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Perspectivas

Patrícia Santos – Autora do livro «Crime na Praia da Zavial» - Setúbal«As pessoas que têm sonho devem lutar por ele, as coisas boas também nos acontecem a nós»

Patrícia Santos, concretizou um sonho quando, no final de 2011 viu editado o seu livro Crime na Praia do Zavial que escreveu com 17 anos e que agora decidiu tirar da gaveta. Numa agradável conversa com o Rostos a jovem autora diz que escrever é para ela um misto de necessidade, vício e prazer.

6 min de leitura
Patrícia Santos – Autora do livro «Crime na Praia da Zavial» - Setúbal «As pessoas que têm sonho devem lutar por ele, as coisas boas também nos acontecem a nós»

Por Jornal Rostos

A Patrícia é uma jovem de 26 anos. É licenciada em Terapia da Fala pela Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Setúbal e é como terapeuta da fala que trabalha há já 3 anos nos agrupamentos escolares em Setúbal e no Centro de Recursos da APPACDM.
Nasceu em Setúbal e completou o ensino secundário na Escola Secundária Lima de Freitas – Viso, onde no final do 11º ano escreveu o seu livro «nas férias do verão, naqueles três meses que parecem intermináveis, aventurei-me. Comecei a construir a história na minha cabeça. As personagens são, de resto, o seu grupo de amigos da escola, «nove ao todo. Tive que mudar os nomes todos, só deixei o meu mas o grupo é real» explicou «éramos um grupo muito unido e tínhamos bastantes aventuras juntos».

«Escrevia muito, mas para mim própria»

Patrícia não saber dizer exactamente quando começou a ficar mais desperta para a escrita mas afirma antes de mais tudo começou com a leitura «desde criança que sou viciada em livros, sempre gostei muito de ler e vivi rodeada de livros». Ao gosto pela leitura juntou-se o facto de, como referiu «ter sido sempre uma criança muito imaginativa e fantasiosa» e assim a escrita foi crescendo naturalmente à medida que Patrícia ia também crescendo «aí na minha adolescência punha-me a rabiscar umas coisinhas» disse, acrescentando «comecei por poemas, por ser mais fácil escrever assim, e depois na escola quando os professores pediam reflexões comecei a descobrir o gosto pela escrita e que isso me dava prazer e foi crescendo a paixão pela escrita».
Esta paixão, diz, sempre foi uma coisa muito pessoal, uma coisa muito sua «nunca mostrei a ninguém. Escrevia muito, mas para mim própria, porque era uma necessidade, eu escrevia porque precisava. Algumas pessoas têm um escape no desporto ou noutras actividades e o meu escape era a escrita, chegava ali e escrevia sobre o que queria e parecia que ficava mais aliviada» - explicou. «Ainda hoje sou daquelas pessoas que anda sempre com um caderno e quando vou na rua vou sempre a imaginar e tenho logo que passar para o papel. Para mim escrever é um misto de vício, prazer e necessidade» sublinhou Patrícia Santos.

A aventura de tirar o livro da gaveta.

«Tal como as outras coisas que ia escrevendo, escrevi o livro e guardei» explicou Patrícia que confessou só, mais tarde, ter tido coragem de mostrar a algumas pessoas mais próximas que leram e gostaram e começaram a perguntar porque não editava mas «sempre achei isso uma coisa muito inalcançável» disse.
«No ano passado conheci um senhora que editou o seu livro e pensei: se ela conseguiu porque não haveria eu de ir á luta?. Numa manhã de Domingo estava eu a ouvir a rádio e as agentes literárias da editora Universo estavam a falar nessa rádio. Gostei muito do que elas disseram, sobretudo o facto de darem oportunidades a novos autores que têm o sonho de publicar as suas histórias e de que esse sonho não deve ser barrado. Isso entusiasmou-me». Depois Patrícia foi tentar saber mais sobre a Universo e decidiu finalmente tirar o livro da gaveta «pensei que mesmo que não quisessem editar, ao menos iria receber uma crítica de alguém que está no meio, e isso é sempre bom para evoluirmos» disse. «Então enviei e, passado alguns dias, elas responderam de volta a dizer que tinham gostado do livro e que tinham todo o gosto em publicá-lo mas que necessitava de alguma revisão em termos ortográficos. Voltei então a ler o livro e fiz as alterações. Enviei novamente e marquei uma reunião na qual me explicaram tudo o que poderia vir a acontecer até em termos de contrato. Depois muito rápido, entre Setembro e Dezembro quando o livro foi lançado».

Prefere os Policiais e o suspense

Patrícia afirma que as ferramentas necessárias para a forma e estrutura do seu livro vieram dos hábitos de leitura «penso que quando uma pessoa lê muito não é necessário ter alguma formação especial, pois inconscientemente senti que a história foi fluindo» disse. Foi também a leitura de autores como Agatha Christie; Nicholas Sparks, Dan Brown, Jodi Picoult, José Rodrigues dos Santos e Luís Miguel Rocha, que mostram a influência do estilo que adoptou «sempre gostei de livros e filmes policiais com suspense, daí ter escolhido escrever no género de aventura e mistério e não apenas de romance, por achar que assim seria mais interessante» disse.

Porquê a praia do Zavial?

O Rostos quis saber o porquê da escolha desta praia que muitos já lhe perguntaram se existe «a praia do Zavial existe, apesar de eu não a conhecer. A escolha teve a ver com o facto de eu querer como cenário uma praia. Depois queria que fosse longe daqui – apesar das nossas praias lindíssimas – e queria uma praia assim meio escondida e com falésias, pois necessitava dessas características para o livro, e assim, na minha pesquisa descobri que a praia do Zavial tinha tudo isso, embora não se tenha passado lá nada comigo…» disse com um sorriso.

Lutar por um sonho - uma mensagem de incentivo

«Há muitas pessoas que escrevem e têm medo de mostrar aos outros, ou medo que não seja suficientemente bom, e isso muitas vezes é um engano. Eu também achava que o meu livro não tinha qualidade para ser editado e descobri que era errado pensar assim.
Depois é preciso procurar estas editoras que abrem espaço para nós. Por isso as pessoas que têm esse sonho devem lutar por ele pois eu aprendi que as coisas boas também nos acontecem a nós. Devemos traçar objectivos na nossa vida e irmos conquistando cada um deles».

Resumo da história

«É um livro policial que tem muito mistério, aventura e romance cm uma história muito juvenil. Tem também muito a ver com as relações de amizade e o livro passa essa mensagem pois estes nove amigos são muito unidos. Este grupo de amigos, que terminaram o 11º ano, vai para a praia do Zavial para um acampamento selvagem de duas semanas e aí começam a acontecer coisas estranhas e alguns mistérios. A personagem principal encontra um rapaz pelo qual se apaixona e que está dentro desse mistério» disse a autora.
Quem quiser saber mais terá mesmo que ler este livro que está à venda nos seguintes locais: Bertrand (online); Wook (online e nas lojas); Porto Editora (lojas); Livraria Pó dos livros (loja) e Há café no alfarrabista.

Rui Nobre

CONSULTE
http://www.rostos.pt/edicoes/noticia/pdf/noticia111.pdf

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