Saltar para o conteúdo
Perspectivas

BARREIRO - Rostos do Ano 2012 - ESSA na categoria Ensino«É um grande orgulho para a escola e dá-nos alento para continuar»

Orgulhosa. É assim que Maria Arlete Cruz, directora da Escola Secundária de Santo André (ESSA), se sente com o prémio atribuído pelo nosso jornal. Para esta responsável, a escola representa um papel “muito importante” na educação dos jovens que vivem mergulhados numa sociedade “materialista”.

5 min de leitura
BARREIRO - Rostos do Ano 2012 - ESSA na categoria Ensino «É um grande orgulho para a escola e dá-nos alento para continuar»

Por Jornal Rostos

Na lista de desejos para este ano, Maria Arlete Cruz diz que estão diversos “projetos ambiciosos”, entre os quais levar dois alunos além-fronteiras…

Do que é que mais se orgulha enquanto diretora da ESSA?

Há vários tipos de mudanças, mudanças organizacionais e mudanças de instalações. As mudanças de instalações são de facto motivo de orgulho porque ganhámos uma escola nova. Foram construídos alguns elementos arquitectónicos de raiz, nomeadamente um novo ginásio, uma área destinada ao centro novas oportunidades, uma biblioteca, e um anfiteatro. Estamos mesmo muito satisfeitos com a escola, acho que está apetecível e os alunos gostam muito.
Depois tivemos outras mudanças, a nível organizacional, a nível do tipo de cursos que temos tido e da oferta para adultos. Criámos um centro de novas oportunidades, foi um grande impulso que permitiu dar formação a adultos aqui no concelho e áreas limítrofes.

Há algum objetivo traçado para este ano, a nível de obras ou de projetos educativos?

Temos projetos ambiciosos. Tivemos o projeto ‘Oficina Saramago’ que envolveu várias escolas e que nós estivemos na parceria. Este ano temos um conjunto de projetos que estamos a desenvolver mas, em particular, temos um projeto de acompanhamento aos alunos, que implica termos um acompanhamento mais de perto junto dos alunos que estão sinalizados com alguns problemas. Espero que vingue e que dê bons frutos.
Temos também trabalhado um pouco a área da solidariedade, com projetos de ajuda alimentar, por exemplo. Destaco ainda um projeto internacional no âmbito do combate à violência que envolve diversos países europeus e que também esperamos que chegue a bom porto. A escola tem muitos projetos, muitos clubes, está sempre em atividade.
Também fomos seleccionados para um outro projeto e vamos enviar dois alunos dos cursos profissionais para fazerem um estágio no estrangeiro entre setembro e dezembro deste ano. Acho que é uma mais-valia para um aluno do 12º ano que não tenha entrado para a faculdade ter esta oportunidade. Para nós tudo isto é motivo de orgulho, é sinal de que alguém reconhece o trabalho da escola.

“Temos que incutir o respeito, a disciplina e o trabalho”

O que é que pensa do ensino hoje em dia?

Eu acho que há um certo mito em relação ao ensino, por exemplo, quando se diz que a antiga quarta classe vale mais que o atual nono ano, penso que isso é um mito porque as competências que os alunos do nono ano têm hoje em dia, as pessoas com a antiga quarta classe não têm - nomeadamente na área das tecnologias de informação e comunicação.
Em relação ao respeito de antigamente e de agora, nós aqui em Santo André, por exemplo, não temos razões de queixa. Haverá uma ou outra situação pontual, mas temos uma escola onde as situações de indisciplina detetadas são automaticamente alvo de correcção. Para além disso, quando há uma situação de desrespeito, os alunos prestam trabalho comunitário, sempre com o consentimento dos encarregados de educação. Para mim, não faz muito sentido os alunos irem para casa uma série de dias. Há situações de má educação, indisciplina e falta de respeito porque, infelizmente, também há muitos valores que se estão a perder na sociedade que cada vez está mais materialista. Estou certa de que se a escola não fizesse o trabalho que faz, estas situações iriam ser muito piores. Temos que incutir o respeito, a disciplina e o trabalho.
Se me perguntar se o ensino vai bem ou mal, eu acho que vai bem, mas é como todo um sistema evolutivo que tem que se ir burilando. Está mau este ano, para o ano que vem corrigimos. O problema é que as reformas na educação, não se vêem de um ano para o outro e o problema em Portugal é que têm havido sistemáticas reformas educativas sem nunca se fazer uma avaliação.

“Vamos mergulhar numa crise que se vai prolongar, no mínimo, por 10 anos”

Ainda há esperança para os jovens neste país?

Eu sou uma pessoa muito optimista e acho que a esperança é a última coisa a morrer. Mas sinto uma dor imensa quando vejo a nossa mão-de-obra altamente qualificada a emigrar. Pergunto como será este país daqui a 10 anos, uma vez que as pessoas mais novas se vão embora ou ficam cá a recibos verdes. Quem é que vai sustentar este sistema? Isto é altamente preocupante, cortar só por cortar não conduz a nada. Vamos mergulhar numa crise que se vai prolongar, no mínimo, por 10 anos.

“Fiquei surpreendida e orgulhosa com esta distinção”

O que é que significa para si esta distinção por parte do Rostos?

Fiquei surpreendida e orgulhosa com esta distinção. Acho que é o reconhecimento público do trabalho que a escola tem desenvolvido em conjunto com professores, alunos, pais e encarregados de educação. É um grande orgulho para a escola e dá-nos alento para continuarmos o nosso trabalho em prol da educação pública.

Defina o Rostos em três palavras.

Informativo, oportuno e ‘cool’.

Vanessa Sardinha

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção