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Perspectivas

Nuno Cavaco, Presidente da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira - MoitaHá mais de 9 mil pessoas sem médico de família na freguesia

. A situação social na freguesia «é dramática» há muitas pessoas a perder as suas casas

“Estamos num momento muito complicado, a situação financeira da Junta está difícil, e, na freguesia avolumam-se os problemas ao nível social” – refere Nuno Cavaco, presidente da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira.

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Nuno Cavaco, Presidente da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira - Moita Há mais de 9 mil pessoas sem médico de família na freguesia

Por Jornal Rostos

Nuno Cavaco, assumiu a presidência da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira, em Setembro de 2011, no entanto, referir que já exercia o cargo de Secretário do Executivo.
O autarca refere que a mudança foi registada devido a problemas de saúde do presidente que motivou abdicar de continuar a exercer o cargo – “o objectivo é permitir que a Junta continue a desenvolver o seu bom trabalho”.
Nuno Cavaco, sublinha que foi ele a assumir o cargo de Presidente mas, também, podia ter sido outro membro do executivo, mas, acima de tudo o importante é que funcionam como uma equipa – “ a qualidade do executivo desta freguesia é muito grande, e, também o apoio que temos das outras Juntas e da Câmara Municipal, e, dos nossos trabalhadores, tornam as coisas mais fáceis”.

Mais um corte de 20 mil euros

“Estamos num momento muito complicado, a situação financeira da Junta está difícil, e, na freguesia avolumam-se os problemas ao nível social.
Esta, não é a melhor fase para estar numa Junta de Freguesia, com o que se está a passar, arrisco a afirmar que estamos a viver uma das piores fases de sempre das Juntas de Freguesia, não só da Baixa da Banheira, mas também das outras freguesias.
Para além das nossas competências, nós desenvolvemos actividades extras, e, agora, ficámos a saber que vamos ter mais um corte de 20 mil euros, com a proposta do Orçamento de Estado.”- sublinha Nuno Cavaco.

Movimento Associativo muito forte

Nuno Cavaco salienta que a freguesia da Baixa da Banheira, tem um Movimento Associativo “muito forte, faz coisas maravilhosas, substitui-se ao estado,
”, que se está a ressentir com os cortes que reduzem os apoios.
“Fomos obrigados a adiar alguns apoios que temos com as associações” – refere.

Aumentam pedidos de ajuda ao Banco Alimentar

“Nós temos na freguesia uma situação quase dramática. Há muitos desempregados. Há muitos pedidos de apoio à Junta.
Sabemos que, por exemplo, dos alunos que estão nas escolas, aumentam os alunos carenciados. Temos muitas pessoas a perder as suas casas.
Temos na freguesia uma situação muito preocupante. Nós trabalhamos com um grupo que dá apoio às famílias ao nível do Banco Alimentar, e, o que registamos é que cada vez é preciso mais ajudas às famílias” – refere o presidente da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira.
Nuno Cavaco, recordou que numa recente visita a uma colectividade, onde estavam um conjunto de jovens atletas, no final, pediu aos mesmos que tivessem pais desempregados que levantassem o braço.
“Levantaram quase todos. Estavam uns vinte atletas e levantaram o braço 18. Este é bem um exemplo da situação existente na freguesia” – referiu.

Envolver muita gente

Nuno Cavaco sublinha que neste tempo de «vacas magras» é importante envolver os trabalhadores da autarquia, os agentes locais e a população na discussão do Orçamento da Junta de Freguesia.
“Não pode ser um Orçamento Participativo, porque é muito curto. Mas queremos ouvir a população. Nós queremos desenvolver projectos em conjunto com o Movimento Associativo, fazendo coisas com poucos recursos, mas envolvendo muita gente”- sublinha.
“Nós achamos que a Junta de Freguesia, pela sua proximidade, deve procurar, tanto quanto possível, resolver os problemas com as pessoas, ir ao encontro das pessoas.
Mesmo que o problema não seja da nossa competência devemos ir ao local e acompanhar as situações com a população. Falar no local e aí perceber a situação. Quem sente os problemas são as pessoas e é com elas que devemos analisar os problemas” – sublinha Nuno Cavaco.

Uma nova esquadra da PSP

“Nós mantemos uma boa relação, muito próxima, com a Policia de Segurança Pública.
O problema que nós sentimos é que tem vindo a verificar-se redução significativa de efectivos da PSP.
Hoje, na cabeça de algumas pessoas, há um sentimento de insegurança, que, também é potenciado pela situação de crise.
O trabalho da PSP é muito positivo. Mas, nós consideramos que é importante continuar a exigir uma esquadra nova, que vai ficar localizada junto ao Campo do Vinhense. Já tem projecto da PSP.
E, naturalmente, consideramos necessário aumentar o número de efectivos.” – refere.
“É importante que não se perca o conceito de policiamento de proximidade” – sublinha.

