João Miguel, Presidente da Junta de Freguesia da MoitaAs Festas da Moita são um encontro da terra com a sua história
As festas têm duas vertentes – o sagrado e o profano – isto é próprio de qualquer festa, mas na Moita, as festas são, igualmente, a ligação da terra e do mar.
Há mesmo o lema- “Moita é uma terra onde quem não cava já cavou, quem não rema já remou”, a Moita é uma terra que nasce destas duas ligações de pessoas ou ligadas à agricultura, ou ligadas ao mar.
As festas são um encontro da terra com a sua história.” – salienta o presidente da Junta de Freguesia da Moita.

Por Jornal Rostos
Num diálogo com o jornal «Rostos», João Miguel, Presidente da Junta de Freguesia da Moita, salientou a importância e o sentimento da população sobre aquelas que são umas das festas com mais tradição na Área Metropolitana de Lisboa e com projecção no país.
Festa está associada ao ritmo do trabalho
“As Festas da Moita, para qualquer cidadão do concelho, são um momento esperado com grande ansiedade, até pelas características das festas, que representam um momento de viragem.
A festa está associada ao ritmo do trabalho, primeiro foi a agricultura, no final de um ano de colheita há uma festa, aqui, também a festa está ligada a esse ritmo do trabalho, chegou ao terminus o período agrícola, agora há festa, depois vamos para o próximo ano.
A festa tem um grande significado para a população da Moita que vive esta festa como ninguém, normalmente, até é difícil a uma pessoa que venha de fora, perceber como as pessoas da Moita sentem e vivem o dia-a-dia das festas” – sublinha o autarca.
Festas dão identidade à Moita
“A minha mulher não é de cá, é do norte, e quando veio viver aqui para a Moita, dizia: aqui na Moita nota-se que nas festas há qualquer coisa diferente de outras terras, no envolvimento das pessoas e na forma como as pessoas se entregam.
As festas dão identidade à Moita, com a tauromaquia, quer através das largadas, quer através das corridas, como as pessoas vivem o ambiente de convívio que existe em redor das festas, como o ambiente em torno das embarcações, que é uma coisa única no país.
O culto a Nª Srª da Boa Viagem que as pessoas vivem de uma forma muito fervorosa.
São um conjunto de sentimentos, todos eles vividos muito intensamente, que dão um cunho muito particular à própria festa, dando-lhe uma projecção que vai muito para além da população da Moita” – refere João Miguel.
Tarde do Fogareiro foi um elemento novo
Uma iniciativa que nos últimos atrai multidões à Moita é a «Tarde do Fogareiro». registando-se até o facto de em algumas empresas da região, anualmente, esta tarde é «sagrada» para o convívio e confraternização entre colegas de trabalho.
“A Tarde do Fogareiro foi um elemento novo introduzido na festa que resultou por a população da Moita viver de forma aberta e com um grande espirito de convívio, por isso é que esta tarde de consolidou.
Penso que, com dificuldades, conseguem promover esta tarde noutros locais, já o tentaram, mas as pessoas não o vivem de forma tão intensa como o vivem aqui na Moita.
É um facto que esta iniciativa foi uma novidade, foi crescendo ao longo dos últimos dez anos e, hoje, tornou-se num dos maiores acontecimentos na Área Metropolitana de Lisboa. Vem gente de todo o lado.
Isto são os fogareiros na rua, grupo organizados, para comer, beber, conversar, dançar. É uma festa.” – salienta o Presidente da Junta de Freguesia da Moita.
Junta de Freguesia apoia as festas
Sublinha João Miguel que, a Junta de Freguesia da Moita não integra a Comissão de Festas mas dá apoio e promove actividades nas festas – uma delas é a Tarde do Fogareiro, que é a própria Junta que patrocina as charangas e a animação.
Promove um Torneio de Xadrez com o Centro Náutico da Moitense e organiza uma Tarde Infantil e actividades para as crianças, no Largo da vila.
Apoia, igualmente, a Volta de Cicloturismo integrada nas Festas.
De referir que a Comissão de Festas é autónoma e conta com o apoio da Câmara Municipal da Moita e Junta de Freguesia da Moita.
Festas da Moita têm mais de 300 anos
Perante as mudanças que estão em curso ao nível das freguesias questionámos se a verificarem-se alterações nas freguesias em que medida tal pode afectar o futuro das Festas da Moita.
“As Festa estão muito enraizadas na vida da população, as festas da Moita têm mais de 300 anos.
