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Perspectivas

José Antunes, Presidente Junta Freguesia Alto do Seixalinho - BarreiroNinguém foi eleito para acabar com as freguesias

. Descentralização é bastante positiva

. Na freguesia há pessoas que não têm nem dinheiro para comer

“Ninguém se apresentou às eleições a dizer que ia acabar com as freguesias. Isto trata-se de uma ilegalidade. Não é legitimo, que venham agora, eleitos, sejam eles quem forem, e alguns nem são eleitos, como é a Comissão Técnica, que quer acabar com 1166 freguesias. Isto é uma aberração.” – sublinha José Antunes, Presidente Junta Freguesia Alto do Seixalinho.

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José Antunes, Presidente Junta Freguesia Alto do Seixalinho - Barreiro Ninguém foi eleito para acabar com as freguesias

Por Jornal Rostos

José Antunes, Presidente Junta Freguesia Alto do Seixalinho, em entrevista ao jornal «Rostos», sublinhou que “retirando” a situação que a freguesia está a enfrentar “a pretensão de acabarem com a nossa freguesia, a nossa actividade está a decorrer de forma normal”.

Resolver os problemas das pessoas

O autarca salienta que no dia a dia o trabalho desenvolvido tem por finalidade resolver os problemas das pessoas, agindo – “dentro das coisas que são da nossa competência, as que não são tentamos, ou junto da Câmara, ou de um ou outro empresário, como fizemos na Escola nº 8, que um empresário emprestou-nos uma camioneta para retirar as terras”.
“É esse trabalho que continuamos a fazer, atendendo as pessoas, resolvendo problemas nas escolas, na varrição, na higiene urbana, no tratamento das zonas verdes, nos polidesportivos, na toponímia, tudo o que é descentralizado e é nossa competência própria, posso dizer que está tudo normal”.

Descentralização bastante positiva

“A descentralização está a correr bem, o balanço é bastante positivo, tem vindo a aprofundar-se quer o exercício das competências, quer a qualidade.
É feita uma avaliação regular, a ideia que existe, quer da parte da Câmara, quer das Juntas de Freguesia é que o trabalho é bastante positivo”- sublinha o autarca.
José Antunes, salienta que – “se a freguesia tivesse meios humanos para tal” podia receber mais delegação de competências.
Refere que a questão de alargar mais competências para a freguesia, não reside nas competências, mas na capacidade de gestão das competências, dado que a autarquia só tem um eleito a tempo inteiro, e conta com uma equipa de eleitos, que nalguns casos sendo reformados, dão todos muito do seu contributo à actividade da autarquia – “que é um trabalho exigente, o que temos já é bastante”.

Grande dedicação de todos os trabalhadores

“Nós, pela proximidade, conseguimos resolver os problemas de forma mais rápida e mais eficaz” – salienta.
“As competências que nos estão delgadas pela Câmara Municipal já são muitos exigentes, nós já temos aqui cerca de 30 pessoas a trabalhar.” – sublinhou.
José Antunes referiu a grande dedicação de todos os trabalhadores da Junta de Freguesia – “pessoas com muita versatilidade e capacidade de trabalho”.

Ninguém foi eleito para acabar com as freguesias

O Presidente da Junta de Freguesia do Alto do Seixalinho expressou a sua total discordância com a agregação da freguesia proposta pelo Governo.
“Nós, não temos dúvidas que ninguém foi eleito para acabar com as freguesias, nem nas freguesias, nem nas Câmaras, nem no Governo, nem na Assembleia da República.
Ninguém se apresentou às eleições a dizer que ia acabar com as freguesias. Isto trata-se de uma ilegalidade. Não é legitimo, que venham agora, eleitos, sejam eles quem forem, e alguns nem são eleitos, como é a Comissão Técnica, que quer acabar com 1166 freguesias.” – refere.

Todos estamos contra a pretensão de fazer desaparecer as freguesias.

“Isto é uma aberração. Sou membro do Conselho Geral da ANAFRE, e, quer no Congresso da ANAFRE, quer no Conselho Geral, quer no Conselho Directivo, quer de todas as Juntas de Freguesia do concelho do Barreiro, todos estamos contra essa pretensão de fazer desaparecer as freguesias.
A proposta no fundo visa fazer desaparecer todas as Juntas de Freguesia como elas existem hoje, porque com a proposta nenhuma fica como é agora, todas são alteradas.” – salienta José Antunes.
O autarca recorda que ao longo do tempo a Junta de Freguesia tem vindo a denunciar esta situação, quer junto da população, que em diversos fóruns.

Estou convencido que não conseguem concretizar

“Estamos expectativa que o Tribunal Constitucional tome uma posição sobre este assunto” – salientou.
“Estou convencido que não conseguem concretizar, como está, isso não é possível. Para fazer uma reestruturação, uma Reforma Administrativa, uma coisa com pés e cabeça, que sirva as populações e a democracia, as pessoas têm que participar, as instituições têm que participar, mas, isto é uma coisa feita à margem das populações, das freguesias e dos municípios. Ninguém foi chamado a ter voz sobre isto, foi decidir, tomem lá, assim, não pode ser.” – refere José Antunes.

Há pessoas que não têm nem dinheiro parta comer

José Antunes, comentou a situação económica e social da freguesia que conta com cerca de 20 mil habitantes, muitos operários e reformados.
“A nossa freguesia não de gente com grandes salários, há uma massa significativa de pessoas com salários relativamente baixos, muitos no desemprego.
Notamos que, cada vez mais, vão aparecendo aqui na Junta de Freguesia pessoas que não têm nem dinheiro parta comer, não têm nada, chegam aqui a pedir qualquer coisa para comprar comida, porque nem pão tinham em casa”.

