António Gonzalez «descobriu» o Barreiro Pré-históricoO «Sítio Pré-histórico da Ponta da Passadeira» é fabuloso
“Este sitio Arqueológico é fabuloso, posso dizer que é uma das Estações Arqueológicas, desta época, mais representativa em Portugal e fabulosamente bem conservada.” – refere o Arqueólogo António Gonzalez, o homem que, num dia de maré viva, «descobriu» doze fornos na Praia da Barra-à-Barra, no Lavradio, concelho do Barreiro.
“Verificamos que está ali tudo, tudo coberto com uma duna que conservou nestes 5 mil anos esta ocupação humana”- salienta.

Por Jornal Rostos
A Praia da Bara-à-Barra, no Lavradio, concelho do Barreiro, muitos recordam era um ponto de encontro e convívio nos anos 70 e 80.
António Gonzalez, Arqueólogo, do Museu da Amadora, após casar veio residir no Lavradio e recorda – “quando estava bom tempo, era uma praia que eu gostava de vir com os meus miúdos, sempre que estava bom tempo”.
Maré Viva colocou a descoberto doze fornos
“Nunca vi por aqui vestígios nenhuns, nunca vi materiais nenhuns, mas, um dia após uma maré viva, verifiquei que colocou à mostra, naquele dia doze fornos, retirando a areia que os cobria, eram os espaços onde eram feitas as refeições” – sublinha ao Rostos, António Gonzalez.
Sítio Arqueológico parque de estacionamento
“Recordo que, na altura falava-se de tomar medidas para dar a esta Praia uma dimensão de Praia Fluvial, inclusive tinham sido colocados pela Câmara aqueles receptáculos para os lixos que foram precisamente espetados nesses locais. É evidente que a Câmara não sabia que aquilo lá estava” – refere.
“Nessa altura, havia pessoas que iam para a praia com motos e o único sítio que encontravam para estacionar, com piso próprio, era o espaço da Estação Arqueológica” – sublinha.
Realização de campanhas arqueológicas sucessivas
“Nessa altura, entrei em contacto com o Museu de Setúbal, com quem tenho ligações já há muitos anos, porque, na verdade, a qualidade da Estação Arqueológica exigia, não uma intervenção arqueológica pontual, mas, aquilo que aconteceu realmente, que foram a realização de campanhas sucessivas, desenvolvidas com a qualidade do trabalho que a equipa do Museu tem, e, digo-lhe que fiquei muito feliz porque foi muito rápido.”- salienta António Gonzalez.
Este sitio Arqueológico é fabuloso
Recorda que a Junta de Freguesia de Alhos Vedros, - "de outro concelho, colaborou e arranjou uma cobertura para a Estação Arqueológica, onde também trabalhou pessoal do Museu de Arqueologia da Amadora".
“Este sítio Arqueológico é fabuloso, posso dizer que é uma das Estações Arqueológicas, desta época, mais representativa em Portugal e fabulosamente bem conservada.” – refere o Arqueólogo.
Duna cobriu a zona de ocupação humana
“A duna cobriu, dá a ideia que o local foi abandonado, sem ser destruído" - salienta António Gonzalez.
“O normal que acontece a estas ocupações humanas com 5 e 6 mil anos, e até mais, é que sejam sujeitas a lavouras, a zonas de urbanização. Esta não, esta foi abandonada, tal e qual, o aparecimento dos pinheiros, das raízes dos pinheiros, é espectacular, porque, verificamos que está ali tudo, tudo coberto com uma duna que conservou nestes 5 mil anos esta ocupação humana” - sublinha o Arqueólogo.
Está aqui um livro de história raríssimo
“Está aqui um livro de história raríssimo, não só em relação à época, que contribui para interpretar a história aqui da zona, mas inclusivé, porque, por baixo das escavações efectuadas foi encontrado um apontamento do paleolítico médio, que ronda há volta de 30 mil anos, extremamente abundante. Esta zona foi muito ocupada durante todas as épocas humanas” – sublinha António Gonzalez.
Estação do Paleolítico Inferior na Barra-à-Barra
Recorda António Gonzalez que na Base Área do Montijo, em frente à Praia da Barra-á Barra, foi encontrada uma Estação do Paleolitico Inferior.
“Esta zona tem uma riqueza que é fabulosa e há muito ainda por fazer, porque esta é uma zona de estudo fabulosa” - sublinha.
“Toda esta enorme baía que vai da Base Área, que dá a volta pelo Montijo, pela Moita, Alhos Vedros, Baixa da Banheira e Barreiro, faziam parte de um único contexto aquático, onde a maré entra todos os dias e davam acesso às comunidades humanas atravessar de canoa para qualquer lado” – refere, sentindo-se o entusiamo ns suas palavras.













