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Perspectivas

Humberto Candeias, candidato do Bloco de Esquerda à Presidência da Câmara do Barreiro«Nós podemos mudar a ordem da realidade onde vivemos»

Humberto Candeias, é o candidato do Bloco de Esquerda à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro, sublinha - “tenho os pés na terra, seguramente não vou ser eleito presidente da Câmara, mas vereador espero ser eleito”.

"A minha geração foi muito tocada pela lição da revolução, que nos dizia que nós podemos mudar a ordem da realidade onde vivemos" - sublinha.

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Humberto Candeias, candidato do Bloco de Esquerda à Presidência da Câmara do Barreiro «Nós podemos mudar a ordem da realidade onde vivemos»

Por Jornal Rostos

Nesta primeira parte da entrevista com o candidato do Bloco de Esquerda à presidência da Câmara Municipal do Barreiro, procurámos conhecer o seu percurso de vida.
Humberto Candeias, veio viver para a Baixa da Banheira ainda criança e aqui no concelho do Barreiro construiu a sua vida.

Vim inaugurar a Escola Álvaro Velho

Humberto Candeias, nasceu em 1960, no dia 24 de Novembro, no Alentejo, no concelho de Odemira, onde viveu até aos 6 anos, depois – “fiz o caminho de muitos barreirenses, fiz o caminho do meu pai ferroviário, que passou por Montemor-o-Novo, onde fiz a 1ª classe, depois vim para o Barreiro”.
Frequentou o Ensino Básico na Baixa da Banheira, onde residia e refere – “vim inaugurar a Escola Álvaro Velho, depois segui para o Liceu do Barreiro”.

Estudei com os livros do Sindicato dos Ferroviários

“No 25 de Abril, tinha 13 anos, estava a jogar à bola na rua, nos campos onde hoje é a Urbanização dos Loios, com amigos, diversos de etnia cigana e outros. Era um tempo que se podia jogar à bola na rua.
Esse dia foi vivido em casa de forma muito intensa, inicialmente existiu alguma surpresa, mas depois foi uma grande excitação, um sentimento de mudança. O meu pai era um militante comunista, com grande consciência de classe. Os meus avós são todos do Alentejo, foram explorados toda a vida.” – recorda Humberto Candeias.
“Vim para o Barreiro, nesta relação com os serviços públicos que são os caminhos de ferro. Tenho uma grande ligação aos ferroviários por aquilo que o meu pai representou, eu estudei com os livros do Sindicato dos Ferroviários, livros que passavam por empréstimo de ano para ano.” – recorda.

Trabalhava para pagar os estudos

No Liceu acompanhou a vida associativa chegando a integrar uma associação de estudantes.
“Participei em acções com a finalidade de melhorar as condições do Liceu de Casquilhos. Conseguimos melhorias, quando foi de criar condições para as aulas ao Propedêutico” – refere.
“Segui para a Faculdade de Psicologia. Desde os 15 anos que trabalho, trabalhei em diversos pontos do país. Trabalhava para pagar os estudos. A Bolsa que em era atribuída tinha um valor inferior ao que eu pagava pelo passe da Carris.
Por isso é qua acho que às vezes falta perspectiva quando se diz que as coisas estão mal, como nunca estiveram, que a democracia não acrescentou nada, como algumas pessoas dizem, afirmando que antigamente é que era bom, não têm a perspectiva do buraco em que estava este país e daquilo que foi percorrido e que foi muito” – sublinha Humberto Candeias.

Votei em todos os partidos da esquerda

“Tornei-me militante do ponto de vista politico muito tarde, foi com a emergência do Bloco de Esquerda que aderi, inicialmente colaborei com o Bloco, mas só passado mais de um ano é que me tornei aderente, tinha quarenta e tal anos.
Tinha consciência cívica ou politica muito atenta, sempre à esquerda, votei em todos os partidos da esquerda em função da avaliação das situações ou candidatos. Votei no PS, no PCP, nos Movimentos ligados ao Otelo Saraiva de Carvalho, à Maria de Lurdes Pintassilgo.
A minha ligação à política vem de alguns professores e do ambiente que se estava a viver, desde a adolescência.
A minha geração foi muito tocada pela lição da revolução, que nos dizia que nós podemos mudar a ordem da realidade onde vivemos. Nós podemos transformar as coisas.
Tive professores de Introdução à Politica, há um professor que me lembro dele e dos livros que ele falava e da forma como comentava os momentos que estávamos a viver e os partidos.
Nós tínhamos um grande interesse pelo debate politico. Ele dizia-nos que nunca devíamos de deixar de ler outras opiniões. Foi aí que aprendi a ter uma visão, a criar a minha opinião, para além daquilo que é a opinião de um partido ou de um jornal.
Ainda hoje compro vários jornais, um hábito desse tempo de discussão de ideias”.

Vereador espero ser eleito

Depois de concluir a Faculdade desempenhou diversas actividades profissionais, desde o Ensino de Português a estrangeiros, ensino e clinica de Psicologia, apoio de psicologia a empresas.
Um dia integrou a equipa da Associação Nós, ali, no Lavradio, onde continua a desenvolver a sua actividade com a função de Director Técnico – “estou aqui há 20 anos”.
Uma actividade que exerce com paixão, sendo uma personalidade de referência na acção social ao nível do concelho do Barreiro e da região de Setúbal.
Humberto Candeias, casado, com dois filhos, Inês, com 8 anos, o Tiago, com 22 anos, é o candidato do Bloco de Esquerda à Presidência da Câmara Municipal do Barreiro, que de forma humilde salienta - “tenho os pés na terra, seguramente não vou ser eleito presidente da Câmara, mas vereador espero ser eleito”.

S.P.

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