BARREIRO - Rostos do Ano 2012 - Projeto ‘Gasoline’ categoria JovemO barreiro tem muito talento, a nível da música, de arte, de tudo

Por Jornal Rostos
Depois de conquistar o prémio de ‘melhor produção nacional’ naquele que foi o primeiro festival de filmes de surf internacional (SAL) realizado em Lisboa, o projeto ‘Gasoline’ foi também distinguido pelo Rostos. Ricardo Carrajola, um dos membros deste projeto, confessou ao nosso diário que desde os 15 anos que procura “a onda perfeita”. De Marrocos à Austrália, passando pelo Sul de Espanha ao Norte de França, com 32 anos Ricardo já correu o mundo mas é à sua cidade que retorna e onde pretende investir. Barreirense de gema, Ricardo diz que ao início todos lhe chamavam “maluco” por acreditar que também no Barreiro poderia estar “a onda perfeita”…
Como é que surgiu esta ideia?
A ideia do filme surge com um projeto mais antigo que visava essencialmente divulgar a onda [no Tejo] e o fenómeno. Inicialmente começou a sair nas revistas, nos jornais e depois, através de todas essas notícias, surgiu um contacto do SAL, primeiro Festival de Filmes de Surf Internacional, que foi realizado em Lisboa no cinema São Jorge. Perguntaram-nos se estávamos interessados em concorrer com uma curta-metragem e pronto começámos a trabalhar nesse sentido.
Convidei o Júlio Barreiros e o Álvaro Teixeira e inicialmente foi o Júlio que começou a fazer os planos e as filmagens. Mais tarde convidei o Álvaro para fazer a edição e a montagem do filme e o Nuno Príncipe para fazer a parte do argumento, também em conjunto com o Álvaro.
Quanto tempo levou até à concretização do filme?
O filme começou um pouco ao contrário, digamos que começou pelo telhado. Nós não tínhamos ainda um guião e começámos a fazer os planos. O Júlio fez um excelente trabalho, e quando entreguei o trabalho ao Álvaro para fazer a parte da edição, tínhamos 600 GB em planos sem um guião, ou seja, a história foi escrita depois. O filme foi feito em cerca de três meses mas deu um trabalho enorme porque escrevemos o guião com 600 GB de imagens para encaixar no filme. O Álvaro, responsável por esta parte, perdeu muitas noites e fez um trabalho notável.
“Não estávamos à espera de tanto reconhecimento”
Como é que se sentiram ao conquistar o prémio de melhor produção nacional?
Foi com alguma surpresa, não estávamos à espera de tanto reconhecimento, apesar do argumento ser forte. O surf no Tejo é uma coisa única no mundo e isso, já por si, é muito forte porque não existe. Nós sabíamos que íamos estar a concorrer contra mais do mesmo, porque os filmes de surf normalmente são feitos com a onda perfeita, na praia perfeita, com os surfistas a darem as melhores manobras, e o nosso filme não tinha nada a ver com isso. O nosso filme é um bocadinho mais de documentário e é sobre um fenómeno que é único no mundo: surfar num rio com a passagem de um barco que faz a travessia para levar as pessoas para o trabalho.
Foi com alguma surpresa que recebemos a notícia de que tínhamos ganho o festival. Acho que foi também devido ao bom trabalho da equipa porque o filme também retrata um bocadinho o Barreiro e, para isso, tem que haver um sentimento mais forte, mais barreirense. Foi engraçado ver como é que outras pessoas, que se calhar nem conhecem o Barreiro, sentiram a mensagem q nós transmitimos.
O truque para o sucesso do filme é de facto o fenómeno que está à volta da onda no rio Tejo, que não existe em mais lado nenhum e isso também foi fundamental para o sucesso do filme.
“O Barreiro tem muito talento”
Este prémio teve um sabor especial por ser barreirense?
Para mim tem um gosto muito especial. Para já porque quando comecei com esta brincadeira o meu principal objetivo foi sempre divulgar o Barreiro ao máximo e mostrar às pessoas lá fora que o Barreiro não tem só coisas. O barreiro tem muito talento, a nível da música, de arte, de tudo. Este foi o meu objetivo e fiquei muito contente porque sou um barreirense de gema e defendo o Barreiro ao máximo.
Tem novos projetos pensados para este ano?
Temos mais um projeto, outro filme, que também tem a ver com o rio, mas ainda não está bem estruturado. Não sei se o vamos realizar ou não, até porque o grande impacto já foi causado e agora estamos com receio de fazer mais do mesmo.
Mas, à parte do filme e deste núcleo, criei recentemente uma associação, a “Gasoline Associação Cultural e Desportiva” que vai funcionar basicamente com o objetivo de proporcionar a toda a população barreirense, nomeadamente às crianças mais desfavorecidas, a oportunidade de aprender a surfar. A ideia é ser tentar trabalhar com estes jovens que normalmente não têm possibilidades de ir para uma praia aprender. O projeto vai passar um pouco por isso e também pelo desenvolvimento do skate.
Ainda não temos sede mas já temos a associação de pé. Vamos fazer agora o primeiro evento na Quinzena da Juventude, dia 23 de março, que vai ter um workshop de introdução ao surf, limpeza da praia e à tarde vai ter campeonato de skate, concertos, feira do disco e mais umas coisas. E é este o meu novo projeto: tentar desenvolver o surf aqui, o que também vai ser uma coisa única no mundo, uma escola de surf fluvial.
O nosso rio é muito bom para a introdução ao surf e para a aprendizagem, apesar de estarmos condicionados ao horário dos barcos, é possível fazer um trabalho engraçado. Depois à medida que as crianças vão evoluindo quero levá-las para a Costa da Caparica e quem sabe se ainda sai daqui algum campeão nacional.
Tem algum apoio financeiro?
A associação foi criada muito recentemente, tivemos ajuda para o projeto da Quinzena. Concorremos a uma verba da CMB, que é dada para os projetos que são apresentados na Quinzena, e recebemos um subsídio para fazer a remodelação de uma rampa de skate que está guardada na CMB e que depois irá ficar para usufruto da população.
“Ao princípio chamavam-me maluco…”
O que é que significa para si esta distinção por parte do Rostos?
Representa o culminar de um trabalho que tem sido desenvolvido ao longo de 10 anos. Ao princípio chamavam-me maluco, a mim e aos meus amigos, porque íamos ali para o rio brincar com as pranchas e agora, de repente, isto está na boca do mundo: o Barreiro e a onda do Barreiro.
Acha que é necessário investir mais neste tipo de projetos?
Eu acho que o investimento é sempre importante e que não há mais porque também estamos em crise. Mas também acho que os jovens, e as outras pessoas que estão à frente destes projetos, ficam sempre à espera de algum apoio ou de algum empurrão para avançarem com as iniciativas. Nós para esta iniciativa não recebemos apoio de ninguém, nem da CMB nem de ninguém. Fizemos por nós, queríamos levar isto o mais à frente possível e mostrar lá fora. Eu acho que a falta de apoios não pode ser sempre a desculpa para não se fazerem as coisas, se houver força de vontade e união entre as pessoas que estão nos projetos, é possível fazer coisas giras no Barreiro. É óbvio que havendo dinheiro as coisas tornam-se mais fáceis, mas acho que o essencial é a força de vontade e o querer fazer.
Defina o Rostos em três palavras.
Jovem, sério e educativo.
Vanessa Sardinha













