Fernanda Gaspar, presidente da Junta de Freguesia de Alhos Vedros - MoitaUrgente a renovação do tecido urbano no centro da Vila Histórica
. Em risco actividades das associações ribeirinhas
Fernanda Gaspar, presidente da Junta de Freguesia de Alhos Vedros, em entrevista ao jornal Rostos, sublinha que a vida na freguesia “vai bem, embora existam alguns problemas, alguns deles graves por resolver”.
Segundo Fernanda Gaspar cerca de 50% da população da freguesia de Alhos Vedros não tem médico de família.
“Alhos Vedros tem uma identidade que não é de vila dormitório, e, sonho que, cada vez menos, tenha tendências para perder essa sua identidade" - sublinha autarca.

Por Jornal Rostos
Fernanda Gaspar, presidente da Junta de Freguesia de Alhos Vedros, em entrevista ao jornal Rostos, sublinha que a vida na freguesia “vai bem, embora existam alguns problemas, alguns deles graves por resolver”.
“Eu sinto um bom pulsar da terra, mas com preocupações, quer a nível do presente, quer a nível do futuro, se pensar nas medidas que já foram anunciadas, e, as que já foram tomadas em relação à crise que está instalada, a qual tem repercussões directas no salários das pessoas, no conseguirem ou não fazer o pagamento dos arrendamentos das suas casas, no continuarem ou não a ter emprego, portanto, sinto essas preocupações.” – sublinha a autarca.
Centro de Saúde espera obras há uns seis anos
“Também, ao nível da Saúde, sabemos que as coisas estão bem, se pensarmos que a população atingiu um determinado nível de qualidade de vida, mas, neste momento, estão a ser postos em causa muitos dos seus direitos.
É, portanto, preocupação da população e das autarquias locais, nomeadamente da Junta de Freguesia de Alhos Vedros, a questão do Centro de Saúde, que espera obras de recuperação já há uns seis anos.
Ainda, numa recente reunião que fizemos com a Administração da Arco Ribeirinho, ficou claro, que este era um Centro de Saúde prioritário, mas, a realidade, é que ainda não foram adjudicadas.” – sublinha a presidente da Junta de Freguesia de Alhos Vedros.
Cerca de 7500 pessoas sem médico de família
Segundo Fernanda Gaspar cerca de 50% da população da freguesia de Alhos Vedros não tem médico de família. A freguesia conta com 15 mil habitantes.
Refere que para além da falta de médicos também foi reduzido o horário das Consultas de Doença Aguda, aos domingos.
“Os problemas na área da saúde são colocados diariamente pela população, que tem dificuldades de deslocação para o Hospital do Barreiro” – refere a autarca.
Estação encerrada impede acessos
Fernando Gaspar, refere o facto de ser encerrado o acesso à população nas ligações da vila com a zona do Bairro Gouveia, devido ao fecho da Estação dos Comboios.
“Esse problema que impede a deslocalização normal da população já foi referenciado quer pela Câmara Municipal, quer pela Junta de Freguesia, gera uma barreira arquitectónica, e, apesar de alertada a REFER, ainda não existiu resposta, assim como não nos responde sobre a manutenção dos elevadores, que muitas vezes estão sem funcionar” – refere Fernanda Gaspar.
Em risco actividades das associações ribeirinhas
A presidente da Junta de Freguesia de Alhos Vedros, lamenta que questões ligadas à privatização da água, possa afectar a vida dos clubes com instalações na zona ribeirinha.
“A Administração Central quer que aqueles terrenos passem para gestão privada.
Ao longo dos anos foram efectuados um conjunto de investimentos pelas associações, com o apoio das autarquias, que, com estas medidas poderão impedir que as associações continuem a desenvolver os seus projectos.
Nós temos acompanhado o assunto com a Câmara Municipal, junto aos Ministérios, para ver se são encontradas soluções que não ponha em causa os direitos das populações, que se associam nestes centros náuticos, através das quais contribuem para desenvolver desporto e dar vida ás zonas ribeirinhas do Rio Tejo” – refere a autarca.
Movimento associativo uma referência na região
A presidente da Junta de Freguesia de Alhos Vedros, refere que as colectividades da freguesia estão todas elas com actividades – “umas mais regular, outras menos, e, felizmente, neste mandato conseguimos que abrisse também a colectividade de Brejos Faria, que esteve fechada durante muitos anos”.
“Obviamente que as colectividades têm grandes dificuldades, mas, os grandes projectos culturais da freguesia, e, com referência no concelho da Moita, são aqueles, anualmente dinamizados pelas associações da freguesia de Alhos Vedros. São iniciativas com um forte impacto quer concelhio, até mesmo a nível distrital, e, algumas iniciativas com projecção nacional, todas com a parceria directa da Junta ” – sublinha.
Descentralização está a ser cumprida
Fernanda Gaspar, a propósito das relações da Junta de Freguesia com a Câmara Municipal sublinha que – “as relações institucionais estão dentro da normalidade, a descentralização que foi efectuada e o protocolo assinado tem estado a decorrer normalmente, e, temos vindo a cumprir tudo o que a Câmara descentralizou”.
“Naturalmente que nós, enquanto Junta de Freguesia, defendemos outro tipo de autonomia, que passaria por este tipo de competências serem atribuídos directamente às Juntas de Freguesia, e, não com base em protocolos com as Câmaras Municipais” – refere a autarca.
Alhos Vedros mantém-se como freguesia
Fernanda Gaspar sublinha que as propostas do Governo de Reforma Administrativa – “vai piorar mais a situação”.
“Esta é a machadada final, digo eu, na autonomia das freguesias, e, até dos municípios, porque vai colocar todos numa maior dependência da Administração Central.
Não há uma repartição de competências, nem repartição de meios, pelos seus diversos níveis, local, regional que ainda não foi implementada, e central”- sublinha.
Segundo Fernanda Gaspar a freguesia de Alhos Vedros não vai ser afectada com a reforma administrativa que prevê extinção de algumas freguesias.
«Alhos Vedros Cultural» um sonho por realizar
Todos os autarcas têm sonhos, projectos que gostavam de ver concretizados nos seus mandatos.
A presidente da Junta de Freguesia de Alhos Vedros, refere que – “o que eu gostaria era de ver a funcionar em pleno a Unidade de Cuidados Integrados, a recuperação do Centro de Saúde, e, sobretudo, gostaria de ver algumas obras da Administração Local serem realizadas na freguesia de Alhos Vedros, que estavam integradas no projecto «Alhos Vedros Cultural», mas, que sei, com os cortes financeiros que já foram efectuados e aqueles que se avizinham, menos espaço existe para que essas obras sejam realizadas, nomeadamente, a recuperação de espaços quer no antigo mercado, que no Palacete ao lado do Moinho de Maré, assim como outros edifícios, que previam a existência de uma sala de espectaculos na freguesia”.
Uma vila com identidade e vida própria
“Alhos Vedros tem uma identidade que não é de vila dormitório, e, sonho que, cada vez menos, tenha tendências para perder essa sua identidade.
Essa é uma ideia que muitas vezes passa, mas não é real. Alhos Vedros não é um dormitório, isso sente-se na própria actividade do Movimento Associativo, e na aderência da população a essas actividades.
Estou a falar do desfile de Carnaval, da Feira Medieval, das escolinhas de formação ao nível de futebol, da bienal de pintura, da Feira do Livro de Alhos Vedros, os encontros de folclore, ou,até, num ao Torneio de Malha, ou, até mesmo das iniciativas que a Junta de Freguesia promove para assinalar comemorações especificas, seja, do 25 de Abril ou o Dia Internacional da Mulher.
Há sempre uma forte participação da população. Isso, é dado que contribui para que Alhos Vedros não possa ser considerado um dormitório, porque tem vida muito própria.
As pessoas que começam a viver aqui, gradualmente, vão-se integrando na vida local, e, no sentir da população” – sublinha a presidente da Junta de Freguesia.
Renovação do centro histórico de Alhos Vedros
“No entanto, na minha opinião, é urgente a renovação do tecido urbano no centro da Vila Histórica de Alhos Vedros.
Terá que existir mais pressão, por parte da Câmara Municipal junto dos proprietários, que nalguns caos deixam as fachadas degradar-se.
Isto é fundamental, para dar um sentir melhor o espaço urbano da vila.” – salienta Fernanda Gaspar.
Não me sinto satisfeita com os meios que existem
No final da nossa entrevista perguntámos se, se sentia satisfeita como pessoa por ser Presidente da Junta de Freguesia de Alhos Vedros.
“Sinto-me satisfeita por ser Presidente da Junta de Freguesia de Alhos Vedros. Não me sinto satisfeita com os meios que existem para cumprir projectos que pudessem melhorar a qualidade de vida da população.” – sublinhou a autarca.
S.P.













