Bruno Vitorino, candidato do PSD – Barreiro«Habituei-me a viver com a diferença, cresci com a diferença»
Sei que às vezes sou contundente, sou muito duro e muito frontal, mas prefiro ser assim que ser tímido, ser hipócrita. É uma forma de estar” – refere Bruno Vitorino, candidato do PSD à presidência da Câmara Municipal do Barreiro.
“A vida política não é uma profissão é uma missão, que se exerce durante um determinado período de tempo” - refere.

Por Jornal Rostos
Bruno Vitorino, neto de comunista, filho de socialistas, é o candidato do PSD à presidência da Câmara Municipal do Barreiro natural do Barreiro, nasceu no ano de 1971, na Clinica Laura Seixas – “onde nasceram mais 10.500 mil barreirenses” refere.
“Frequentei o Ensino Básico no Barreiro, na Escola Rita Seixas, o Ciclo na Mendonça Furtado, o Secundário na Escola Secundária de Santo André, depois, fui para Lisboa para frequentar a Universidade” - salienta.
Estudava de noite e trabalhava durante o dia
Cumpriu o serviço militar obrigatório na Serra da Carregueira, na sua vida profissional exerceu diversas actividades, iniciando ao lado do seu pai, depois trabalhou na Restauração, desenvolveu actividades comerciais e exerceu funções de Auxiliar de Acção Médica no Hospital do Barreiro – “estudava de noite e trabalhava durante o dia” - refere.
Recorda que praticou desporto como atleta do Futebol Clube Barreirense, ingressou nos Escuteiros, no Agrupamento da Quinta da Lomba.
Ser jovem naquele tempo era diferente
Na Escola Secundária de Santo André deu os seus primeiros passos na actividade associativa juvenil, tendo exercido vários cargos na Associação de Estudantes e exerceu o cargo de Presidente da Federação de Estudantes dos Concelhos do Barreiro e Moita – “que existiu devidamente legalizada”.
Refere a sua ligação à Associação Juvenil Geração 2000 – “fizemos muitas iniciativas interessantes”.
“Ser jovem naquele tempo era diferente, nós tínhamos que fazer as coisas para termos acesso às mesmas. Lembro-me das Galas, das Festas de Finalistas, dos convívios, a organização de eventos em discotecas e Bares.” – refere.
Recordo a luta dos meus pais pela democracia
Bruno Vitorino, recorda que seus pais foram activistas do Partido Socialista, sua mãe foi deputada na Assembleia Constituinte e seu pai um activista do PS até aderir ao PPD, em 1979 – “influenciado por uma pessoa, que influenciou muitas pessoas, que foi Francisco Sá Carneiro”.
“Tenho memórias e as histórias dos meus pais, que referem a acção do meu avô, que foi do Partido Comunista, um lutador antifascista, que promovia reuniões na sua Adega, em Arrudas dos Vinhos. Recordo a luta dos meus pais pela democracia, aqui no Barreiro, que chegaram a ir colocar-me a mim e ao meu irmão, nas casas dos meus avós, porque corríamos algum perigo, porque eles eram eleitos pelo PS.
Tenho portanto estas memórias dos meus avós, comunistas e dos meus pais, antes do 25 de Abril, em luta pela democracia, e depois do 25 de Abril a luta que travaram pela democracia, enquanto militantes socialistas” – sublinha.
Sentíamos vontade de fazer coisas diferentes
“Despertei para a vida politica quando iniciei a minha actividade em associações juvenis, porque tínhamos muita dificuldade em concretizar as nossas propostas, nós queríamos fazer coisas concretas, eram coisas que nós jovens gostávamos de desenvolver, na escola, e tínhamos dificuldades de obter apoios da Câmara.
Em concelhos aqui ao lado, nós, sentíamos que existiam ofertas para os jovens que no Barreiro não existiam.
Existiam, já naquele tempo, poucas ofertas para os jovens em termos de deporto, cultura e lazer.” – salienta.
“Nós sentíamos vontade de fazer coisas diferentes, foi, nessa altura que comecei a despertar para a participação politica, porque sentia que muitas destas coisas tinham a ver com dinâmicas locais que não existiam. Foi nessa altura que começámos a lutar contra a burocracia na Câmara.
É por isso que ainda cá estou, continuando a acreditar que é possível fazer mais e melhor.” – salienta Bruno Vitorino.
Aprendi a dar a valor ao trabalho
“No primeiro acto eleitoral que votei, votei em mim, fui candidato pelo PSD, na Assembleia de Freguesia do Barreiro, tinha 18 anos.
Desde essa altura estive sempre ligado aos órgãos autárquicos, na Assembleia Municipal do Barreiro, no Executivo da Junta de Freguesia de Santo António da Charneca, na Câmara Municipal do Barreiro.” – refere.
“Sempre trabalhei e tive a minha vida normal, em várias profissões, querendo construir a minha vida como qualquer jovem de forma independente. Nunca me faltou nada, mas sempre trabalhei para os meus gastos. Aprendi a dar a valor ao trabalho e à importância de trabalhar para se conseguir concretizar a nossa vida, os nossos sonhos e os nossos desejos. Tudo o que foi obtendo foi com o meu trabalho”- salienta o candidato do PSD.
Vida politica não é uma profissão
“Quando fui eleito pela primeira vez para a Assembleia da República. Optei por me dedicar exclusivamente à vida politica, e quando acabou o mandato senti que cometi um erro.
Porque a vida política não é uma profissão é uma missão, que se exerce durante um determinado período de tempo.
Quando saí, tive que voltar à estaca zero. Tive que voltar a reconstruir a minha vida de novo.
Por essa razão, actualmente, procuro manter em simultâneo com a minha actividade politica, uma actividade profissional, sou Sócio Gerente de duas pequenas empresas, que lutam e vão honrando os seus compromissos nestes tempos difíceis.
Desde há dois anos voltei a exercer a minha vida profissional ao nível politico” – sublinha Bruno Vitorino.
As diferenças são saudáveis e são normais
“Habituei-me a viver com a diferença, cresci com a diferença, cresci numa família, onde as pessoas à mesa, cada um com o seu ponto de vista respeitavam-se. Não deixavam de defender aquilo que acreditavam do ponto de vista ideológico, dos seus partidos, mas sentiam que as diferenças são saudáveis e são normais.
O meu combate politico no dia a dia faz-se nesta diferença, não abdico dos meus princípios, não deixo de dizer aquilo que penso, de forma séria e honesta.
Sei que às vezes sou contundente, sou muito duro e muito frontal, mas prefiro ser assim que ser tímido, ser hipócrita. É uma forma de estar. Sei que há pessoas que gostam mais da lógica hipocrisia e do cinismo, dão palmadinhas nas costas à frente e atrás são capazes do pior. Não sou assim, por isso, por vezes, os feitios chocam-se, mas, cada um é como cada qual, isso não me tira o sono” – refere Bruno Vitorino.
“Sou casado com uma cidadã Polaca. Um país onde o comunismo é proibido na Constituição. Porque querem prevenir-se daquilo que viveram. Não deixa de ser curioso” – refere no final da nossa conversa, onde procurámos conhrcer um pouco o seu percurso de vida.
S.P.













