Rui Lopo, Conselho de Administração dos Transportes Colectivos do BarreiroAdministração Central devia compensar TCB’s com um milhão e meio de euros anualmente

Por Jornal Rostos
Rui Lopo, que integra o Conselho de Administração dos Transportes Colectivos do Barreiro, foi o nosso convidado para o almoço, ali, no Emporio do Paladar, uma conversa, onde, o autarca sublinhou que – “os Transportes Colectivos do Barreiro, nos dias de hoje, numa perspectiva operacional, estão bem”.
Antevimos cenário de dificuldades económicas
“E digo bem, porquê? Bem, porque, já há cerca de um ano, ano e meio, que nós percebemos o caminho de um conjunto de políticas que agora estão a ser concretizadas, e, portanto, temos vindo a adaptar-nos internamente, às circunstâncias de gestão que nos dias de hoje nos são colocadas.
Nós, antevimos um cenário de grandes dificuldades económicas, antevimos um cenário de aumento dos preços dos combustíveis, e, paulatinamente, nós modelámos aquilo que é o funcionamento dos Transportes Colectivos do Barreiro à realidade actual.” – sublinha Rui Lopo.
Visão total dos serviços e dos equilíbrios
O autarca sublinha que as acções desenvolvidas materializaram-se – “em lógicas de gestão, que não estavam maturadas”.
“Hoje, sabemos que carreiras são rentáveis e quais as carreiras que não são rentáveis. Sabemos, até mais, que só a sua rentabilidade, sabemos quanto nos custam e qual o deficit por carreira.
Sabemos onde, em cada carreira, podemos poupar, ou não, no sentido de equilibrar os seus custos.
Temos uma visão total dos serviços e dos equilíbrios que é preciso manter. Tudo isto é um trabalho que começou a ser feito no inicio deste mandato, através do qual queremos, tentar, incorporar, esta visão na gestão.
A gestão que hoje fazemos, no dia a dia, começa a ter um processo gradual de maturação dos serviços, de maturação da gestão, e, de facto, já incorporou estas lógicas, que não são apenas no lado da poupança, ou do lado da optimização, mas, também nas perspectivas de futuro.” – refere o autarca.
Incorporar as mudanças de paradigma
“Percebemos, com um conjunto de reflexões que fizemos com os serviços, que precisávamos de ter uma bilhética mais dinâmica, precisávamos de criar novos produtos, porventura, até novos serviços.
Tudo isto é equacionado. O que se verifica nos dias de hoje é uma mudança de paradigmas, ( é isso que anda a circular por proposta da Administração Central), eu, diria que os TCB’s estão, actualmente, melhor preparados, para suportar alterações, do que estavam há um ano e meio atrás.
Ainda não estamos no ponto, ainda não estamos a 100%, mas estamos muito melhor preparados para incorporar as mudanças de paradigma.” – sublinha Rui Lopo.
Nós dávamos superavit
“Quando digo que estamos bem, não quer dizer que estamos onde desejámos estar, porque, nós, onde queremos estar é ter um serviço que permita que seja reconhecido aos TCB’s, por parte da Administração Central, um conjunto de compensações financeiras pelo serviço que é prestado.
A partir do momento em que isso nos seja reconhecido, os TCB’s vão gerar superavit, uma coisa que, porventura, à maior parte dos gestores das empresas dos transportes do país, isto, é algo que pode assustar.
Os TCB’s têm uma realidade muito objectiva dos números com que trabalham, no dia a dia, mensalmente e ao ano, que nos permite dizer, se a Administração Central nos contemplasse pelo serviço que prestamos, na lógica dos transportes metropolitanos, nós dávamos superavit.” – salienta o autarca.
Governo deve um milhão e meio de euros anualmente
“Nós vamos continuar a optimizar toda a nossa oferta, naquela estratégia de gestão que antevimos o que ia acontecer, ainda vamos optimizar mais a nossa estratégia de gestão, que vai permitir optimizar mais a nossa rede e a nossa oferta.
Se a Administração Central nos desse compensação, à data de hoje, do dinheiro dos passes intermodais, que não é, ao valor que nos é entregue, não é o que devia ser, é muito abaixo; e, o outro, que é, a indemnização compensatória pelo serviço que nós prestamos, se isso nos fosse entregue nos dávamos lucro.
Em muito rigor, posso dizer, valores que no mínimo são um milhão e meio de euros anualmente.” – sublinha Rui Lopo.
Valor base de cálculo remonta a 1989
O autarca recorda que – “o primeiro valor tem a ver com aquilo que nos é pago, pelas pessoas que viajam com o Passe L123, e aquilo que é o custo que existe nos TCB’s
Para nós vermos o desfasamento, esse é um valor, cuja base de cálculo remonta a 1989, e, sabemos que a realidade social dos transportes na Área Metropolitana de Lisboa é totalmente diferente.
O cálculo foi feito com base em inquéritos naquela altura e, portanto, está completamente desajustado aos dias de hoje, isto faz com que, cada viagem do Passe L123, compense os TCB’s em 20 cêntimos, quando o custo da mesma viagem pelo deficit acumulado do histórico que temos é de 1.15 euros.
Se tiramos o deficit acumulado, a viagem devia custar os 90 cêntimos.
Nós não queremos receber os 90 cêntimos, nem 1.15 euros, bastava que a Administração Central nos desse aquilo que nós cobramos a cada barreirense que viaja com passe, nosso interno, com os nossos títulos próprios, o passe TCB, e, nesse passe cada viagem tem uma receita para os TCB de 57 cêntimos.
O valor que referi está calculado para nós em vez de recebermos 20 cêntimos, recebermos aquilo que cobramos aos barreirenses, seria recebermos 35 cêntimos.
Isto era mudar radicalmente a lógica que nós temos, porque, passávamos a ter superavit, portanto teríamos verba para investimento.”
Candidatura para o Quadro Comunitário de Apoio.
“Porque, a partir do momento que nós tivermos verba para investimento capaz, regular, sustentada, nós poderemos gerir melhor, e, ainda mais, com uma oferta mais capaz, com melhores carros, e, mais do que isso, prever a evolução tecnológica que, nós, andamos a trabalhar para que ela possa acontecer.
Posso dizer, em primeira mão, do ponto de vista jornalístico, não é do ponto de vista público, porque já comuniquei ao Conselho Local de Mobilidade. nós estamos a trabalhar numa candidatura para o Quadro Comunitário de Apoio.
É uma candidatura fortíssima, do ponto de vista financeiro é grande, do ponto de vista da dimensão da coordenação da candidatura é uma coisa que nunca tivemos nos TCB’s, penso que nem sequer na Câmara.” – refere Rui Lopo.
Coordenadores europeus do projecto
“Estamos nós na ousadia de sermos os coordenadores europeus do projecto. Teremos uma série de parceiros.
É um projecto para um conceito novo na lógica dos transportes colectivos, e, até das questões de mobilidade.
Não podemos avançar muito, porque, algumas ideias são pioneirissimas, não existem em lado nenhum, já validámos isso, são ideias inovadoras.
Será termos um sistema de informação que permita saber, quando e em que condições, um carro pode fazer um determinado percurso, ou pode ir a uma determinada paragem de autocarro.
Nós temos, hoje, um problema com as carreiras peri urbanas, são muito deficitárias e têm uma oferta que, é a possível, até podíamos tentar ir mais longe, mesmo, até do ponto de vista financeiro.
Com um sistema destes, será possível, nós, termos uma oferta mais regular, mas que não fosse a alguns sítios sem saber se estava alguém na paragem do autocarro.
Isto são modelos já testados na Europa, do ponto de vista da problemática não é uma novidade, a solução que encontrámos é que, essa sim, é uma novidade a todos os níveis.
A ideia começou por aqui, na problemática das carreiras periurbanas, mas evoluiu, e, passamos para a realidade urbana.
A regularidade e o preenchimento dos lugares por Km é uma problemática de todos os transportes urbanos.
Esta indústria produz, lugares por Km, mas, lugares por Km que não sabe, em rigor, se, são utilizados, ou não.
Este sistema vai optimizar, em muito, esta realidade.
