Setúbal - Cristina Saraiva, Presidente do Conselho de Administração da AMARSULA crise económica do país também se reflecte no lixo houve uma quebra de 10% de resíduos
. Unidade nova no Seixal será “um pouco a estrela da AMARSUL”
. Almada paga sempre a tempo e horas
. 50% da divida dos municípios à AMARSUL pertence ao concelho de Setúbal.
"As dividas dos municípios, o ano passado à AMARSUL eram muito grandes, 16 milhões de euros.Nós fizemos acordos, com todos eles à excepção de Almada. Almada paga sempre a tempo e horas. Todos os outros tinham dividas muito atrasadas, com valor muito preocupante e nós fizemos esses acordos." - referiu ao «Rostos», Cristina Saraiva, Presidente do Conselho de Administração da AMARSUL

Por Jornal Rostos
A AMARSUL – Sistema Multimunicipal de Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos da Margem Sul do Tejo, gere o Sistema Multimunicipal de Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos da Margem Sul do Tejo abrange os municípios de Alcochete,
Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal, servindo mais de 800.000 pessoas.
Volume de vendas ronda os 17 milhões de euros anuais
A AMARSUL conta com 215 trabalhadores, tendo um orçamento global ronda cujo volume de vendas ronda os 17 milhões de euros anuais,
Deste orçamento as receitas dos Municípios correspondem a cerca de 8 milhões de euros, menos de 50% das receitas da AMARSUL.
No ano de 2012 as receitas com a produção de Biogás, foi na ordem dos 2.8 milhões de euros, enquanto a receita obtida com a recolha Selectiva atingiu valores na ordem dos 3.5 milhões.
“Conseguimos ter receitas de outras origens acima dos 50%, que nos permitem baixar a factura aos municípios” – sublinhou ao Rostos, Cristina Saraiva, Presidente do Conselho de Administração da AMARSUL
AMARSUL é uma empresa madura
Cristina Saraiva, Presidente do Conselho de Administração da AMARSUL, exerce desde Março de 2012 as funções de Presidente do Conselho de Administração da AMARSUL, embora a sua ligação à empresa remonte ao ano 1985.
Numa conversa com o jornal «Rostos» fez um breve balanço do seu primeiro ano a liderar a AMARSUL.
“Com fazia parte do Conselho de Administração anterior, assumir a presidência da AMARSUL não foi novidade para mim.
Era uma empresa que já conhecia bem, posso dizer-lhe que a empresa que temos hoje, não é muito diferente daquela que encontrei, naturalmente, fizemos evoluções, mas, de certa forma a AMARSUL é uma realidade, porque é uma empresa madura que já tem 15 anos de actividade, e posso afirmar, que são 15 anos de trabalho na recolha e na valorização dos resíduos da Península de Setúbal. Portanto, este ano, foi um ano de continuidade desse trabalho que realizamos ao longo deste tempo.”
Objectivo é valorizar mais o lixo
Cristina Saraiva, sublinhou que durante este seu primeiro ano à frente da AMARSUL, teve como “principais desafios” concluir dois importantes investimentos.
“O tratamento mecânico de Palmela, que entrou em funcionamento no final do ano, era um investimento que já estava em curso e foi concluído, com um valor na ordem dos 2 milhões de euros.” – refere, acrescentando que foi um investimento concretizado numa parceria com a SECIL – “eles investiram, nós damos o produto, que é o lixo”.
“O objectivo é valorizar mais o lixo e trata-lo de uma forma melhor. Não o colocar em aterro e retirar tudo o que é valorizável.
Os recicláveis. A matéria orgânica, que se transforma em composto e vai para a agricultura. E a parte CDR que é vendida a Secil como fonte de combustível” – sublinha Cristina Saraiva.
Reduzir as tarifas aos municípios
“Nós, queremos trazer receitas para a AMARSUL que contribuem para reduzir, ou não aumentar, mais as tarifas aos municípios.
Isso é muito importante. Trata-se de arranjar receitas de valorizações dos subprodutos dos resíduos, que nos permitam ter receitas e não aumentar as tarifas.” – refere a Presidente do Conselho de Administração da AMARSUL
Receitas de biogás já é um valor significativo
Refere que a AMARSUL está apostada em “recuperar bastantes recicláveis” estando a produzir biogás, que é recuperado nos aterros.
A produção de biogás é feita no Seixal já temos há muitos anos e em Palmela começou há dois anos.
“Estão em pleno e as receitas de biogás já são 3 ou 4 milhões de euros anuais. É um valor significativo” – salienta Cristina Saraiva.
Crise origina quebra de 10% dos resíduos
A Presidente do Conselho de Administração da AMARSUL, refere que a crise também atingiu o sector.
