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Perspectivas

Bruno Vitorino, candidato do PSD - Barreiro«Devemos ter a oportunidade de gerir os destinos do Barreiro»

. Ter lógicas de investimento não ficar à espera dos investidores

. Barreiro vai reconhecer trabalho do PSD

“A visão de cidade que nós temos não passa pelo chavão da «Cidade da Participação», um chavão ideológico, politico, mas que não se materializa em nada do ponto de vista concreto.
Nós temos uma visão de cidade, num enquadramento, que o Barreiro tem que ter algo que o diferencie, tem que saber o que quer e para onde vai” – sublinha Bruno Vitorino, candidato à presidência da Câmara Municipal do Barreiro pelo PSD.

“Nós temos uma zona industrial, com muitos hectares, que é uma mais valia, e não temos um plano eficaz para a zona da Baía do Tejo” - refere.

12 min de leitura
Bruno Vitorino, candidato do PSD - Barreiro «Devemos ter a oportunidade de gerir os destinos do Barreiro»

Por Jornal Rostos

Bruno Vitorino é, pela segunda vez, candidato do Partido Social Democrata à presidência da Câmara Municipal do Barreiro, após a primeira entrevista que publicamos procurando fazer um percurso sobre as suas vivências politicas e sociais.
Nesta segunda parte abordamos diversos aspectos de ordem politica e programa eleitoral.

Os interesses da cidade em primeiro lugar

Bruno Vitorino, sublinha que a razão da sua candidatura justifica-se porque – “tenho alguma experiência autárquica, politica, acho que tenho provas dadas no concelho do Barreiro, alguém que nos respectivos cargos públicos que exerceu é alguém que faz, alguém que mete os interesses da cidade em primeiro lugar, em suma, por todos os trabalhos que já fiz na minha terra, sou capaz de fazer mais e melhor, do que aquilo que tem vindo a ser feito no concelho do Barreiro, em termos de desenvolvimento económico, em termos de acção social, em termos de desenvolvimento sustentável e energético, acho que tenho ideias, tenho equipa e tenho eu próprio provas dadas, candidato-me porque acho que consigo fazer mais e melhor pela minha terra”.

Barreiro vai reconhecer trabalho do PSD

Na actual situação politica o PSD não corre o risco de não eleger vereador?
“Não. Acho que não. Eu respeito seja qual for o resultado eleitoral. Esta não é uma eleição nacional. Pelo trabalho que já fiz, pelo que já dei ao Barreiro, quer no Movimento Associativo, quer na ligação às instituições sociais, quer nas relações que mantenho individualmente com as pessoas, quer enquanto vereador, pelo desenvolvimento do trabalho feito, pelo qual pusemos o Barreiro no mapa nas questões da sustentabilidade, nas questões de protecção ao meio ambiente, até na mudança de paradigma da imagem do Barreiro, enquanto terra que tem uma reserva natural local, quer na criação da Agência de Energia, portanto, estas são todas coisas concretas que ao longo dos anos fui fazendo, e, pelo contacto directo que tenho feito com as pessoas e com as instituições, acho que o Barreiro vai reconhecer esse trabalho e vai votar PSD. As pessoas vão destrinçar o que é uma eleição nacional do que é uma eleição local”.

Estou disponível para trabalhar

Sendo eleito vai aceitar pelouro na Câmara?
“Eu estou disponível para trabalhar para reforçar um projecto politico, tenho ideias concretas. Somos o único partido que tem apresentado ideias concretas, que dizem respeito ao Barreiro.
Tem havido um vazio, por parte das forças de oposição, mas também do partido que está neste momento no poder, que, consideram que vão ter um bom resultado, convictos pelo trabalho que fizeram. Eu pergunto que trabalho? Um trabalho por um Barreiro que está cada vez mais abandonado, um Barreiro cada vez mais desertificado, um Barreiro que deixa ruir o seu património edificado, um Barreiro que tem cada vez mais problemas sociais.
É esse trabalho? Não vejo. Sei que efectivamente posso fazer mais e melhor.
Posso fazer mais e melhor nas freguesias, posso fazer mais pelo comércio tradicional local.
Temos um conjunto de áreas e estratégias onde pode ser feito muito mais, ao nível do desenvolvimento económico, por exemplo na zona da Baía do Tejo/Quimiparque, que é um potencial.
Não existe um rumo, uma visão de cidade. Nós temos uma visão de cidade, uma visão daquilo que nos pode diferenciar.”

