em relação à Ponte, aeroportos, foram cancelados. Eles já estavam parados.
Ninguém sabe se vão ser desenvolvidos. O Barreiro Velho podia beneficiar com a realização destes projectos e, assim, continua a ser um problema.
Tudo o que está ali, na verdade, é privado, com situações muito complicadas, parte daquele património que existe é de herdeiros, alguns nem vivem no Barreiro, nem nunca vieram ao Barreiro.
Por isso, penso, que existem ali um conjunto de situações que é muito difícil resolver, porque exige meios financeiros avultados, e, este não será um problema para se resolver num ano ou três anos.
Reconheço que o Barreiro Velho é um problema grave, com o seu património a degradar-se, e, as intervenções que vão sendo realizadas são muito poucas, em relação às necessidades, por outro lado, nesta situação de crise do país, tudo isto, ainda piora a situação, mesmo existindo um caso ou outro de habitação que vai sendo recuperado, não é suficiente para resolver aquele imenso problema.”

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