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Perspectivas

Manuela Pontes, Junta de Freguesia do Vale da Amoreira - Moita«Temos mais de 300 pedidos de habitação social»

“A pobreza e a exclusão social, por falta de emprego, as necessidades de alojamento, o aumento de rendas, dá origem que existem muitas pessoas a viver em barracas espalhadas pela freguesia, outras em alojamentos ilegais, com ocupação de casas. Há aumento de despejos e situações de fome” – refere Manuela Pontes, Vogal de Acção Social e de Habitação, na Junta de Freguesia do Vale da Amoreira, numa conversa com jornal «Rostos».

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Manuela Pontes, Junta de Freguesia do Vale da Amoreira - Moita «Temos mais de 300 pedidos de habitação social»

Por Jornal Rostos

Manuela Pontes, Vogal de Acção Social e de Habitação, na Junta de Freguesia do Vale da Amoreira, numa conversa com jornal «Rostos», começa por sublinhar a importância da «Comissão Social de Freguesia» que surgiu em sequência ter findado o «Programa Bairros Críticos».

COMBATE À EXCLUSÃO SOCIAL E DESENVOLVIMENTO LOCAL

“Sendo uma freguesia com problemas sociais e de pobreza, os parceiros entenderam concertar uma ideia de trabalho coerente, de forma a não existirem ideias avulso e desarticuladas, apostando todos no combate à exclusão social e desenvolvimento local, sendo constituída a Comissão Social da Freguesia. Os parceiros já integravam os projectos dos Bairros Críticos” – refere Manuela Pontes, acrescentando que o trabalho é concretizado em articulação com o CLASM – Conselho Local de Acção Social do Concelho da Moita.
“Os programas desenvolvidos, os perfis de famílias em risco, referenciados pelos parceiros são canalizados para o CLASM” – sublinha.
“A Comissão de Freguesia é, portanto, uma plataforma de coordenação” – refere a autarca, sublinhando que já está um elaborado um pré-diagnóstico da freguesia.

CERCA DE 48% DE ABANDONO E INSUCESSO ESCOLAR DOS JOVENS

No âmbito do pré-diagnóstico regista-se cerca de 48% de abandono e insucesso escolar dos jovens, resultante de disfunções familiares, as situações de desemprego, a falta de comércio local, situações de ilegalidade, são algumas das dificuldades registadas.
“Os jovens abandonam a escola e não têm acesso ao mercado de trabalho devido às baixas qualificações escolares, assim como o estigma associado à freguesia do Vale da Amoreira” – refere.
“A pobreza e a exclusão social, por falta de emprego, as necessidades de alojamento, o aumento de rendas, dá origem que existem muitas pessoas a viver em barracas espalhadas pela freguesia, outras em alojamentos ilegais, com ocupação de casas. Há aumento de despejos e situações de fome” – refere Manuela Pontes.

EXISTE UM SENTIMENTO DE INSEGURANÇA

“Existe um sentimento de insegurança, fruto de situações de deliquência juvenil, insuficiente intervenção das forças policiais, originando climas de insegurança na freguesia, sendo necessário o reforço ao nível da segurança” – salienta a autarca, referindo que a Policia de Segurança Pública integra a Comissão Social da Freguesia e acompanha a situação.
Ao nível da juventude registam-se situações ao nível da toxicodependência, alcoolismo, gravidez na adolescência, para além de outros problemas ao nível de saúde.
Recorda a preocupação do Centro de Saúde em acompanhar estas situações.

SISTEMA DE ILEGALIDADE É UM CIRCUITO FECHADO

“Os não legalizados é outra situação registada, um problema dificil” – refere Manuela Pontes.
“Este sistema de ilegalidade é um circuito fechado, como não são legais não conseguem emprego, não recebem apoios sociais, sendo uma situação gravosa para a freguesia” – salienta.
A Junta de Freguesia procurando intervir nesta área – “criou um programa, com base em donativos do LIDL, para apoiar 25 famílias, cerca de 70 pessoas, a quem fornecemos alimentos e cabazes solidários, diversas vezes por ano. É um apoio a famílias que estão fora do sistema”.
“Os pedidos são constantes” – refere Manuela Pontes, recordando que na freguesia funcionam os «Bancos Alimentares», das Associação Cabo Verdiana e da Associação Guineense, existe também um «Refeitório Social» gerido pelo CRIVA – “tudo é insuficiente para responder às necessidades da freguesia”.

MAIS DE 300 PEDIDOS DE HABITAÇÃO SOCIAL

“Temos mais de 300 pedidos de habitação social, resultantes de desalojamentos, ou famílias que são numerosas e carecem de habitação” – refere a autarca.
“Não há resposta para estas situações dos problemas de habitação. As pessoas ou pagam as rendas ou comem. Há pessoas que foram para o estrangeiro e as casas ficam fechadas, não as entregam, gerando dificuldades para facilitar habitações a quem precisa. Esta é uma situação problemática.” – sublinha Manuela Pontes.

UMA REALIDADE SOCIAL PROBLEMÁTICA.

Manuela Pontes veio viver para o Vale da Amoreira em 1975, com a descolonização, tinha 22 anos, integrou-se na freguesia, acompanhou as mudanças. Recorda que nos anos 70/80 esta era “uma freguesia estável, com famílias estruturadas”, depois nos anos 90, registou-se um «boom» de imigrantes oriundos dos PALOP’s.
Entretanto, os jovens que nasceram no Vale da Amoreira saíram e construíram as suas famílias.
Ficaram os mais idosos. Os actuais residentes na sua maioria são oriundos dos PALOP’s. Hoje, há uma grande heterogeneidade marcada por uma realidade social problemática.

NÃO É FÁCIL SER AUTARCA.

“Foi o conhecimento desta realidade que me motivou a participar e dar um contributo para ajudar a resolver os problemas da freguesia. Não é fácil ser autarca.
Lidar com estas situações não é fácil, porque não temos respostas adequadas no tempo certo, nem recursos para resolver as dificuldades da freguesia.
Fazemos o melhor, tentamos encaminhar as pessoas, e continuamos a acreditar que é preciso fazer mais, é preciso fazer mais para dar qualidade de vida às pessoas que vivem na nossa freguesia” – refere Manuela Pontes, sentimos a emoção nas suas palavras e nos seus olhos, são palavras marcadas por um sentimento de esperança e angústia, vividas por uma autarca, voluntária, numa freguesia onde diariamente é confrontada com situações limite da dignidade humana.

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