Esta ideia, concretizada do ponto de vista tecnológico, vai optimizar tudo isto.” – refere Rui Lopos, que, fala deste projecto com entusiasmo.
Problemas dos TCB’s são apenas financeiros
Recorde-se que os Transportes Colectivos do Barreiro transportam anualmente na ordem de 13 milhões, na ordem de 43 mil passageiros por dia.
“Os problemas que hoje os TCB’s têm no seu dia a dia são apenas problemas financeiros, ao nível de tesouraria.
Conseguirmos pagar gasóleo, conseguirmos pagar ordenados, porque, nós, vivemos da regularidade da tesouraria” – salienta Rui Lopo.
Desenvolvimento do concelho do Barreiro
“Os TCB’s são uma peça importante para o desenvolvimento do concelho do Barreiro. Isso é indiscutível.
Nós temos uma permeabilidade enorme
dos nossos transportes, eles existem em todas as freguesias do concelho, quase em todos os lugares.
Sem os TCB’s não era possível termos esta consistência urbana.” – refere o autarca.
Uma gestão intermunicipal dos TCB’s
A propósito de uma eventual gestão futura dos TCB’s numa perspectiva intermeunicipal, envolvendo os concelhos do Barreiro e Moita, Rui Lopo salienta – “Não é que nunca se tenha falado de uma gestão intermunicipal dos TCB’s, entre o Barreiro e Moita. Ainda neste mandato debatemos por formas informais esta matéria.
Mas, o momento económico do país não facilita um processo desses, porque alargar a oferta a outros concelhos obrigaria necessariamente a um maior investimento, que, a curto prazo não parece exequível.
Por outro lado, a minha opinião pessoal era que fosse desejável.”
Aproximar gestão da massa operacional
“Nós, do ponto de vista da gestão melhoramos muito, com preocupações em conceito de imagem, preocupações em estratégias e metodologias que se reflectem na actualização tarifária.
Nós há um ano e meio que estamos a discutir a metodologia tarifária.
Estamos conscientes que tomámos opções correctas do ponto de vista das actualizações tarifárias.
A lógica de gestão, vai desde o trabalho financeiro, até ao trabalho de gestão dos recursos humanos.
Fazemos reuniões regulares com trabalhadores para ouvir suas sugestões e preocupações, e, também, para os colocar a par do que estamos a fazer, os problemas e estratégias para os resolver.
Tudo isto permite uma aproximação entre a gestão e a massa operacional.” – sublinha Rui Lopo.
Recorda que os TCB’s contam com cerca de 20 trabalhadores administrativos, o resto é operacional, num total de 220 trabalhadores.
Promover o conceito de rede
“Não nos resumimos neste momento a pensar no dia de hoje, estamos a trabalhar em processos que só daqui a 5 anos iremos obter resultados, ou, até começar a trabalhar neles. Isto é muito importante” – salienta Rui Lopo, acrescentando a importância de serem desenvolvidos novos conceitos.
“O Diagrama de Rede que criámos, é um conceito gráfico que permite ver o nível de serviço que é prestado, a complementaridade da rede, a pilaridade da rede.
O mais importante é contribuir para fomentar o conceito de rede, e, os utentes perceberem que a utilização dos transportes na sua rede, não tem custos acrescidos para o utente” – refere, acrescentando a importância da recente criação do «Cartão Cliente TCB’s» para aprofundar esta conceito - “O serviço prestado só se justifica com pessoas para transportar” – sublinha o autarca.
Formação é uma regra
Rui Lopo, recorda o trabalho realizado ao nível da Formação de pessoal, que actualmente – “ é uma regra, principalmente na temática de relação com o cliente”, matéria que está a evoluir para que exista de forma permanente – “a Formação Interna que é uma aposta, com a existência de um Formador Certificado”.
Indice positivo de “Satisfação”
Os TCB’s contam como referimos com 220 trabalhadores, tem um Orçamento Anual que ronda os 12 milhões de euros, a frota actualmente é composta por 78 carros urbanos e 8 carros turismo.
Recente inquérito, confirma que existe de forma global um índice positivo de “Satisfação”, por parte dos utentes.
S.P.