Nós precisamos de colocar o Barreiro no mapa

Qual é a visão de cidade do PSD?
“A visão de cidade que nós temos não passa pelo chavão da «Cidade da Participação», um chavão ideológico, politico, mas que não se materializa em nada do ponto de vista concreto.
Nós temos uma visão de cidade, num enquadramento, que o Barreiro tem que ter algo que o diferencie, tem que saber o que quer e para onde vai.
O Barreiro compete com os concelhos vizinhos, compete numa lógica metropolitana, numa lógica ibérica e internacional. Nós precisamos de colocar o Barreiro no mapa.
Eu dou sempre dois exemplos, Mora e Óbidos, uma é comunista a outra é do PSD, ambas apostaram em projectos – Mora no Fluviário, Óbidos no Festival do Chocolate. Foram projectos que colocaram as cidades no mapa.
Por exemplo, eu sugeri, e nunca passou de contactos, parta ser criado um Parque Temático nos terrenos contíguos à Mata da Machada. Uma ideia, algo que nos coloque no mapa. Algo que diferencie o Barreiro.” – sublinha Bruno Vitorino.

Muros ideológicos separam o Barreiro do desenvolvimento

“Nós temos uma zona industrial, com muitos hectares, que é uma mais valia, e não temos um plano eficaz para a zona da Baía do Tejo.
Neste momento a Câmara não sabe o que quer fazer daquele território. Teve um Plano de Urbanização da Quimiparque, muito discutido, muito falado, muito propagandeado, que era assente no imobiliário, que não é motor de desenvolvimento do que quer que seja, tal como o Arco Ribeirinho Sul teve um projecto idêntico para a mesma área.
Nós, para desenvolvermos economicamente o Barreiro, temos que criar emprego, temos que desenvolver aquela zona.
Portanto, estes são dois exemplos, um eixo que coloque o Barreiro no mapa nacional, e outro exiso apostar na atracção de pequenas e médias empresas e também grandes empresas, que poderá ser feito se soubermos efectivamente que fazer no território da Baía do Tejo.
É verdade que o actual trabalho da equipa da Baía do Tejo ajudou a mudar o paradigma que existia para aquele território. Deixámos de discutir o que discutimos durante anos que foi uma perca de tempo, discutir megas investimentos, grandes projectos, gastámos milhões de euros, não estou a exagerar em estudos, em projectos, em coisas bonitas que nunca passariam do papel, como se percebeu.
O projecto Arco Ribeirinho Sul, se paga a si próprio, com lotes de terreno, que pagam o investimento, não é isso de facto que vai acontecer, o que é preciso é agarrar as empresas que lá estão na Baía do Tejo, agarrar novas empresas e agarrar empresas que venham para cá, e, como não há empresas sem empresários, é preciso derrubar os muros ideológicos que ainda hoje separam o Barreiro do desenvolvimento”.

Câmara Municipal do Barreiro não é pro-activa

Que é isso de derrubar os muros ideológicos?
“Quero dizer que o pequeno empresário, o médio empresário do Barreiro sempre foi mal tratado, sempre foi afastado, não há uma lógica, se é empresário tem que se sujeitar às regras da Câmara, tem que se sujeitar à máquina burocrática, tem de esperar os meses que tiver que esperar, para ter um Ok para projectos que apresenta na Câmara Municipal, para o licenciamento da sua actividade económica.
Não entendemos como é que a Câmara Municipal do Barreiro não é pro-activa na busca de investimento, não é pro-activa na forma como aborda os investimentos, até o comércio tradicional, ou os empresários do imobiliário que foram sempre mal tratados com excesso de burocracia, com as portas fechadas na Câmara, com a inexistência de uma estratégia para o desenvolvimento de regeneração urbana. Estão meses e meses à espera de um parecer da Câmara Municipal, isto, são as pessoas que se queixam, até nas reuniões públicas de Câmara”.

Mentalidade constitui uma barreira ideológica

Então as barreiras ideológicas são a burocracia?
“É a burocracia, é a forma como a Câmara está organizada, as barreiras ideológicas é aquilo que, naturalmente, ao longo dos tempos, de uma forma deliberada pela CDU, levou ao afastamento de inúmeros empresários, pequenos, médios e grandes empresários que se afastaram deste concelho.
A Baía do Tejo promoveu um Forum, um evento com grande qualidade para promover o Barreiro, no dia, há um boicote deliberado dos presidentes de Câmara, incluindo o presidente da Câmara do Barreiro e há uma manifestação à porta, promovida pelo Partido Comunista, onde são ofendidos. Não é uma manifestação de protesto, é uma lógica de ofensa, a todo um conjunto de pessoas, entre os quais também empresários que vieram ao Barreiro para conhecer o potencial desta zona.
Isto são barreiras ideológicas, prejudica-se o patrão, mesmo que isso, a prazo, leve a prejudicar o próprio trabalhador. Essa mentalidade constitui uma barreira ideológica. Existe enraizada em muitos dirigentes políticos da CDU, em muitos dirigentes da máquina burocrática da Câmara, que é uma barreira ao desenvolvimento” – refere o candidato do PSD..

