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Perspectivas

Barreiro - Rostos do Ano 2012 – Carlos Moreira categoria ‘Autarca’Terceira Travessia do Tejo seria um motor de desenvolvimento para o concelho do Barreiro

“Acho que não era só a atração que podíamos ter da margem norte, era a atração que podíamos criar para o desenvolvimento da atividade económica através de áreas grandes que temos no concelho, nomeadamente a área da Quimiparque, e que poderiam tornar o concelho mais central, ou seja, ter mais caminhos de entrada e de saída e não ser quase uma península isolada.” – sublinha o Vereador Carlos Moreira.

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Barreiro - Rostos do Ano 2012 – Carlos Moreira categoria ‘Autarca’ Terceira Travessia do Tejo seria um motor de desenvolvimento para o concelho do Barreiro

Por Jornal Rostos

“A minha cidade”, é assim que Carlos Moreira, vereador na CMB desde Outubro de 2009, define o nosso jornal. Distinguido pelo Rostos com o prémio ‘Autarca’, Carlos Moreira diz que mais do que o reconhecimento singular, significa que “todo o esforço do Executivo” foi reconhecido.

Dos trabalhos que realizou este ano quais aqueles que destaca?

O ano 2012 foi extremamente difícil, devido à quantidade de legislação que veio impedir os municípios de fazerem o seu trabalho e de leis que são constrangedoras até para a autonomia do poder local - nomeadamente a lei dos compromissos e pagamentos em atraso. Destaco também a profunda crise que o país atravessa e que também levou a que nós, e todas as autarquias, tivéssemos menos possibilidade de fazer tudo o que desejávamos. Portanto, o que destaco do ano de 2012 são estas grandes dificuldades.
Destaco ainda um trabalho que já vem sendo feito há algum tempo do ponto de vista financeiro, o que temos vindo a conseguir nomeadamente com a redução dos cabimentos feitos no ano, o aumento dos pagamentos que fomos conseguindo fazer e um pequeno aumento nas receitas – o que vai um bocadinho em contra ciclo com tudo o que tem acontecido lá fora. Desse ponto de vista foi um ano positivo.
O negativo é o que com estes constrangimentos não se consegue fazer pelas populações e que tão necessário é, desde as coisas básicas até aquelas mais sofisticadas que todos gostávamos de ver realizadas.

“Era de extrema importância ver realizada a TTT”

Pode dar-nos um exemplo daquilo que gostava de ver realizado e que, por limitações financeiras, não é possível?

Há questões prioritárias que eu entendo que no desenvolvimento da própria atividade da autarquia devia de existir: melhoria de condições de trabalho para todos os que trabalham na CMB, melhoria dos equipamentos existentes e a aquisição de ainda mais equipamentos que permitissem fazer mais trabalho e melhoria das instalações - não só para os nossos trabalhadores mas também para o serviço que podemos prestar às populações. Estas são as coisas que poderiam ajudar a que outras obras pudessem ser feitas.
Acho também que era de extrema importância ver realizada a Terceira Travessia do Tejo (TTT) com componente rodoferroviária. Seria um motor de desenvolvimento para o concelho do Barreiro.

Acha que a TTT pode transformar a margem sul num pólo de atração para a margem norte?

Acho que não era só a atração que podíamos ter da margem norte, era a atração que podíamos criar para o desenvolvimento da atividade económica através de áreas grandes que temos no concelho, nomeadamente a área da Quimiparque, e que poderiam tornar o concelho mais central, ou seja, ter mais caminhos de entrada e de saída e não ser quase uma península isolada.

Que projetos estão já traçados para este ano?

Primeiro que tudo continuar com a descentralização das oito freguesias do concelho do Barreiro, continuar a lutar para que elas continuem a existir como existem e não se fazer a agregação que já está prevista em lei.
Do ponto de vista financeiro, continuar a fazer o trabalho que permita a redução de dívidas e continuarmos, do ponto de vista dos recursos humanos, a tentar ter melhores condições de trabalho para os nossos trabalhadores. Continuar a investir em formação, em equipamento de protecção individual, em fardamento e em equipamento de protecção coletiva, ou seja, fazer mais trabalho junto dos trabalhadores. Do ponto de vista da protecção civil, continuar a desenvolver trabalho para que em conjunto com todos os outros agentes, de autoridade e bombeiros, dar melhor segurança às nossas populações.

“Não acho que o país possa ser desenhado a régua e esquadro”

O que pensa da extinção de freguesias?

Naturalmente que sou contra a extinção de freguesias. No caso concreto do Barreiro, as freguesias foram criadas devido ao crescimento do concelho e à necessidade que existia de que o poder local estivesse mais próximo das pessoas. Esta agregação vai levar a que uma das freguesias do Barreiro, agregação com extinção de três freguesias - nomeadamente a do Alto do Seixalinho, Verderena e Santo André -, tenha mais de metade da população do concelho, mais de 40 mil habitantes.
Temos também que ter em consideração os aspectos sociais e históricos. Estamos a falar de freguesias com centenas de anos, como o caso do Lavradio e do Barreiro, e estamos a falar também de duas populações que têm alguma distância, Palhais e Coina, que desde 1985 que estão separadas.
Não acho que o país possa ser desenhado a régua e esquadro. O país tem que ser desenhado pela vontade das populações e pelas necessidades que estas têm.

“Sinto que é um prémio pelo esforço que todos fizemos”

O que significa para si receber o prémio ‘Autarca’ atribuído pelo Rostos?

Para mim não significa o particular que eu possa fazer mas o colectivo que tem sido feito pelo Executivo: desde os directores de departamento, os chefes de divisão, os técnicos superiores, os assistentes técnicos e operacionais, todos os trabalhadores que partilham comigo este trabalho.
Sinto que é um prémio pelo esforço que todos fizemos e eu reconheço que nesta equipa até faço um esforço pequeno. Sendo eu o autarca que está nesta área, foi reconhecida a área pelo trabalho que realiza e portanto vejo este reconhecimento com agrado. Principalmente porque estas são sempre áreas em que há menor reconhecimento: os trabalhadores que estão nas áreas financeiras, administrativas, de protecção civil, têm tido uma carga menos positiva porque são áreas que têm sempre algum conflito, quer seja a de recursos humanos, quer seja a financeira.

Como é que tem gerido a parte financeira da autarquia tendo em conta o contexto de crise em que nos encontramos?

Com muita dificuldade. Não é segredo que temos algum passivo e claro que os fornecedores têm necessidade de receber tão rápido quanto possível e nós nem sempre conseguimos pagar tao rápido como desejávamos. Portanto, é uma situação difícil de gerir. Mas é o nosso trabalho, o nosso dia-a-dia, temos que ir lutando para fazer a redução de passivo e para que no futuro tenhamos menos constrangimentos.

Defina o Rostos em três palavras.

A minha cidade.

Vanessa Sardinha

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