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Perspectivas

Isabel Seruca, artista plástica do BarreiroO amor à natureza transforma o «lixo» em obras de arte

Isabel Seruca, artista plástica do Barreiro, com as suas últimas obras, procura demonstrar a sua paixão pela natureza, produzindo obras de arte, com tetra-pack (os materiais dos pacotes de leite).

“A simplicidade de usar o material que no fundo é lixo. Viver o desafio, que nada se perde, tudo se cria, tudo se transforma” – sublinha.

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Isabel Seruca, artista plástica do Barreiro O amor à natureza transforma o «lixo» em obras de arte

Por Jornal Rostos

Isabel Seruca, um dia, no decorrer de uma conversa informal, a propósito da realização de um concurso de origami – dobragem de papel - uma actividade que estava a desenvolver na escola com seus alunos, tomou conhecimento da realização de um Concurso que iria decorrer nos pacotes de leite.
Então, a partir dessa experiência, começou a utilizar este material nas Oficinas da Escola.
“Foi um mundo que se abriu.” – recorda Isabel Seruca.

O meu respeito pela natureza

No sábado, foi inaugurada na «Escola +», no Barreiro, uma exposição de Isabel Seruca, cujos trabalhos expostos foram construídos a partir desses materiais recicláveis ( pacotes de leite – tetra pack).
“Esta exposição essencialmente simboliza o meu respeito pela natureza, o ter respeito pela Terra.
Pretendo dar um contributo para evitar que estes materiais vão entupir lixeiras e possam ser utilizados.
Se eu conseguir, com este trabalho, passar esta mensagem, e, desta forma com a exposição chegar a um maior número de pessoas, lançando o desafio para que elas reutilizem este material, se assim for, então, acho que consegui o meu objectivo.” – sublinha Isabel Seruca.

Exposição transporta uma relação de afectos

A artista refere, por outro lado, que – “esta exposição transporta uma relação de afectos, porque eu não consigo arranjar estes materiais todos, logo, alguém tem que me arranjar, e, é isso que acontece, porque muitos dão-me os materiais que recolhem, por amizade”
Isabel Seruca recorda que o tetra-pack é um material, composto por quatro camadas, é muito resistente, dado que é um isolante, normalmente, utilizado nas embalagens de leite ou sumos.
“Este material lançado na natureza demora largos anos a desfazer-se, dizem que será à volta de 500 anos, porque é extremamente resistente” - sublinha.

Consciência do que era o rigor

Refere que, nos últimos tempos, têm sido desenvolvidas várias utilizações destes materiais, desde produção de carteiras, candeeiros, e, outras práticas ao nível da bricolage, porque, de facto, é um material que proporciona a produção de diversos artefactos.
Recorda que, inicialmente, começou a utilização do tetra-pack nas aulas de actividades de Oficinas, na escola.
Salienta que, nas aulas, a sua preocupação centrava-se em fazer sentir aos alunos – “a consciência do que era o rigor, porque a utilização deste material exige que as pessoas tenham rigor a cortar – “é necessário que o corte seja realizado em quadrados exactos, e, a exactidão tem que ser absoluta” – sublinha
Refere que a utilização deste material nas aulas permitia desenvolver uma pedagogia que motivasse os alunos a assumir a realização dos trabalhos com rigor.

Ao nível artístico nunca vi nada feito

Isabel Seruca, salienta que a utilização na escola do tetra-pack permitiu-lhe realizar muitos trabalhos ao nível da bricolage com os seus alunos, mas, ao longos dos anos foi sempre mantendo em aberto um sonho de outra dimensão, utilizar o material ao nível artístico.
Finda a sua actividade profissional como docente, agora, na situação de aposentada, sente que conquistou o tempo que lhe permite dedicar-se de forma plena na utilização do material.
Recorda que “ao nível artístico nunca vi nada feito” e acrescenta – “eu peguei neste material para o trabalhar ao nível da arte, porque era isso que pretendia”.

Recolher material e armazenar

Isabel Seruca, tem realizado diversos trabalhos artísticos produzidos com tetra-pack, mas, o seu objectivo é – “fazer mais” por isso, diz - “não tenho tido grande empenho em apresentar os trabalhos”.
“Isto é uma coisa que leva muito tempo. Nos últimos três anos o que tenho andado, essencialmente, a fazer é a recolher material e a armazenar, para quando começar a trabalhar no projecto que tenho, ter material suficiente. Enquanto não tiver uma quantidade muito grande de pacotes eu não arranco.” – salienta.
“Tenho um projecto. O projecto «Via láctea» que tem a ver com aquilo que chamo: principio, saber, inicio, igual a começar”, que tem a ver com o painel de Almada Negreiros.” – refere, Isabel Seruca.

Usar o material que no fundo é lixo

Neste projecto, sublinha Isabel Seruca, pretende juntar três dimensões – a ambiental, os afectos, e a memória.
“A simplicidade de usar o material que no fundo é lixo. O desafio é que nada se perde, tudo se cria e tudo se transforma” – afirma.
“Esta exposição é essencialmente pedagógica” – salienta, acrescentando – “tudo isto são produtos de problemáticas que fui resolvendo, para esse projecto. Tudo isto é feito com restos, com bocados que tenho vindo a experimentar” - refere.

Visite a exposição de Isabel Seruca, na «Escola +» do Kira, no Barreiro.

Nota – Se quiser colaborar com Isabel Seruca, pode dar o seu contributo, para tal terá que cortar os pacotes de leite pelas dobras, e, oferece-los à artista, que, está receptiva a receber esses materiais, para utilizar no seu projecto «Via Láctea».








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