Sala de Estudo dá apoio a 30 alunos

“Nós, não temos condições, nem recursos, para a esse nível darmos apoio substancial. Não temos recursos.
Vamos tentando fazer alguma coisa, no plano social, temos uma Sala de Estudo para apoio a alunos, que precisam de apoio escolar, a cerca de 30 alunos. Damos esse apoio gratuito, com professores reformados que trabalham em parceria com a Junta de Freguesia” - refere.

Loja Solidária - 20 mil peças de roupa distribuídas

“Promovemos, também a iniciação à Informática, uma actividade dirigida para pessoas mais idosas.
Temos uma Loja Solidária, onde recolhemos milhares e milhares de peças de roupa, que é tratada e entregue a pessoas carenciadas.
Já distribuímos, ao longo de 4 anos, uns bons milhares de peças de roupa, talvez, na ordem das 20 mil peças de roupa distribuídas.” – salienta o autarca.

Oficina Solidária apoia pequenos arranjos

“Temos uma Oficina Solidária, uma equipa de pessoas , que graciosamente trabalham com a autarquia e se deslocam a casa de pessoas, nomeadamente pessoas com mais idade, e precisam de apoio ou num candeeiro que não acende, ou uma janela que não fecha, uma torneira avariada, em todo este tipo de apoios, nós damos esse apoio gratuito” – sublinha José Antunes.

Vamos distribuir 200 cabazes de Natal

“Colaboramos com o Banco Alimentar, vamos buscar os alimentos a Palmela, damos a nossa ajuda.
E, tal como temos feito noutros anos, agora, pelo Natal, vamos distribuir um Cabaz de Natal, a famílias carenciadas. Vamos distribuir 200 cabazes de Natal.
Nesta iniciativa contamos com o apoio de algumas empresas, que nos oferecem produtos e contamos com a colaboração da Comissão de Moradores do Bairro 3.
É um cabaz composto por produtos essenciais, bacalhau, arroz, açucar, entre outros produtos. ” – refere.

Em alguns bairros há muitas situações de miséria

“Não sendo esta matéria da nossa competência, reconhecendo os problemas que existem na freguesia, com os quais somos confrontados diariamente, sentimos necessidade de criar algumas valências para, de alguma forma dar alguma ajuda e algum apoio às pessoas mais carenciadas.
Na freguesia há alguns bairros onde há pessoas muito carências. Infelizmente, em alguns bairros há muitas situações de miséria.” – sublinha o presidente da Junta de Freguesia do Alto do Seixalinho.

Colectividades um valor inestimável para a população

“Nós temos um nível de actividade do Movimento Associativo na freguesia. São 26 associações. É muita gente a participar graciosamente nas direcções.
Nós na freguesia não temos um Centro Comunitário para os Reformados. Há um terreno cedido pela Câmara, junto ao Bairro Alfredo da Silva, mas não temos nada.
Temos as colectividades que durante todo o dia estão cheias de gente e muita gente idosa, sendo nas colectividades o lugar onde se distraem.
Este trabalho das colectividade é um valor inestimável para a população da freguesia.
Nós mantemos uma relação muito grande com o Movimento Associativo da freguesia e realizamos muitas iniciativas em conjunto, No dia do aniversário da freguesia celebramos o Dia das Colectividades da freguesia.” – refere José Antunes.

Centro de Saúde, Centro Comunitário e Posto CTT carências da freguesia

Neste caminhar para o final do mandado, José Antunes, refere que sente alguma mágoa por não ver construído o Centro Comunitário para os Reformados da freguesia e também, lamenta que não tenha sido construído o Centro de Saúde, que também já tem terreno cedido pela Câmara Municipal do Barreiro.
“A freguesia merecia ter um Centro de saúde de raíz” - sublinha
Refere, igualmente, que pela dimensão da freguesia, justificava-se a existência de um Posto de Correios.

Há cerca de 20 logradouros para arranjar

Por fim, refere a importância de melhorar alguns logradouros e Parques Infantis.
“As ruas, estradas e passeios na freguesia eram muitas de terra batida. A Câmara tem feito muito trabalho desde o 25 de Abril, mas ainda há situações por resolver. Ainda há cerca de 20 logradouros para arranjar, mas para isso são necessários alguns milhares de euros” – refere.
“Gostava, no próximo ano, conseguir arranjar uns dois ou três logradouros, um investimento na ordem de 10 mil euros. Sendo o meu último mandato, gostava de ver algumas situações resolvidas, porque sei o que isso significa para as pessoas.” – sublinha.

Contributo cívico para as comunidades

A finalizar, José Antunes, sublinhou que ao longos dos seus anos de autarca, tem contado com a colaboração dos eleitos – “são grandes equipas, pessoas que de forma graciosa, dão um excelente contributo de forma generosa, na Junta, na Assembleia de Freguesia, nas colectividades, esta é uma mais valia que as pessoas devem estimar e conservar, porque este é um grande contributo cívico para as comunidades. É isto que querem acabar, não se percebe. A vida cívica na freguesia é um exemplo, essa é uma referência do concelho do Barreiro” .” – refere o autarca

Se a freguesia acabar é uma coisa terrível

“Se a freguesia acabar é uma coisa terrível, juntar a Avenida J.J. Fernandes com a Avenida santa Maria é uma coisa que só serve para afastar as pessoas, isso é acabar com a grande vantagem do Poder local Democrático, que é centrado nas freguesias, é estar perto das pessoas, com isso haverá menos eleitos, tudo será mais longe e mais difícil. Eu não acredito nisso” – salienta José Antunes.

S.P.

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