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Perspectivas

Vanda Rodrigues - Barreiro«Muito se fala da força de quem vence o cancro, acabando por cair no esquecimento os vencidos»

Vanda Rodrigues, nascida e criada no Barreiro, vai promover o lançamento do seu primeiro livro, «Um minuto depois e..’acabou’», no próximo dia 28 de Outubro, pelas 18.00h, no Clube do Rio, na Baixa da Banheira, concelho da Moita.

“Gostaria de salientar que muito se fala da força de quem vence o cancro, acabando por cair no esquecimento os vencidos.
Este livro é em honra dos vencidos, também eles lutaram e muito, a diferença chame-se sorte e não força.” – refere numa entrevista ao jornal «Rostos»

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Vanda Rodrigues - Barreiro «Muito se fala da força de quem vence o cancro, acabando por cair no esquecimento os vencidos»

Por Jornal Rostos

Vanda Rodrigues, nascida e criada no Barreiro, vai promover o lançamento do seu primeiro livro, «Um minuto depois e..’acabou’», no próximo dia 28 de Outubro, pelas 18.00h, no Clube do Rio, na Baixa da Banheira, concelho da Moita.
Para conhecermos um pouco o seu projecto colocámos algumas perguntas numa breve entrevista, onde Vanda Rodrigues nos transmite as motivações e os sentimentos que rodearam a a edição do seu primeiro livro.

Tudo aquilo que fui sentindo após a morte o meu pai

Este é o seu primeiro livro que razões o motivaram a escrever?
"Este livro inicialmente era apontamentos meus, de sentimentos que fui transcrevendo para papel de tudo aquilo que fui sentindo, após a morte o meu pai.
Para mim sempre foi mais fácil escrever o que sentia do que dizer.
Tive do meu lado pessoas fantásticas , sem elas tudo teria sido muito mais difícil.
Juntei todos os apontamentos e sonhei que um poderia fazer um livro e oferecer a cada uma delas, como forma de agradecer por terem estado sempre ali, para o que fosse necessário.
Nunca julguei que ao pedir orçamento para esse efeito, a Editora tivesse interessada em ser ela a publicar o mesmo e estou lhe muito grato por isso."

A desilusão de quem sabe que lutou e não venceu

Qual a principal mensagem que pretende partilhar com este seu livro?
"O livro é uma mistura de sentimentos, muita solidão, o sabor amargo de quem se sente derrotado, a desilusão de quem sabe que lutou e não venceu.
Ainda hoje sinto esse sabor.
Recordo-me no inicio da doença, o médico me ter dito " Já perdemos este comboio", mas eu sempre acreditei que apanharia o próximo, pensei para comigo e disse-o ao medico você não conhece o mau pai, julguei que a força dele com a minha éramos imbatíveis.
Este livro pode ser os sentimentos guardados que nem sempre os conseguimos transmitir de muitas Vandas, que guardamos para nós e que lentamente nós consome por dentro.
Temos que os jogar para fora, temos de dize-los, há tanta raiva, tanta dor, que se aguardar-mos para nós, lentamente vamos-nos perdendo.
Eu perdi-me durante muito tempo, ainda hoje acho que não me encontrei.
Perder o meu pai, mudou-me para sempre."

A desilusão da perca é maior

Acha que as experiências pessoais podem ser um contributo importante para ajudar a fazer um muindo melhor?
"Todas as experiências pessoais são importantes, boas ou más, tiramos sempre delas uma lição, que a podemos usar ou não, isso já é uma escolha nossa.
Olhando para trás, penso que teria sido mais fácil aceitar tudo o que aconteceu, se tivesse mantido a lucidez.
Nunca aceitei que iríamos, eu e o meu pai perder esta guerra, nunca olhei para ele e vi o seu rosto, como por exemplo nas fotos que vi bem mais tarde.
Todas as fases más, para mim eram só isso, fases más, que iríamos ultrapassar.
A desilusão da perca é maior, quando ficamos cegos, quando continuamos a lutar e a acreditar numa vitória e já perdemos a guerra à muito tempo.
É importante depois de tudo, saber quando chega a nossa altura de seguir em frente, eu continuo presa a mão do meu pai e não consigo solta-la e os anos vão passando e eu fique parada, naquele momento em que ele partiu."

Este livro é em honra dos vencidos

Alguma reflexão que queira partilhar
" Em primeiro lugar, gostaria de salientar que muito se fala da força de quem vence o cancro, acabando por cair no esquecimento os vencidos.
Este livro é em honra dos vencidos, também eles lutaram e muito, a diferença chame-se sorte e não força.
O meu pai não teve sorte, porque a força nunca a perdeu até ao ultimo minuto.
Depois gostaria de dizer, eu tenho saudades do nome Pai, por isso não percam tempo, discutindo com os vossos pais, eles não são perfeitos, muitas das vezes não são o que gostaríamos que fossem, mas são nossos.
Temos sempre a ideia que são eternos e um dia queremos só dizer um " Olá " e já não estão lá por nos ouvir.
Gostaria de ter dito o quanto gostava dele, esquecemo-nos de dizer um gosto de ti muitas vezes, cheguei à conclusão que era importante te-lo dito.
Hoje é tarde, já não esta lá para me ouvir."

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