Loja do Cidadão na Baixa da Banheira

Segundo o presidente da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira, espera que se concretiza a abertura dos serviços que estão anunciados pelo Governo de criação de uma Loja do Cidadão na Baixa da Banheira.
“Este é um serviço que faz falta à população. Nós consideramos que é positivo o Governo ter dado uma resposta ao Partido Ecologista «Os Verdes», porque, o anterior Governo, nunca respondeu a nada” – salienta o autarca.

Mais de 9 mil pessoas sem médico de família

Nuno Cavaco, salienta o facto de existir na freguesia uma Comissão de Utentes de Saúde que tem – “desenvolvido um trabalho muito bom”.
O autarca sublinha que tem vindo a registar-se uma diminuição de trabalhadores nos serviços de saúde da freguesia – “Há falta de médicos. São mais de 9 mil pessoas sem médico de família”
“O edifício não tem condições. Já existe terreno cedido pela Câmara Municipal da Moita destinado a um novo Centro de Saúde e há anos que se arrasta esta situação.

Reivindicamos uma Delegação das Finanças

No âmbito de serviços públicos o presidente da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira refere a necessidade de existir uma Delegação das Finanças.
“Esta é uma reivindicação antiga da população” – sublinha.,

TCB’s deviam servir a Baixa da Banheira

Nuno Cavaco refere, igualmente, a importância para a freguesia dos Transportes Colectivos do Barreiro servirem a freguesia da Baixa da Banheira.
Esta é uma situação que gostaríamos de ver desenvolvida, mas, a inexistência de uma entidade que regule os passes na Área Metropolitana de Lisboa, dificulta que seja encontrada uma solução”. – refere.

Freguesias não contribuem para o deficit

“Nós somos contra a imposição governativa de extinguir as freguesias. Achamos que podem e devem haver reformas administrativas, que devem partir das necessidades das próprias populações e dos autarcas, que são aqueles que conhecem os problemas.
Não deve ser isto que está a acontecer, que é imposto pelo Governo, num quadro de redução de custos. Quando nós entendemos que isto não são custos, são investimentos para a democracia.
Por nós, a ANAFRE devia ter tido uma posição mais forte. O Governo lança um livro verde, que já é velho, pois, estas ideias já são conhecidas desde 2003.
A ANAFRE faz um trabalho, que era o que o Governo devia ter feito, referindo quem é extinto, quem era agregado. Nós consideramos que isto foi um erro.
Os recursos afectos pelo Orçamento de Estado às freguesias é mínimo.
As freguesias não contribuem para o deficit, e, na prática, prestam um serviço de proximidade, que, por exemplo, nem as Câmaras Municipais conseguem fazer, por isso, estas coisas têm que ser vistas numa perspectiva muito diferente.” – salienta.
Nuno Cavaco referiu, igualmente, que na mudança de legislação, discorda que os Presidentes de Juntas de Freguesia deixem ter assento na Assembleia Municipal.

Festas com a prata da casa

O presidente da Junta de Freguesia sublinha que apesar das dificuldades financeiras a autarquia continua a desenvolver os seus projectos, quer na ligação com o Movimento Associativo, quer com a Comunidade Educativa e vai dar continuidade a actividades importantes para a vida local, nomeadamente a realização das Festas da Baixa da Banheira.
“Nós nas festas queremos envolver a população, os comerciantes, o Movimento Associativo, e, em Janeiro esperamos dar posse a uma Comissão de Festas, para prepararmos umas festas mais caseiras, com a prata da casa, que permite poupar recursos” – sublinhou.

Uma terra reivindicativa

“Sabe, é uma honra para mim assumir a presidência da Junta de Freguesia da minha terra, com uma grande equipa, com trabalhadores dedicados, e, com uma população que é muito reivindicativa, que assim deve continuar a ser, porque isso tem sido positivo.
É pena não podermos fazer aquilo que queremos com os cortes que estão anunciados” – refere Nuno Cavaco.
No final da nossa entrevista, o autarca, salienta que há sonhos que continuam a estar presentes, como a construção do complexo desportivo, a construção de um Pavilhão Multiusos, e, diz – “num futuro mais distante uma Piscina coberta”.

Apoiar os Comerciantes Locais

“Nós temos preocupações ao nível do Comércio Local muito grandes. Nos nossos encontros, hoje, é normal ver comerciantes a chorar, porque não conseguem suportar as despesas.
Queremos reunir com os comerciantes e ver formas de envolver a comunidade, para dar uma palavra amiga e ajudar o seu desenvolvimento” – salienta a finalizar Nuno Cavaco.

S.P.

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