“Houve uma quebra de 10% nos resíduos. A crise económica do país também se reflecte no lixo, as pessoas consomem menos, portanto, produzem menos lixo.”
Neste contexto salieta que a empresa está – “a reorganizar a recolha selectiva, nos ecopontos”, porque “reorganizar estes circuitos visa que a empresa tenha menos custos.”
No Seixal está o sonho de 2013
“Gostávamos de ter posto em funcionamento a outra unidade nova, que será um pouco a estrela da AMARSUL, que é a Central de Valorização Orgânica do Seixal.
Um investimento superior a 20 milhões de euros, financiado pelos Fundos Comunitários.
Está praticamente feita. Devia ter entrado em funcionamento em 2012, mas devido a dificuldades financeiras do consórcio, não foi possível colocá-la a funcionar.
É uma unidade similar à de Palmela mas com outra capacidade, que também transforma em compostos para a agricultura, a aproveita o biogás.
Este é o sonho de 2013.” – sublinha como um dos desafios que está apostada em concretizar.
Problema dramático chamado Setúbal
“A divida dos municípios à AMARSUL está complexa.A factura aos municípios reduziu nos últimos dois anos. O que os municípios nos deviam pagar em 2011, face a 2012 é menor. Nos últimos dois anos tem vindo sempre a reduzir, a tarifa aumentou ligeiramente, mas as quantidades de resíduos reduziram.
As dividas dos municípios, o ano passado à AMARSUL eram muito grandes, 16 milhões de euros.
Nós fizemos acordos, com todos eles à excepção de Almada. Almada paga sempre a tempo e horas.
Todos os outros tinham dividas muito atrasadas, com valor muito preocupante e nós fizemos esses acordos.
Durante este ano os municípios, com mais dia, menos dia, têm, cumpridos todos, sem excepção, no entanto, continuamos com um problema dramático chamado Setúbal.
Setúbal não pagou, a dívida de Setúbal é muito grande, neste momento é de 10 milhões de euros. Ou seja as dividas dos municípios, neste momento, são maiores, cerca de 20 milhões. Sendo 50% da divida do município de Setúbal.
O nosso drama neste momento é a dívida dos municípios, sobretudo Setúbal, porque os outros, mal ou bem, têm estado a recuperar por via dos Acordos.”
Não há aposta em novos ecopontos
Cristina Saraiva, sobre a rede de ecopontos, rerconhecendo que há carências salienta que – “não há aposta em novos ecopontos” porque os – “custos são elevados da recolha selectiva”.
Econcentros não são rentáveis
Igualmente, expressou as sua preocupações sobre o funcionamento dos 7 Ecocentros – “Unidades que mantemos abertas porque os municípios consideram importante. Não são rentáveis.
Já colocámos à consideração dos municípios para assumirem, os Ecocentros.
Já fizemos estudos para os fechar. Este é um assunto em estudo.
Só faz sentido manter os Ecocentros por qualidade de serviço, se tivermos em cont os custos, se tal obrigar a aumento de tarifas aos municípios, terá que ser uma questão a avaliar”.
Privatização os Municípios têm que ser ouvidos
Sobre a eventualidade de avançar a privatização da AMARSUL, a Presidente do Conselho de Administração da AMARSUL, sublinha - “Não lhe sei responder. Não lhe posso responder. Há estudos. Sabemos o que vem nos jornais.
Sabemos que os municípios da AMARSUL estão contra a privatização dos resíduos.
Sabemos que está no programa do Governo e à intenção do Governo em privatizar a EGF, consequentemente parte do capital da AMARSUL.
Para quando, como, não sei. Diria é que os municípios têm que ser ouvidos neste processo.”
Contributo para o desenvolvimento da Península de Setúbal
Sobre o papel e importância da AMARSUL para o desenvolvimento da Península der Setúbal, Cristina Saraiva, sublinha – “Não tenho dúvidas que ao nível ambiental a AMARSUL tem dado um importante contributo para o desenvolvimento da Península de Setúbal.
Há 15 anos atrás o lixo era jogado em lixeiras, contaminava lençóis freáticos de água, não havia tratamento.
Há quinze anos não havia nada disto.”
Salienta que a empresa tem importância social dá trabalho – “a mais de 200 colaboradores, isto também é significativo, e tem dimensão importante para a Península”.
Cristina Saraiva, Licenciada em Gestão, trabalha na área dos resíduos há 10 anos, sublinha que exerce esta sua actividade porque –“adoro o que faço”.
“O que desejo é que a Amarsul continue a ter muito trabalho” – refere a finalizar.
S.P.













