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Perspectivas

João Afonso Gonçalves, presidente da Direcção da Associação de Proprietários do BarreiroEsta a aumentar o número de inquilinos que não pagam as rendas

João Afonso Gonçalves, presidente da Direcção da Associação de Proprietários do Barreiro, em entrevista ao jornal «Rostos» refere que – “a Câmara fala muito na reabilitação do Barreiro Velho”, mas, para o dirigente da APB encontrar uma solução para aquela zona da cidade –“é muito complicado”.

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João Afonso Gonçalves, presidente da Direcção da Associação de Proprietários do Barreiro Esta a aumentar o número de inquilinos que não pagam as rendas

Por Jornal Rostos

A Associação de Proprietários do Barreiro, foi criada em 4 de Julho de 1932, e, actualmente, presta um bom serviço à comunidade, não só do Barreiro, mas, também, nos concelhos da Moita, Seixal e Sesimbra.
João Afonso Gonçalves, presidente da Direcção da Associação de Proprietários do Barreiro, falou ao Rostos do trabalho realizado pela associação, e, também, das dificuldades sentidas nos tempos actuais.

Contamos com cerca de 1200 associados

“Esta associação foi criada com o propósito de ajudar os proprietários a resolver os problemas dos seus imóveis, conta, em termos reais com cerca de 1200 associados.
A associação faz as cobranças das rendas, entrega as mesmas aos seus associados, dá apoio jurídico, resolve problemas das habitações, e, procura, na medida do possível resolver os problemas dos associados” – refere João Afonso Gonçalves, presidente da Direcção da Associação de Proprietários do Barreiro.
Recorda que, perante a actual situação sócio-económica, os problemas têm vindo avolumar-se.
A associação faz um valor global de cobranças de rendas, na ordem dos 300 mil euros mensais.

Aumentam o número de rendas em atraso

“Aumentam as dificuldades em receber as rendas, e, nós temos procurado, na medida do possível, resolver as situações, mas, cada vez há mais rendas em atraso” – sublinha.
“Temos um problema grande que não há meio de resolverem, que é o caso dos inquilinos que não pagam, procederem à entrega das casas. Esta é uma situação difícil, porque só passados três meses é possível mover uma acção, as acções levam um tempo indeterminado, porque a nossa Justiça não funciona como deve ser, em coisas tão simples, e, esta seria das coisas mais simples que havia para resolver: um indivíduo não pagou, provou-se que não pagou, e, a situação seria resolvida. Nem é preciso ser doutor para perceber uma situação destas. Devia existir um Departamento, fosse lá o que fosse, para tratar destas situações de forma rápida. Acho que esta devia ser uma competência das Câmaras. Ou criar um Juiz de Paz para estas situações.” – sublinha.
“Está a crescer o número de inquilinos que não pagam as rendas, e, está a crescer também o número de inquilinos que, apesar de estarem em dia, dirigem-se à associação a entregar as chaves, porque não conseguem suportar os pagamentos das rendas” – refere João Afonso Gonçalves.

É difícil manter as rendas com segurança

“O mercado do arrendamento saiu agora o aumento das rendas que tem um aumento insignificante.
O aumento de zero qualquer coisa não significa nada para rendas antigas. As rendas actuais é o contrário, não as podemos aumentar, por uma razão muito simples, porque estão numa bitola tal, se as aumentamos, ou não pagam, ou entregam a chave.
Porque hoje, até podem encontrar no mercado rendas mais baratas.
Uma renda de três assoalhadas que ultrapasse os 300 euros, torna-se complicado. Aluga-se, mas para manter com segurança é difícil.” – refere o presidente da Direcção da Associação de Proprietários do Barreiro.
“Neste momento devemos ter devolutas cento e tal casas para aluguer” – refere.

Inquilinos não pagam estragos

“Nós, por exemplo, não temos garantia nenhuma para os estragos efectuados pelos inquilinos nas habitações.
Há casos, que o senhorio arranja a casinha, fica tudo muito bem, o inquilino está lá meia dúzia de meses, depois vai-se embora, quando entrega a casa está tudo num desastre. Cozinhas partidas, casas de banho, e, nada pode ser feito para que os senhorios possam receber as casas como as alugaram” – sublinha.

Barreiro Velho é muito complicado

O presidente da Direcção da Associação de Proprietários do Barreiro, no decorrer da nossa conversa, refere que em relação à zona do Barreiro Velho – “Tal como está não tem futuro, por uma razão muito simples, são casas com três ou quatro metros de frente, com reentrâncias umas nas outras.
Para que se possa fazer uma reabilitação é preciso juntar três ou quatro casas.
Ninguém vai investir, a não ser que já more, para fazer cubículos.
A Câmara fala muito na reabilitação do Barreiro Velho, mas, acho que é muito complicado.
Ali aluga-se com rendas baratas, mas as casas não têm condições”.
“Aquilo só tem solução com reorganização, com as pessoas a juntarem-se, mas, não querem, acho que deviam deixar-se juntar e obrigar a uma traça antiga e com limitações. Assim, como está, não vejo solução” - sublinha.

Queremos divulgar mais a associação

“A associação é pouco conhecida no Barreiro, apesar de todos os meses entrarem novos associados.
Temos muitos associados satisfeitos com o nosso trabalho, principalmente, os associados emigrantes.
Nós queremos divulgar mais a associação e o seu trabalho.
Com a Câmara Municipal do Barreiro e Junta de Freguesia do Barreiro mantemos uma boa relação.” – refere João Afonso Gonçalves.
“O nosso principal problema, aquilo que mais nos preocupa são as acções de despejo, que estão a aumentar” – salienta.

300 mil euros de rendas mensais

A associação faz um valor global de cobranças de rendas, na ordem dos 300 mil euros mensais.
“Nós não temos dificuldades, vivemos sem problemas para assumir os nossos compromissos, mas, começa a ser um pouco apertado, é, por essa razão que nós precisamos de mais associados” - sublinha.

Aproximar a associação da comunidade

“Esta é uma instituição que pode tratar dos problemas dos senhorios, que pode ajudar os senhorios, e, presta um bom serviço à comunidade, não só do Barreiro, mas, também, nos concelhos da Moita, Seixal e Sesimbra” – refere o presidente da Direcção da Associação de Proprietários do Barreiro.
No próximo ano a associação vai comemorar o seu 80º aniversário, uma efeméride, que pretende assinalar com um programa que contribua para a aproximar a associação da comunidade.

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