A Festas não irá acabar, as pessoas vão continuar e não será um decreto de papel que possa acabar com a freguesia da Moita que irá acabar com a Festa da Moita.
Mas, pode perder alguma identidade, porque a Festa da Moita realiza-se na freguesia da Moita, cada freguesia do concelho da Moita tem a sua festa.” – refere o autarca.
Acredito que a Lei não vai avançar
“Se, por acaso essa lei for para a frente, a agregação de freguesias, obriga a que haja uma nova denominação das freguesias que forem agregadas.
A minha questão é como se irá denominar se a lei apontar para que a Moita se agregue com a freguesia de Alhos Vedros – como vamos chamar à nova freguesia?
Se assim for, a festa da Moita sempre realizada na freguesia da Moita, vai passar a ser a festa de que freguesia?
Eu acredito que a Lei não vai avançar, mas, mesmo que isso aconteça, apesar da freguesia passar a ter outro nome, estas serão sempre as Festas da Moita e com as mesmas características.” – sublinha João Miguel.
Posição de ser completamente contra esta lei
“A Junta de Freguesia da Moita continua a manter a sua posição de ser completamente contra esta lei, contra a extinção, contra a fusão, contra a agregação das freguesias, contra o que quer que seja a esta lei que chamam reforma, que não é reforma nenhuma, é apenas uma forma de destruir o Poder Local.
Começaram pelas freguesia e preparam-se para os municípios, porque, para eles quanto menos Poder Local houver melhor, mais caminho aberto fica para que meia dúzia de grandes capitalistas portugueses e europeus tomem contem de recursos que, hoje, são geridos pelo Poder local, nomeadamente a questão da água, do saneamento básico ou a recolha e tratamento de lixos, áreas que estão no serviço público e que eles pretendem privatizar, porque o sector privado tem apetência por estas áreas.
Portanto, enfraquecendo o Poder Local, não dando condições para que possa manter o seu regular funcionamento, facilmente, nestas áreas, os abutres do capital vão comer a carne. É tudo isso que se está a preparar.” – sublinha.
Até esta Lei voltar para trás vamos continuar
“Nós, temos vindo a realizar acções de esclarecimento com a população, temos divulgado as nossas posições nos Boletins da junta de freguesia, dando a conhecer a nossa posição.
Na apresentação das festas alertei para esta situação da extinção das freguesias, alertando para a forma com esta dita reforma afecta a vida das populações.
Até esta Lei voltar para trás vamos continuar, sendo esta uma luta e uma bandeira nossa, alertando que isto não é benéfico nem para as populações, nem para o país.
Esta reforma não trás benefícios, não trás redução de despesas, antes pelo contrário, vai causar problemas às pessoas e aumentar o deficit porque o trabalho que hoje é feito pelas Juntas de Freguesia terá que ser feito por outros, e feito por outros com certeza que será mais caro. Nas festas vamos continuar a divulgar esta nossa posição” – salienta João Miguel, Presidente da Junta de Freguesia da Moita.
Largadas com uma identidade muito própria
“Venham às Festas da Moita, porque não há nenhuma festa que se viva tão intensamente como são vividas as festas da Moita.
Já estive em várias festas, conheço várias realidades, mas nunca encontrei o sentimento de convívio e de viver as festas, no dia-a-dia, de manhã à noite, durante as festas, aqui, é uma experiência que qualquer pessoa nunca vai esquecer.
Nós devemos empenhar-nos no trabalho, devemos dar sempre o melhor, é isso que acontece aqui nas festas, as pessoas envolvem-se e dão tudo que têm para dar para que as festas decorram com muita vida.
As largadas são as mais famosas do país, proporcionando momento de divertimento e, por vezes, lamenta-se, com feridos e até mortes.
Estas são largadas com uma identidade muito própria.” – refere o autarca.
A ligação da terra e do mar
“A festa do rio, com as embarcações, proporciona momentos únicos, de ligação ao rio Tejo.
As festas têm duas vertentes – o sagrado e o profano – isto é próprio de qualquer festa, mas na Moita, as festas são, igualmente, a ligação da terra e do mar.
Há mesmo o lema- “Moita é uma terra onde quem não cava já cavou, quem não rema já remou”, a Moita é uma terra que nasce destas duas ligações de pessoas ou ligadas à agricultura, ou ligadas ao mar.
As festas são um encontro da terra com a sua história.” – salienta o presidente da Junta de Freguesia da Moita.