Ter lógicas de investimento não ficar à espera dos investidores

Se fosse eleito presidente da Câmara que primeira medida tomava?
“Promovia programas para o desenvolvimento do comércio local. Um trabalho que ter ser feito com uma estratégia integrada.
O trabalho que nós fizemos em relação ao Ambiente, ou em relação à Energia, não foi um trabalho com uma medida avulsa, foi um trabalho integrado, dentro do desenvolvimento de uma estratégia.
Temos que ter estratégia para a área dos Mercados, para a área do Comércio Tradicional, temos que ter ideias e uma estratégia, para ajudar a mudar e reverter o estado em que as coisas estão, ao nível da regeneração urbana, digo a mesma coisa, ao nível do desenvolvimento económico, é preciso tratar das coisas de outra maneira, com a definição de um modelo, para a cidade e para a área da Quimiparque. É preciso ter lógicas de investimento, não ficar à espera dos investidores. Promover uma lógica pro-activa, motivar os funcionários da Câmara, envolver as empresas, ter um presidente de Câmara que tenha projectos e que motive o surgimento de novas empresas, através do apoio ao empreendedorismo, de forma a conseguirmos ter cinco ou seis casos de sucesso.
Os jovens de sucesso que conheço do concelho conseguiram-no fora do concelho, porque nunca tiveram uma porta de oportunidade aberta. Temos bastantes casos.
Quem me dera ter um presidente a usar na campanha este tipo de exemplos, só que ele não tem para apresentar.” – sublinha Bruno Vitorino.

Concelho tem que ter uma estratégia

A Câmara tem assim tantas responsabilidades na crise de desenvolvimento, estando o país no estado em que está?
“O definhamento do Barreiro não começou há dois anos quando este Governo foi para lá, ou há três anos quando o país foi obrigado a pedir ajuda externa.
Esse é que é o problema. O problema do Barreiro não é um problema dos governos, é um problema de falta de estratégia.
O concelho tem que ter uma estratégia para sair desta situação. “

O que está em causa é escolher pessoas e equipas

Como avalia o trabalho da Câmara neste mandato?
“Eu gosto do Carlos Humberto, pessoalmente dou-me bem com ele, mas faço uma distinção entre o que é a simpatia, com aquilo que é a capacidade efectiva de resolver os problemas do Barreiro.
Não houve capacidade efectiva desta equipa para resolver os problemas do Barreiro. Mas também não houve no passado em relação à mesma força politica, ou a outra força politica, o PS, que durante quatro anos, não fez diferente nem fez melhor. Teve essa oportunidade.
Por isso eu digo aos eleitores para me darem a essa oportunidade durante quatro anos e depois vamos ver, nós, na área do Ambiente tivemos 3% do Orçamento e fomos buscar fundos comunitários.
Tive um ano a área da Regeneração, foi feito o diagnóstico, procurámos medidas, procurámos soluções – com o Rui Madeira, por exemplo, na recuperação dos azulejos – tivemos uma lógica pro-activa, começámos a ter uma estratégia de reabilitação urbana, depois o pelouro foi-me retirado pelo Senhor Presidente da Câmara, que entregou ao vereador Joaquim Matias, que fez rigorosamente nada.
Até a ideia dos passadiços que estão a ser construídos em Alburrica vem desse tempo, foi uma ideia do Arquitecto Porfirio.
A Mata da Machada existe desde sempre, porque nunca foi valorizada, porque nunca se lhe deu a importância que tinha, quer de preservação, quer de valorização do ponto de vista económico, quer no seu contributo para a mudança de imagem do Barreiro.
Por tudo isso acho que devemos ter a oportunidade de gerir os destinos do Barreiro.
O que está em causa é escolher pessoas e equipas, com capacidade efectiva de trabalho e com uma visão estratégica para a cidade, fazer mais e melhor pelo Barreiro” – refere Bruno Vitorino.

Achamos que à margem para rever o IMI

Bruno Vitorino, sublinhou ainda as propostas que vai defender - “Achamos que à margem para rever o IMI. Com a nossa proposta aumenta a receita da Câmara de ano para ano, mas deixa de penalizar tanto o bolso dos barreirenses. É isso que representa a nossa proposta. É possível, é desejável e vai acontecer.”

Criar a Loja do Munícipe trazia vantagem aos cidadãos

“A Câmara tem que evoluir e deve criar postos de proximidade, balcões do munícipe, descentralizados pelos mercados municipais, revitalizando os mercados municipais. Criar a Loja do Munícipe trazia vantagem aos cidadãos.” - salientou.

Carlos Humberto - simpatizo com a pessoa

Como aprecia o Carlos Humberto?
“Simpatizo com a pessoa. Trabalhei com ele e não tenho nada a apontar, penso que ele também não tem em relação a mim numa seriedade de relação politica.
Mas, acho que tenho condições de fazer mais e melhor que ele, eu não estou preso ao partido”

Luis Ferreira não conheço trabalho que tenha feito

E, Luis Ferreira?
“Não quero comentar. Não conheço suficientemente a pessoa, não conheço trabalho que tenha feito para poder comentar.
E, Humberto Candeias?
“Rigorosamente a mesma coisa”.

S.P.

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